{"id":89509,"date":"2024-07-29T09:06:56","date_gmt":"2024-07-29T12:06:56","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=89509"},"modified":"2024-08-02T15:08:00","modified_gmt":"2024-08-02T18:08:00","slug":"a-generosidade-infantil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/a-generosidade-infantil\/","title":{"rendered":"A GENEROSIDADE INFANTIL"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Nada se multiplica se n\u00e3o houver um princ\u00edpio gerador. Parece teorema f\u00edsico ou equa\u00e7\u00e3o matem\u00e1tica, mas \u00e9 exatamente esta a li\u00e7\u00e3o que se encontra no milagre da multiplica\u00e7\u00e3o dos p\u00e3es, que hoje nos conta o evangelista Jo\u00e3o (6,1-15). Antes de seguir adiante, h\u00e1 na narrativa uma sugest\u00e3o razo\u00e1vel: o Mestre pede que as pessoas se sentem. Pois sente-se voc\u00ea tamb\u00e9m&#8230; Sossegue seu esp\u00edrito&#8230; e saboreie a refei\u00e7\u00e3o que vir\u00e1!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Olhe o cen\u00e1rio. A multid\u00e3o aumenta minuto a minuto. A orla do lago de Tiber\u00edades, tamb\u00e9m chamado de mar da Galileia, est\u00e1 pontilhado de pessoas carentes, uma multid\u00e3o ansiosa e faminta por milagres&#8230; Acorrem a Jesus como \u00faltima esperan\u00e7a de suas vidas. Diante daquele povar\u00e9u todo o mestre levanta uma quest\u00e3o: como alimentar esse povo? Ele tinha a resposta, mas era preciso provocar a consci\u00eancia antes de realizar o milagre&#8230; \u201cNem duzentas moedas de prata bastariam para dar um peda\u00e7o de p\u00e3o a cada um\u201d, responde Filipe. De fato, nenhuma fortuna do mundo seria capaz de satisfazer a fome daquela multid\u00e3o. N\u00e3o naquele deserto, naquelas circunst\u00e2ncias! N\u00e3o integralmente, com o est\u00f4mago vazio e o cora\u00e7\u00e3o conturbado por tantas e tantas car\u00eancias. O corpo pedia energias, mas a alma agitada e ansiosa por um afago de miseric\u00f3rdia encontrava no olhar de Jesus o lampejo de vida que tanto buscavam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 L\u00e1 estava uma crian\u00e7a extasiada com todo aquele alvoro\u00e7o. Tinha no olhar o brilho de uma descoberta sobrenatural, gerador do milagre que antevia em seu cora\u00e7\u00e3o. \u201cAqui estou, Senhor! Eis-me aqui!\u201d, diria como outro Isaias diante do desafio que lhe era proposto. E, estendendo sua cesta com o lanche que trouxera, o menino ofereceu do pouco que tinha: cinco p\u00e3es e dois peixes! N\u00e3o \u00e9 nada, \u00e9 muito pouco, mas \u00e9 tudo o que hoje tenho&#8230; Aqui come\u00e7a o milagre da partilha, da generosidade, da multiplica\u00e7\u00e3o! O pouco que se faz muito. A farinha da vi\u00fava de Serepta mais uma vez fazendo hist\u00f3ria! S\u00f3 que desta vez por iniciativa de uma crian\u00e7a, portadora da pureza e inoc\u00eancia de uma alma solid\u00e1ria, sens\u00edvel \u00e0s necessidades de uma multid\u00e3o de famintos. Era pouco, mas era tudo o que podia oferecer, com a certeza de que o Senhor faria o restante, valorizaria sua pequena oferta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ent\u00e3o Jesus fez sentar aquele povo todo. \u201cTomou os p\u00e3es, deu gra\u00e7as e distribuiu-os aos que estavam sentados&#8230; E fez o mesmo com os peixes\u201d. O desprendimento infantil era o gerador do grande milagre da partilha. A partir da generosidade de uma crian\u00e7a acontece o que a l\u00f3gica humana diz ser imposs\u00edvel, pois uma multid\u00e3o n\u00e3o se sacia com t\u00e3o pouco. Diante de Deus, o princ\u00edpio de tudo \u00e9 o nada, a insignific\u00e2ncia do que temos e somos. Jesus \u00e9 o agente multiplicador da nova cria\u00e7\u00e3o que renasce naquele deserto. O simbolismo eucar\u00edstico, com o povo \u201csentado\u201d ao redor de Jesus, a se alimentar com aquele \u201cp\u00e3o-vivo\u201d, a renovar suas energias para a longa travessia de um novo deserto, prefigurando nova caminhada libertadora, remete \u00e0 nossa caminhada como Igreja hoje. O milagre da multiplica\u00e7\u00e3o ainda acontece.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Nisso resulta nossa experi\u00eancia eclesial ao redor da mesa eucar\u00edstica. Eis a import\u00e2ncia das nossas ofertas, em especial da oferta dos pequeninos, das nossas crian\u00e7as, dos mais necessitados! Aos olhos de Deus \u00e9 o desprendimento humano que faz gerar o milagre da solidariedade, da fraternidade, de tudo o mais que sonhamos na vida crist\u00e3. S\u00f3 um cora\u00e7\u00e3o de crian\u00e7a \u00e9 capaz de transformar a mesa vazia em um banquete festivo, capaz de alimentar multid\u00f5es. Isso tudo Andr\u00e9 descobriu ao dar import\u00e2ncia \u00e0 generosidade daquela crian\u00e7a e de sua irris\u00f3ria oferta diante de Jesus. A multiplica\u00e7\u00e3o ent\u00e3o acontece.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Nada se multiplica se n\u00e3o houver um princ\u00edpio gerador. Parece teorema f\u00edsico ou equa\u00e7\u00e3o matem\u00e1tica, mas \u00e9 exatamente esta a li\u00e7\u00e3o que se encontra no milagre da multiplica\u00e7\u00e3o dos p\u00e3es, que hoje nos conta o evangelista Jo\u00e3o (6,1-15). 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