{"id":81018,"date":"2023-04-17T09:58:13","date_gmt":"2023-04-17T12:58:13","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=81018"},"modified":"2023-04-18T11:59:32","modified_gmt":"2023-04-18T14:59:32","slug":"so-vendo-pra-crer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/so-vendo-pra-crer\/","title":{"rendered":"S\u00d3 VENDO PRA CRER"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Chegamos a um ponto em que para tudo se exige uma contraprova ou ao menos a prova dos nove. Dois mais dois igual a quatro. Acreditar no que n\u00e3o se v\u00ea tornou-se uma atitude quase ut\u00f3pica, uma posi\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria \u00e0 l\u00f3gica dum mundo excessivamente plaus\u00edvel, palp\u00e1vel, imediatista, irremediavelmente materialista. A f\u00e9 do homem moderno est\u00e1 lastreada \u00e0 sua l\u00f3gica e raz\u00f5es cient\u00edficas. Seu imagin\u00e1rio pode sonhar, voar, mas suas a\u00e7\u00f5es n\u00e3o coadunam com vis\u00f5es e ou cren\u00e7as imagin\u00e1rias ou fora do contexto f\u00edsico, material, plaus\u00edvel. Como, pois, acreditar num retorno \u00e0 vida de algu\u00e9m comprovadamente morto e sepultado?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A f\u00e9 de Tom\u00e9 era coerente com aquilo que ele bem viu e testemunhou com muita dor e l\u00e1grimas nos olhos. Afinal, caminhou \u00e0 dist\u00e2ncia e at\u00f4nito com o que testemunhava, aquela via crucis de humilha\u00e7\u00e3o, acerbada injusti\u00e7a, ironia sem limite, esc\u00e1rnio e degrada\u00e7\u00e3o de qualquer dignidade que se pudesse dizer humana, insensibilidade fora da medida, impiedade at\u00e9 o fim&#8230; E o lance da certifica\u00e7\u00e3o da morte, com aquela espada a lhe perfurar o peito? E as \u00faltimas gotas de sangue e \u00e1gua a sulcar aquele ch\u00e3o do indiferentismo crucial? Tudo isso Tom\u00e9 presenciou, at\u00e9 mesmo o apressado sepultamento ao cair daquela t\u00e9trica noite. Como ent\u00e3o acreditar numa f\u00e1bula de ressurrei\u00e7\u00e3o? Tom\u00e9 estava certo: era preciso ver, ouvir, tocar, antes de qualquer nova esperan\u00e7a, qualquer afirmativa de um milagre t\u00e3o imposs\u00edvel e grandioso. Cristo vive! Como assim?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Acontece que a f\u00e9 supera tudo, at\u00e9 portas fechadas, at\u00e9 a morte aparente, a \u00faltima das barreiras de qualquer ser vivo. Aqui reside a grandiosidade da f\u00e9 crist\u00e3, capaz de vencer os t\u00famulos das nossas incertezas e inseguran\u00e7as, para nos apresentar as chagas e o lado ainda em aberto, mas como provas incontestes de uma vida maior que aquela massacrada e aparentemente vencida pelos grilh\u00f5es do pecado humano. Maior pecado n\u00e3o h\u00e1 do que negar o mist\u00e9rio da reden\u00e7\u00e3o, o milagre da Encarna\u00e7\u00e3o e Remiss\u00e3o de um Deus Conosco, Emanuel. <strong>\u00a0<\/strong>O mist\u00e9rio Pascal \u00e9 exatamente o milagre da morte vencida, esta que nos assombra sempre como ponto final de uma exist\u00eancia meramente f\u00edsica, passageira, mortal. Colocar o dedo nas feridas do Redentor, tocar seu lado aberto pela indiferen\u00e7a dos poderes e da ordem farisaica dos que pensam nos conduzir, \u00e9 seguir a l\u00f3gica que conduz nossas vidas. Fugir desta e contemplar a luz transcendente do mist\u00e9rio de um Cristo transl\u00facido, fulgurante em sua vit\u00f3ria sobre a morte, \u00e9 ter a gra\u00e7a e o privil\u00e9gio de tocar suas feridas, comprovar sua ressurrei\u00e7\u00e3o. Aquele que um dia duvidara agora se prostrava diante da maior revela\u00e7\u00e3o da f\u00e9 crist\u00e3: Cristo ressuscitou, aleluia!\u00a0 Agora s\u00f3 nos compete dizer, como Tom\u00e9 prostrado diante do mist\u00e9rio que contemplava: \u201cMeu Senhor e meu Deus!\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Acontece que ainda teimamos com nossas l\u00f3gicas imediatistas. De Tom\u00e9 e seu comportamento c\u00e9tico temos muito. Ele nos representa. Talvez n\u00e3o mere\u00e7amos o privil\u00e9gio daquele encontro pessoal que o ap\u00f3stolo vivenciou, mas com certeza esse \u201cencontro\u201d nos esteja reservado num plano superior, por\u00e9m n\u00e3o menos significativo do que a vis\u00e3o dos disc\u00edpulos naquela casa fechada. Fechada pelo medo das amea\u00e7as externas, da intoler\u00e2ncia e incompreens\u00e3o dum mundo agn\u00f3stico, sem f\u00e9, sem esperan\u00e7as maiores. N\u00e3o \u00e9 nosso caso. Nossa esperan\u00e7a \u00e9 maior do que as desilus\u00f5es que nos cercam. Nossa vida \u00e9 maior que os t\u00famulos destinado aos despojos de uma exist\u00eancia fugaz. Nossa f\u00e9 vai al\u00e9m da vis\u00e3o terrena e da cegueira espiritual dos que questionam essa maneira simples de contemplar o milagre da vida: \u201cBem-aventurados os que creram sem terem visto!\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Chegamos a um ponto em que para tudo se exige uma contraprova ou ao menos a prova dos nove. Dois mais dois igual a quatro. Acreditar no que n\u00e3o se v\u00ea tornou-se uma atitude quase ut\u00f3pica, uma posi\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria \u00e0 l\u00f3gica dum mundo excessivamente plaus\u00edvel, palp\u00e1vel, imediatista, irremediavelmente materialista. 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