{"id":88571,"date":"2024-06-02T09:01:45","date_gmt":"2024-06-02T12:01:45","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=88571"},"modified":"2024-06-03T12:05:14","modified_gmt":"2024-06-03T15:05:14","slug":"nono-domingo-do-tempo-comum","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/nono-domingo-do-tempo-comum\/","title":{"rendered":"Nono Domingo do Tempo Comum"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Depois de termos manifestado publicamente nossa adora\u00e7\u00e3o Eucar\u00edstica com a solene e concorrida prociss\u00e3o do Sant\u00edssimo Corpo de Cristo na \u00faltima quinta-feira, temos a gra\u00e7a de celebramos neste final de semana, o nono Domingo do Tempo Comum. A liturgia deste Domingo, fala que Jesus se torna vis\u00edvel a face do Deus criador e libertador, \u00e1pice da f\u00e9 de Israel e da experi\u00eancia religiosa daquele povo. Essa experi\u00eancia t\u00e3o profunda era celebrada e revivida a cada s\u00e1bado. Mas, com o passar do tempo, o descanso sab\u00e1tico ficou marcado pelo ritualismo e legalismo. Ent\u00e3o Jesus veio restaurar o sentido do s\u00e1bado como celebra\u00e7\u00e3o da vida em plenitude, da liberta\u00e7\u00e3o e da liberdade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na primeira leitura deste domingo \u2013 Dt 5,12-15 \u2013 s\u00e1bado \u00e9 dia de descanso e de estar com o Senhor que nos libertou da escravid\u00e3o do pecado e quer alimentar nossa vida de filhos adotivos de Deus. \u00c9 Dia de A\u00e7\u00e3o de Gra\u00e7as pela semana que passou! Na leitura, vemos que o s\u00e1bado \u00e9 o elo entre eternidade e tempo, porque, voltando-se totalmente para Deus no louvor sab\u00e1tico, o israelita dava um sentido de eternidade a toda a\u00e7\u00e3o temporal. No s\u00e1bado se santificava tudo que estava dentro do tempo. No s\u00e1bado a humanidade aproximava a cria\u00e7\u00e3o inteira do seu Criador. O ser humano, consci\u00eancia da cria\u00e7\u00e3o, representava todas as obras de Deus e, em nome delas, louvava o Criador. O s\u00e1bado n\u00e3o era um descanso no sentido de tirar um dia de folga do trabalho. Era muito mais que isso, era uma liberdade para o culto e para um novo modo de rela\u00e7\u00f5es sociais e ecol\u00f3gicas. No s\u00e1bado o servo descansava igual ao patr\u00e3o, o animal igual ao ser humano. E este entrava no repouso de Deus, na intimidade com o Criador-libertador, ambos como sujeitos livres, numa rela\u00e7\u00e3o de amor, a qual somente \u00e9 poss\u00edvel entre iguais, entre sujeitos livres. Por isso Deus o libertou, para que pudessem relacionar-se face a face, livremente, dando e recebendo amor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na segunda leitura \u2013 2Cor 4,6-11 \u2013 o sofrimento \u00e9 fruto do pecado, mas Jesus nos quer parceiros de sua Cruz para a salva\u00e7\u00e3o do mundo. Pela Cruz, Jesus chegou \u00e0 gl\u00f3ria. Este \u00e9 o caminho. Sabemos que sem as luzes de Deus vindas por interm\u00e9dio do Cristo, o ser humano fr\u00e1gil jamais conseguiria suportar semelhante press\u00e3o, uma vida como a acima, descrita com termos t\u00e3o fortes. Por isso o ap\u00f3stolo reconhece a pr\u00f3pria fragilidade, que \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o existencial humana da qual todos s\u00e3o part\u00edcipes, e ele n\u00e3o \u00e9 uma exce\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Somos vasos de barro, somos fr\u00e1geis. Mas as luzes de Deus em n\u00f3s nos tornam capazes de participar da cruz de Cristo para sermos realmente livres como ressuscitados. Livres de toda dor, de todo sofrimento, do pecado e da morte. \u201cPois para a liberdade Cristo nos libertou\u201d (Gl 5,1).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Evangelho \u2013 Mc 2,23-3,6 \u2013 no s\u00e1bado, o povo de Israel recordava que Deus havia posto um fim \u00e0 escravid\u00e3o do Egito. Era tempo de celebrar a liberta\u00e7\u00e3o. O povo de Israel havia recebido a liberdade para a renova\u00e7\u00e3o social e ecol\u00f3gica, pois todos descansavam (ricos e pobres, escravos e livres, ser humano e natureza). Mas, principalmente, liberdade para o culto. Para Jesus, a liberta\u00e7\u00e3o e liberdade celebradas no descanso sab\u00e1tico s\u00e3o sinais da ressurrei\u00e7\u00e3o e do mundo futuro; por isso, ele restaura a sa\u00fade e a dignidade das pessoas em dia de s\u00e1bado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O s\u00e1bado tem sentido de descanso semanal, no qual refazemos nossas for\u00e7as f\u00edsicas e espirituais. Mois\u00e9s reivindica o descanso semanal para um povo escravo e explorado no Egito, invocando a justificativa que Deus criou o mundo em seis dias e descansou no s\u00e9timo. O descanso semanal n\u00e3o \u00e9 apenas descanso f\u00edsico; \u00e9, prioritariamente, um descanso espiritual: agradecer e louvar a Deus que libertou o Povo de Israel da escravid\u00e3o eg\u00edpcia e a n\u00f3s, da escravid\u00e3o moderna! S\u00e1bado (ou Domingo para n\u00f3s) \u00e9 \u201cDia do Senhor e para o Senhor!\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O S\u00e1bado \u00e9 para o homem e n\u00e3o o contr\u00e1rio: \u201cO homem escravo do s\u00e1bado!\u201d Os judeus cercaram o s\u00e1bado de mil leis protetoras, escravizando o homem que nem podia preparar sua pr\u00f3pria refei\u00e7\u00e3o sab\u00e1tica ou dominical! E nem mesmo se podia praticar o bem em favor de um necessitado! Jesus, por\u00e9m, cura em dia de s\u00e1bado, perdoa em dia de s\u00e1bado e enche de alegria o cora\u00e7\u00e3o dos pobres enfermos e paral\u00edticos socorridos em suas enfermidades em dia de s\u00e1bado!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contudo, em algumas das vezes o homem moderno n\u00e3o sabe o que fazer em dia de descanso dominical esquecendo a primeira finalidade de celebrar a ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus. Quando a f\u00e9 desaparece, a alma morre \u00e0 m\u00edngua! O pecado escraviza; mas a virtude enriquece e liberta! As comunidades crist\u00e3s celebram o dia do Senhor no primeiro dia da semana porque foi neste dia que Jesus se manifestou como ressuscitado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como recordou S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II na carta \u201cDies Domini\u201d \u201cPor outro lado, o fato de o s\u00e1bado ser o s\u00e9timo dia da semana fez considerar o dia do Senhor \u00e0 luz de um simbolismo complementar, muito apreciado pelos Padres: o domingo, al\u00e9m de ser o primeiro dia, \u00e9 tamb\u00e9m \u00ab o oitavo dia \u00bb, ou seja, situado, relativamente \u00e0 sucess\u00e3o septen\u00e1ria dos dias, numa posi\u00e7\u00e3o \u00fanica e transcendente evocadora, n\u00e3o s\u00f3 do in\u00edcio do tempo, mas tamb\u00e9m do seu fim no \u00ab s\u00e9culo futuro \u00bb. S. Bas\u00edlio explica que o domingo significa o dia realmente \u00fanico que vir\u00e1 ap\u00f3s o tempo atual, o dia sem fim, que n\u00e3o conhecer\u00e1 tarde nem manh\u00e3, o s\u00e9culo imorredouro que n\u00e3o poder\u00e1 envelhecer; o domingo \u00e9 o pren\u00fancio incessante da vida sem fim, que reanima a esperan\u00e7a dos crist\u00e3os e os estimula no seu caminho. Nesta perspectiva do dia \u00faltimo, que realiza plenamente o simbolismo prefigurativo do s\u00e1bado, S. Agostinho conclui as Confiss\u00f5es falando do\u00a0<em>eschaton<\/em>\u00a0como \u00ab paz tranquila, paz do s\u00e1bado, que n\u00e3o entardece \u00bb A celebra\u00e7\u00e3o do domingo, dia simultaneamente \u00ab primeiro \u00bb e \u00ab oitavo \u00bb, orienta o crist\u00e3o para a meta da vida eterna\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E ainda acrescenta ao final dessa carta: \u201cA imin\u00eancia do Jubileu, queridos Irm\u00e3os e Irm\u00e3s, convida-nos a aprofundar o nosso compromisso espiritual e pastoral. De facto, \u00e9 este o seu verdadeiro objectivo. No ano em que aquele vai ser celebrado, muitas iniciativas o caracterizar\u00e3o, dando-lhe aquele timbre singular que n\u00e3o pode deixar de ter a conclus\u00e3o do segundo e o in\u00edcio do terceiro Mil\u00e9nio da Encarna\u00e7\u00e3o do Verbo de Deus. Mas este ano e este tempo especial passar\u00e3o, dando lugar \u00e0 expectativa de outros jubileus e de outras datas solenes. O domingo, com a sua ordin\u00e1ria \u00ab solenidade \u00bb, permanecer\u00e1 a ritmar o tempo da peregrina\u00e7\u00e3o da Igreja at\u00e9 ao domingo sem ocaso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Exorto-vos, portanto, amados Irm\u00e3os no episcopado e no sacerd\u00f3cio, a trabalhar incansavelmente, unidos com os fi\u00e9is, para que o valor deste dia sagrado seja reconhecido e vivido cada vez melhor. Isto produzir\u00e1 frutos nas comunidades crist\u00e3s, e n\u00e3o deixar\u00e1 de exercer uma ben\u00e9fica influ\u00eancia sobre toda a sociedade civil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os homens e as mulheres do terceiro Mil\u00e9nio, ao encontrarem a Igreja que cada domingo celebra alegremente o mist\u00e9rio donde lhe vem toda a sua vida, possam encontrar o pr\u00f3prio Cristo ressuscitado. E os seus disc\u00edpulos, renovando-se constantemente no memorial semanal da P\u00e1scoa, tornem-se anunciadores cada vez mais cred\u00edveis do Evangelho que salva e construtores ativos da civiliza\u00e7\u00e3o do amor\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Depois de termos manifestado publicamente nossa adora\u00e7\u00e3o Eucar\u00edstica com a solene e concorrida prociss\u00e3o do Sant\u00edssimo Corpo de Cristo na \u00faltima quinta-feira, temos a gra\u00e7a de celebramos neste final de semana, o nono Domingo do Tempo Comum. 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