{"id":83732,"date":"2023-09-09T11:14:35","date_gmt":"2023-09-09T14:14:35","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=83732"},"modified":"2023-09-11T11:15:50","modified_gmt":"2023-09-11T14:15:50","slug":"a-correcao-fraterna-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/a-correcao-fraterna-2\/","title":{"rendered":"A corre\u00e7\u00e3o fraterna!"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">A liturgia do 23\u00ba. Domingo do Tempo Comum sugere-nos uma reflex\u00e3o sobre a nossa responsabilidade face aos irm\u00e3os que nos rodeiam. Afirma, claramente, que ningu\u00e9m pode ficar indiferente diante daquilo que amea\u00e7a a vida e a felicidade de um irm\u00e3o e que todos somos respons\u00e1veis uns pelos outros. Somos convidados a valorizar a corre\u00e7\u00e3o fraterna, a qual, agindo na caridade, procura o bem do pr\u00f3ximo e estreita os la\u00e7os que nos unem como disc\u00edpulas e disc\u00edpulos do Senhor. Somos convidados a superar os conflitos com di\u00e1logo e amor m\u00fatuo, a fim de que a harmonia e a paz reinem em nosso meio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A liturgia quer sublinhar a nossa responsabilidade perante o irm\u00e3o necessitado de corre\u00e7\u00e3o e nos instrui sobre a reconcilia\u00e7\u00e3o fraterna, fundamenta no amor e no di\u00e1logo. O amor \u00e9 a d\u00edvida que temos para com todos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A primeira leitura \u2013 Ez 33,7-9 \u2013 fala-nos do profeta como uma \u201csentinela\u201d, que Deus colocou a vigiar a cidade dos homens. Atento aos projetos de Deus e \u00e0 realidade do mundo, o profeta apercebe-se daquilo que est\u00e1 a subverter os planos de Deus e a impedir a felicidade dos homens. Como sentinela respons\u00e1vel alerta, ent\u00e3o, a comunidade para os perigos que a amea\u00e7am. Vivemos em sociedade e temos compromissos uns com os outros. Ezequiel nos adverte de que, em parte, somos respons\u00e1veis pela sorte dos irm\u00e3os e irm\u00e3s de comunidade. Como crist\u00e3os, n\u00e3o podemos ignorar nosso pr\u00f3ximo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Evangelho \u2013 Mt 18,15-20 \u2013 \u00a0deixa clara a nossa responsabilidade em ajudar cada irm\u00e3o a tomar consci\u00eancia dos seus erros. Trata-se de um dever que resulta do mandamento do amor. Jesus ensina, no entanto, que o caminho correto para atingir esse objetivo n\u00e3o passa pela humilha\u00e7\u00e3o ou pela condena\u00e7\u00e3o de quem falhou, mas pelo di\u00e1logo fraterno, leal, amigo, que revela ao irm\u00e3o que a nossa interven\u00e7\u00e3o resulta do amor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A corre\u00e7\u00e3o fraterna e a ora\u00e7\u00e3o em comunh\u00e3o na presen\u00e7a do Senhor, o Emanuel, s\u00e3o caracter\u00edsticas de uma comunidade sinodal. A corre\u00e7\u00e3o deve acontecer na intimidade e em esp\u00edrito de f\u00e9 e amizade rec\u00edproca (Mt 18,15-16). A premissa \u00e9 \u201ca coragem e o dever crist\u00e3o\u201d de corrigir e a capacidade de receber com humildade a corre\u00e7\u00e3o. Antes de denunciar e acusar, o crist\u00e3o \u00e9 chamado a conhecer quais as motiva\u00e7\u00f5es para algu\u00e9m se comportar de forma inadequada \u00e0 f\u00e9 da comunidade. Essa pr\u00e1tica nos concederia a oportunidade de contornar v\u00e1rios problemas evit\u00e1veis. Jesus estende a capacidade de ligar e de desligar na terra, antes conferida apenas a Pedro (Mt 16,19), \u00e0 comunidade que vive e reza em comunh\u00e3o (Mt 18,18-20). A a\u00e7\u00e3o e a ora\u00e7\u00e3o comuns da comunidade s\u00e3o ratificadas junto de Deus no c\u00e9u. A confian\u00e7a dessa ratifica\u00e7\u00e3o encontra-se na promessa de Jesus: tudo que quiserem em comum o Pai atender\u00e1, \u201cpois, onde dois ou tr\u00eas estiverem reunidos em meu nome, eu estou a\u00ed, no meio deles (Mt 18,20). J\u00e1 que n\u00e3o se trata de exclus\u00e3o de pessoas, mas de aceita\u00e7\u00e3o da vontade ou da obstina\u00e7\u00e3o de algu\u00e9m que abandonou a f\u00e9 e a comunidade, a reconcilia\u00e7\u00e3o e o restabelecimento da unidade s\u00e3o, por seu lado, responsabilidade da comunidade inteira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na segunda leitura \u2013 Rm 13,8-10 \u2013, S\u00e3o Paulo convida os crist\u00e3os de Roma (e de todos os lugares e tempos) a colocar no centro da exist\u00eancia crist\u00e3 o mandamento do amor. Trata-se de uma \u201cd\u00edvida\u201d que temos para com todos os nossos irm\u00e3os, e que nunca estar\u00e1 completamente saldada. O mandamento do amor \u00e9 a s\u00edntese de todos os mandamentos. O amor nos leva a passar da l\u00f3gica do individualismo e do consumismo (\u201ctu \u00e9s meu\u201d) para a solidariedade e a doa\u00e7\u00e3o (\u201ceu sou para ti\u201d). A \u00fanica d\u00edvida que n\u00e3o se consegue saldar, alerta o ap\u00f3stolo, \u00e9 o amor ao pr\u00f3ximo. Quando amamos, n\u00e3o fazemos mal a ningu\u00e9m: deixamos de lado a ira, o \u00f3dio, a inveja, a injusti\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus n\u00e3o quer exclus\u00e3o, sempre procurou pela ovelha perdida. Eu e minha comunidade temos trabalhado e rezado para criar harmonia e para n\u00e3o gerar exclus\u00e3o da comunidade e da sociedade como um todo? A corre\u00e7\u00e3o fraterna precisa ser realizada em clima de amor e ora\u00e7\u00e3o e respeitar v\u00e1rios passos antes de chegar a uma situa\u00e7\u00e3o de exclus\u00e3o ou condena\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil aplica-la, pois pode parecer uma intromiss\u00e3o na vida do outro. A preocupa\u00e7\u00e3o com qualquer membro da comunidade que n\u00e3o segue o ensinamento de Jesus n\u00e3o pode levar a atitudes autorit\u00e1rias e de condena\u00e7\u00e3o: antes, seja impulso a construir comunidades unidas e fraternas, que manifestem a presen\u00e7a de Jesus. A tarefa da corre\u00e7\u00e3o fraterna \u00e9 justamente buscar a inclus\u00e3o do transgressor. Antes de condenar ou excluir, a comunidade tem a tarefa de resgatar a pessoa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Evangelho chama sempre a aten\u00e7\u00e3o para que as comunidades crist\u00e3s n\u00e3o se fechem no rigorismo e exig\u00eancias radicais, legalistas. Nossas comunidades precisam ser espa\u00e7os de solidariedade e de fraternidade e, como bem disse o Papa Francisco, \u201cna Igreja h\u00e1 lugares para todos, todos, todos!\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Demos gra\u00e7as ao Pai pelo Mist\u00e9rio de Cristo, Mestre e Senhor, que nos atrai ao seu amor. Professemos nossa f\u00e9 em Deus, que \u00e9 miseric\u00f3rdia sem limite e nos envolve em sua din\u00e2mica de perd\u00e3o que gera vida. Vivendo este M\u00eas da B\u00edblia, abramo-nos \u00e0 for\u00e7a de sua Palavra.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A liturgia do 23\u00ba. Domingo do Tempo Comum sugere-nos uma reflex\u00e3o sobre a nossa responsabilidade face aos irm\u00e3os que nos rodeiam. Afirma, claramente, que ningu\u00e9m pode ficar indiferente diante daquilo que amea\u00e7a a vida e a felicidade de um irm\u00e3o e que todos somos respons\u00e1veis uns pelos outros. 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