{"id":81868,"date":"2023-05-22T10:23:04","date_gmt":"2023-05-22T13:23:04","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=81868"},"modified":"2023-05-22T14:23:58","modified_gmt":"2023-05-22T17:23:58","slug":"no-mont-saint-michel-o-estilo-de-vida-dos-anjos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/no-mont-saint-michel-o-estilo-de-vida-dos-anjos\/","title":{"rendered":"No Mont Saint-Michel, o estilo de vida dos anjos"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"subtitle\" style=\"text-align: justify;\">Mil anos ap\u00f3s a coloca\u00e7\u00e3o de sua primeira pedra, o historiador, autor de uma &#8220;Hist\u00f3ria do Mont Saint-Michel&#8221; (Perrin), se pergunta: de onde vem esse equil\u00edbrio e perfei\u00e7\u00e3o universais? &#8220;No Mont Saint-Michel&#8221;, escreve ele, &#8220;se as pedras falassem, ouvir\u00edamos as ora\u00e7\u00f5es dos homens em coro junto a S\u00e3o Miguel&#8221;<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quantas vezes j\u00e1 me perguntei sobre as causas da longevidade e do sucesso do Mont Saint-Michel? Eu n\u00e3o sei. Cada vez que eu vinha, cada vez que lia, cada vez que trocava cartas, a mesma pergunta surgia em minha mente: \u201cPor qu\u00ea? Certamente, a localiza\u00e7\u00e3o da ba\u00eda, \u201cno \u00e2ngulo formado pela Bretanha e o Cotentin\u201d, a riqueza ecol\u00f3gica do lugar, a proeza arquitet\u00f4nica, o patrim\u00f4nio intelectual e hist\u00f3rico, o lugar na cultura liter\u00e1ria etc. j\u00e1 respondem por si s\u00f3 a essa pergunta inc\u00f4moda. No entanto, continuei insatisfeito. H\u00e1 outros espa\u00e7os e edif\u00edcios que s\u00e3o muito populares, e alguns atraem ainda mais peregrinos e turistas. Mas, para mim, era uma quest\u00e3o de saber o motivo mais profundo, a chave para essa estabilidade na hist\u00f3ria. Um dia, surgiu uma ideia\u2026<\/p>\n<div class=\"wp-block-aleteia-heading3\" style=\"text-align: justify;\">\n<h3>Uma inven\u00e7\u00e3o dos monges<\/h3>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu a confio a voc\u00eas, em minhas pr\u00f3prias palavras, na esperan\u00e7a de que elas possam dizer, al\u00e9m de sua falta de jeito, algo sobre essa obra-prima aos p\u00e9s da qual a Fran\u00e7a e S\u00e3o Miguel tanto se amaram. O Mont Saint-Michel \u00e9 uma inven\u00e7\u00e3o dos monges\u2026 Deixe-me explicar. Em 16 de outubro de 709, um primeiro orat\u00f3rio foi dedicado. No ano anterior, Aubert, bispo de Avranches, havia visto o arcanjo S\u00e3o Miguel em um sonho. O local tem sido o lar de religiosos (inicialmente eremitas, depois agrupados em uma comunidade) desde o in\u00edcio do s\u00e9culo VIII.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De forma an\u00e1loga, a \u201crocha\u201d \u00e9 um deserto \u2013 um \u201cthebaid\u201d, segundo a express\u00e3o dos Padres do Deserto \u2013 no qual vivem homens que deixaram o mundo e a mundanidade para se unirem a Deus em louvor e trabalho. Essa \u00e9 a primeira e permanente voca\u00e7\u00e3o do local. \u00c9 um mosteiro, um lugar de vida oferecido a Cristo, concebido e organizado como um espa\u00e7o de paz\u2026 um lugar \u201csanto\u201d, afastado de nossos tumultos, fechado \u00e0s nossas tenta\u00e7\u00f5es. Longe de tudo, mas perto de Deus e das pessoas, os monges s\u00e3o, de certa forma, a primeira corda dessa ascens\u00e3o m\u00edstica. Ligados a suas irm\u00e3s e irm\u00e3os em humanidade pela ora\u00e7\u00e3o, eles oferecem a Deus o que s\u00e3o a fim de reunir tesouros no c\u00e9u.<\/p>\n<div class=\"wp-block-aleteia-heading3\" style=\"text-align: justify;\">\n<h3>O estilo de vida dos anjos<\/h3>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ora et labora: ora\u00e7\u00e3o e trabalho de acordo com a Regra de S\u00e3o Bento, essa lei equilibrada de perfei\u00e7\u00e3o que serviu como a constitui\u00e7\u00e3o mon\u00e1stica do Monte por mais de um mil\u00eanio. Os contemplativos fizeram do trabalho uma longa ora\u00e7\u00e3o. A riqueza excepcional do scriptorium, a const\u00e2ncia dos irm\u00e3os copistas, a durabilidade de suas realiza\u00e7\u00f5es, tudo aqui canta a gl\u00f3ria de Deus. O \u201cmodo\u201d beneditino, se \u00e9 que podemos cham\u00e1-lo assim, \u00e9 a estabilidade: os filhos de S\u00e3o Bento prometem nunca deixar seu mosteiro sem o consentimento do abade, que ocupa o lugar de Cristo na comunidade. O que poderia ser mais est\u00e1vel do que o Monte, o sinal material de um Deus invis\u00edvel?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E depois o anjo\u2026 Desde o in\u00edcio do cristianismo, o monaquismo promoveu uma exist\u00eancia pr\u00f3xima \u00e0quela a que o Evangelho chama cada pessoa, uma vida colocada sob o signo do amor, uma vida espiritual\u2026 Por suas ren\u00fancias, os monges tendem a compartilhar o estilo de vida dos anjos. Como n\u00e3o ver nesse ideal a chave para a universalidade do Monte? Al\u00e9m do mosteiro, aqui, os homens lutam contra as restri\u00e7\u00f5es naturais, assim como os monges lutam contra as for\u00e7as do mal. Todos, com um impulso comum, se ajoelharam aos p\u00e9s do arcanjo por tantos s\u00e9culos. No Monte, se as pedras pudessem falar, ouvir\u00edamos as ora\u00e7\u00f5es dos homens respondendo em um coro unido \u00e0 voz de S\u00e3o Miguel. Mas nossa cultura ignora os anjos. Na tradi\u00e7\u00e3o judaico-crist\u00e3, eles s\u00e3o os mensageiros do Senhor, intervindo aqui na Terra em cada est\u00e1gio essencial da hist\u00f3ria. \u00c0 sua maneira, S\u00e3o Miguel, pr\u00edncipe da mil\u00edcia celestial, elo entre o c\u00e9u e a terra, guia a comunidade de Montois e, em cada um de seus peregrinos, o mundo inteiro.<\/p>\n<div class=\"wp-block-aleteia-heading3\" style=\"text-align: justify;\">\n<h3>O sonho da p\u00e1tria celestial<\/h3>\n<\/div>\n<div id=\"aleteia-welcome\" style=\"text-align: justify;\">\u00c9 claro que os monges e os habitantes da vila e da ba\u00eda nunca viveram no \u201cpara\u00edso\u201d e o Monte chegou a se tornar um inferno prisional no final do s\u00e9culo XVIII. Algumas pessoas pensavam estar denunciando a \u201cinutilidade\u201d da Maravilha e dos beneditinos, a dist\u00e2ncia (intranspon\u00edvel) entre os trabalhadores do mar e os contemplativos, o enriquecimento dos \u00faltimos em detrimento dos primeiros\u2026 No entanto, o ideal medieval, que presidiu a cria\u00e7\u00e3o e a amplia\u00e7\u00e3o do local, baseava-se menos em uma concep\u00e7\u00e3o piramidal da sociedade do que em uma ordem social fundada na primazia do espiritual, na realidade do invis\u00edvel. Antes de ser feito de pedras, o Monte \u00e9 um sonho: o da p\u00e1tria celestial.<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 dessa forma que o Monte pertence \u00e0 ra\u00e7a humana, que, como uma imagem, al\u00e9m de sua materialidade, ressoa no cora\u00e7\u00e3o dos peregrinos que todos n\u00f3s somos. Em seu romance \u201cLa F\u00e9e des gr\u00e8ves\u201d, Paul F\u00e9val (1816-1887), melhor do que ningu\u00e9m, pintou maravilhosamente esse cen\u00e1rio on\u00edrico ao entardecer, como uma vis\u00e3o nascida do \u00eaxtase: \u201cO Mont Saint-Michel foi o primeiro a emergir das sombras, oferecendo as asas douradas de seu arcanjo aos reflexos da aurora que despontava\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mil anos ap\u00f3s a coloca\u00e7\u00e3o de sua primeira pedra, o historiador, autor de uma &#8220;Hist\u00f3ria do Mont Saint-Michel&#8221; (Perrin), se pergunta: de onde vem esse equil\u00edbrio e perfei\u00e7\u00e3o universais? &#8220;No Mont Saint-Michel&#8221;, escreve ele, &#8220;se as pedras falassem, ouvir\u00edamos as ora\u00e7\u00f5es dos homens em coro junto a S\u00e3o Miguel&#8221; Quantas vezes j\u00e1 me perguntei sobre [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":81869,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4,13],"tags":[],"class_list":["post-81868","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cotidiano","category-featured"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/81868","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=81868"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/81868\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":81870,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/81868\/revisions\/81870"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media\/81869"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=81868"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=81868"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=81868"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}