{"id":82567,"date":"2023-06-19T12:07:07","date_gmt":"2023-06-19T15:07:07","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=82567"},"modified":"2023-06-21T12:07:54","modified_gmt":"2023-06-21T15:07:54","slug":"a-pedra-que-buscamos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/a-pedra-que-buscamos\/","title":{"rendered":"A PEDRA QUE BUSCAMOS"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong>A sabedoria oriental possui muitas p\u00e9rolas. E preciosas pedras. Uma pequena pedra \u00e9 fonte de belas li\u00e7\u00f5es filos\u00f3ficas. Basta observ\u00e1-las com os olhos do cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Conheci um jovem cujo passatempo preferido era colecionar pedras. Tinha-as das mais variadas formas, matizes e consist\u00eancia. Algumas preciosas, mas a maioria n\u00e3o. Contudo, aos seus olhos, todas possu\u00edam uma preciosidade m\u00edstica, uma hist\u00f3ria, uma proced\u00eancia. Ao longo dos anos, constitu\u00edram sua pr\u00f3pria raz\u00e3o de viver, cada qual encerrando um mist\u00e9rio, um ato de conquista, uma lenda pessoal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Aquele estranho hobby encerrava quase um ideal de vida: colecionar, catalogar, juntar as pedras de seu caminho. N\u00e3o compreendia aquela obstina\u00e7\u00e3o e aparente perda de tempo desse meu amigo. Mas filosofei: o que fazemos neste mundo \u00e9 nada mais, nada menos um cont\u00ednuo ato de juntar pedras, catar os cacos do caminho que trilhamos. Afinal, o que o homem foi buscar na Lua sen\u00e3o um punhado de pedras para satisfazer seu pr\u00f3prio ego? E agora, uma de suas engenhocas n\u00e3o vasculha o solo de Marte para catalogar suas pedras?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Parece-nos que a Idade das Pedras n\u00e3o tem fim. Mas, segundo nossa v\u00e3 sabedoria, que por anos buscou os mist\u00e9rios e benef\u00edcios da pedra filosofal \u2013 e nunca a encontrou de fato \u2013 existiu na \u00cdndia um jovem ansioso por encontrar uma pedra que transformasse tudo em ouro. Saiu por a\u00ed. Catava todas as pedras que encontrava. Batia-as na fivela de seu cinto, na esperan\u00e7a de v\u00ea-lo reluzir, fazer-se ouro puro. Assim passou a vida. J\u00e1 velho e cansado, procurou a sombra de frondosa \u00e1rvore. Sua busca s\u00f3 lhe proporcionara decep\u00e7\u00f5es. Melhor descansar, desistir do sonho, cair na real. Foi quando, olhando para a fivela do cinto, percebeu o inconfund\u00edvel brilho aur\u00edfero, que quase lhe cegava a vista. Sim, era ouro, ouro puro! Havia encontrado a pedra m\u00e1gica. Mas quando, onde, em que circunstancias? Sua obstina\u00e7\u00e3o pelo bem que sempre perseguiu e seus quase mec\u00e2nicos gestos para atingir seu ideal, fizeram-no descuidar-se por um momento. Cochilou. Tivera em m\u00e3os a oportunidade de mudar sua vida e n\u00e3o percebera.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Esse \u00e9 um dos mist\u00e9rios do ideal que buscamos em vida. \u00c0s vezes gastamos toda nossa exist\u00eancia nesta busca. \u00c0s vezes o temos ao alcance, mas passamos despercebidos por ele. Ou o atiramos pelo caminho, sem nos dar conta de sua preciosidade, do milagre que ele pode operar \u2013 ou j\u00e1 operou \u2013 em nossas vidas. Lan\u00e7amos fora nosso ideal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 De uma forma ou de outra, agimos como os jovens dessa hist\u00f3ria. Colecionamos pedras em nossa exist\u00eancia. Trope\u00e7amos nelas. Buscamos uma que nos seja preciosa, sen\u00e3o a filosofal \u2013 aquela que norteia nossas vidas \u2013 ao menos a pepita miraculosa que realiza nossos sonhos, nossas ambi\u00e7\u00f5es. Mas as escrituras nos advertem: \u201cN\u00e3o te embrenhes num caminho de perdi\u00e7\u00e3o e n\u00e3o tropeces nas pedras. N\u00e3o te metas num caminho escabroso, para n\u00e3o pores diante de ti uma pedra de trope\u00e7o\u201d (Ecle 32,25).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A mensagem da f\u00e9 crist\u00e3 tamb\u00e9m busca o caminho das pedras. Jesus se dizia a pedra angular, aquela que os construtores rejeitaram. Os que conhecem a hist\u00f3ria da arquitetura greco-romana sabem avaliar o peso dessa afirmativa. Suas constru\u00e7\u00f5es desconheciam os milagres do concreto armado e tinham como estruturas principais seus belos e portentosos arcos de pedra. Toda sustenta\u00e7\u00e3o desses arcos s\u00f3 era poss\u00edvel se houvesse uma pedra angular, resistente e bem moldada. Uma cunha, que suportava e travava todo peso de qualquer edifica\u00e7\u00e3o. Jesus se dizia tal pedra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Mas n\u00e3o parou por a\u00ed. Sobre outra pedra fundou sua Igreja. E nos colocou no seu \u00e1trio. Introduziu-nos neste mist\u00e9rio como rochas miraculosas, capazes de oferecer ao mundo, n\u00e3o riquezas, nem a m\u00e1gica de transformar tudo em vil metal, mas em \u00e1gua-viva, fonte prodigiosa donde nasce a vida eterna. Rochedo donde brota \u00e1gua para o cora\u00e7\u00e3o sedento do mundo, eis o que devemos buscar como ideal de f\u00e9.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A sabedoria oriental possui muitas p\u00e9rolas. E preciosas pedras. Uma pequena pedra \u00e9 fonte de belas li\u00e7\u00f5es filos\u00f3ficas. Basta observ\u00e1-las com os olhos do cora\u00e7\u00e3o. \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Conheci um jovem cujo passatempo preferido era colecionar pedras. Tinha-as das mais variadas formas, matizes e consist\u00eancia. Algumas preciosas, mas a maioria n\u00e3o. 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