{"id":82444,"date":"2023-06-15T09:45:45","date_gmt":"2023-06-15T12:45:45","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=82444"},"modified":"2023-06-15T12:47:13","modified_gmt":"2023-06-15T15:47:13","slug":"retira-a-trave-do-teu-olho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/retira-a-trave-do-teu-olho\/","title":{"rendered":"RETIRA A TRAVE DO TEU OLHO;"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Claro o preceito de Jesus com rela\u00e7\u00e3o ao julgamento do pr\u00f3ximo (Mt 7,1-5). Somente Deus \u00e9 o juiz\u00a0 (Sl 75,8). Ele \u00e9, de fato, o julgador supremo de todas as criaturas e nenhum ser humano\u00a0 tem o direito de julgar seja quem for.\u00a0 Mesmo que n\u00f3s escutemos as palavras de Jesus, mas n\u00e3o a observamos, n\u00e3o \u00e9\u00a0 Jesus que, nos julgar\u00e1, porque\u00a0 Ele veio ao mundo n\u00e3o para julgar o mundo, mas para o salvar (Jo12,47). N\u00f3s mesmos \u00e9 quem nos julgamos, pois, como bem mostra a psicologia, transferimos muitas vezes para os outros nossos pr\u00f3prios defeitos. Eis porque \u00e9 de bom alvitre pedir ao Mestre divino que seu amor misericordioso habite em nosso cora\u00e7\u00e3o para que saibamos dar gra\u00e7as a Deus por tudo de positivo que\u00a0 se acha em nossos irm\u00e3os. Isto nos impedir\u00e1 querer tirar a trave do olho dos outros. Al\u00e9m disto, com a medida com que julgamos os outros \u00e9 com ela que n\u00f3s mesmos somos julgados. Pelo exemplo da trave\u00a0 e do argueiro Jesus quer nos dizer que n\u00f3s devemos melhorar a n\u00f3s mesmos antes de procurar melhorar os outros. De uma parte nosso amor pr\u00f3prio nos impede de ter uma vis\u00e3o objetiva de nossos atos em rela\u00e7\u00e3o aos dos outros.\u00a0 Como diz Rupert de Deuz, talvez\u00a0 o que tu v\u00eas\u00a0 ou cr\u00eas ver no olho de teu irm\u00e3o, n\u00e3o seja mesmo uma trave, mas a sombra de uma trave e tu v\u00eas mal e tu discernes mal, porque\u00a0 tu n\u00e3o v\u00eas a trave de teu olho. De outra parte n\u00e3o se trata de ter a falsa humildade de me purificar de minhas pequenas faltas para mostrar o exemplo a meus vizinhos que devem se corrigir de enormes pecados. N\u00e3o se trata da verdadeira humildade que consiste de ser convencido desta verdade que sou, tantas vezes, bem pior que os outros. Al\u00e9m disto, se eu vejo os outros cometer os pecados mais horr\u00edveis, que sei eu de suas inten\u00e7\u00f5es ou das circunst\u00e2ncias\u00a0 daquela a\u00e7\u00e3o? E quem me diz\u00a0 eu n\u00e3o cairei na mesma tenta\u00e7\u00e3o um dia? Era a convic\u00e7\u00e3o de Santa Teresinha do Menino\u00a0 Jesus: \u201c Eu reconhecia que sem Ele eu teria podido cair\u00a0 t\u00e3o baixo que santa Madalena e\u00a0 a profunda palavra de Nosso Senhor a Sim\u00e3o repercutia com uma grande do\u00e7ura\u00a0 em minha alma (Eu o sei: \u201dAquele a quem se perdoa menos, menos ama\u201d (Lc 7,40-47) , mas eu sei tamb\u00e9m que Jesus me remiu mais que a santa Madalena pois que Ele me remiu preventivamente impedindo-me de cair\u201d.\u00a0Esta Santa compreendeu perfeitamente o que o Mestre divino ensinou sobre a rela\u00e7\u00e3o de seus seguidores uns com os outros. Ele foi taxativo \u201cN\u00e3o julgueis os outros para que n\u00e3o sejais v\u00f3s mesmos julgados!\u201d. \u00c9 de se notar que\u00a0 a palavra julgar\u00a0 pode ser interpretada\u00a0 de v\u00e1rios modos, ou seja, condenar, discernir entre o que o bem e o mal\u00a0 ou ainda disciplinar o pr\u00f3ximo. Quando, por\u00e9m se examina\u00a0 outras declara\u00e7\u00f5es de Jesus\u00a0 e do Novo Testamento, fica claro que Cristo interdiz \u00e9 uma condena\u00e7\u00e3o que n\u00e3o\u00a0 \u00e9 de acordo com a justi\u00e7a.\u00a0 Pelo contr\u00e1rio, trata-se da capacidade de discernir entre o que \u00e9 bem e mal, ilus\u00e3o e realidade, o verdadeiro e o falso, o que \u00e9 direito e injusto. Cumpre ter cuidado de n\u00e3o criticar a torto e a direito sem conhecer os verdadeiros motivos que levara \u00e0quela a\u00e7\u00e3o. Julgar \u00e9 delicado e exige muita humildade. Deus quer que saibamos discernir o que \u00e9 conforme a sua vontade e o que \u00e9 uma viola\u00e7\u00e3o de sua santidade e\u00a0 de sua justi\u00e7a.\u00a0 O que Jesus interdiz \u00e9 um julgamento que prov\u00e9m de um esp\u00edrito amargo e cr\u00edtico, que quer se vingar, que se exalta simplesmente rebaixando o outro. Condena os hip\u00f3critas que\u00a0 condenam o pr\u00f3ximo ficando cegos sobre seu\u00a0 pr\u00f3prio modo de ser. Antes de levantar\u00a0 uma acusa\u00e7\u00e3o contra o pr\u00f3ximo, devo me assegurar que eu sou Isento daquela culpa por dois motivos. Primeiramente porque eu serei medido da mesma maneira\u00a0 pela qual eu avaliei o meu pr\u00f3ximo e, depois, porque \u00e9 f\u00e1cil de me enganar, se meus valores\u00a0 s\u00e3o motiva\u00e7\u00f5es ego\u00edstas. Portanto antes de julgar e condenar algu\u00e9m, conv\u00e9m prud\u00eancia e um s\u00e9rio exame de si mesmo. Precios\u00edssimas li\u00e7\u00f5es que fluem das palavras de Jesus, as quais devem orientar nosso modo de tratar os outros.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Claro o preceito de Jesus com rela\u00e7\u00e3o ao julgamento do pr\u00f3ximo (Mt 7,1-5). Somente Deus \u00e9 o juiz\u00a0 (Sl 75,8). 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