{"id":83904,"date":"2023-09-15T10:10:13","date_gmt":"2023-09-15T13:10:13","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=83904"},"modified":"2023-09-18T10:13:12","modified_gmt":"2023-09-18T13:13:12","slug":"acolher-os-dons-divinos-nos-outros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/acolher-os-dons-divinos-nos-outros\/","title":{"rendered":"ACOLHER OS DONS DIVINOS NOS OUTROS"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">A par\u00e1bola dos trabalhadores da vinha deve ser lida com aten\u00e7\u00e3o para que saibamos julgar o propriet\u00e1rio n\u00e3o segundo nossas convic\u00e7\u00f5es igualit\u00e1rias: \u201cEstes \u00faltimos trabalharam apenas uma hora e igualaste-os a n\u00f3s que aguentamos toda fadiga do dia e o calor! (Mt 20,1-16). Notemos que o dono da vinha n\u00e3o desejava premiar a pregui\u00e7a. Ali\u00e1s, ele se dirigira aos oper\u00e1rios da und\u00e9cima hora num tom severo: \u201cPorque estais aqui o dia todo sem fazer nada?\u201d Ao escutar, por\u00e9m, a desculpa daqueles trabalhadores ele dulcifica sua linguagem. Assim eles lhe responderam: \u201cPorque ningu\u00e9m nos contratou. N\u00f3s somos oper\u00e1rios sem trabalho\u201d. Disse-lhes o propriet\u00e1rio: \u201cIde tamb\u00e9m v\u00f3s para a minha vinha\u201d. Certamente o dono da vinha refletira: \u201cEm uma hora estes homens v\u00e3o retornar para suas casas e como v\u00e3o alimentar a esposa e os filhos? Est\u00e3o sem trabalho e n\u00e3o t\u00eam culpa disto. Eis porque eu posso vir de encontro a seus males e os contratarei! Ou n\u00e3o me ser\u00e1 permitido fazer o que eu quero do que \u00e9 meu?\u201d Eis porque os oper\u00e1rios da und\u00e9cimo hora\u00a0\u00a0 receberam um dinheiro como todos os outros. N\u00e3o se tratava de uma injusti\u00e7a, mas, sim, de uma caridade corajosa que afrontava as cr\u00edticas e a incompreens\u00e3o. Na verdade a par\u00e1bola sublinha de prop\u00f3sito a aparente injusti\u00e7a. \u00c9 evidente que muitos empregadores nas mesmas circunst\u00e2ncias teriam agido com o m\u00e1ximo de discri\u00e7\u00e3o e teriam pago os oper\u00e1rios da und\u00e9cima hora depois de ter pago os outros. Se Jesus voluntariamente deixa na sua par\u00e1bola uma ponta de exagero \u00e9 porque certamente Ele quis sacudir nossos h\u00e1bitos de tudo pesar de tudo contar, de tudo reduzir a uma quest\u00e3o de quantidade. \u00c9 como se Jesus uma vez mais venha a nos dizer: \u201cDeus n\u00e3o age assim! Deus n\u00e3o reage como n\u00f3s O imaginamos\u201d. Deus \u00e9 aquele que d\u00e1 sem c\u00e1lculos, simplesmente porque Ele \u00e9 o amor\u201d! Como este reflexo do cora\u00e7\u00e3o de Deus poderia sanear nossa vida familiar, nossa atitude comunit\u00e1ria! N\u00f3s perdoamos muitas coisas aos outros irm\u00e3os, muitos julgamentos prematuros, ou palavras muito chocantes, mas mais dificilmente lhes perdoamos n\u00e3o suportar toda sua parte do peso do dia e do calor, tanto como os outros irm\u00e3os. \u00c9 o reflexo de Marta, aturdida por seus cuidados dos servi\u00e7os e que assim se dirige a Jesus: \u201cSenhor isto n\u00e3o te faz verdadeiramente nada que minha irm\u00e3 me deixe trabalhar sozinha?\u201d\u00a0 Jesus nos responde na sua par\u00e1bola: \u201cN\u00e3o compares sen\u00e3o tu ser\u00e1s paralisada no teu esfor\u00e7o. N\u00e3o olhes o que faz tua irm\u00e3, mas o amor que tu queres me dar. Diga a ti mesmo que \u00e9 uma chance e uma gra\u00e7a e uma alegria total de poder servir at\u00e9 o fim de todas as for\u00e7as e at\u00e9 mais ainda. Se tu es triste imaginando o pouco que faz tua irm\u00e3, \u00e9 que tu n\u00e3o me serve ainda em pura gratuidade\u201d. Deus, o Senhor e nosso Pai que fala na par\u00e1bola, nos leva at\u00e9 nossos pr\u00f3prios limites: \u201cSabes- verdadeiramente o que tua irm\u00e3 deve suportar? Conheces tu sua hist\u00f3ria? suas riquezas? Ou ent\u00e3o teu olho \u00e9 mau porque eu sou bom? Porque eu quero lhe assegurar, a ela tamb\u00e9m, a moeda da vida eterna? Tu trabalhas para mim, que queres mais? Tanto que tu que andas a contar, tu restar\u00e1s frustrada e\u00a0\u00a0 frequentemente\u00a0infeliz. No dia em que n\u00e3o contares mais, tuas m\u00e3os ser\u00e3o sempre plenas, plenas de riquezas a dividir. Jesus nos convida a repensar nossos valores, a repensar nosso olhar sobre os outros e sobretudo ele nos chama a saber acolher seus dons nos outros seja quem for. Deus \u00e9 o senhor da Miseric\u00f3rdia, \u00e9 o senhor da Caridade, n\u00e3o cabe a n\u00f3s de lhe dizer o que ele pode acolher ou n\u00e3o, de quem Ele pode se servir ou n\u00e3o. Para Deus n\u00e3o \u00e9 jamais muito tarde para receber sua gra\u00e7a.\u00a0 Que n\u00f3s tenhamos 8 ou 87 anos pouco importa, a gra\u00e7a \u00e9 para todos que querem bem O acolher. Deus nos incita a acolher sua bondade atrav\u00e9s\u00a0dos dons que faz aos outros. \u00c9 bom que exaltemos sua\u00a0generosidade, Eles nos incita a olhar os outros com seu olhar e nos convida a os acolher como Ele os acolhe. Possamos sempre entrar na benignidade divina. Se as precau\u00e7\u00f5es medicinais s\u00e3o necess\u00e1rias elas n\u00e3o devem jamais nos fazer esquecer que somos todos filhos bem amados de Deus e que conforme este t\u00edtulo n\u00f3s devemos sempre nos respeitar e nos acolher, a nos ajudar. A quest\u00e3o que se p\u00f5e \u00e9 que o fato de pertencermos ao povo de Deus que vem de um apelo pessoal feito a cada um de n\u00f3s: \u201cN\u00e3o fostes v\u00f3s que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi\u201d (Jo 15,16) e vem da vontade generosa do Pai de lan\u00e7ar esse apelo a todos os homens. Trata-se daqueles que vivem seu trabalho para\u00a0o Reino dos\u00a0\u00a0 c\u00e9us, ou seja o trabalho da vinha como uma tarefa\u00a0pesada, isto \u00e9 os que enfrentam o peso do dia e do calor (Mt 20,12 e n\u00e3o como um privil\u00e9gio que vem de Deus. Eles trabalham n\u00e3o na alegria filial, mas no mau humor dos servidores infi\u00e9is.\u00a0 Para eles a f\u00e9 \u00e9 qualquer coisa que os prende e os reduz \u00e0 escravid\u00e3o e, em silencio, eles invejam os que \u201cvivem sua vida\u201d, dado que para eles a consci\u00eancia\u00a0crist\u00e3 \u00e9 como um freio e n\u00e3o como asas que d\u00e3o voo a nossas vidas\u00a0humanas. Eles pensam que \u00e9 melhor ficar desocupados espiritualmente do que viver \u00e0 luz da palavra de Deus que, de fato, \u00e9 santificadora, mas \u00e9 exigente. Professor no Semin\u00e1rio de Mariana durante 40 anos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A par\u00e1bola dos trabalhadores da vinha deve ser lida com aten\u00e7\u00e3o para que saibamos julgar o propriet\u00e1rio n\u00e3o segundo nossas convic\u00e7\u00f5es igualit\u00e1rias: \u201cEstes \u00faltimos trabalharam apenas uma hora e igualaste-os a n\u00f3s que aguentamos toda fadiga do dia e o calor! (Mt 20,1-16). Notemos que o dono da vinha n\u00e3o desejava premiar a pregui\u00e7a. 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