{"id":88880,"date":"2024-06-17T09:07:58","date_gmt":"2024-06-17T12:07:58","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=88880"},"modified":"2024-06-18T18:08:59","modified_gmt":"2024-06-18T21:08:59","slug":"o-tempo-da-colheita","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/o-tempo-da-colheita\/","title":{"rendered":"O TEMPO DA COLHEITA"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Uma das realiza\u00e7\u00f5es do agricultor \u2013 sen\u00e3o a maior \u2013 \u00e9 poder colher o que um dia semeou com alegria e esperan\u00e7a. \u201cQuando as espigas est\u00e3o maduras, o homem mete logo a foice\u201d&#8230; o machado, a m\u00e1quina, a colheitadeira que seja! De uma forma ou de outra, a expectativa de uma colheita farta \u00e9 sempre inspiradora de uma alegria pr\u00f3pria, um momento de j\u00fabilo, mantenedor de sonhos e vida renovada. \u00c9 o momento da paga por tanto suor um dia derramado. Por que n\u00e3o tamb\u00e9m sangue, l\u00e1grimas? S\u00f3 Deus para avaliar o quanto custou um prato cheio na mesa de um oper\u00e1rio, um lavrador justo e honesto naquilo que faz!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Num pa\u00eds prop\u00edcio \u00e0 agricultura, onde \u201cem se plantando tudo d\u00e1\u201d, o assunto esbarra no privil\u00e9gio dos grandes latif\u00fandios e dos muitos sem terra a sonhar com seu quinh\u00e3o. N\u00e3o vamos aqui limitar nossa reflex\u00e3o, posto que o cerne da par\u00e1bola de Cristo era a tem\u00e1tica do Reino de Deus, n\u00e3o dos reinados humanos. Aqui entra um por\u00e9m: se quisermos vislumbrar as riquezas do Reino de Deus entre n\u00f3s \u00e9 preciso espalhar a semente do bem, da justi\u00e7a, do amor, da fraternidade, da solidariedade, da igualdade, e afastar tudo aquilo que nos segrega e nos diferencia no direito de bem viver! Numa sociedade de desiguais n\u00e3o h\u00e1 colheita de fartura e bonan\u00e7a para todos! Nada se colhe em terreno ressequido, em solo inf\u00e9rtil&#8230; Da mesma forma em cora\u00e7\u00e3o empedernido, em mente obcecada pela ambi\u00e7\u00e3o desmedida, em almas congeladas pela insensibilidade, desamor&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A uns muitos, a outros nada? Esse \u00e9 o diferencial do fiel na balan\u00e7a na colheita que Deus quer fazer, no dia do grande ju\u00edzo. A menor das sementes, o gr\u00e3o de mostarda por Ele semeado em nossos cora\u00e7\u00f5es, a f\u00e9 e esperan\u00e7a em um novo Reino, aparentemente, est\u00e1 sufocada entre muitas ciz\u00e2nias e ervas daninhas que deixamos crescer em nossas vidas. Todavia, \u00e9 a mostarda a maior das hortali\u00e7as \u201ce estende ramos t\u00e3o grandes\u00a0 que os p\u00e1ssaros do c\u00e9u podem abrigar-se \u00e0 sua sombra\u201d (Mc 4, 32). Quem nos conta essa par\u00e1bola quer nos apresentar a grandiosidade da obra criadora, seus mist\u00e9rios, suas d\u00e1divas em prol daqueles que derramam o suor do trabalho em vistas do bem comum, a mesa farta, a recompensa pessoal de cada esfor\u00e7o por uma vida digna. Assim o Reino de Deus acontece entre n\u00f3s!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Pud\u00e9ssemos penetrar mais fundo na singeleza dessa hist\u00f3ria quase infantil e os doutores da comunidade humana haveriam de se corar pela vergonha de suas teses, teorias e ci\u00eancias sociais! Quantas asneiras j\u00e1 se disse e se imp\u00f4s no campo das rela\u00e7\u00f5es humanas. Quantos \u201cismos\u201d a definir rela\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, fronteiras territoriais, limites geogr\u00e1ficos e propriedades privadas que nada produzem! O ego\u00edsmo faz crescer ciz\u00e2nias, espinheiros, ervas venenosas&#8230; mas poucos, pouqu\u00edssimos frutos que alimentem ou acolham os \u201cpequeninos\u201d, os p\u00e1ssaros feridos e famintos a rodear muitos quintais, muros e cercados el\u00e9tricos de nosso mundo retalhado, quadriculado, dimensionado por posses e t\u00edtulos patrimoniais. Ou mesmo fronteiras reclamadas como p\u00e1tria amadas! N\u00e3o \u00e9 esse o Reino que Deus sonhou para seus filhos. Nem a p\u00e1tria \u201camada, idolatrada\u201d que sonhamos&#8230; Pois bem, o tempo da colheita se repete ciclicamente, hoje e sempre, desde sempre. O que Jesus nos ensina \u00e9 separar o joio do trigo, \u00e9 deixar amadurecer a semente boa, o bem entre n\u00f3s, para que um dia possamos sentar \u00e0 mesa da reconcilia\u00e7\u00e3o universal e brindar \u00e0 vida com mais igualdade e solidariedade. Acreditem! A mostarda dar\u00e1 sabor a esse banquete.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Uma das realiza\u00e7\u00f5es do agricultor \u2013 sen\u00e3o a maior \u2013 \u00e9 poder colher o que um dia semeou com alegria e esperan\u00e7a. \u201cQuando as espigas est\u00e3o maduras, o homem mete logo a foice\u201d&#8230; o machado, a m\u00e1quina, a colheitadeira que seja! 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