{"id":90478,"date":"2024-09-30T14:15:39","date_gmt":"2024-09-30T17:15:39","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=90478"},"modified":"2024-09-30T14:15:39","modified_gmt":"2024-09-30T17:15:39","slug":"cortar-o-mal-pela-raiz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/cortar-o-mal-pela-raiz\/","title":{"rendered":"CORTAR O MAL PELA RAIZ"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Dif\u00edcil evitar frases feitas diante da clareza e objetividade da mensagem evang\u00e9lica. Em especial a que nos apresenta Marcos (9,38&#8230;48) quando nos conta o radicalismo com que Jesus condena o pecado. \u201cSe a tua m\u00e3o, o teu p\u00e9 ou o teu olho te levam a pecar&#8230; corta-os, arranca-os&#8230;\u201d. Para a maioria, tais afirmativas chegam a ser assustadoras. Mas h\u00e1 aqueles que chegam \u00e0 via dos fatos&#8230; \u00c9 claro, desde que essas mutila\u00e7\u00f5es sejam aplicadas a outros, n\u00e3o a si pr\u00f3prios. Est\u00e1 nesta \u00e1rea a lei do tali\u00e3o (olho por olho, dente por dente) ou mesmo as muitas atitudes de vingan\u00e7a que aceitamos e praticamos com naturalidade. A pena de morte \u00e9 uma dessas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Todavia, antes de qualquer a\u00e7\u00e3o de radicalismo contra si ou contra um semelhante, a toler\u00e2ncia de Jesus vem primeiro. \u201cQuem n\u00e3o \u00e9 contra n\u00f3s \u00e9 a nosso favor\u201d, diz-nos o mestre no pre\u00e2mbulo dessa discuss\u00e3o (Mc 9,40). N\u00e3o vamos exigir do outro a perfei\u00e7\u00e3o que n\u00e3o temos, quando bem o sabemos que o processo da reden\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 igual para todos, mas um aprendizado constante que s\u00f3 praticando \u00e9 que entenderemos sua plenitude. Aqueles, portanto, que n\u00e3o conhecem plenamente os mist\u00e9rios da nossa f\u00e9, mas que tentam imit\u00e1-la por \u201couvir dizer\u201d ou por respeito e rever\u00eancia, ou por instinto, intui\u00e7\u00e3o talvez, n\u00e3o est\u00e3o em plena sintonia com os ensinamentos da Igreja, mas buscam entend\u00ea-los de uma forma ou outra, n\u00e3o podem ser exclu\u00eddos do direito \u00e0 gra\u00e7a e miseric\u00f3rdia divinas. Est\u00e3o entre os pequeninos para os quais o Reino abrir\u00e1 por primeiro suas portas. A ingenuidade ou ignor\u00e2ncia na f\u00e9 e ou doutrina n\u00e3o podem ser empecilhos para a salva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Como vemos, a salva\u00e7\u00e3o em Cristo \u00e9 para todos, mesmo para aqueles que est\u00e3o fora do seu redil. \u00a0O que conta \u00e9 a retid\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o, a pureza de uma a\u00e7\u00e3o construtiva, a tentativa de se fazer o bem, mesmo sem a legitimidade da lei, da doutrina ou da pr\u00e1tica comunit\u00e1ria da f\u00e9. \u201cN\u00e3o os proibais, pois ningu\u00e9m faz milagres em meu nome para depois falar mal de mim\u201d. A toler\u00e2ncia e compreens\u00e3o desse vers\u00edculo \u00e9 princ\u00edpio do verdadeiro ecumenismo, de que tanto se fala no meio eclesial, mas pouco se aceita quando colocamos nossa a\u00e7\u00e3o doutrin\u00e1ria acima da vida caritativa e religiosa. Se algu\u00e9m n\u00e3o comunga com nosso pensamento, procedimento ou mist\u00e9rios dogm\u00e1ticos, n\u00e3o merece nosso respeito, est\u00e1 fora do rebanho dos \u201celeitos\u201d, pensamos n\u00f3s. Ora, n\u00e3o somos maiores nem melhores do que estes, simplesmente porque nossa forma\u00e7\u00e3o \u00e9 \u201cheran\u00e7a apost\u00f3lica\u201d ou nosso batismo emerge de uma pia batismal aureolada pelas b\u00ean\u00e7\u00e3os do Esp\u00edrito, ou porque nossa f\u00e9 seja mais pura e genu\u00edna&#8230; Pensamos assim, agimos assim! Mas, na pr\u00e1tica, a salva\u00e7\u00e3o em Cristo vem donde menos se espera, pois que sua a\u00e7\u00e3o no mundo n\u00e3o escolhe r\u00f3tulos, mas conte\u00fado, n\u00e3o privilegia os escolhidos, os que dizem \u201cSenhor, Senhor\u201d! Antes, ouve os que assumem a identidade daqueles que Ele chamou como \u201cHomens de Boa Vontade\u201d, que vivem a generosidade e a boa-f\u00e9 mesmo sem total conhecimento destas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Doravante, tenhamos mais cuidado e respeito com a religiosidade do outro. Se \u00e9 diferente da nossa, ao menos \u00e9 mais espont\u00e2nea e aut\u00eantica, pois nasce de uma necessidade humana de Deus. Seus caminhos s\u00e3o difusos, confusas suas pr\u00e1ticas e doutrinas. Mas, no fundo, no fundo, buscam os mesmos ideais, possuem a mesma esperan\u00e7a, comungam dos mesmos temores de serem jogados naquele \u201cfogo que n\u00e3o se apaga\u201d, a perdi\u00e7\u00e3o humana! Acolha-os. Esses tamb\u00e9m s\u00e3o dos nossos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Dif\u00edcil evitar frases feitas diante da clareza e objetividade da mensagem evang\u00e9lica. Em especial a que nos apresenta Marcos (9,38&#8230;48) quando nos conta o radicalismo com que Jesus condena o pecado. \u201cSe a tua m\u00e3o, o teu p\u00e9 ou o teu olho te levam a pecar&#8230; corta-os, arranca-os&#8230;\u201d. 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