{"id":89012,"date":"2024-06-20T09:17:54","date_gmt":"2024-06-20T12:17:54","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=89012"},"modified":"2024-06-24T15:19:17","modified_gmt":"2024-06-24T18:19:17","slug":"mestre-estamos-afundando","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/mestre-estamos-afundando\/","title":{"rendered":"Mestre, estamos afundando."},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 No m\u00eas de maio o Rio Grande do Sul experimentou a for\u00e7a da \u00e1gua quando sai dos seus limites habituais, causando morte, destrui\u00e7\u00e3o, medo, desespero e ang\u00fastia. A liturgia situa-se num ambiente de mar agitado. (Jo 38,1.8-11, Salmo 106, 2 Cor\u00edntios 5,14-17 e Marcos 4,35-41). Em ambas as situa\u00e7\u00f5es, surge a mesma pergunta: \u201cMestre, estamos perecendo e tu n\u00e3o te importas?\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 As enchentes acontecidas e o texto b\u00edblico oferecem a oportunidade para refletirmos sobre a \u00e1gua, tanto no sentido natural, quanto simb\u00f3lico e religioso. A \u00e1gua est\u00e1 na origem da vida dos seres vivos e sempre gera vida ou morte. Na natureza encontramos a \u00e1gua aprisionada em mares, lagos, piscinas, caixas e recipientes. A \u00e1gua que cai livre das nuvens rapidamente penetra na terra ou se direciona para os leitos dos rios, tornando-se semilivre. Os primeiros efeitos que observamos da \u00e1gua \u00e9 que ela faz viver, ela dissolve produtos, dissolve sujeira, apaga o fogo e tamb\u00e9m faz morrer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A \u00e1gua impressiona a nossa imagina\u00e7\u00e3o. O corpo humano precisa de \u00e1gua, mas o corpo tamb\u00e9m \u00e9 \u00e1gua. Os oceanos, mares, rios e geleiras cobrem a maior parte do planeta. A \u00e1gua exerce uma atra\u00e7\u00e3o irresist\u00edvel. As cidades foram constru\u00eddas a beira de rios, oceanos e mares e se orgulham em criar ambientes atrativos \u00e0s suas margens. Os roteiros tur\u00edsticos envolvendo \u00e1gua s\u00e3o abundantes e chamativos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A \u00e1gua est\u00e1 na origem conforme o texto b\u00edblico do G\u00eanesis e tamb\u00e9m em outras cosmogonias. \u201cA terra era sem forma e vazia, e sobre o abismo havia trevas, e o esp\u00edrito de Deus pairava sobre as \u00e1guas\u201d. [&#8230;] \u201cJuntem-se num \u00fanico lugar as \u00e1guas [&#8230;] e apare\u00e7a o elemento seco\u201d. Para passar do caos para o cosmos foi necess\u00e1rio ordenar o lugar da \u00e1gua e da terra seca. Quando se mantem equil\u00edbrio a vida \u00e9 preservada, mas quando a \u00e1gua sai do seu lugar, vira caos e causa a morte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A b\u00edblia fala da \u00e1gua natural e em sentido simb\u00f3lico. Grandes acontecimentos acontecem com a presen\u00e7a da \u00e1gua, por exemplo: a cria\u00e7\u00e3o, o dil\u00favio, a passagem do Mar Vermelho e do Rio Jord\u00e3o. Muitos relatos situam Jesus junto a \u00e1gua, eis algumas cita\u00e7\u00f5es: \u00e9 batizado no Rio Jord\u00e3o, nas Bodas de Can\u00e1 transforma \u00e1gua em vinho, dialoga com a samaritana junto ao po\u00e7o; um copo de \u00e1gua dado com amor fica sem recompensa, ensina nas margens do mar da Galileia, navega, caminha sobre as \u00e1guas, Pilatos lava as m\u00e3os, morto na cruz de seu cora\u00e7\u00e3o aberto pela lan\u00e7a saem sangue e \u00e1gua. No mundo b\u00edblico o mar representa um lugar perigoso, abitado por seres gigantes e perigoso para viajar. Somente Deus tem poder sobre mares. Deus ordena a Mois\u00e9s erguer a vara e o mar se divide; Jesus caminha sobre as \u00e1guas e ordena ao vento e ao mar que se acalmem. \u201cQuem \u00e9 este, a quem at\u00e9 o vento e o mar obedecem\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 As grandes enchentes revelam a for\u00e7a vital e destruidora da \u00e1gua. Dois aspectos insepar\u00e1veis que se chamam continuamente. Cada pessoa e toda sociedade devem desenvolver um relacionamento harmonioso e respeitoso com a \u00e1gua. Sem \u00e1gua n\u00e3o h\u00e1 vida, desrespeitando-a \u00e9 causa morte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A for\u00e7a natural da \u00e1gua ilumina e faz compreender o sentido simb\u00f3lico e religioso. Para os crist\u00e3os tudo come\u00e7a na \u00e1gua do batismo. Tertuliano (155-220) escreveu: \u201cN\u00f3s, peixinhos, que temos nosso nome de nosso peixe (<em>ichthys) <\/em>Jesus Cristo, nascemos na \u00e1gua e n\u00e3o temos outro meio de salva\u00e7\u00e3o a n\u00e3o ser permanecendo nesta \u00e1gua saud\u00e1vel\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 No m\u00eas de maio o Rio Grande do Sul experimentou a for\u00e7a da \u00e1gua quando sai dos seus limites habituais, causando morte, destrui\u00e7\u00e3o, medo, desespero e ang\u00fastia. A liturgia situa-se num ambiente de mar agitado. (Jo 38,1.8-11, Salmo 106, 2 Cor\u00edntios 5,14-17 e Marcos 4,35-41). 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