{"id":87113,"date":"2024-02-15T09:47:06","date_gmt":"2024-02-15T12:47:06","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=87113"},"modified":"2024-02-15T13:48:57","modified_gmt":"2024-02-15T16:48:57","slug":"a-quaresma-e-caminho-para-a-liberdade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/a-quaresma-e-caminho-para-a-liberdade\/","title":{"rendered":"A Quaresma \u00e9 caminho para a liberdade"},"content":{"rendered":"<figure class=\"article__image\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"didascalia_img\">Deus guia-nos para a liberdade\u201d, mas antes acompanha-nos \u201catrav\u00e9s do deserto\u201d &#8211; da Mensagem do Papa Francisco para a Quaresma 2024\u00a0<\/span><\/figure>\n<div class=\"article__meta audioInside\" data-mediatype=\"\">\n<div class=\"article__subTitle\" style=\"text-align: justify;\">Na sua Mensagem para a Quaresma, Francisco lembra \u201ca forma sinodal da Igreja, que estamos a redescobrir e cultivar nestes anos\u201d e a necessidade de \u201cgrandes op\u00e7\u00f5es contracorrente\u201d. A jornalista S\u00f3nia Neves, coautora do livro \u201cN\u00e3o temos medo\u201d e colaboradora da Rede Sinodal em Portugal prop\u00f5e uma reflex\u00e3o sobre o texto do Papa.<\/div>\n<div class=\"title__separator\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div class=\"article__text\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Rui Saraiva \u2013 Portugal<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cDeus guia-nos para a liberdade\u201d, mas antes acompanha-nos \u201catrav\u00e9s do deserto\u201d. \u00c9 neste sentido que aponta a Mensagem do Papa para a Quaresma que agora se iniciou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Citando o texto b\u00edblico do \u00caxodo, o Santo Padre sublinha \u201ccomo Israel no deserto tinha ainda dentro de si o Egito\u201d, ou seja, como o povo tinha ainda \u201cdentro de si v\u00ednculos opressivos\u201d. Algo que acontece \u201ctamb\u00e9m hoje\u201d, salienta o Papa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cDamo-nos conta disto, quando nos falta a esperan\u00e7a e vagueamos na vida como em terra desolada, sem uma terra prometida para a qual tendermos juntos\u201d, diz Francisco. \u201cA Quaresma \u00e9 o tempo de gra\u00e7a em que o deserto volta a ser \u2013 como anuncia o profeta Oseias \u2013 o lugar do primeiro amor\u201d.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Na escurid\u00e3o das desigualdades e dos conflitos<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cAtrav\u00e9s do deserto, Deus guia-nos para a liberdade\u201d \u00e9 o t\u00edtulo da Mensagem do Papa Francisco para esta Quaresma de 2024. E neste caminho para a liberdade \u201co primeiro passo\u201d deve ser \u201cquerer ver a realidade\u201d, afirma o Santo Padre recordando \u201co grito de tantos irm\u00e3os e irm\u00e3s oprimidos\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cNa minha viagem a Lampedusa, \u00e0 globaliza\u00e7\u00e3o da indiferen\u00e7a contrapus duas perguntas, que se tornam cada vez mais atuais: \u00abOnde est\u00e1s?\u00bb (<i>Gn<\/i>\u00a03, 9) e \u00abOnde est\u00e1 o teu irm\u00e3o?\u00bb (<i>Gn<\/i>\u00a04, 9)\u201d, lembra o Papa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No seu texto, Francisco declara existir hoje um \u201cd\u00e9fice de esperan\u00e7a\u201d. Como se existisse um impedimento de sonhar numa humanidade que persiste na \u201cescurid\u00e3o das desigualdades e dos conflitos\u201d. Uma realidade que o Papa apresenta citando o testemunho de bispos e de agentes de paz e justi\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO testemunho de muitos irm\u00e3os bispos e dum grande n\u00famero de agentes de paz e justi\u00e7a convence-me cada vez mais de que aquilo que \u00e9 preciso denunciar \u00e9 um d\u00e9fice de esperan\u00e7a. Trata-se de um impedimento a sonhar, um grito mudo que chega ao c\u00e9u e comove o cora\u00e7\u00e3o de Deus. Assemelha-se \u00e0quela nostalgia da escravid\u00e3o que paralisa Israel no deserto, impedindo-o de avan\u00e7ar. O \u00eaxodo pode ser interrompido: n\u00e3o se explicaria doutro modo porque \u00e9 que tendo uma humanidade chegado ao limiar da fraternidade universal e a n\u00edveis de progresso cient\u00edfico, t\u00e9cnico, cultural e jur\u00eddico capazes de garantir a todos a dignidade, tateie ainda na escurid\u00e3o das desigualdades e dos conflitos\u201d, escreve o Papa.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Amadurecer a liberdade de uma nova esperan\u00e7a<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo Francisco, a Quaresma \u00e9 tempo de convers\u00e3o, de fazer deserto em n\u00f3s, um \u201cespa\u00e7o onde a nossa liberdade pode amadurecer\u201d, diz o Santo Padre. Um amadurecimento cimentado nas atitudes da ora\u00e7\u00e3o, da esmola e do jejum.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cOra\u00e7\u00e3o, esmola e jejum n\u00e3o s\u00e3o tr\u00eas exerc\u00edcios independentes, mas um \u00fanico movimento de abertura, de esvaziamento: lancemos fora os \u00eddolos que nos tornam pesados, fora os apegos que nos aprisionam. Ent\u00e3o o cora\u00e7\u00e3o atrofiado e isolado despertar\u00e1. Para isso h\u00e1 que diminuir a velocidade e parar. Assim a dimens\u00e3o contemplativa da vida, que a Quaresma nos far\u00e1 reencontrar, mobilizar\u00e1 novas energias. Na presen\u00e7a de Deus, tornamo-nos irm\u00e3s e irm\u00e3os, sentimos os outros com nova intensidade: em vez de amea\u00e7as e de inimigos encontramos companheiras e companheiros de viagem. Tal \u00e9 o sonho de Deus, a terra prometida para a qual tendemos, quando sa\u00edmos da escravid\u00e3o\u201d, escreve o Santo Padre.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Papa cita um excerto do seu discurso aos estudantes universit\u00e1rios durante a Jornada Mundial da Juventude Lisboa 2023, apontando ao \u201clampejar duma nova esperan\u00e7a\u201d se a \u201cQuaresma for de convers\u00e3o\u201d. \u201cQuero dizer-vos, como aos jovens que encontrei em Lisboa no ver\u00e3o passado: \u00abProcurai e arriscai; sim, procurai e arriscai. Neste momento hist\u00f3rico, os desafios s\u00e3o enormes, os gemidos dolorosos: estamos a viver uma terceira guerra mundial feita aos peda\u00e7os. Mas abracemos o risco de pensar que n\u00e3o estamos numa agonia, mas num parto; n\u00e3o no fim, mas no in\u00edcio dum grande espet\u00e1culo. E \u00e9 preciso coragem para pensar assim\u00bb (Discurso aos estudantes universit\u00e1rios,\u00a003\/VIII\/2023).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na sua Mensagem para a Quaresma, Francisco lembra \u201ca forma sinodal da Igreja, que estamos a redescobrir e cultivar nestes anos\u201d e a necessidade de \u201cgrandes op\u00e7\u00f5es contracorrente\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A este prop\u00f3sito, a jornalista S\u00f3nia Neves, coautora do livro \u201cN\u00e3o temos medo\u201d e colaboradora da Rede Sinodal em Portugal prop\u00f5e uma reflex\u00e3o sobre a Mensagem do Papa Francisco para a Quaresma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vale a pena!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA cada ano vale sempre a pena ler a Mensagem de Quaresma do Papa. A mim faz-me parar, nem que por breves minutos, e apontar estes 40 dias que chegam como oportunidade de reflex\u00e3o, melhoria, mudan\u00e7a ou at\u00e9 o despertar de outras vontades naquele momento ou circunst\u00e2ncia de vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desta vez a vontade de ler a Mensagem do Papa Francisco foi refor\u00e7ada pela parte gr\u00e1fica que acompanha o documento, inicialmente at\u00e9 pensei ser brincadeira. Mas n\u00e3o!\u00a0Os desenhos da autoria de Mupal, artista italiano conhecido pelas suas interven\u00e7\u00f5es nas ruas de Roma, v\u00e3o sendo apresentados ao longo deste tempo e, aqui, o Dicast\u00e9rio para o Servi\u00e7o do Desenvolvimento Humano Integral teve essa ousadia de \u201ctrazer da rua\u201d para a Igreja, o mesmo prop\u00f3sito de fazer caminho com a ajuda da arte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vale a pena tamb\u00e9m frisar o olhar ao mais pobre, presente na Mensagem, denunciando a pobreza que atinge milh\u00f5es de pessoas e a destrui\u00e7\u00e3o da natureza. \u201cAtrav\u00e9s do deserto, Deus guia-nos para a liberdade\u201d \u00e9 o t\u00edtulo da Mensagem que nos provoca e aponta que a humanidade vive ainda na \u201cescurid\u00e3o das desigualdades e dos conflitos\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No documento apresentado o Papa prop\u00f5e uma reflex\u00e3o sobre os estilos de vida e como cada crist\u00e3o se define, se compromete, espera ou sonha a sua comunidade, a Igreja, fazendo alus\u00e3o ao processo sinodal que decorre.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA forma sinodal da Igreja, que estamos a redescobrir e cultivar nestes anos, sugere que a Quaresma seja tamb\u00e9m tempo de decis\u00f5es comunit\u00e1rias, de pequenas e grandes op\u00e7\u00f5es contracorrente, capazes de modificar a vida quotidiana das pessoas e a vida de toda uma coletividade: os h\u00e1bitos nas compras, o cuidado com a cria\u00e7\u00e3o, a inclus\u00e3o de quem n\u00e3o \u00e9 visto ou \u00e9 desprezado\u201d, refere a Mensagem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Quaresma \u00e9 tamb\u00e9m sin\u00f3nimo de surpresa e, a mim, esta forma de a viver, neste ano em que nos envolvemos na oportunidade do caminho sinodal, \u00e9 o tempo para o entusiasmo, para o di\u00e1logo, para a uni\u00e3o e entreajuda nas comunidades, em Igreja. Como em fam\u00edlia, na simplicidade, escutar todos, dar alento aos necessitados e apontar mudan\u00e7as.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Que a Quaresma de 2024 valha a pena, que possa ser uma \u201cpegada\u201d diferente, uma marca de mudan\u00e7a de caminho, se o tiver de ser, de nos sentirmos mais Igreja na f\u00e9 que nos une e no Evangelho que queremos dar a conhecer. Vale a pena!\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><i>Laudetur Iesus Christus<\/i><\/p>\n<div>\n<div class=\"article__embed article__embed--unwrap article__embed--dark\">\n<div class=\"article__innerTitle\" style=\"text-align: justify;\">Oi\u00e7a aqui a reportagem e partilhe<\/div>\n<div>\n<!--[if lt IE 9]><script>document.createElement('audio');<\/script><![endif]-->\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-87113-1\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/media.vaticannews.va\/media\/audio\/s1\/2024\/02\/14\/11\/137701461_F137701461.mp3?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/media.vaticannews.va\/media\/audio\/s1\/2024\/02\/14\/11\/137701461_F137701461.mp3\">https:\/\/media.vaticannews.va\/media\/audio\/s1\/2024\/02\/14\/11\/137701461_F137701461.mp3<\/a><\/audio>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"title__separator\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Deus guia-nos para a liberdade\u201d, mas antes acompanha-nos \u201catrav\u00e9s do deserto\u201d &#8211; da Mensagem do Papa Francisco para a Quaresma 2024\u00a0 Na sua Mensagem para a Quaresma, Francisco lembra \u201ca forma sinodal da Igreja, que estamos a redescobrir e cultivar nestes anos\u201d e a necessidade de \u201cgrandes op\u00e7\u00f5es contracorrente\u201d. 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