{"id":81468,"date":"2023-05-08T13:47:46","date_gmt":"2023-05-08T16:47:46","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=81468"},"modified":"2023-05-09T13:48:36","modified_gmt":"2023-05-09T16:48:36","slug":"no-fundo-da-cova","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/no-fundo-da-cova\/","title":{"rendered":"NO FUNDO DA COVA"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Parece um t\u00edtulo f\u00fanebre. Mas n\u00e3o \u00e9. Ao contr\u00e1rio, meu desejo \u00e9 dar-lhe um pouco de poesia, j\u00e1 que habituados estamos a contemplar uma cova com repugn\u00e2ncia e medo. Uma cova tem tamb\u00e9m seu lado m\u00edstico. A hist\u00f3ria b\u00edblica nos relata a experi\u00eancia do profeta Daniel, lan\u00e7ado numa cova de le\u00f5es. Tudo por inveja \u00e0 confian\u00e7a do rei sobre seu exemplar minist\u00e9rio. Seus inimigos, muitos deles ambicionando o posto que ocupava, desejavam v\u00ea-lo pelas costas, derrotado. Deus interv\u00e9m e usa aquela experi\u00eancia de uma noite numa cova cheia de le\u00f5es como oportunidade para manifestar seu poder, sua prote\u00e7\u00e3o sobre aqueles que lhe s\u00e3o fi\u00e9is. Da cova aterrorizante faz emergir uma inusitada prova de amor. O homem sobre o qual a inveja e a ambi\u00e7\u00e3o lan\u00e7am seus olhares fulminantes, desdenhando a fidelidade e integridade de sua alma, \u00e9 posto em liberdade, s\u00e3o e salvo, agora revestido da gl\u00f3ria da predile\u00e7\u00e3o divina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 S\u00e3o muitas as covas em nossas vidas. S\u00e3o muitos os le\u00f5es que nos espreitam. A hist\u00f3ria que nossa hist\u00f3ria escreve possui semelhan\u00e7as, por\u00e9m n\u00e3o meras coincid\u00eancias com a hist\u00f3ria do profeta. Para n\u00e3o dizer que a repetimos constantemente em nossas vidas. Ou voc\u00ea nunca se sentiu no fundo do po\u00e7o, da cova, como um Jos\u00e9 do Egito vendido pelos irm\u00e3os?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O pr\u00f3prio filho de Deus, espoliado em todos os seus direitos e em sua dignidade humana, humilhado, destro\u00e7ado, acabou assassinado pela prepot\u00eancia dos donos da \u201cverdade\u201d e depositado \u00e0s pressas numa cova emprestada. Isso tudo para n\u00e3o estragar a festa que corria solta na sociedade dita religiosa daqueles que condenaram o dono da Verdade. Os le\u00f5es j\u00e1 n\u00e3o estavam restritos a uma cova. Ao contr\u00e1rio, estavam bem soltos e at\u00e9 saciados, soberanos nas ruas da Jerusal\u00e9m de pedras, o modelo das civiliza\u00e7\u00f5es da \u00e9poca. A cova de Jesus possuiu a m\u00edstica da aceita\u00e7\u00e3o moment\u00e2nea, oportunidade extraordin\u00e1ria para dela emergir, mais uma vez, a luz do poder divino, a vit\u00f3ria sobre todas as desgra\u00e7as desse labirinto de intrigas e desilus\u00f5es humanas. Deixou de lado as \u201cataduras\u201d que lhe impuseram, a mirra, o alo\u00e9s, a qu\u00edmica e o perfume deste mundo tr\u00e1gico e ilus\u00f3rio. Tirou seu p\u00e9 da cova, ressurgiu dos mortos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ora, tudo isso hoje escrevo com um objetivo final. Um olhar m\u00edstico e piedoso para o fundo de uma cova especial. Olhar que vem de longe, do meu tempo de crian\u00e7a ainda livre e aventureira pelas ruas da minha Palmital, a cidade que me viu crescer. Um dia me convidaram a representar o menino Francisco num carro aleg\u00f3rico sobre os videntes de F\u00e1tima. Minha m\u00e3e interviu, explicando e convencendo: aceite, filho, voc\u00ea vai representar o menino que viu a m\u00e3e de Jesus na cova&#8230; N\u00e3o esperei a conclus\u00e3o. O susto foi grande, mas a curiosidade maior. Ent\u00e3o, juntamente com duas meninas que representavam L\u00facia e Jacinta, me entronizaram num cen\u00e1rio bel\u00edssimo, tendo ao alto a imagem serena daquela m\u00e3e aureolada por uma coroa de estrelas e distribuindo seu sorriso ao povo em prociss\u00e3o. Ali eu era o menino Francisco. Ali representava um pequeno pastor de uma hist\u00f3ria que marcou minha exist\u00eancia para sempre, a bela hist\u00f3ria das apari\u00e7\u00f5es marianas em F\u00e1tima, Portugal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Hoje, ao recordar aquela cena, vem-me sempre a singeleza de um local ermo, tranquilo, um s\u00edtio encravado entre montanhas e um arbusto como aquele do Sinai, que o fogo jamais consumia, mas que encheu de poesia o significado da mensagem divina, a alian\u00e7a de amor entre Deus e os homens. Aquele mesmo arbusto, agora manifestando a beleza de uma Virgem. E o verso ainda ecoa em meu cora\u00e7\u00e3o saudosista: \u201cA treze de maio, na Cova da Iria, eis que aparece a Virgem Maria\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Parece um t\u00edtulo f\u00fanebre. Mas n\u00e3o \u00e9. 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