{"id":79963,"date":"2023-03-06T09:32:12","date_gmt":"2023-03-06T12:32:12","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=79963"},"modified":"2023-03-14T12:33:04","modified_gmt":"2023-03-14T15:33:04","slug":"com-a-luz-da-palavra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/com-a-luz-da-palavra\/","title":{"rendered":"COM A LUZ DA PALAVRA"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2018\u2019Diante do tema escolhido para a Campanha da Fraternidade de 2023, a Igreja do Brasil tamb\u00e9m se coloca a servi\u00e7o do Evangelho\u201d (114). N\u00e3o \u00e9 um tema pol\u00edtico e oportunista como j\u00e1 ouvi por a\u00ed, como se o catolicismo brasileiro estive usando o momento hist\u00f3rico de uma transi\u00e7\u00e3o de poderes para colocar lenha na fogueira (disse-me um interlocutor). Ao contr\u00e1rio, \u201c\u00e9 uma express\u00e3o de coragem deixar que o Evangelho nos interpele uma vez mais com o mandato t\u00e3o claro e desafiador de Jesus: \u201cDai-lhes v\u00f3s mesmos de comer!\u201d (Mt 14,16). N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil ouvir o chamado \u00e0 responsabilidade\u201d (113).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 N\u00e3o vamos fazer vista grossa a um problema que nos diz respeito. A fome est\u00e1 a\u00ed e s\u00f3 n\u00e3o a sente quem tem o est\u00f4mago saciado e a mesa farta. O que a Igreja faz, em sua miss\u00e3o prof\u00e9tica, \u00e9 apenas iluminar a realidade, mostrando a ferida aberta, a chaga que uma sociedade n\u00e3o solid\u00e1ria s\u00f3 faz crescer. \u201cA reten\u00e7\u00e3o ego\u00edsta por parte de poucos leva ao perecimento, assim como no deserto: n\u00e3o o perecimento do alimento, mas daqueles que n\u00e3o o t\u00eam\u201d (117). Alimento retido egoisticamente apodrece junto com aqueles que o retem. Nenhum proveito ter\u00e1. Oferecer alimento \u00e9, portanto, gesto de acolhimento \u00e0 pessoa de Cristo. \u201cN\u00e3o se pode deixar de perceber que o pr\u00f3prio Jesus utiliza da imagem do p\u00e3o para referir-se ao significado da pr\u00f3pria pessoa\u201d (121).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A din\u00e2mica do acolhimento e da solidariedade \u00e9 pr\u00f3pria do cristianismo aut\u00eantico. Ser crist\u00e3o \u00e9 isso. \u201cEle se esvazia do pr\u00f3prio sofrimento para dar lugar, em seu pr\u00f3prio cora\u00e7\u00e3o, ao sofrimento do outro\u201d (128). O acolhimento \u00e9 marca registrada do cristianismo amadurecido. \u201cAs multid\u00f5es se sentam na relva e comem com fartura, porque se sentem protegidas e amparadas, encontram em Jesus o lugar onde podem depositar aquilo que trazem sobre os ombros: n\u00e3o bolsas e alforjes, mas as preocupa\u00e7\u00f5es e o peso da luta di\u00e1ria, que mais tarde o pr\u00f3prio Jesus carregar\u00e1 sobre os pr\u00f3prios ombros no pesado madeiro da cruz\u201d (129). Querem maiores raz\u00f5es para a raz\u00e3o de ser da Igreja no mundo? Para exercitar aquilo que os identifica na caminhada da f\u00e9; agir como Jesus agiu? \u201cMas quem age com passividade diante da fome constatada une sua voz \u00e0 de Caim\u201d (134).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O que n\u00e3o se pode admitir num contexto de igreja \u00e9 a divis\u00e3o por quest\u00f5es teol\u00f3gicas e ou pol\u00edticas. Vergonhosamente, h\u00e1 muitos padres e par\u00f3quias, como igualmente muitos fi\u00e9is, contr\u00e1rios \u00e0 atual campanha. Nada se constr\u00f3i com esp\u00edritos divergentes. Buscamos, por primeiro a unidade, para nela encontrarmos o bem comum, o esp\u00edrito de fraternidade que desde sempre nos identificou como povo eleito. Construir caminhos opostos \u00e9 voltar para a peregrina\u00e7\u00e3o do deserto, onde padecemos a incerteza de se alcan\u00e7ar a terra prometida, as gra\u00e7as da vida plena. \u201cA quest\u00e3o \u00e9: estamos dispostos a progredir nesse deserto, alcan\u00e7ando um primeiro est\u00e1gio de percep\u00e7\u00e3o das necessidades do outro, mas tamb\u00e9m nos dispondo ao segundo est\u00e1gio, que \u00e9 assumir nossa responsabilidade sobre as necessidades do outro?\u201d (138). N\u00e3o h\u00e1 aqui nenhuma quest\u00e3o pol\u00edtica, mas genuinamente solid\u00e1ria, fraterna.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Aos que divergem dessa linha de racioc\u00ednio, meus sentimentos. Fugir da realidade por quest\u00f5es meramente transit\u00f3rias, que se contrap\u00f5em ao testemunho da vida crist\u00e3, que exp\u00f5em diferen\u00e7as e diverg\u00eancias dentro de uma comunidade outrora sin\u00f4nimo de fraternidade, de unidade, ora, ora&#8230; isso apenas nos envergonha. \u201cCom frequ\u00eancia, os profetas manifestaram sua indigna\u00e7\u00e3o diante da injusti\u00e7a. Jesus tamb\u00e9m o fez, especialmente quando essas estruturas se aliaram ao Templo, para oprimir as pessoas sob a m\u00e1scara de uma observ\u00e2ncia religiosa vazia\u201d (141). Ent\u00e3o? Voc\u00ea faz parte dessa religiosidade sem a\u00e7\u00e3o?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2018\u2019Diante do tema escolhido para a Campanha da Fraternidade de 2023, a Igreja do Brasil tamb\u00e9m se coloca a servi\u00e7o do Evangelho\u201d (114). 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