{"id":85156,"date":"2023-11-02T10:03:24","date_gmt":"2023-11-02T13:03:24","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=85156"},"modified":"2023-11-06T10:04:54","modified_gmt":"2023-11-06T13:04:54","slug":"novembro-finados-a-morte-explosao-dos-limites","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/novembro-finados-a-morte-explosao-dos-limites\/","title":{"rendered":"Novembro: Finados A MORTE: EXPLOS\u00c3O DOS LIMITES"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong><em>+ Jo\u00e3o Bosco \u00d3liver de Faria<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong><em>Arcebispo Em\u00e9rito de Diamantina<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00c9 comum associarmos o termo morte aos sentidos de perda, de finitude, de fracasso. <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Perda: \u201ctive cinco filhos e perdi um\u201d.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Finitude: \u201cele abandonou os estudos; vai ser o fim de sua carreira\u201d.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Fracasso: \u201cdepois de sua \u00faltima apresenta\u00e7\u00e3o, o palco morreu para ele\u201d.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Em qualquer dessas acep\u00e7\u00f5es, o sentido evoca limite.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 N\u00e3o podemos, contudo, nos esquecer de que tudo o que \u00e9 criado \u00e9 limitado. Quem constr\u00f3i uma casa, estabelece antes seus limites: tamanho, n\u00famero de salas, n\u00famero de quartos, tamanho da cozinha e de suas depend\u00eancias, etc. Ao criar suas obras, Deus tamb\u00e9m estabelece para cada criatura \u2013 e o ser humano \u00e9 a mais perfeita delas, sem contar os anjos \u2013 os limites apropriados. Assim, n\u00f3s recebemos, com o dom da vida, os nossos limites.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A vitalidade de uma pessoa \u00e9 limitada no tempo e na sua a\u00e7\u00e3o na hist\u00f3ria. Ao longo da vida, come\u00e7am a aparecer os sinais dos limites, que crescem quando surge alguma doen\u00e7a. Se esta prospera, v\u00e3o se acentuando os sinais dos limites: o leito, o hospital, o CTI, o isolamento, o coma. Na mesma propor\u00e7\u00e3o em que aumentam os limites do corpo, diminuem as express\u00f5es de comunica\u00e7\u00e3o da intelig\u00eancia, do esp\u00edrito. Perde-se a fala, diminui-se a vis\u00e3o, mas a audi\u00e7\u00e3o tende a permanecer. A pessoa v\u00ea, mexe seus olhos, acompanhando o movimento do quarto; escuta, mas n\u00e3o consegue falar, exprimir seus sentimentos: entra no t\u00fanel da solid\u00e3o e do sil\u00eancio. O esp\u00edrito vai se sentindo cada vez mais sufocado: quer se exprimir, mas o corpo n\u00e3o obedece. Imagino ser essa uma solid\u00e3o terr\u00edvel. A pessoa percebe que a vida lhe escorrega das m\u00e3os, nota as conversas sussurradas das pessoas no quarto, sabe que n\u00e3o est\u00e1 bem, mas n\u00e3o tem a real dimens\u00e3o do fato. Apesar disso, o moribundo n\u00e3o perde a esperan\u00e7a e o desejo sempre mais forte de viver. Lamenta-se a s\u00f3s \u2013 na solid\u00e3o \u2013 por tudo aquilo que deixara de fazer e que, na sua percep\u00e7\u00e3o, talvez n\u00e3o possa mais fazer. Terr\u00edvel. O esp\u00edrito sente-se limitado, amorda\u00e7ado, quase massacrado pelo corpo enfraquecido. Transcorridos os dias que n\u00e3o consegue mais andar, passa a sentir o enfraquecer dos bra\u00e7os, j\u00e1 n\u00e3o estende a m\u00e3o \u00e0s suas visitas, at\u00e9 a comida lhe \u00e9 colocada na boca. Quer se manifestar, mas, quando fala, ningu\u00e9m entende seus balbucios. Ainda que tente ser forte e esconder a dor diante dos limites impostos pela natureza, alguma l\u00e1grima incontida brota-lhe sorrateira dos olhos.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Quando, finalmente, a morte \u2013 antes temida e agora desejada \u2013 chega, arrebentam-se todos os limites para o esp\u00edrito que, na liberdade absoluta, penetra na Vis\u00e3o Beat\u00edfica Divina, contemplando Deus Pai Criador e Providente, na gl\u00f3ria de Seus anjos e de Seus santos! E a pessoa, antes mortal, sente-se, agora, entre os santos prediletos de Deus, gozando da imortalidade, na alegria eterna, ilimitada e infinita. Rompe-se o v\u00e9u do tempo e a pessoa penetra no mist\u00e9rio da eternidade! A morte \u00e9 ruim para quem fica, mas \u00e9 a doce e suspirada porta que se fecha \u00e0 dor e ao sofrimento, para se abrir \u00e0 Festa sem Fim, no C\u00e9u, que lhe fora preparada desde toda a eternidade! <\/em><\/p>\n<p><em>Nesse momento, a pessoa poder\u00e1, ent\u00e3o, dizer:<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00d3 rei de tremenda majestade,<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 que salvas sem pagamento os que devem ser salvos,<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 salva-me, fonte de piedade!<\/em><\/p>\n<p><em>Rex tremendae majestatis, qui salvandos salvas gratis, salva me, fons pietatis.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>+ Jo\u00e3o Bosco \u00d3liver de Faria Arcebispo Em\u00e9rito de Diamantina \u00c9 comum associarmos o termo morte aos sentidos de perda, de finitude, de fracasso. 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