{"id":89165,"date":"2024-07-04T09:34:39","date_gmt":"2024-07-04T12:34:39","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=89165"},"modified":"2024-07-04T15:39:34","modified_gmt":"2024-07-04T18:39:34","slug":"ibrahima-o-papa-acariciou-minhas-cicatrizes-e-rezou-por-quem-busca-salvacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/ibrahima-o-papa-acariciou-minhas-cicatrizes-e-rezou-por-quem-busca-salvacao\/","title":{"rendered":"Ibrahima: o Papa acariciou minhas cicatrizes e rezou por quem busca salva\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<figure class=\"article__image\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"didascalia_img\">Francisco e Ibrahima Lo durante o encontro na Casa Santa Marta, no Vaticano\u00a0<\/span><\/figure>\n<div class=\"article__meta \" data-mediatype=\"\">\n<div class=\"article__subTitle\" style=\"text-align: justify;\">O jovem do Senegal, recebido nesta quarta-feira (03\/06) por Francisco na Casa Santa Marta, relata a emo\u00e7\u00e3o do encontro com o Pont\u00edfice, a quem contou sua hist\u00f3ria de tortura nas pris\u00f5es da L\u00edbia e entregou seu livro, escrito &#8220;para dar voz a quem n\u00e3o conseguiu&#8221;.<\/div>\n<div class=\"title__separator\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div class=\"article__text\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Francesca Sabatinelli &#8211; Vatican News<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Papa acariciou as cicatrizes dele, fechando os olhos, comovendo-se e prometendo rezar por aqueles que est\u00e3o no fundo do mar, pelos homens, mulheres e crian\u00e7as que ainda est\u00e3o trancados nos\u00a0<i>lagers<\/i>\u00a0da L\u00edbia, por aqueles que est\u00e3o atravessando o deserto do Saara em busca de um lugar seguro. E depois, pelos pobres de todo o mundo, por aqueles que, especialmente na \u00c1frica, n\u00e3o t\u00eam chance de conseguir uma gota de \u00e1gua ou um prato de comida. Por aqueles que morrem sob as bombas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Ibrahima Lo<\/b>, hoje com 23 anos, tinha 16 anos quando deixou o Senegal em 2017, com destino \u00e0 Europa. Ele, juntamente com Ebrima Kuyateh de Gamba, e Pato, marido de Fati e pai de Marie, que morreu de sede no deserto &#8211; que j\u00e1 havia se encontrado com o Papa em novembro de 2023 &#8211; foram recebidos por Francisco na tarde desta quarta-feira (04\/07) na Casa Santa Marta, no Vaticano. Eles estavam acompanhados, entre outros, de Pe. Mattia Ferrari, capel\u00e3o da\u00a0<i>Mediterranea Saving Humans<\/i>, e pelo fundador da ONG, Luca Casarini.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">O encontro com Francisco<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Fiquei emocionado quando me chamaram porque o Papa queria nos ver, emocionado e entusiasmado&#8221;, conta Ibrahima. &#8220;Normalmente voc\u00ea o v\u00ea de longe, cercado por muitas pessoas e, em vez disso, eu estava com ele em uma sala e o toquei com a m\u00e3o. Ele me disse: &#8216;Ibrahima, eu vi voc\u00ea, como voc\u00ea est\u00e1, onde voc\u00ea mora? Dei-lhe meu livro, contei-lhe minha hist\u00f3ria e pedi que rezasse por aqueles que sofrem, que rezasse tamb\u00e9m por meu amigo que, quando est\u00e1vamos na pris\u00e3o na L\u00edbia, sonhava em ir para a It\u00e1lia para ser jogador de futebol. Mas ele n\u00e3o conseguiu, acabou no mar, e o Papa me disse que rezaria. Eu tamb\u00e9m lhe disse que sou mu\u00e7ulmano, mas que me tornei escoteiro porque acredito na fraternidade. Ele me disse: &#8216;Somos todos irm\u00e3os e somos todos filhos de Deus&#8217;. Isso me tocou muito.&#8221;<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">As cicatrizes que d\u00e3o a for\u00e7a<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ibrahima vive em Veneza e \u00e9 autor do livro &#8216;P\u00e3o e \u00c1gua. Do Senegal \u00e0 It\u00e1lia passando pela L\u00edbia&#8221;, com hist\u00f3rias de homens, mulheres e crian\u00e7as, daqueles que conseguiram e daqueles que n\u00e3o conseguiram e que agora precisam de algu\u00e9m para contar a hist\u00f3ria. Um livro que descreve as cicatrizes tocadas pelo Papa e d\u00e1 a Ibrahima a for\u00e7a para continuar e contar sua hist\u00f3ria, a de um menino que, em seis meses de viagem, saindo do Senegal, passou apenas tr\u00eas semanas em liberdade, o resto do tempo ele passou nas pris\u00f5es da L\u00edbia, sendo espancado e torturado todos os dias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Quando esses l\u00edbios chegaram \u00e0 cela e nos disseram que, para sair da pris\u00e3o, ter\u00edamos de pagar um valor que n\u00e3o t\u00ednhamos, ordenaram que lhes d\u00e9ssemos o n\u00famero de algu\u00e9m que pudesse pagar por n\u00f3s. Tr\u00eas de n\u00f3s, dois nigerianos e um do Gamba, n\u00e3o tinham ningu\u00e9m&#8221;, e os l\u00edbios os mataram diante dos olhos de Ibrahima. A defesa desse garoto de apenas 16 anos contra os espancamentos de seus algozes eram suas m\u00e3os, a \u00fanica coisa que ele podia fazer era levant\u00e1-las para &#8220;proteger minha cabe\u00e7a&#8221;, e s\u00e3o elas que carregam as cicatrizes tocadas pelo Papa hoje.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Moussa, Farah e aqueles que n\u00e3o conseguiram<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ibrahima, no Senegal, tem apenas uma tia, e a decis\u00e3o de partir para a Europa vem do fato de ter ficado \u00f3rf\u00e3o, com o sonho de se tornar um &#8220;jornalista para dar voz \u00e0queles que n\u00e3o t\u00eam voz&#8221;. E mesmo uma viagem t\u00e3o dif\u00edcil permite fazer amigos, as pessoas que encontra na rua, com quem troca contatos, as que est\u00e3o nas redes sociais. &#8220;Mas poucas pessoas me responderam, o que significa que elas n\u00e3o conseguiram&#8221;, lamenta Ibrahima.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A lembran\u00e7a que ele sempre carregar\u00e1 consigo \u00e9 a do resgate, dele e de todas as pessoas que estavam no bote com ele. Esse foi o momento exato em que o medo cessou. &#8220;Era o medo que t\u00ednhamos atr\u00e1s de n\u00f3s, n\u00e3o na nossa frente, porque t\u00ednhamos medo de sermos pegos pelos l\u00edbios, teria sido melhor morrer no mar do que voltar para a L\u00edbia e passar por um sofrimento sem fim&#8221;. Ibrahima lembra que, junto com o dele, houve outro resgate, mas de apenas quatro pessoas; as outras cem ou mais que estavam a bordo do bote vieram em &#8220;sacos pretos, e foi ent\u00e3o que percebi que n\u00e3o tinha conseguido&#8221;. Assim como Moussa ou Farah n\u00e3o sobreviveram, o primeiro era &#8220;meu amigo que sonhava em ser jogador de futebol&#8221;, ela, por outro lado, Farah, &#8220;era uma mulher orgulhosa; quando est\u00e1vamos na L\u00edbia, os l\u00edbios a pegaram e a levaram de volta para casa \u00e0 for\u00e7a&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Papa conversou com Ibrahima e Pato sobre as cicatrizes, as do corpo e as do cora\u00e7\u00e3o, para as quais, explicou o jovem senegal\u00eas, &#8220;n\u00e3o h\u00e1 rem\u00e9dio, n\u00e3o h\u00e1 m\u00e9dico, nem mesmo um hospital&#8221;, porque s\u00e3o doen\u00e7as que os muitos Ibrahimas sempre carregar\u00e3o consigo.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Francisco e Ibrahima Lo durante o encontro na Casa Santa Marta, no Vaticano\u00a0 O jovem do Senegal, recebido nesta quarta-feira (03\/06) por Francisco na Casa Santa Marta, relata a emo\u00e7\u00e3o do encontro com o Pont\u00edfice, a quem contou sua hist\u00f3ria de tortura nas pris\u00f5es da L\u00edbia e entregou seu livro, escrito &#8220;para dar voz a [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":89166,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[13,3],"tags":[],"class_list":["post-89165","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-featured","category-vaticano"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/89165","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=89165"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/89165\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":89168,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/89165\/revisions\/89168"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media\/89166"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=89165"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=89165"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=89165"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}