{"id":83726,"date":"2023-09-09T11:09:40","date_gmt":"2023-09-09T14:09:40","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=83726"},"modified":"2023-09-11T11:11:53","modified_gmt":"2023-09-11T14:11:53","slug":"perdoar-sempre-5","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/perdoar-sempre-5\/","title":{"rendered":"PERDOAR SEMPRE"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">O ap\u00f3stolo Pedro dirigiu-se a Jesus levando-lhe a seguinte quest\u00e3o:\u00a0\u201cSenhor, se meu irm\u00e3o pecar contra mim, quantas vezes lhe devo perdoar\u201d? At\u00e9 sete vezes? (Mt 18.21-33). Ele entrevia o problema do pecado e do perd\u00e3o como uma medida, uma l\u00f3gica cont\u00e1vel, at\u00e9 quantas vezes \u00e9 conceb\u00edvel, conveniente? Quando, al\u00e9m da avalia\u00e7\u00e3o fixada pelo nosso modo de ver, pela sociedade, a pessoa ser\u00e1 considerada como irreform\u00e1vel, pecadora, algu\u00e9m que se deveria evitar? \u00c9 certo que em toda rela\u00e7\u00e3o n\u00f3s podemos chegar a um ponto cr\u00edtico de verdadeira satura\u00e7\u00e3o e isto se vive na vida conjugal, amig\u00e1vel ou ainda comunit\u00e1ria e at\u00e9 religiosa.\u00a0 Trata-se do limite do poss\u00edvel. Era este o problema essencial de S\u00e3o Pedro. Ele n\u00e3o tinha ainda tido a experi\u00eancia do perd\u00e3o do Senhor a quem ele negaria tr\u00eas vezes, uma trai\u00e7\u00e3o que em si era imperdo\u00e1vel, porque n\u00e3o era uma vez, mas tr\u00eas vezes e n\u00e3o uma pequena mentira, mas uma nega\u00e7\u00e3o radical. At\u00e9 chegar a esta experi\u00eancia tr\u00e1gica ele n\u00e3o tinha ainda compreendido o problema,\u00a0porque para ele perdoar \u00e9 at\u00e9 quando se poderia dominar a ofensa.\u00a0N\u00e3o nos iludamos, pois \u00e9 essa uma maneira corrente quando se aborda a quest\u00e3o da ofensa. Para n\u00f3s perdoar \u00e9, de uma certa maneira, at\u00e9 quando se pode suportar a ofensa. Deste modo, o problema do perd\u00e3o se\u00a0torna assim uma quest\u00e3o de limites. Ora precisamente ent\u00e3o Jesus lhe\u00a0diz: \u201cN\u00e3o te digo sete vezes, mas at\u00e9 setenta vezes sete\u201d. Sete vezes, n\u00famero que propunha S\u00e3o Pedro, representa a perfei\u00e7\u00e3o da paci\u00eancia humana, Jesus, porem vem introduzir aqui uma certa desmedida. O que devemos disso compreender \u00e9 que o perd\u00e3o se vive a fundo perdido, porqu\u00ea o perd\u00e3o nos faz viver ou antes nos faz reviver. Em seguida, a par\u00e1bola que segue a resposta de Jesus a Pedro. O dia em que aquele que devia muito dinheiro e que normalmente iria ser vendido por n\u00e3o ter\u00a0 podido reembolsar sua d\u00edvida, o dia em que este homem \u00e9 perdoado de sua d\u00edvida, segundo alguns hermeneutas uma d\u00edvida colossal equivalente a muitas dezenas de milh\u00f5es de euros, o perd\u00e3o\u00a0 do seu senhor o teria feito reviver. Mas, em seguida, quando viu um de seus companheiros devedores, ele pegando-o pelo pesco\u00e7o o sufocava dizendo:\u00a0\u201cPaga-me o que deves\u201d, a saber algumas centenas de euros, bem menor isto em compara\u00e7\u00e3o \u00e0 d\u00edvida de que fora antes perdoada e, al\u00e9m disto, n\u00e3o mostrava ent\u00e3o a m\u00ednima piedade. O que Jesus nos pede na quest\u00e3o do perd\u00e3o n\u00e3o \u00e9 mais que encar\u00e1-lo sob o \u00e2ngulo habitual de uma atitude serena, compassiva. Sim, \u00e9 preciso perdoar e perdoar sem cessar numa anistia completa, pois n\u00e3o h\u00e1 nenhum limite ao perd\u00e3o. O motivo, a par\u00e1bola nos indica, se n\u00f3s devemos perdoar \u00e9 porque n\u00f3s somos, n\u00f3s mesmos, objeto do perd\u00e3o divino e do pr\u00f3ximo. N\u00f3s somos seres que precisam do perd\u00e3o de Deus e dos semelhantes. Ora, se n\u00f3s somos perdoados sem cessar, se nossa vida repousa continuamente no perd\u00e3o do Senhor Onipotente, estar\u00edamos perdidos sem a clem\u00eancia divina. Porque n\u00f3s somos perdoados, n\u00f3s n\u00e3o podemos n\u00e3o viver profundamente sem ser impregnados inteiramente por este perd\u00e3o celestial que deve, deste modo, sair de dentro de nosso cora\u00e7\u00e3o, irradiado a ternura divina por toda parte. O perd\u00e3o n\u00e3o \u00e9 sen\u00e3o um dos aspectos do amor, um dos aspectos certamente dos mais dif\u00edceis a praticar, mas tamb\u00e9m um dos aspectos mais honrosos. Assim como n\u00f3s amamos os outros, porque n\u00f3s somos amados, do mesmo modo n\u00f3s devemos viver o perd\u00e3o com os outros porque n\u00f3s somos perdoados. Nosso perd\u00e3o deve ser sem fim, porque o objeto de perd\u00e3o que n\u00f3s somos ao olhar de Deus \u00e9 tamb\u00e9m sem limites.\u00a0 Assim sendo, o perd\u00e3o \u00e9, realmente um dos elementos b\u00e1sicos de nossa vida de crist\u00e3os. Ali\u00e1s Jesus nos ensinou a\u00a0rezar: \u201cPerdoai mossas ofensas, assim como n\u00f3s perdoamos a quem nos tem ofendido\u201d.\u00a0 Perdoar \u00e9, assim, ultrapassar tudo o que \u00e9 do homem, tudo o que \u00e9 do instinto, da ra\u00e7a, da l\u00edngua e ir al\u00e9m de si mesmo, se libertar. A condi\u00e7\u00e3o essencial para que a comunidade crist\u00e3 seja digna de enc\u00f4mios \u00e9 que a medida de perdoar n\u00e3o conhe\u00e7a qualquer tipo de uma poss\u00edvel restri\u00e7\u00e3o.\u00a0\u201cN\u00e3o deveis a ningu\u00e9m coisa alguma a n\u00e3o ser o amor\u00a0 de uns para a com os outros, pois quem ama o\u00a0 pr\u00f3ximo cumpriu a lei\u201d, nos exorta S\u00e3o\u00a0Paulo (Rom 1,8).\u00a0\u00a0 Devemos estar atentos porque nossa conduta n\u00e3o \u00e9\u00a0sempre o que a bondade divina \u00e9 para n\u00f3s.\u00a0 Para perdoar \u00e9 preciso olhar para dentro e correr o risco de, at\u00e9, perceber que\u00a0 o que se sente ofendido, talvez tamb\u00e9m tenha alguma responsabilidade naquele ato. Qualquer coisa que aconte\u00e7a na nossa vida \u00e9 resultado de uma semente plantada em algum momento. Por isso, uma ofensa de um amigo acontece para equilibrar alguma a\u00e7\u00e3o passada, uma semente de m\u00e1 qualidade. Deste modo o amigo foi apenas um agente.\u00a0 Cada caso deve ser cuidadosamente analisado e isto numa amplitude que Jesus exige de seus s seguidores.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O ap\u00f3stolo Pedro dirigiu-se a Jesus levando-lhe a seguinte quest\u00e3o:\u00a0\u201cSenhor, se meu irm\u00e3o pecar contra mim, quantas vezes lhe devo perdoar\u201d? At\u00e9 sete vezes? (Mt 18.21-33). Ele entrevia o problema do pecado e do perd\u00e3o como uma medida, uma l\u00f3gica cont\u00e1vel, at\u00e9 quantas vezes \u00e9 conceb\u00edvel, conveniente? 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