{"id":89490,"date":"2024-08-02T09:17:54","date_gmt":"2024-08-02T12:17:54","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=89490"},"modified":"2024-08-02T14:19:58","modified_gmt":"2024-08-02T17:19:58","slug":"6-de-agosto-de-2014-os-cem-mil-rostos-de-sofrimento-dos-cristaos-iraquianos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/6-de-agosto-de-2014-os-cem-mil-rostos-de-sofrimento-dos-cristaos-iraquianos\/","title":{"rendered":"6 de agosto de 2014: Os cem mil rostos de sofrimento dos crist\u00e3os iraquianos"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><em>\u00c0 medida que se aproxima o 10\u00ba anivers\u00e1rio da invas\u00e3o dos terroristas do Estado Isl\u00e2mico na regi\u00e3o de N\u00ednive, no Iraque, a ACN retoma um artigo que Maria Lozano, Head de Imprensa da ACN Internacional, escreveu h\u00e1 uma d\u00e9cada: &#8220;6 de agosto de 2014: A dor dos crist\u00e3os iraquianos tem cem mil rostos&#8221;.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O artigo destaca a fase inicial desse tr\u00e1gico evento, que for\u00e7ou 100 mil crist\u00e3os a fugir. Ele fornece uma impress\u00e3o em primeira m\u00e3o sobre os eventos que muitos podem ter esquecido ao longo dos anos.<\/strong><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A edi\u00e7\u00e3o deste ano do Dia de Ora\u00e7\u00e3o pelos Crist\u00e3os Perseguidos marca os 10 anos da invas\u00e3o do norte do Iraque, em 6 de agosto de 2014. A iniciativa da ACN no Brasil conta com o apoio da Confer\u00eancia Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), e j\u00e1 inicia no final de semana do dia 3 e 4 de agosto. Em S\u00e3o Paulo, na Missa na Catedral da S\u00e9 do dia 4 de agosto, \u00e0s 11h, o Di\u00e1cono Bruno Red\u00edgolo representar\u00e1 a ACN Brasil. No dia 06 de agosto, o Frei Rog\u00e9rio ir\u00e1 celebrar na capela da ACN, \u00e0s 15 horas, com transmiss\u00e3o ao vivo pelo Youtube da ACN Brasil.<\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Link do site da ACN com mais informa\u00e7\u00f5es:<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/www.acn.org.br\/dia-de-oracao-pelos-cristaos-perseguidos\/\">https:\/\/www.acn.org.br\/dia-de-oracao-pelos-cristaos-perseguidos\/<\/a><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>V\u00eddeo da Campanha do Dia de Ora\u00e7\u00e3o:<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/youtu.be\/LWJvzxHj63Y?si=k5ri6pCBCNfxlDNC\">https:\/\/youtu.be\/LWJvzxHj63Y?si=k5ri6pCBCNfxlDNC<\/a><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Link para baixar o v\u00eddeo do Youtube:<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/acnbr-my.sharepoint.com\/personal\/rodrigo_acn_org_br\/_layouts\/15\/stream.aspx?id=%2Fpersonal%2Frodrigo%5Facn%5Forg%5Fbr%2FDocuments%2FPRESS%2FDIA%2DDE%2DORACAO%2FDIA%2DDE%2DORACAO%2DPELOS%2DCRISTAOS%2DPERSEGUIDOS%2D2024%2Emp4&amp;nav=eyJyZWZlcnJhbEluZm8iOnsicmVmZXJyYWxBcHAiOiJPbmVEcml2ZUZvckJ1c2luZXNzIiwicmVmZXJyYWxBcHBQbGF0Zm9ybSI6IldlYiIsInJlZmVycmFsTW9kZSI6InZpZXciLCJyZWZlcnJhbFZpZXciOiJNeUZpbGVzTGlua0NvcHkifX0&amp;ga=1&amp;referrer=StreamWebApp%2EWeb&amp;referrerScenario=AddressBarCopied%2Eview%2E0d5d7940%2D298a%2D4ac9%2Da2ab%2D9be0bc3dab02\">https:\/\/acnbr-my.sharepoint.com\/personal\/rodrigo_acn_org_br\/_layouts\/15\/stream.aspx?id=%2Fpersonal%2Frodrigo%5Facn%5Forg%5Fbr%2FDocuments%2FPRESS%2FDIA%2DDE%2DORACAO%2FDIA%2DDE%2DORACAO%2DPELOS%2DCRISTAOS%2DPERSEGUIDOS%2D2024%2Emp4&amp;nav=eyJyZWZlcnJhbEluZm8iOnsicmVmZXJyYWxBcHAiOiJPbmVEcml2ZUZvckJ1c2luZXNzIiwicmVmZXJyYWxBcHBQbGF0Zm9ybSI6IldlYiIsInJlZmVycmFsTW9kZSI6InZpZXciLCJyZWZlcnJhbFZpZXciOiJNeUZpbGVzTGlua0NvcHkifX0&amp;ga=1&amp;referrer=StreamWebApp%2EWeb&amp;referrerScenario=AddressBarCopied%2Eview%2E0d5d7940%2D298a%2D4ac9%2Da2ab%2D9be0bc3dab02<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>6 de agosto de 2014: Os cem mil rostos de sofrimento dos crist\u00e3os iraquianos<\/strong><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Por Maria Lozano, Head de Imprensa da ACN Internacional<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O calor em Erbil \u00e9 avassalador, com seus arredores semides\u00e9rticos e suas temperaturas esmagadoras de 44 graus Celsius do ver\u00e3o iraquiano. No in\u00edcio, ficamos impressionados com um ar enganoso de paz nesta cidade, capital do Curdist\u00e3o. N\u00e3o h\u00e1 nada que sugira que nesta parte do mundo, neste exato momento, o destino de milhares e milhares de pessoas esteja em jogo. Voc\u00ea n\u00e3o pode ouvir, n\u00e3o pode ver ou sentir, mas as for\u00e7as isl\u00e2micas est\u00e3o a apenas 25 milhas daqui; e h\u00e1 apenas uma semana eles estavam nos port\u00f5es da cidade. Por detr\u00e1s dos muros das igrejas, nas escolas e nos centros desportivos, \u00e0 sombra de edif\u00edcios inacabados, esconde-se a realidade: milhares e milhares de refugiados, talvez at\u00e9 70.000 deles, espalhados por 22 pontos de acolhimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um dos principais centros \u00e9 a catedral cat\u00f3lica caldeia, mais conhecida como Catedral de S\u00e3o Jos\u00e9, em Ankawa, o bairro crist\u00e3o da cidade. Estima-se que 670 fam\u00edlias tenham buscado ref\u00fagio aqui e nos pr\u00e9dios nas imedia\u00e7\u00f5es. Uma lona improvisada, ou a sombra dos edif\u00edcios, s\u00e3o todo o al\u00edvio que eles t\u00eam para se proteger contra o calor esmagador e implac\u00e1vel. A maioria deles est\u00e1 sentada no ch\u00e3o, em pequenos grupos familiares, em colch\u00f5es ou colchonetes. Outros est\u00e3o sentados em cadeiras de pl\u00e1stico. Ankawa \u00e9 uma vasta sala de espera. S\u00e3o milhares de rostos, mas apenas uma hist\u00f3ria, um testemunho, um destino que os une a todos: s\u00e3o refugiados, condenados \u00e0 morte por serem crist\u00e3os.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O \u00eaxodo de 100.000 crist\u00e3os<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 6 de agosto, os combatentes curdos peshmerga que defendiam a \u00e1rea crist\u00e3 ao norte de Mosul se retiraram. A primeira bomba caiu na casa de Alyias em Qaraqosh, matando duas crian\u00e7as, os primos David e Mirat, que brincavam no jardim, e feriu gravemente uma terceira pessoa. O alarme se espalhou rapidamente por toda a cidade: &#8220;O ISIS est\u00e1 nos port\u00f5es, os Peshmerga n\u00e3o est\u00e3o mais nos defendendo; tomem suas fam\u00edlias e fujam!&#8221; Qaraqosh era uma cidade de cerca de 50.000 habitantes, um centro crist\u00e3o por s\u00e9culos. Todos sa\u00edram com o que puderam carregar. Os \u00fanicos que ficaram para tr\u00e1s foram aqueles que n\u00e3o podiam sair de suas casas; doentes e idosos. O povo de Qaraqosh se juntou ao de outras cidades menores na \u00e1rea circundante, como Bartella e Karemlesh. Durante esses dias, um total estimado de 100.000 crist\u00e3os deixaram suas casas na regi\u00e3o de N\u00ednive em um \u00eaxodo de propor\u00e7\u00f5es apocal\u00edpticas, fugindo na dire\u00e7\u00e3o de Duhok, Zahko e Erbil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 dif\u00edcil imaginar o p\u00e2nico que as pessoas devem ter sentido para sair sem olhar para tr\u00e1s. Isso \u00e9 menos dif\u00edcil, no entanto, para aqueles que viveram por anos cercados, sufocados e atacados por esse findamentalismo isl\u00e2mico. Muitos deles ainda carregam em seus ossos o trauma de 10 de junho, quando, no espa\u00e7o de algumas horas, as for\u00e7as do ISIS tomaram Mosul sem que ningu\u00e9m tentasse defend\u00ea-la. Ningu\u00e9m \u2013 nem seus pol\u00edticos, nem seu ex\u00e9rcito \u2013 moveu um dedo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Toda fam\u00edlia tem uma trag\u00e9dia <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Somente na cidade de Mosul, estima-se que mais de 1.000 pessoas foram assassinadas por sua f\u00e9 desde a derrota de Saddam Hussein. Cada fam\u00edlia tem sua pr\u00f3pria trag\u00e9dia, sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria dram\u00e1tica; Todo mundo tem familiares que foram assassinados, massacrados. &#8220;Este \u00e9 meu irm\u00e3o Salman, ele tinha 43 anos; eles atiraram tr\u00eas vezes na cabe\u00e7a dele, cinco anos atr\u00e1s, em Mosul&#8221;, disse um dos deslocados. Ao lado do orador, sua m\u00e3e lentamente tira a foto, segurando-a entre as duas m\u00e3os: h\u00e1 tanta dor nesse gesto, naqueles olhos. Eles fugiram de Mosul e se refugiaram em uma aldeia perto do antigo mosteiro de Mar Mattai (S\u00e3o Mateus), onde tinham parentes. Eles pensaram que estavam seguros l\u00e1; a esperan\u00e7a renasceu para o futuro; mas o avan\u00e7o do Estado Isl\u00e2mico os for\u00e7ou a fugir novamente. A poucos quil\u00f4metros dali, Yacoub, outro refugiado, nos mostra sua perna, aleijada e coberta de cicatrizes da bomba que explodiu em 2008 em uma igreja de Mossul. Quando os jihadistas emitiram seu ultimato aos crist\u00e3os em Mosul em julho, Yacoub fugiu com suas quatro filhas para Al Qosh. De l\u00e1, ele partiu em um segundo \u00eaxodo h\u00e1 duas semanas para o norte de Duhok. Ele perdeu sua terra, sua casa, tudo o que possu\u00eda; ele sofreu as consequ\u00eancias da destrui\u00e7\u00e3o em seu pr\u00f3prio corpo. Mas n\u00e3o s\u00e3o as cicatrizes em sua perna que o incomodam; a grande tristeza para Yacoub \u00e9 o futuro de suas quatro filhas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O destino das crian\u00e7as<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;N\u00e3o para n\u00f3s, mas para nossos filhos&#8221;, este \u00e9 o apelo t\u00e1cito de uma m\u00e3e de uma das seis fam\u00edlias ortodoxas sir\u00edacas, com 16 filhos no total, que encontraram abrigo sob o toldo de uma tenda na comunidade caldeia de Mangesh. Uma das meninas est\u00e1 cantando uma m\u00fasica em ingl\u00eas, cercada por todas as outras crian\u00e7as: &#8220;Todos me amam, todos me amam&#8221;. As crian\u00e7as, que nada entendem de guerras, \u00f3dio ou massacres, que nada sabem do que est\u00e1 acontecendo, n\u00e3o est\u00e3o preocupadas com o futuro. \u00c9 estranho ver tantas crian\u00e7as juntas, mas n\u00e3o ver um \u00fanico brinquedo, uma \u00fanica boneca. Muitos dos beb\u00eas est\u00e3o deitados diretamente no ch\u00e3o, alguns deles est\u00e3o em pequenas alcofas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sleiman est\u00e1 carregando sua filha de tr\u00eas anos nos bra\u00e7os. &#8220;O que ela fez para que eles a jogassem de sua terra e a fizessem viver assim?&#8221;, diz-me. &#8220;Assim&#8221;, neste caso, significa viver com oito fam\u00edlias em um \u00fanico quarto, com colch\u00f5es, comida e \u00e1gua dados a eles pela Igreja, em calor infernal e em condi\u00e7\u00f5es subumanas. Em Erbil, existem tendas de campanha montadas para aqueles que n\u00e3o conseguem encontrar espa\u00e7o nas salas de um centro esportivo, com cerca de oito pessoas em cada. \u00c9 como um inferno durante o dia, dadas as temperaturas extremas, chegando a 48\u00b0C dentro da tenda. \u00c0 noite, existe o perigo de ser mordido por ratos e escorpi\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Estamos salvando nossas vidas, a honra de nossas esposas e filhas e nossa f\u00e9.&#8221; Estas s\u00e3o as tr\u00eas principais raz\u00f5es para sua fuga apressada. E essa a\u00e7\u00e3o r\u00e1pida \u00e9 o que os salvou de sofrer o destino da comunidade yazidi, que foi massacrada, estuprada e escravizada. No entanto, para os crist\u00e3os de N\u00ednive, Qaraqosh, Al Qosh, Telfek e tantos outros lugares, eles foram roubados de algo mais do que coisas puramente materiais, ou seja, esperan\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Uma terra encharcada de sangue<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;N\u00e3o posso continuar morando aqui&#8221;, lamenta o pai de David, um dos meninos mortos pela bomba do ISIS em Qaraqosh. &#8220;Este pa\u00eds est\u00e1 encharcado de sangue.&#8221; A m\u00e3e, uma jovem vestida completamente de luto, enterra a cabe\u00e7a entre as m\u00e3os, chorando. Eles n\u00e3o t\u00eam pap\u00e9is, nem passaportes. Eles n\u00e3o sabem como fazer para solicitar um visto, mas continuam repetindo repetidamente que querem ir, n\u00e3o se importam para onde, mas simplesmente para fora desta terra de sofrimento. Aqui n\u00e3o h\u00e1 pessoal especializado para ajud\u00e1-los a lidar com seus traumas e trag\u00e9dias; eles est\u00e3o amontoados junto com todos os outros refugiados em uma escola em Ankawa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seu irm\u00e3o Adeeb costumava trabalhar para a barragem em Mosul. Em um ingl\u00eas quebrado, mas claro, ele pergunta: &#8220;Por que os mu\u00e7ulmanos que v\u00eam de fora t\u00eam seus direitos reconhecidos nos pa\u00edses europeus, enquanto aqui eles nos tratam como c\u00e3es &#8211; mas no nosso caso nem viemos de fora &#8211; este \u00e9 o nosso pa\u00eds, n\u00e3o \u00e9? &#8221; Adeeb fala das ra\u00edzes b\u00edblicas de N\u00ednive, da terra do Tigre e do Eufrates, da presen\u00e7a dos crist\u00e3os em Mossul desde o s\u00e9culo II, do mosteiro de S\u00e3o Mateus, da l\u00edngua aramaica, da l\u00edngua-m\u00e3e de Cristo, dos cat\u00f3licos sir\u00edacos e caldeus, das comunidades crist\u00e3s ortodoxas e de toda uma\u00a0 heran\u00e7a religiosa e cultural centen\u00e1ria, agora ferida pela morte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A Igreja como \u00e2ncora de ajuda e consola\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No entanto, esse passado tamb\u00e9m \u00e9 presente, real e ativo. Os padres, religiosos e bispos est\u00e3o todos tentando ajudar de todas as maneiras que podem. Eles est\u00e3o em toda parte, chamando, organizando, perguntando, ouvindo, aconselhando, orando. O que seria deles se a Igreja n\u00e3o estivesse aqui? Quem cuidaria deles? O mesmo se aplica a Duhok, onde outros cerca de 60.000 refugiados crist\u00e3os est\u00e3o espalhados entre as aldeias e aldeias ao norte da cidade &#8211; alguns at\u00e9 a fronteira com a Turquia. O trabalho que est\u00e1 sendo feito pela Igreja \u00e9 extraordin\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O padre Samir \u00e9 um padre cat\u00f3lico caldeu em uma dessas aldeias ao norte de Duhok. Ele conta o choque daquele primeiro dia quando, durante toda a noite at\u00e9 a manh\u00e3, come\u00e7ou esse \u00eaxodo inumer\u00e1vel de pessoas, enchendo as ruas, dormindo em seus carros e nas cal\u00e7adas. S\u00f3 no centro catequ\u00e9tico paroquial existem agora 77 fam\u00edlias s\u00edrio-ortodoxas, 321 pessoas no total, das quais 35 s\u00e3o crian\u00e7as. O padre Samir n\u00e3o volta para casa antes de uma ou duas da manh\u00e3. Dias de trabalho continuaram desde ent\u00e3o, sem um minuto de pausa. \u00c0s 10 horas da noite, h\u00e1 uma liga\u00e7\u00e3o em seu celular explicando que duas fam\u00edlias yazidis est\u00e3o na estrada e n\u00e3o t\u00eam nada. O padre Samir sai para encontr\u00e1-los, trazer-lhes colch\u00f5es e encontrar um lugar para ficar na casa de sua irm\u00e3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O arcebispo caldeu de Mossul, Emil Nona, \u00e9 um dos cinco bispos que tamb\u00e9m foram expulsos e deslocados, e que perderam suas casas. Ele chega, acompanhado por um padre, trazendo pacotes de alimentos, visitando as comunidades, anotando suas necessidades: colch\u00f5es, tendas, geladeira, rem\u00e9dios. Ele os aconselha e encoraja. Este \u00e9 um tempo em que a Igreja sofredora se encontra face a face com a Igreja her\u00f3ica, que vive verdadeiramente o Evangelho. \u00c9 uma Igreja que precisa do apoio, da ora\u00e7\u00e3o e da solidariedade dos seus irm\u00e3os e irm\u00e3s crist\u00e3os espalhados pelo mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em Erbil, Duhok e Zakho, em todo o Iraque, o rosto do sofrimento \u00e9 visto em tantos rostos e em tantas l\u00e1grimas, e resta pouca esperan\u00e7a: &#8220;Quando a esperan\u00e7a meramente humana desapareceu, apenas a esperan\u00e7a crist\u00e3 permanece&#8221;. E em todos os lugares ouve-se o grito un\u00e2nime: &#8220;Ajude-nos, n\u00e3o podemos continuar assim. N\u00f3s, os crist\u00e3os do Iraque, somos v\u00edtimas de desastres, estendendo nossas m\u00e3os na esperan\u00e7a de que algu\u00e9m nos salve da morte&#8221;. Eles esperam que a comunidade internacional responda e que n\u00e3o seja apenas a Igreja que venha em seu aux\u00edlio. \u00c9 uma quest\u00e3o de mais do que mera caridade crist\u00e3; Trata-se de salvar o presente, o passado e o futuro de uma cultura e religi\u00e3o antigas. E por isso pedem ajuda imediata para os ajudar a sair destes acampamentos improvisados, daquelas tendas, sufocadas sob o sol. Mas tamb\u00e9m por uma ajuda duradoura \u2013 prote\u00e7\u00e3o e seguran\u00e7a, o direito de viver sua f\u00e9, que, para os crist\u00e3os iraquianos, \u00e9 sua pr\u00f3pria cultura e identidade e que eles desejam viver em sua pr\u00f3pria terra \u2013 a terra que pertenceu a seus pais e av\u00f3s antes deles.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c0 medida que se aproxima o 10\u00ba anivers\u00e1rio da invas\u00e3o dos terroristas do Estado Isl\u00e2mico na regi\u00e3o de N\u00ednive, no Iraque, a ACN retoma um artigo que Maria Lozano, Head de Imprensa da ACN Internacional, escreveu h\u00e1 uma d\u00e9cada: &#8220;6 de agosto de 2014: A dor dos crist\u00e3os iraquianos tem cem mil rostos&#8221;. O artigo [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":67995,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4,13],"tags":[],"class_list":["post-89490","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cotidiano","category-featured"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/89490","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=89490"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/89490\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":89492,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/89490\/revisions\/89492"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media\/67995"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=89490"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=89490"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=89490"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}