{"id":90107,"date":"2024-09-10T09:18:23","date_gmt":"2024-09-10T12:18:23","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=90107"},"modified":"2024-09-10T15:19:34","modified_gmt":"2024-09-10T18:19:34","slug":"contemplemos-a-cruz-de-cristo-e-a-nossa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/contemplemos-a-cruz-de-cristo-e-a-nossa\/","title":{"rendered":"Contemplemos a Cruz de Cristo e a nossa!"},"content":{"rendered":"<p>Queridos irm\u00e3os e irm\u00e3s,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste dia 14 de setembro celebramos a festa da Exalta\u00e7\u00e3o da Santa Cruz, e somos chamados a contemplar a Cruz de Cristo n\u00e3o apenas como um instrumento de sofrimento e morte, mas como o sinal m\u00e1ximo de amor, reden\u00e7\u00e3o e vit\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na primeira leitura do livro dos N\u00fameros (Nm 21, 4b-9), o povo de Israel, ap\u00f3s murmurar contra Deus e contra Mois\u00e9s no deserto, \u00e9 atacado por serpentes venenosas. O povo, reconhecendo seu pecado, pede a intercess\u00e3o de Mois\u00e9s, e Deus manda que ele fa\u00e7a uma serpente de bronze e a levante. <em>\u201cTodo aquele que for mordido e olhar para ela, viver\u00e1\u201d<\/em> (Nm 21, 9). Esse gesto, aparentemente simples, nos prepara para entender o mist\u00e9rio da Cruz. A serpente de bronze, erguida no deserto, prefigura a Cruz de Cristo, onde, ao olharmos para Ele, encontramos a cura e a salva\u00e7\u00e3o para nossas almas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Cruz, portanto, n\u00e3o \u00e9 apenas um s\u00edmbolo de sofrimento, mas o lugar onde o amor de Deus se manifesta de forma plena e eficaz. Como Jesus nos revela no Evangelho de Jo\u00e3o (Jo 3, 13-17): <em>\u201cE como Mois\u00e9s levantou a serpente no deserto, assim \u00e9 necess\u00e1rio que o Filho do Homem seja levantado, para que todo aquele que nele crer tenha a vida eterna\u201d<\/em> (Jo 3, 14-15). Jesus deixa claro que a sua eleva\u00e7\u00e3o na Cruz \u00e9 o meio pelo qual o Pai oferece a salva\u00e7\u00e3o ao mundo. <em>\u201cDeus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho \u00fanico, para que n\u00e3o morra todo o que nele crer, mas tenha a vida eterna\u201d<\/em> (Jo 3, 16).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Cruz, assim, se torna o ponto central da nossa f\u00e9. \u00c9 na Cruz que Deus revela o seu imenso amor pela humanidade, entregando seu pr\u00f3prio Filho para nos resgatar. N\u00e3o estamos falando de um amor superficial, mas de um amor que se doa at\u00e9 o extremo. Cristo abra\u00e7a a Cruz por n\u00f3s e, nela, reconcilia a humanidade com Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na segunda leitura da Carta aos Filipenses (Fl 2, 6-11), o ap\u00f3stolo Paulo nos convida a meditar sobre o mist\u00e9rio da encarna\u00e7\u00e3o e da reden\u00e7\u00e3o de Cristo. Ele, <em>\u201csubsistindo na condi\u00e7\u00e3o de Deus, n\u00e3o se apegou ciosamente \u00e0 sua igualdade com Deus, mas esvaziou-se a si mesmo, assumindo a condi\u00e7\u00e3o de escravo e tornando-se semelhante aos homens\u201d<\/em> (Fl 2, 6-7). Aqui, Paulo ressalta a humildade de Cristo, que aceitou a condi\u00e7\u00e3o humana, tornando-se obediente <em>\u201cat\u00e9 a morte, e morte de Cruz\u201d <\/em>(Fl 2, 8). Por essa obedi\u00eancia, Deus o exaltou soberanamente, dando-lhe <em>\u201co nome que est\u00e1 acima de todo nome\u201d<\/em> (Fl 2, 9), de modo que todos os joelhos se dobrem diante de Jesus Cristo, Senhor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Cruz, que aos olhos do mundo parece um esc\u00e2ndalo e uma loucura, \u00e9, na verdade, o caminho da glorifica\u00e7\u00e3o. Cristo se humilhou at\u00e9 a Cruz, e por isso foi exaltado. Este \u00e9 o grande paradoxo da f\u00e9 crist\u00e3: a exalta\u00e7\u00e3o vem atrav\u00e9s da humildade e do sacrif\u00edcio. A Cruz, s\u00edmbolo de vergonha no mundo antigo, \u00e9 transformada em s\u00edmbolo de vit\u00f3ria pela ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hoje, ao celebrarmos a Exalta\u00e7\u00e3o da Santa Cruz, somos chamados a refletir sobre o nosso pr\u00f3prio relacionamento com a Cruz. Como crist\u00e3os, todos n\u00f3s somos convidados a carregar a nossa Cruz, seguindo os passos de Jesus. Muitas vezes, tentamos fugir ou nos revoltamos diante do sofrimento. No entanto, a Cruz de Cristo nos ensina que o sofrimento, quando assumido com amor e f\u00e9, tem o poder de transformar e redimir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao olharmos para a Cruz, vemos n\u00e3o apenas o sofrimento de Cristo, mas tamb\u00e9m o seu amor infinito por n\u00f3s. A Cruz nos lembra que, em nossas dificuldades e prova\u00e7\u00f5es, n\u00e3o estamos sozinhos. Cristo, que passou pela Cruz e venceu a morte, caminha conosco em cada passo de nossa jornada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Que possamos, \u00e0 luz dessa celebra\u00e7\u00e3o, aprender a carregar nossas cruzes com f\u00e9 e esperan\u00e7a, confiando que, assim como Cristo foi exaltado, tamb\u00e9m n\u00f3s, em uni\u00e3o com Ele, seremos exaltados no final de nossa jornada. A Cruz, para o crist\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 fim, mas come\u00e7o de uma nova vida. \u00c9 nela que encontramos a for\u00e7a para continuar sabendo que, depois da Cruz, vem a ressurrei\u00e7\u00e3o. Am\u00e9m<\/p>\n<p class=\"s4\" style=\"text-align: center; margin: 0cm 0cm 6.0pt 0cm;\" align=\"center\"><span class=\"bumpedfont15\"><b><span style=\"font-size: 14.0pt; color: black;\">+Anuar Battisti<\/span><\/b><\/span><span style=\"font-size: 14.0pt; color: black;\"><br \/>\n<span class=\"bumpedfont15\"><b>Arcebispo Em\u00e9rito de Maring\u00e1 (PR)<\/b><\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Queridos irm\u00e3os e irm\u00e3s, Neste dia 14 de setembro celebramos a festa da Exalta\u00e7\u00e3o da Santa Cruz, e somos chamados a contemplar a Cruz de Cristo n\u00e3o apenas como um instrumento de sofrimento e morte, mas como o sinal m\u00e1ximo de amor, reden\u00e7\u00e3o e vit\u00f3ria. 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