{"id":83875,"date":"2023-09-13T10:09:50","date_gmt":"2023-09-13T13:09:50","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=83875"},"modified":"2023-09-13T14:11:23","modified_gmt":"2023-09-13T17:11:23","slug":"missao-ecumenica-em-sao-luis-do-maranhao-chama-a-atencao-para-as-violacoes-de-direito-no-estado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/missao-ecumenica-em-sao-luis-do-maranhao-chama-a-atencao-para-as-violacoes-de-direito-no-estado\/","title":{"rendered":"MISS\u00c3O ECUM\u00caNICA EM S\u00c3O LU\u00cdS DO MARANH\u00c3O CHAMA A ATEN\u00c7\u00c3O PARA AS VIOLA\u00c7\u00d5ES DE DIREITO NO ESTADO"},"content":{"rendered":"<div id=\"ImagagemDestacada\" class=\"elementor-element elementor-element-1fe4726 elementor-widget elementor-widget-theme-post-featured-image elementor-widget-image\" data-id=\"1fe4726\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"theme-post-featured-image.default\">\n<div class=\"elementor-widget-container\">\n<div class=\"elementor-image\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"elementor-element elementor-element-3a087bd2 elementor-widget elementor-widget-theme-post-content\" data-id=\"3a087bd2\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"theme-post-content.default\">\n<div class=\"elementor-widget-container\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-951871 alignright\" src=\"https:\/\/www.cnbb.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/Missao-Ecumenica-card-300x300.jpg\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" srcset=\"https:\/\/www.cnbb.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/Missao-Ecumenica-card-300x300.jpg 300w, https:\/\/www.cnbb.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/Missao-Ecumenica-card-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.cnbb.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/Missao-Ecumenica-card-768x768.jpg 768w, https:\/\/www.cnbb.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/Missao-Ecumenica-card-800x800.jpg 800w, https:\/\/www.cnbb.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/Missao-Ecumenica-card-500x500.jpg 500w, https:\/\/www.cnbb.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/Missao-Ecumenica-card.jpg 980w\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"300\" \/>De 4 a 6 de setembro de 2023, mission\u00e1rios de diferentes organiza\u00e7\u00f5es ecum\u00eanicas, Igrejas e movimentos de direitos humanos promoveram a 5\u00aa Miss\u00e3o Ecum\u00eanica em defesa de Direitos, no Estado de S\u00e3o Lu\u00eds do Maranh\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O assessor da Comiss\u00e3o Episcopal para o Ecumenismo e o Di\u00e1logo Inter-religioso da Confer\u00eancia Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), padre Marcus Barbosa participou da miss\u00e3o, representando a Confer\u00eancia.<\/p>\n<blockquote><p>Ele a definiu a miss\u00e3o como uma \u201cforte experi\u00eancia de uma Igreja em sa\u00edda, que vai ao encontro, sobretudo, dos mais fr\u00e1geis e marginalizados, muitas vezes invisibilizados pela sociedade\u201d.<\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Padre Marcus contou que no interior de S\u00e3o Lu\u00eds do Maranh\u00e3o, a miss\u00e3o ecum\u00eanica conheceu mais de perto a rica e desafiadora realidade de alguns povos e comunidades tradicionais do Estado. \u201cDiante de tantos conflitos e desafios enfrentados, \u00e9 digno de destaque a religiosidade que sustenta a vida desses povos e comunidades, constituindo-se uma verdadeira e genu\u00edna fonte de f\u00e9 e resist\u00eancia na luta por direito ao territ\u00f3rio, por seguran\u00e7a, por paz e alegria\u201d, afirmou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Abaixo, conhe\u00e7a a \u00edntegra da Carta publicada pela Miss\u00e3o Ecum\u00eanica<\/p>\n<blockquote>\n<h3 class=\"has-text-align-center\"><strong>Carta da Miss\u00e3o Ecum\u00eanica<\/strong><\/h3>\n<\/blockquote>\n<p class=\"has-text-align-center\" style=\"text-align: justify;\"><em><br \/>\n\u2026e converter\u00e3o suas espadas em l\u00e2minas de arados, e suas lan\u00e7as em foices. (cf Is 2.4)<\/em><br \/>\n<em>\u201cTransformar a maldade da bala em bondade.\u201d (Anacleta Pires \u2013 lideran\u00e7a quilombola)<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre tambores, sinos e marac\u00e1s, dos dias 4 a 6 de setembro de 2023, missioneiros e missioneiras de diferentes organiza\u00e7\u00f5es ecum\u00eanicas, igrejas e movimentos de direitos humanos foram acolhidas e enviadas pelas Caixeiras do Divino, em S\u00e3o Lu\u00eds, capital do Maranh\u00e3o, para a realiza\u00e7\u00e3o a 5\u00aa Miss\u00e3o Ecum\u00eanica em defesa de Direitos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sob a inspira\u00e7\u00e3o do Salmo 103.6, que diz: \u201cO Senhor faz justi\u00e7a e defende a causa dos oprimidos\u201d, a miss\u00e3o assumiu a escuta ativa das vozes, expressas em can\u00e7\u00f5es e poemas que denunciaram as in\u00fameras viola\u00e7\u00f5es de direitos que ocorrem nos territ\u00f3rios de comunidades quilombolas, povos ind\u00edgenas, de terreiros, quebradeiras de coco baba\u00e7u, pescadores e pescadoras, mulheres negras, trabalhadores e trabalhadoras rurais e contra as comunidades LGBTQIAPN+.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cada voz ecoada, al\u00e9m das den\u00fancias, mostrou a for\u00e7a, a resili\u00eancia e a vitalidade dessas popula\u00e7\u00f5es na afirma\u00e7\u00e3o de \u201cque esta terra tem donos e s\u00e3o eles e elas: ind\u00edgenas e descendentes dos povos africanos\u201d. O som dos tambores e dos marac\u00e1s ecoam as espiritualidades que se unem e formam a resist\u00eancia destes e destas que lutam por seu direito ao territ\u00f3rio, educa\u00e7\u00e3o e respeito \u00e0s tradi\u00e7\u00f5es ancestrais. Cada crian\u00e7a, jovem, mulher, homem, pessoas mais velhas que resistem aos projetos econ\u00f4micos de expans\u00e3o derrubam os v\u00e9us que querem invisibilizar e apagar os impactos e viol\u00eancias causados pelo projeto colonialista que forjou o Brasil como na\u00e7\u00e3o \u00e0s custas do sangue de ind\u00edgenas e povos africanos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Quilombo Santa Rosa dos Pretos, fundado por sete mulheres africanas lideran\u00e7as ancestrais sequestradas de suas terras h\u00e1 347 anos, ouvimos: \u201cEu sou filha da M\u00e3e \u00c1frica e cresci em um Quilombo. Me sequestraram de \u00c1frica para viver persegui\u00e7\u00e3o\u201d. A comunidade, ao longo destes mais de tr\u00eas s\u00e9culos, viveu da produ\u00e7\u00e3o de arroz e da pesca. O esp\u00edrito de coletividade, ensinado pelos ancestrais, foi fundamental para manter o quilombo vivo. Hoje, 2023, a comunidade luta para manter viva a sua cultura e sua hist\u00f3ria, por causa de quatro for\u00e7as e projetos destrutivos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A primeira \u00e9 a duplica\u00e7\u00e3o da BR 135 cuja fun\u00e7\u00e3o \u00e9 escoar a soja produzida por um latif\u00fandio de monocultivo, destruidor de biomas. A segunda \u00e9 a ferrovia Caraj\u00e1s, criada para transportar o ferro retirado do solo pela Mineradora Vale do Rio Doce. A constru\u00e7\u00e3o desta ferrovia acabou com o Igarap\u00e9 Simauma onde, antigamente, se pescava. A terceira for\u00e7a \u00e9 a grilagem, em que invasores declaram como privada uma propriedade que nunca lhes pertenceu. A quarta for\u00e7a destruidora \u00e9 a Linha de transmiss\u00e3o Itapecuru Mirim \u2013 Vargem Grande, que acabou com o cultivo de arroz que era socializado na alimenta\u00e7\u00e3o coletiva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os mais velhos falam de um tempo de fartura, que hoje, os projetos desenvolvimentistas impactam e comprometem a sustentabilidade da comunidade. O forte esp\u00edrito de coletividade e parceria resistem na preserva\u00e7\u00e3o dos valores civilizat\u00f3rios herdados dos povos africanos de Guin\u00e9 Bissau.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No terreiro Casa Fanti-Ashanti, fomos recebidos por M\u00e3e Kabeca de Xang\u00f4 com grande generosidade e muito toque de tambor. Ali, realizamos nosso \u201cUbuntu \u2013 Abrace um Terreiro\u201d.\u00a0 Ouvimos sobre as hist\u00f3rias de persegui\u00e7\u00e3o e do quanto o racismo religioso afeta a sa\u00fade dos mais velhos e mais velhas e das lideran\u00e7as religiosas dos terreiros maranhenses. Como lideran\u00e7as crist\u00e3s em miss\u00e3o, nos comprometemos com o direito \u00e0 express\u00e3o e de liberdades religiosas dos povos de terreiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com o canto \u201cum abra\u00e7o negro, um sorriso negro, traz felicidade\u201d, abra\u00e7amos todo o povo do Terreiro como afirma\u00e7\u00e3o de que, no Brasil, o antirracismo precisa ser pilar do di\u00e1logo inter-religioso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Audi\u00eancia P\u00fablica, realizada no dia 5 de setembro, somou-se a esses povos e comunidades tradicionais na incid\u00eancia por direitos junto ao poder p\u00fablico local, que deveria responder \u00e0s principais reivindica\u00e7\u00f5es destes grupos. As representa\u00e7\u00f5es comunit\u00e1rias estavam todas presentes. Exigiram respostas das autoridades frente ao racismo religioso, \u00e0 n\u00e3o demarca\u00e7\u00e3o de quilombos, ao n\u00e3o cumprimento das pol\u00edticas para mulheres, \u00e0 n\u00e3o realiza\u00e7\u00e3o de consultas livres, pr\u00e9vias e informadas, conforme prev\u00ea a Conven\u00e7\u00e3o 169 da OIT. Foi denunciada ainda a forte influ\u00eancia pol\u00edtica de parlamentares estaduais no est\u00edmulo a pr\u00e1ticas fundamentalistas e antidireitos dos povos tradicionais de terreiro no Estado. Infelizmente a segunda parte da audi\u00eancia, que previa a participa\u00e7\u00e3o de representantes do Governo do Estado e institui\u00e7\u00f5es do sistema de justi\u00e7a, n\u00e3o p\u00f4de ser realizada, pela aus\u00eancia da maioria das representa\u00e7\u00f5es, que tinham sido convidadas com bastante anteced\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na fila do povo, ecoou a den\u00fancia do descompromisso deliberado do Estado, em especial, na implementa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas antirracistas que reconhe\u00e7am as espiritualidades e demarquem territ\u00f3rios ind\u00edgenas e quilombolas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Encerramos esta miss\u00e3o ecum\u00eanica ao som de tambores, sinos e marac\u00e1s com a certeza de que o povo organizado j\u00e1 transformou a maldade da bala em bondade ao mostrar que projetos de bem viver s\u00e3o reais e poss\u00edveis. Ao mesmo tempo, retornamos aos nossos lugares com o sentimento de que as espadas ainda n\u00e3o foram transformadas em arados, pois as for\u00e7as destrutivas seguem articuladas e sendo beneficiadas por privil\u00e9gios.\u00a0 Por isso, ao nos despedirmos do Maranh\u00e3o, mantemos viva e ativa esta Miss\u00e3o Ecum\u00eanica, pois estamos comprometidos e comprometidas em fazer ecoar a voz de cada quilombo, territ\u00f3rio ind\u00edgena e locais sagrados dos terreiros nos espa\u00e7os pol\u00edticos onde temos incid\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Entre tambores, sinos e marac\u00e1s, em defesa dos direitos \u2013 Por um Brasil antirracista!<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00e3o Lu\u00eds do Maranh\u00e3o, 5 de setembro de 2023<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De 4 a 6 de setembro de 2023, mission\u00e1rios de diferentes organiza\u00e7\u00f5es ecum\u00eanicas, Igrejas e movimentos de direitos humanos promoveram a 5\u00aa Miss\u00e3o Ecum\u00eanica em defesa de Direitos, no Estado de S\u00e3o Lu\u00eds do Maranh\u00e3o. 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