{"id":80443,"date":"2023-03-27T09:27:14","date_gmt":"2023-03-27T12:27:14","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=80443"},"modified":"2023-03-28T14:28:14","modified_gmt":"2023-03-28T17:28:14","slug":"a-morte-do-amigo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/a-morte-do-amigo\/","title":{"rendered":"A MORTE DO AMIGO"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Quem nunca viu partir um parente, um amigo, um irm\u00e3o de f\u00e9, camarada? At\u00e9 Cristo chorou pela morte de um amigo. A dor da morte \u00e9 um sentimento inexplic\u00e1vel, que todos um dia experimentamos, que rejeitamos sempre pois nunca estamos devidamente preparados para perdas em nossas vidas. Ent\u00e3o \u00e9 isso: rejeitamos a morte e ponto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Mas como lidar com essa realidade, quando bem o sabemos ser inevit\u00e1vel esse momento? Se Cristo chorou diante da morte, o que se dir\u00e1 de n\u00f3s, simples mortais. A diferen\u00e7a est\u00e1 na perspectiva da nossa vis\u00e3o limitada, quando o mestre dos mist\u00e9rios celestes falava de ressurrei\u00e7\u00e3o; mais ainda, se dizia Ele pr\u00f3prio ser \u201ca ressurrei\u00e7\u00e3o e a vida\u201d. Assim, s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel compreender e justificar o choro de Cristo como uma atitude de piedade, quase frustra\u00e7\u00e3o diante da limitada vis\u00e3o humana sobre a \u00fanica certeza que aqui temos: dessa ningu\u00e9m escapa!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Quem se acerca de Cristo e de suas Palavras, busca respostas que n\u00e3o existem na l\u00f3gica terrena. \u00c9 Ele o \u00fanico mediador entre os mist\u00e9rios celestes e a realidade terrena, fontes de nossa esperan\u00e7a e causa de nossas afli\u00e7\u00f5es, nosso demasiado apego ao que sentimos, vemos, tocamos&#8230; A certeza de ser ouvido \u00e9 tudo em Cristo: \u201cPai, eu te dou gra\u00e7as porque me ouviste. Eu sei que sempre me escutas (Jo 27, 41-42)\u201d. A d\u00favida n\u00e3o est\u00e1 em Jesus, mas no povo que o rodeia, que necessita de milagres, de sinais fora da l\u00f3gica e da realidade \u201cque cheira mal\u201d, que aterroriza e dilacera nossos cora\u00e7\u00f5es. Quem assim n\u00e3o procede diante da morte? Mas, na perspectiva de Jesus, ela \u00e9 apenas circunstancial, t\u00e3o passageira quanto a vida que tanto prezamos. \u201cEnt\u00e3o Jesus lhes disse: \u2018Desatai-o e deixai-o caminhar\u2019. Talvez seja esta a afirmativa mais reveladora da morte de L\u00e1zaro, o amigo \u201cque Jesus amava\u201d&#8230; \u00c9 preciso que desatemos os n\u00f3s que nos impedem de uma caminhada maior, uma vis\u00e3o mais ampla da realidade que aqui ocupamos. A vida n\u00e3o pode ser um quadrante limitado por alguns anos, r\u00e1pidos e fugazes, que nos permitem pensar, sonhar e morrer na praia. N\u00e3o d\u00e1 para entender a vida como t\u00e3o simples e passageira. Isso \u00e9 muito pouco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Para se alcan\u00e7ar uma segunda chance de vida, mesmo diante da realidade que nos cerca, \u00e9 preciso solidificar nossos la\u00e7os de amor fraternal, familiar, social, ou seja, construir a sonhada fraternidade, o sentimento de solidariedade que nos identifica como ra\u00e7a \u00fanica nesse Universo de mist\u00e9rios. A vida \u00e9 passageira? \u00c9, n\u00e3o podemos negar. Mas a morte ainda \u00e9 uma ilustre desconhecida, da qual n\u00e3o podemos fugir. O fato \u00e9 que na casa de Bet\u00e2nia a amizade com Cristo fez a diferen\u00e7a. Mesmo que o cen\u00e1rio de desola\u00e7\u00e3o, a dor da perda e a putrefa\u00e7\u00e3o da esperan\u00e7a dominassem a realidade, a presen\u00e7a de Jesus recobraria os sinais de uma vida nova, os la\u00e7os de amor e amizade que os uniam. Essa presen\u00e7a justifica nossa esperan\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Diante da realidade da morte e da promessa de vida nova que a f\u00e9 em Cristo nos oferece, fico com a segunda possibilidade. Afinal, sua vida e extremado amor por aqueles que dele se acercaram foi prova de uma amizade sem limites. Uma amizade capaz de dar a vida, de sofrer pela perspectiva da morte, mas tudo superar na gl\u00f3ria da ressurrei\u00e7\u00e3o. \u201cCoragem, eu venci o mundo\u201d! diria Jesus.<\/p>\n<ol>\n<li style=\"text-align: justify;\">Esse artigo dedico ao sobrinho Carlos Negr\u00e3o Bizzoto, que faleceu nesta semana, vencido por um c\u00e2ncer, mas vitorioso pela perspectiva de vida nova em Cristo.<\/li>\n<\/ol>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Quem nunca viu partir um parente, um amigo, um irm\u00e3o de f\u00e9, camarada? At\u00e9 Cristo chorou pela morte de um amigo. A dor da morte \u00e9 um sentimento inexplic\u00e1vel, que todos um dia experimentamos, que rejeitamos sempre pois nunca estamos devidamente preparados para perdas em nossas vidas. 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