{"id":80714,"date":"2023-04-10T11:42:18","date_gmt":"2023-04-10T14:42:18","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=80714"},"modified":"2023-04-10T11:42:18","modified_gmt":"2023-04-10T14:42:18","slug":"um-tumulo-vazio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/um-tumulo-vazio\/","title":{"rendered":"UM T\u00daMULO VAZIO"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong>A simples vis\u00e3o de um t\u00famulo \u00e9 sempre algo desagrad\u00e1vel. Mais ainda quando o encontramos de portas abertas, escancaradas, \u00e0 espera de um novo h\u00f3spede. Pior ainda quando o percebemos vazio, novinho em folha, como se fosse uma encomenda nossa, pronta a receber algu\u00e9m que amamos. E, o mais lastim\u00e1vel, saber que aquele em especial era provis\u00f3rio, emprestado por um amigo da fam\u00edlia, que deveria ser devolvido t\u00e3o logo se encerrassem os festejos da \u201cpassagem do Anjo da Morte\u201d, o momento que o povo celebrava enquanto uma fam\u00edlia chorava a \u201cpassagem\u201d de um dos seus&#8230; Mas o t\u00famulo agora estava vazio! Quem roubou o corpo do Mestre?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Essa era a situa\u00e7\u00e3o ao redor da sepultura de Jesus naquela manh\u00e3 do Domingo de P\u00e1scoa ainda judaica. Enquanto o povo israelita celebrava o dia de sua liberta\u00e7\u00e3o do jugo do Egito, alguns poucos seguidores do mestre crist\u00e3o ainda choravam sua morte de cruz. Alguns familiares e amigos se dirigiam ao t\u00famulo provis\u00f3rio para as provid\u00eancias necess\u00e1rias a um sepultamento definitivo; mas eis que encontram um t\u00famulo vazio!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Pedro constatou o problema, mas Madalena seria a primeira a desvendar o enigma. O Senhor que lhe dera tantas e tantas provas de sua miss\u00e3o divina, que se dissera ser a \u201cRessurrei\u00e7\u00e3o e a Vida\u201d, que tirara do t\u00famulo o amigo L\u00e1zaro, que devolvera esperan\u00e7a e dignidade a tantos cegos, aleijados e mudos, que se apiedara da vi\u00fava de Naim e lhe devolvera da morte o \u00fanico filho, que saciara a fome e a sede de centenas e restaurara o sentido da vida a outras centenas de desiludidos e desesperan\u00e7ados, como ela&#8230; Ah! Madalena se negava a aceitar aquela situa\u00e7\u00e3o de morte, aquela nova desilus\u00e3o em sua vida, a morte Daquele a quem dissera com o cora\u00e7\u00e3o aberto e maravilhado: \u201cMeu Senhor e meu Deus!\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ent\u00e3o, ap\u00f3s sua primeira apari\u00e7\u00e3o, aquela maravilhosa manifesta\u00e7\u00e3o de poder e gl\u00f3ria, saiu em disparada at\u00e9 os seus, gritando e exclamando: \u201cEu vi o Senhor, eu vi o Senhor!\u201d Essa \u00e9 a plenitude das revela\u00e7\u00f5es. Constatar um t\u00famulo vazio e logo ap\u00f3s compreender sua transitoriedade, seu significado in\u00fatil e passageiro diante da imortalidade da alma e da supera\u00e7\u00e3o dos limites terrenos \u00e9 o maior est\u00e1gio que uma revela\u00e7\u00e3o de f\u00e9 pode alcan\u00e7ar. Vida ressurrecta n\u00e3o ocupa os t\u00famulos da vida carnal. \u00c9 vida nova em Cristo. \u00c9 o mais elevado est\u00e1gio da plenitude existencial que se pode alcan\u00e7ar neste mundo. \u201cSe Cristo n\u00e3o ressuscitasse nossa f\u00e9 seria v\u00e3\u201d, diria o ap\u00f3stolo convertido, aquele que deixara de lado o vazio de sua incredulidade pag\u00e3 para se revestir do escudo da imortalidade crist\u00e3. Isso \u00e9 viver a plenitude da f\u00e9. Isso \u00e9 entender a vida como for\u00e7a \u00fanica do amor divino, gerado no amor e n\u00e3o criado na mat\u00e9ria apenas, tal qual Cristo em sua passagem terrena, que ressurgiu dos mortos para nos restaurar a vida plena. O rito da p\u00e1scoa judaica ficou na lembran\u00e7a, na celebra\u00e7\u00e3o de um acontecimento hist\u00f3rico, conquanto o rito da p\u00e1scoa crist\u00e3 n\u00e3o \u00e9 uma \u201crecorda\u00e7\u00e3o\u201d do passado, mas uma \u201crenova\u00e7\u00e3o\u201d do presente que precisamos aprimorar. Paulo descobriu isso em sua vida: \u201cJ\u00e1 n\u00e3o sou eu quem vivo, \u00e9 Cristo que vive em mim\u201d. Essa \u00e9 a descoberta que nos falta para bem vivenciarmos nossa P\u00e1scoa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Imaginemos aquele t\u00famulo vazio que o amigo Arimat\u00e9ia emprestou momentaneamente\u00a0 e se tornou prova da glorifica\u00e7\u00e3o crist\u00e3. N\u00e3o era mais do que um buraco cavado na rocha. Assim constru\u00edmos os t\u00famulos que nos sepultam em vida, indiferentes aos mist\u00e9rios que nos cercam, pois a realidade nos apresenta apenas o p\u00f3 que ainda somos. Mas vencer o sepulcro das nossas fal\u00e1cias e derrotas existenciais \u00e9 preencher os vazios da nossa incredulidade. \u00c9 sair da inercia de uma f\u00e9 sem a\u00e7\u00e3o e gritar ao mundo a verdade que nossa \u201cpassagem\u201d, nossa P\u00e1scoa definitiva revela ao mundo: \u201cRessuscitou! Ele n\u00e3o est\u00e1 aqui\u201d, est\u00e1 escrito no t\u00famulo vazio da velha Jerusal\u00e9m.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A simples vis\u00e3o de um t\u00famulo \u00e9 sempre algo desagrad\u00e1vel. Mais ainda quando o encontramos de portas abertas, escancaradas, \u00e0 espera de um novo h\u00f3spede. Pior ainda quando o percebemos vazio, novinho em folha, como se fosse uma encomenda nossa, pronta a receber algu\u00e9m que amamos. 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