{"id":80271,"date":"2023-03-23T11:51:47","date_gmt":"2023-03-23T14:51:47","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=80271"},"modified":"2023-03-23T11:51:47","modified_gmt":"2023-03-23T14:51:47","slug":"pascoa-do-senhor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/pascoa-do-senhor\/","title":{"rendered":"PASCOA DO SENHOR"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Pedro e Jo\u00e3o viram o t\u00famulo vazio (jo 20,1-9).\u00a0 Pela manh\u00e3, com efeito, dois homens correram para o t\u00famulo de Jesus, a saber, Pedro que bem se recompusera depois da trai\u00e7\u00e3o, e Jo\u00e3o que tudo havia vivido bem de perto ao p\u00e9 da cruz com Maria a m\u00e3e de Jesus Jo\u00e3o tinha ainda nos olhos as cenas tr\u00e1gicas da sexta feira e estas imagens de sofrimento e de morte se misturavam \u00e0s lembran\u00e7as de tr\u00eas anos nos quais os disc\u00edpulos viveram cada dia com o Mestre divino, partilhando suas refei\u00e7\u00f5es, suas fadigas, sua sublime miss\u00e3o.\u00a0 Reencontrar Jesus era cada vez qualquer coisa de muito simples, mas tamb\u00e9m cada dia um acontecimento que se gravava nos seus olhos e no seu cora\u00e7\u00e3o. Ei-los chegados, ap\u00f3s atravessarem um pequeno jardim, em n\u00edvel inferior ao G\u00f3lgota, e Jo\u00e3o se inclina, olha rapidamente, depois se afasta para deixar entrar Pedro que era mais idoso e digno de respeito. Pedro olha\u00a0pausadamente:\u00a0 as roupas brancas que est\u00e3o l\u00e1 no lugar do corpo: o sud\u00e1rio est\u00e1 l\u00e1 tamb\u00e9m, no lugar da cabe\u00e7a bem enrolado \u00e0 parte. Ele se diz: \u201cAs mulheres t\u00eam raz\u00e3o: \u201cLevaram o Senhor. Onde est\u00e1 Ele agora:\u201d. \u00c9 ent\u00e3o, diz o Evangelho, que Jo\u00e3o entrou por sua vez: ele vu e acreditou\u201d. O que \u00e9 que ele viu? As mesmas coisas que Pedro, as mesmas roupas, no mesmo lugar, e o tumulo estranhamente quieto, inexplicavelmente vazio. \u201cEle viu e acreditou\u201d. Na Galileia e na Judeia Jo\u00e3o n\u00e3o tinha ainda sen\u00e3o pressentido o mist\u00e9rio de Jesus. Ele via, ele percebia muitas coisas, frequentemente seu olhar, seguindo\u00a0Jesus, lhe propunha quest\u00f5es silenciosas. Nesta manh\u00e3, por\u00e9m, simplesmente Jo\u00e3o viu e acreditou. Ele viu os sinais da aus\u00eancia e ele teve a certeza de que Jesus era o vencedor. O t\u00famulo vazio, sim, mas ningu\u00e9m havia roubado o corpo de seu Senhor; o t\u00famulo vazio, mas Jesus estava vivo com seu corpo n\u00e3o em qualquer parte no nosso mundo, mas Ele vivo junto de Deus. Jo\u00e3o acreditou. Na penumbra do t\u00famulo uma luz muito suave penetrou nele e como uma esp\u00e9cie de evid\u00eancia feliz o\u00a0submergiu: Jesus estava vivo para sempre, fonte de vida que Ele \u00e9.\u00a0 L\u00e1 est\u00e3o os dois, Jo\u00e3o e Pedro, maravilhados, s\u00f3s, ambos na sepulcral pedra fria, mas jamais Jesus esteve t\u00e3o presente para eles, cuja f\u00e9 acabava de eclodir impetuosamente como um grito de triunfo, um clamor que ressoava do fundo do cora\u00e7\u00e3o, l\u00e1 onde nenhuma palavra era suficientemente bela, nem assaz verdadeira: um grito de triunfo que sai do sil\u00eancio e que para a\u00ed volta: \u201cO Senhor ressuscitou\u201d!\u00a0Entretanto, esta alegria que\u00a0\u00a0 se irradia \u00e9 de tal maneira que ela\u00a0enriqueceu os cora\u00e7\u00f5es e de Pedro e Jo\u00e3o no momento mesmo em que eles reconhecem em Jesus ausente seu Senhor e seu Deus, descobrindo ent\u00e3o sua miss\u00e3o sublime, a saber, no cora\u00e7\u00e3o da comunidade de Jesus, pois eles ser\u00e3o o testemunho de sua presen\u00e7a. Entremos ent\u00e3o neste dia de P\u00e1scoa no t\u00famulo vazio. N\u00f3s n\u00e3o nos sentimos t\u00e3o estupefatos talvez porque n\u00e3o tenhamos mais a for\u00e7a, ou o gosto, ou a coragem de procurar verdadeiramente o Senhor e de nos regorjearmos pela sua vit\u00f3ria sobre a morte.\u00a0 Entretanto, \u00e9 na pedra fria do t\u00famulo vazio que o j\u00fabilo da P\u00e1scoa nos aguarda como n\u00f3s somos e onde n\u00f3s estamos com o peso de nossas ess\u00eancias, de nossas fraquezas, com os enganos de nosso cora\u00e7\u00e3o, com nossas lentid\u00f5es e com nossas esperan\u00e7a t\u00e3o pequenina. No entanto na mesma pedra do t\u00famulo a alegria da P\u00e1scoa nos aguarda tais como n\u00f3s somos.\u00a0 A todos a alegria do divino Ressuscitado \u00e9 prometida e \u00e9 Ele que este gaudio nos d\u00e1. N\u00e3o se pode conceder a si mesmo o j\u00fabilo pascal, a felicidade da vida de Deus. N\u00e3o se pode depositar em si mesmo artificialmente a alegria de Jesus Triunfante, porque ela seria ou por demais ofuscante, ou forte demais para quem sofre. \u00c9 preciso receb\u00ea-lo abrindo os olhos, o cora\u00e7\u00e3o, todo o ser. Este j\u00fabilo do dia da grande vit\u00f3ria \u00e9 Jesus quem a oferece a n\u00f3s, mas para poder degustar este gozo \u00e9 necess\u00e1rio nele se imergir. N\u00e3o \u00e9 uma alegria separada de tudo mais, nem ao lado da vida real como um par\u00eantesis no cotidiano. \u00c9 uma alegria que malgrado todo o resto, n\u00e3o obstante o cotidiano que reencontramos no constato com o mundo, precisa ser o motor de nossa exist\u00eancia. \u00c9 uma alegria que deve preencher toda vida do crist\u00e3o, o passado e o presente, para tudo reconduzir a Deus. Isto porque alegria da P\u00e1scoa \u00e9 a \u00fanica que atravessa a morte! Vivamos assim nosso j\u00fabilo pascal, Cristo ressuscitou!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pedro e Jo\u00e3o viram o t\u00famulo vazio (jo 20,1-9).\u00a0 Pela manh\u00e3, com efeito, dois homens correram para o t\u00famulo de Jesus, a saber, Pedro que bem se recompusera depois da trai\u00e7\u00e3o, e Jo\u00e3o que tudo havia vivido bem de perto ao p\u00e9 da cruz com Maria a m\u00e3e de Jesus Jo\u00e3o tinha ainda nos olhos [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":55813,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-80271","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/80271","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=80271"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/80271\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":80272,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/80271\/revisions\/80272"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media\/55813"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=80271"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=80271"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=80271"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}