{"id":86550,"date":"2024-01-15T11:55:59","date_gmt":"2024-01-15T14:55:59","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=86550"},"modified":"2024-01-15T11:55:59","modified_gmt":"2024-01-15T14:55:59","slug":"mensagem-do-papa-francisco-para-o-dia-mundial-do-doente-2024","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/mensagem-do-papa-francisco-para-o-dia-mundial-do-doente-2024\/","title":{"rendered":"Mensagem do papa Francisco para o Dia Mundial do Doente 2024"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">A Sala de Imprensa do Vaticano divulgou no s\u00e1bado (13), a mensagem do papa Francisco para o Dia Mundial do Doente 2024, que ser\u00e1 celebrado no dia 11 de fevereiro deste ano, trazendo a cita\u00e7\u00e3o b\u00edblica do G\u00eanesis: &#8220;N\u00e3o \u00e9 conveniente que o homem esteja s\u00f3&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Dia Mundial do Doente foi criado em 1992 por s\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II, que fixou sua data anual em 11 de fevereiro, mem\u00f3ria lit\u00fargica de Nossa Senhora de Lourdes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Confira abaixo o texto completo da mensagem do papa Francisco:<\/p>\n<div class=\"full-width-ad lightest-grey-bg mb-5 mt-5\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"sidebar_narrow\">\n<div class=\"col-l-4 col-m-12 sidebar mt-m-6 mt-s-0\">\n<div class=\"box box-trending\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: center;\"><strong>\u201cN\u00e3o \u00e9 conveniente que o homem esteja s\u00f3\u201d.<\/strong><\/div>\n<div style=\"text-align: center;\"><strong>Cuidar do doente, cuidando das rela\u00e7\u00f5es<\/strong><\/div>\n<div><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cN\u00e3o \u00e9 conveniente que o homem esteja s\u00f3\u201d (<em>Gn<\/em>\u00a02, 18). Desde o in\u00edcio, Deus, que \u00e9 amor, criou o ser humano para a comunh\u00e3o, inscrevendo no seu \u00edntimo a dimens\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es. Assim a nossa vida, plasmada \u00e0 imagem da Trindade, \u00e9 chamada a realizar-se plenamente no dinamismo das rela\u00e7\u00f5es, da amizade e do amor m\u00fatuo. Fomos criados para estar juntos, n\u00e3o sozinhos. E precisamente porque este projeto de comunh\u00e3o est\u00e1 inscrito t\u00e3o profundamente no cora\u00e7\u00e3o humano, a experi\u00eancia do abandono e da solid\u00e3o atemoriza-nos e olhamo-la como dolorosa e at\u00e9 desumana. E isto agrava-se ainda mais no tempo da fragilidade, da incerteza e da inseguran\u00e7a, causadas muitas vezes pelo aparecimento dalguma doen\u00e7a grave.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Penso, por exemplo, em todos aqueles que permaneceram terrivelmente s\u00f3s durante a pandemia de Covid-19: pacientes que n\u00e3o podiam receber visitas, mas tamb\u00e9m enfermeiros, m\u00e9dicos e pessoal auxiliar, todos sobrecarregados de trabalho e confinados em reparti\u00e7\u00f5es isoladas. E n\u00e3o esque\u00e7amos quantos tiveram de enfrentar sozinhos a hora da morte, assistidos pelos profissionais de sa\u00fade, mas longe das suas fam\u00edlias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao mesmo tempo associo-me, pesaroso, \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de sofrimento e solid\u00e3o de quantos, por causa da guerra e suas tr\u00e1gicas consequ\u00eancias, se encontram sem apoio nem assist\u00eancia: a guerra \u00e9 a mais terr\u00edvel das doen\u00e7as sociais e as pessoas mais fr\u00e1geis pagam-lhe o pre\u00e7o mais alto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contudo, \u00e9 preciso assinalar que, mesmo nos pa\u00edses que gozam da paz e de maiores recursos, o tempo da velhice e da doen\u00e7a \u00e9 vivido frequentemente na solid\u00e3o e, por vezes, at\u00e9 no abandono. Esta triste realidade \u00e9 consequ\u00eancia sobretudo da cultura do individualismo, que exalta a produ\u00e7\u00e3o a todo o custo e cultiva o mito da efici\u00eancia, tornando-se indiferente e at\u00e9 implac\u00e1vel quando as pessoas j\u00e1 n\u00e3o t\u00eam as for\u00e7as necess\u00e1rias para lhe seguir o passo. Torna-se ent\u00e3o cultura do descarte, na qual \u201cas pessoas j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o vistas como um valor prim\u00e1rio a respeitar e tutelar, especialmente se s\u00e3o pobres ou deficientes, se \u201cainda n\u00e3o servem\u201d (como os nascituros) ou \u201cj\u00e1 n\u00e3o servem\u201d (como os idosos)\u201d (Francisco, Carta enc.\u00a0<em>Fratelli tutti<\/em>, 18). Esta l\u00f3gica permeia tamb\u00e9m, infelizmente, certas op\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, que n\u00e3o conseguem colocar no centro a dignidade da pessoa humana com as suas car\u00eancias e nem sempre proporcionam as estrat\u00e9gias e recursos necess\u00e1rios para garantir a todo o ser humano o direito fundamental \u00e0 sa\u00fade e o acesso aos cuidados m\u00e9dicos. Ao mesmo tempo, o abandono das pessoas fr\u00e1geis e a sua solid\u00e3o acabam favorecidos ainda pela redu\u00e7\u00e3o dos cuidados m\u00e9dicos apenas aos servi\u00e7os de sa\u00fade, sem serem sapientemente acompanhados por uma \u00abalian\u00e7a terap\u00eautica\u00bb entre m\u00e9dico, paciente e familiar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Faz-nos bem voltar a ouvir esta frase b\u00edblica: \u201cn\u00e3o \u00e9 conveniente que o homem esteja s\u00f3\u201d. \u00c9 pronunciada por Deus ao in\u00edcio da cria\u00e7\u00e3o, revelando-nos assim o significado profundo do seu projeto para a humanidade, mas ao mesmo tempo tamb\u00e9m a ferida mortal do pecado, que se introduz gerando suspeitas, fraturas, divis\u00f5es e consequente isolamento. Este atinge a pessoa em todas as suas rela\u00e7\u00f5es: com Deus, consigo mesma, com o outro, com a cria\u00e7\u00e3o. Tal isolamento faz-nos perder o significado da exist\u00eancia, tira-nos a alegria do amor e faz-nos provar uma sensa\u00e7\u00e3o opressiva de solid\u00e3o nas sucessivas passagens cruciais da vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Irm\u00e3os e irm\u00e3s, o primeiro cuidado de que necessitamos na doen\u00e7a \u00e9 uma proximidade cheia de compaix\u00e3o e ternura. Por isso, cuidar do doente significa, antes de mais nada, cuidar das suas rela\u00e7\u00f5es, de todas as suas rela\u00e7\u00f5es: com Deus, com os outros \u2013 familiares, amigos, profissionais de sa\u00fade \u2013, com a cria\u00e7\u00e3o, consigo mesmo. \u00c9 poss\u00edvel? Sim, \u00e9 poss\u00edvel; e todos somos chamados a empenhar-nos para que tal aconte\u00e7a. Olhemos para o \u00edcone do Bom Samaritano (cf.\u00a0<em>Lc<\/em>\u00a010, 25-37), contemplemos a sua capacidade de parar e aproximar-se, a ternura com que trata as feridas do irm\u00e3o que sofre.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Recordemos esta verdade central da nossa vida: viemos ao mundo porque algu\u00e9m nos acolheu, somos feitos para o amor, somos chamados \u00e0 comunh\u00e3o e \u00e0 fraternidade. Esta dimens\u00e3o do nosso ser sust\u00e9m-nos sobretudo no tempo da doen\u00e7a e da fragilidade, e \u00e9 a primeira terapia que todos, juntos, devemos adotar para curar as doen\u00e7as da sociedade em que vivemos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A v\u00f3s que vos encontrais na doen\u00e7a, passageira ou cr\u00f3nica, quero dizer-vos: N\u00e3o tenhais vergonha do vosso desejo de proximidade e ternura. N\u00e3o o escondais e nunca penseis que sois um peso para os outros. A condi\u00e7\u00e3o dos doentes convida-nos a todos a abrandar os ritmos exasperados em que estamos imersos e a reentrar em n\u00f3s mesmos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesta mudan\u00e7a de \u00e9poca que vivemos, especialmente n\u00f3s, crist\u00e3os, somos chamados a adotar o olhar compassivo de Jesus. Cuidemos de quem sofre e est\u00e1 sozinho, porventura marginalizado e descartado. Com o amor m\u00fatuo que Cristo Senhor nos oferece na ora\u00e7\u00e3o, especialmente na Eucaristia, tratemos das feridas da solid\u00e3o e do isolamento. E deste modo cooperamos para contrastar a cultura do individualismo, da indiferen\u00e7a, do descarte e fazer crescer a cultura da ternura e da compaix\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os doentes, os fr\u00e1geis, os pobres est\u00e3o no cora\u00e7\u00e3o da Igreja e devem estar tamb\u00e9m no centro das nossas solicitudes humanas e cuidados pastorais. N\u00e3o o esque\u00e7amos! E confiemo-nos a Maria Sant\u00edssima, Sa\u00fade dos Enfermos, pedindo-Lhe que interceda por n\u00f3s e nos ajude a ser art\u00edfices de proximidade e de rela\u00e7\u00f5es fraternas.<\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\"><em>Roma \u2013 S\u00e3o Jo\u00e3o de Latr\u00e3o, 10 de janeiro de 2024.<\/em><\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Sala de Imprensa do Vaticano divulgou no s\u00e1bado (13), a mensagem do papa Francisco para o Dia Mundial do Doente 2024, que ser\u00e1 celebrado no dia 11 de fevereiro deste ano, trazendo a cita\u00e7\u00e3o b\u00edblica do G\u00eanesis: &#8220;N\u00e3o \u00e9 conveniente que o homem esteja s\u00f3&#8221;. 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