{"id":79887,"date":"2023-03-10T09:19:08","date_gmt":"2023-03-10T12:19:08","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=79887"},"modified":"2023-03-10T13:20:55","modified_gmt":"2023-03-10T16:20:55","slug":"ii-pregacao-da-quaresma-2023-texto-integral","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/ii-pregacao-da-quaresma-2023-texto-integral\/","title":{"rendered":"II Prega\u00e7\u00e3o da Quaresma 2023 &#8211; texto integral"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0Segunda prega\u00e7\u00e3o da Quaresma<\/p>\n<div class=\"article__subTitle\" style=\"text-align: justify;\">O pregador da Casa Pontif\u00edcia, cardeal Raniero Cantalamessa, OFMCap, prop\u00f4s \u00e0 C\u00faria Romana, nesta sexta-feira, 10 de mar\u00e7o, a segunda prega\u00e7\u00e3o da Quaresma intitulada \u201cO Evangelho \u00e9 poder de Deus para todo aquele que cr\u00ea\u201d (Rm 1,16)<\/div>\n<div class=\"title__separator\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div class=\"article__text\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Fr. Raniero Card. Cantalamessa, OFMCap<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>\u201cO EVANGELHO \u00c9 PODER DE DEUS\u00a0<\/b><b>PARA TODO AQUELE QUE CR\u00ca\u201d<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>(Rm 1,16)<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Segunda Prega\u00e7\u00e3o, Quaresma de 2023<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Da\u00a0<i>Evangelii<\/i>\u00a0<i>Nuntiandi<\/i>\u00a0de S\u00e3o Paulo VI \u00e0\u00a0<i>Evangelii gaudium<\/i>\u00a0do atual Sumo Pont\u00edfice, o tema da evangeliza\u00e7\u00e3o tem estado no centro das aten\u00e7\u00f5es do Magist\u00e9rio papal. A isso, t\u00eam contribu\u00eddo as grandes enc\u00edclicas de S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II, como tamb\u00e9m a institui\u00e7\u00e3o do Pontif\u00edcio Conselho para a Evangeliza\u00e7\u00e3o, promovido por Bento XVI. A mesma preocupa\u00e7\u00e3o se nota no t\u00edtulo dado \u00e0 constitui\u00e7\u00e3o para a reforma da C\u00faria\u00a0<i>Praedicate Evangelium<\/i>\u00a0e na denomina\u00e7\u00e3o \u201cDicast\u00e9rio para a Evangeliza\u00e7\u00e3o\u201d, dada \u00e0 antiga Congrega\u00e7\u00e3o de\u00a0<i>Propaganda Fide<\/i>. A mesma finalidade \u00e9 designada agora principalmente ao S\u00ednodo da Igreja. A ela, isto \u00e9, \u00e0 evangeliza\u00e7\u00e3o, gostaria de dedicar a presente medita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"article__embed article__embed--unwrap article__embed--dark\">\n<div class=\"article__innerTitle\">Ou\u00e7a e compartilhe<\/div>\n<div>\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-79887-1\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/media.vaticannews.va\/media\/audio\/s1\/2023\/03\/10\/10\/136973527_F136973527.mp3?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/media.vaticannews.va\/media\/audio\/s1\/2023\/03\/10\/10\/136973527_F136973527.mp3\">https:\/\/media.vaticannews.va\/media\/audio\/s1\/2023\/03\/10\/10\/136973527_F136973527.mp3<\/a><\/audio>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">A defini\u00e7\u00e3o mais sucinta e mais impregnante da evangeliza\u00e7\u00e3o \u00e9 a que se l\u00ea na Primeira Carta de Pedro. Nela, os ap\u00f3stolos s\u00e3o definidos: \u201caqueles que vos evangelizaram em virtude do Esp\u00edrito Santo\u201d (1Pd 1,12). A\u00ed est\u00e1 expresso o essencial sobre a evangeliza\u00e7\u00e3o, isto \u00e9, o seu\u00a0<i>conte\u00fado<\/i>\u00a0\u2013 o Evangelho \u2013 e o seu\u00a0<i>m\u00e9todo<\/i>\u00a0\u2013 no Esp\u00edrito Santo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para saber o que se entende com a palavra \u201cEvangelho\u201d, a via mais segura \u00e9 perguntar a quem usou por primeiro esta palavra grega e a tornou can\u00f4nica na linguagem crist\u00e3, o ap\u00f3stolo Paulo. Temos a felicidade de possuir uma exposi\u00e7\u00e3o, de seu pr\u00f3prio punho, que explica o que ele entende por \u201cEvangelho\u201d, e \u00e9 a Carta aos Romanos. O tema dela \u00e9 anunciado com as palavras: \u201c<i>Eu n\u00e3o me envergonho do evangelho, pois ele \u00e9 poder de Deus para a salva\u00e7\u00e3o de todo aquele que cr\u00ea<\/i>\u201d (Rm 1,16).<\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"article__embed article__embed--unwrap article__embed--dark\">\n<div class=\"embed-container\"><iframe id=\"42243832\" title=\"March 10 2023, Second Lenten Sermon preached by Cardinal Raniero Cantalamessa\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/JrVbvuDLHns?wmode=opaque&amp;rel=0&amp;autohide=1&amp;showinfo=0&amp;wmode=transparent&amp;modestbranding=1&amp;enablejsapi=1&amp;origin=https:\/\/www.vaticannews.va&amp;start=&amp;end=\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\" data-gtm-yt-inspected-7=\"true\" data-gtm-yt-inspected-7781034_9=\"true\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/div>\n<div class=\"article__innerTitle\">Segunda prega\u00e7\u00e3o da Quaresma<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para o sucesso de todo novo esfor\u00e7o de evangeliza\u00e7\u00e3o, \u00e9 vital ter claro o n\u00facleo essencial do an\u00fancio crist\u00e3o, e isto ningu\u00e9m trouxe \u00e0 luz melhor do que o ap\u00f3stolo nos primeiros tr\u00eas cap\u00edtulos da Carta aos Romanos. Do entender e aplicar \u00e0 situa\u00e7\u00e3o atual a sua mensagem depende, estou convencido, se dos nossos esfor\u00e7os nascerem filhos de Deus, ou se se ter\u00e1 que repetir amargamente com Isa\u00edas:\u00a0<i>\u201cEngravidamos e tivemos dores de parto, mas demos \u00e0 luz o vento; n\u00e3o trouxemos melhoras \u00e0 terra, e n\u00e3o nasceram novos habitantes para o mundo\u201d<\/i>\u00a0(Is 26,18).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A mensagem do Ap\u00f3stolo naqueles tr\u00eas primeiros cap\u00edtulos da sua Carta pode ser resumida em dois pontos: primeiro, qual \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o da humanidade diante de Deus em seguida ao pecado; segundo, como se sai dela, isto \u00e9, como nos salvamos pela f\u00e9 e nos tornamos nova criatura.\u00a0 Sigamos o Ap\u00f3stolo em seu estreito racioc\u00ednio. Melhor, sigamos o Esp\u00edrito que fala por meio dele. Quem j\u00e1 fez viagens de avi\u00e3o, ter\u00e1 escutado algumas vezes o aviso: \u201cAfivelem os cintos, estamos passando por uma \u00e1rea de turbul\u00eancia\u201d. Seria preciso fazer ressoar o mesmo aviso a quem se presta a ler as seguintes palavras de Paulo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><i>Revela-se do c\u00e9u a ira de Deus contra toda impiedade e injusti\u00e7a dos homens que na injusti\u00e7a impedem a verdade, pois o que de Deus se pode conhecer \u00e9 entre eles manifesto, j\u00e1 que Deus o manifestou a eles. De fato, os atributos invis\u00edveis de Deus, seu poder eterno e sua divindade, s\u00e3o compreendidos atrav\u00e9s das coisas feitas, desde a cria\u00e7\u00e3o do mundo, a fim de que eles n\u00e3o tenham desculpa. Por isso, mesmo tendo conhecido a Deus, nem o glorificaram como Deus, nem lhe deram gra\u00e7as. Pelo contr\u00e1rio, perderam-se em seus pensamentos f\u00fateis, e seu cora\u00e7\u00e3o insensato se obscureceu. Dizendo-se s\u00e1bios, tornaram-se tolos e trocaram a gl\u00f3ria do Deus incorrupt\u00edvel pela apar\u00eancia da imagem de um ser humano corrupt\u00edvel e de p\u00e1ssaros, quadr\u00fapedes e r\u00e9pteis\u00a0<\/i>(Rm 1,18-23)<i>.<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O pecado fundamental, o objeto prim\u00e1rio da ira divina, \u00e9 identificado, como se v\u00ea, na\u00a0<i>asebeia,<\/i>\u00a0isto \u00e9, na impiedade. Em que consiste, exatamente, tal impiedade, o Ap\u00f3stolo explica imediatamente, afirmando que ela consiste na rejei\u00e7\u00e3o em \u201cglorificar\u201d e \u201cagradecer\u201d a Deus. Estranho! Este fato de n\u00e3o glorificar e agradecer a Deus o suficiente parece-nos, sim, um pecado, mas n\u00e3o t\u00e3o terr\u00edvel e mortal. \u00c9 preciso entender o que se esconde por detr\u00e1s disso: a rejei\u00e7\u00e3o em reconhecer Deus como Deus, o n\u00e3o lhe tributar a considera\u00e7\u00e3o que lhe \u00e9 devida. Consiste, poder\u00edamos dizer, em \u201cignorar\u201d Deus, onde ignorar n\u00e3o significa tanto \u201cn\u00e3o saber que existe\u201d, mas \u201cfazer como se n\u00e3o existisse\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Antigo Testamento, ouvimos Mois\u00e9s que grita ao povo: \u201cReconhecei que Deus \u00e9 Deus!\u201d (cf. Dt 7,9) e um salmista retoma tal grito, dizendo: \u201cReconhecei que o Senhor \u00e9 Deus; Ele nos fez, n\u00f3s somos dele\u201d (Sl 100,3). Reduzido ao seu n\u00facleo germinativo, o pecado \u00e9 negar este \u201creconhecimento\u201d; \u00e9 a tentativa, da parte da criatura, de cancelar, de iniciativa pr\u00f3pria, quase por prepot\u00eancia, a diferen\u00e7a infinita que h\u00e1 entre ela e Deus. O pecado ataca, de tal maneira, a pr\u00f3pria raiz das coisas; \u00e9 um \u201cimpedir a verdade na injusti\u00e7a\u201d. \u00c9 algo de muito mais sombrio e terr\u00edvel do que o homem possa imaginar ou dizer. Se os homens soubessem, enquanto vivos, como o saber\u00e3o no momento da morte, o que significa a rejei\u00e7\u00e3o de Deus, morreriam de susto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tal rejei\u00e7\u00e3o tomou corpo, ouvimos, na idolatria, pela qual se adora a criatura no lugar do Criador. Na idolatria, o homem n\u00e3o \u201caceita\u201d Deus, mas faz para si um deus; \u00e9 ele a decidir por Deus, n\u00e3o vice-versa. Os pap\u00e9is s\u00e3o invertidos: o homem se torna o oleiro e Deus o vaso que ele modela a seu bel-prazer (cf. Rm 9,20ss.). Hoje, esta antiga tentativa assumiu uma nova veste. Ela n\u00e3o consiste em p\u00f4r algo \u2013 nem mesmo a si mesmo \u2013 no lugar de Deus, mas em abolir, pura e simplesmente, o papel indicado pela palavra \u201cDeus\u201d. Niilismo! O Nada no lugar de Deus. Mas n\u00e3o \u00e9 o caso de nos determos sobre isso neste momento; interromperia a escuta do Ap\u00f3stolo, que, por sua vez, continua o seu firme racioc\u00ednio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Paulo prossegue a sua acusa\u00e7\u00e3o mostrando os frutos que brotam, no plano moral, da rejei\u00e7\u00e3o de Deus. Da\u00ed deriva uma dissolu\u00e7\u00e3o geral dos costumes, uma verdadeira e pr\u00f3pria \u201ctorrente de perdi\u00e7\u00e3o\u201d que arrasta a humanidade em ru\u00edna. E aqui, o Ap\u00f3stolo tra\u00e7a um quadro impressionante dos v\u00edcios da sociedade pag\u00e3. A coisa mais importante a se considerar, em base a esta parte da mensagem paulina, n\u00e3o \u00e9, contudo, esta lista de v\u00edcios, presente, al\u00e9m do mais, tamb\u00e9m junto aos moralistas estoicos do tempo. A coisa mais desconcertante, \u00e0 primeira vista, \u00e9 que S\u00e3o Paulo faz de tudo isso desordem moral, n\u00e3o a causa, mas o efeito da ira divina. Por tr\u00eas vezes retorna a f\u00f3rmula que afirma isso de modo inequ\u00edvoco:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><i>Por isso, os entregou \u00e0 impureza (&#8230;). Por causa disso, Deus os entregou a paix\u00f5es vergonhosas (&#8230;). E, porque n\u00e3o quiseram alcan\u00e7ar a Deus pelo conhecimento, Deus os entregou ao seu reprovado modo de pensar\u00a0<\/i>(Rm 1,24.26.28).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deus, certamente, n\u00e3o \u201cquer\u201d tais coisas, mas ele as \u201cpermite\u201d para fazer o homem compreender aonde leva a rejei\u00e7\u00e3o a Ele. \u201cEstas a\u00e7\u00f5es \u2013 escreve Santo Agostinho \u2013 embora sejam castigo, s\u00e3o elas tamb\u00e9m pecados, pois a pena da iniquidade \u00e9 ser, ela pr\u00f3pria, iniquidade; Deus interv\u00e9m para punir o mal e, da sua mesma puni\u00e7\u00e3o, abundam outros pecados<a href=\"https:\/\/www.vaticannews.va\/pt\/vaticano\/news\/2023-03\/ii-pregacao-da-quaresma-2023.html#_ftn1\" target=\"_blank\" rel=\"external nofollow noopener\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o h\u00e1 distin\u00e7\u00f5es diante de Deus entre judeus e gregos, entre fi\u00e9is e pag\u00e3os:\u00a0<i>\u201cTodos pecaram e est\u00e3o destitu\u00eddos da gl\u00f3ria de Deus\u201d<\/i>\u00a0(Rm 3,23). O Ap\u00f3stolo faz tanta quest\u00e3o de nos esclarecer este ponto, que a ele dedica todo o cap\u00edtulo segundo e parte do terceiro da sua Carta. \u00c9 a humanidade inteira que se encontra nesta situa\u00e7\u00e3o de perdi\u00e7\u00e3o, n\u00e3o este ou aquele indiv\u00edduo ou povo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Onde est\u00e1, em tudo isso, a atualidade da mensagem do Ap\u00f3stolo da qual eu falava? Est\u00e1 no rem\u00e9dio que o Evangelho prop\u00f5e a esta situa\u00e7\u00e3o. Ele n\u00e3o consiste em se empenhar em uma luta pela reforma moral da sociedade, para a corre\u00e7\u00e3o dos seus v\u00edcios. Seria, para ele, como querer desenraizar uma \u00e1rvore come\u00e7ando por lhe tirar as folhas ou os ramos mais expostos, ou ent\u00e3o preocupar-se em eliminar a febre, ao inv\u00e9s de tratar a doen\u00e7a que a provoca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Traduzido em linguagem atual, isto significa que a evangeliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o come\u00e7a com a moral, mas com o querigma; na linguagem do Novo Testamento, n\u00e3o com a Lei, mas com o Evangelho. E qual \u00e9 o conte\u00fado, ou o n\u00facleo central disso? O que Paulo quer dizer por \u201cEvangelho\u201d quando diz que ele \u201cpoder de Deus para a salva\u00e7\u00e3o de todo aquele que cr\u00ea\u201d? Crer no qu\u00ea?\u00a0<i>\u201cManifestou-se a justi\u00e7a de Deus!\u201d<\/i>\u00a0(Rm 3,21): eis a novidade. N\u00e3o s\u00e3o os homens que, improvisamente, mudaram vida e costumes e se puseram a fazer o bem. O fato novo \u00e9 que, na plenitude dos tempos, Deus agiu, rompeu o sil\u00eancio, estendeu a sua m\u00e3o por primeiro ao homem pecador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas ou\u00e7amos agora diretamente o Ap\u00f3stolo, que nos explica em que consiste este \u201cagir\u201d de Deus. S\u00e3o palavras que temos lido ou escutado centenas de vezes, mas ama-se escutar sempre de nova as \u00e1rias de uma bela sinfonia:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><i>Pois todos pecaram e est\u00e3o destitu\u00eddos da gl\u00f3ria de Deus. Esses s\u00e3o justificados gratuitamente pela gra\u00e7a de Deus, por meio da reden\u00e7\u00e3o em Cristo Jesus. \u00c9 ele que Deus exp\u00f4s como instrumento de expia\u00e7\u00e3o com o seu sangue, mediante a f\u00e9, para demonstrar sua justi\u00e7a, deixando sem castigo os pecados outrora cometidos sob a toler\u00e2ncia de Deus; e para demonstrar sua justi\u00e7a no tempo presente, a fim de ser justo e tornar justo aquele que tem f\u00e9 em Jesus\u00a0<\/i>(Rm 3,23-26).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gostaria logo de tranquilizar a todos: n\u00e3o tenho o intuito de fazer uma en\u00e9sima prega\u00e7\u00e3o sobre a justifica\u00e7\u00e3o mediante a f\u00e9. H\u00e1 um perigo em insistir unicamente sobre este tema. N\u00e3o \u00e9 uma doutrina que Paulo nos apresenta, mas um evento, antes, uma pessoa. N\u00f3s n\u00e3o somos salvos genericamente \u201cpela gra\u00e7a\u201d: somos salvos pela gra\u00e7a\u00a0<i>de Cristo Jesus<\/i>; n\u00e3o somos justificados genericamente \u201cpor meio da f\u00e9\u201d: somos justificados por meio da\u00a0<i>f\u00e9 em Cristo Jesus<\/i>. Tudo mudou \u201cpor meio da reden\u00e7\u00e3o em Cristo Jesus\u201d. O verdadeiro artigo com que est\u00e1 em p\u00e9 ou cai a Igreja (o famoso\u00a0<i>Articulum stantis edt cadentis Ecclesiae<\/i>) n\u00e3o \u00e9 uma doutrina, mas uma pessoa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fico sem palavras cada vez que releio esta parte da Carta aos Romanos. Ap\u00f3s ter descrito, com os tons que ouvimos, a situa\u00e7\u00e3o desesperada da humanidade, o Ap\u00f3stolo tem a coragem de dizer que ela mudou radicalmente por causa do que aconteceu poucos anos antes, em uma obscura parte do imp\u00e9rio romano, por obra de um s\u00f3 homem, ainda por cima, morto em uma cruz! Apenas uma \u201cponta\u201d do Esp\u00edrito Santo, um seu fulgor, podia dar a um homem a ousadia de crer e proclamar esta coisa inaudita. Ainda mais que este mesmo homem outrora se tornava \u201cfurioso\u201d se algu\u00e9m ousasse proclamar em sua presen\u00e7a uma coisa do g\u00eanero. O di\u00e1cono Est\u00eav\u00e3o pagou tal pre\u00e7o&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em n\u00f3s, o choque \u00e9 atenuado por vinte s\u00e9culos de confirma\u00e7\u00f5es, mas pensemos sobre como deviam soar as palavras do Ap\u00f3stolo a pessoas cultas do tempo. Ele mesmo se dava conta; por isso, sentiu a necessidade de dizer: \u201cEu n\u00e3o me envergonho do evangelho\u201d (Rm 1,16). Poder-se-ia, de fato, envergonhar-se dele. N\u00e3o consigo entender como historiadores honestos possam crer (como aconteceu por tanto tempo) que Paulo tenha tirado esta sua certeza dos cultos helen\u00edsticos, ou n\u00e3o sei de qual outra fonte. Quem teria imaginado, ou poderia humanamente imaginar, algo do g\u00eanero?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas voltemos ao nosso intuito espec\u00edfico, que \u00e9 a evangeliza\u00e7\u00e3o. O que aprendemos da palavra de Deus que acabamos de ouvir? Aos pag\u00e3os, Paulo n\u00e3o diz que o rem\u00e9dio \u00e0 sua idolatria est\u00e1 em voltar a interrogar o universo para das criaturas reportar-se a Deus; aos judeus, n\u00e3o diz que o rem\u00e9dio est\u00e1 em voltar a observar melhor a Lei de Mois\u00e9s. O rem\u00e9dio n\u00e3o est\u00e1 no alto ou atr\u00e1s; est\u00e1 adiante, est\u00e1 em acolher \u201ca reden\u00e7\u00e3o em Cristo Jesus\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Paulo, para dizer a verdade, n\u00e3o diz algo totalmente novo. Se fosse ele o autor desta mensagem inaudita, teriam raz\u00e3o aqueles que dizem que o verdadeiro fundador do cristianismo \u00e9 Saulo de Tarso, n\u00e3o Jesus de Nazar\u00e9. Mas est\u00e3o errados! Paulo n\u00e3o faz outra coisa sen\u00e3o retomar, adaptando-o \u00e0 situa\u00e7\u00e3o do momento, o an\u00fancio inaugural da prega\u00e7\u00e3o de Jesus: \u201cCumpriu-se o tempo, e est\u00e1 pr\u00f3ximo o Reino de Deus. Convertei-vos e crede no Evangelho\u201d (Mc 1,15). Em sua boca, \u201cconvertei-vos\u201d n\u00e3o queria dizer, como nos antigos profetas e em Jo\u00e3o Batista: \u201cVoltai atr\u00e1s, observai a Lei e os mandamentos\u201d; significa mais: \u201cDai um passo \u00e0 frente; entrai no Reino que gratuitamente veio em vosso meio! Crede no Evangelho!\u201d. Converter-se \u00e9 crer. \u201cA primeira convers\u00e3o consiste em crer\u201d, escreveu Santo Tom\u00e1s de Aquino:\u00a0<i>Prima conversio fit per fidem<\/i><a href=\"https:\/\/www.vaticannews.va\/pt\/vaticano\/news\/2023-03\/ii-pregacao-da-quaresma-2023.html#_ftn2\" target=\"_blank\" rel=\"external nofollow noopener\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nem o discurso de Jesus, nem o de Paulo se det\u00eam, naturalmente, neste ponto. Em sua prega\u00e7\u00e3o, Jesus expor\u00e1 o que comporta acolher o Reino e Paulo dedicar\u00e1 toda a segunda parte da sua Carta a elencar as obras, ou as virtudes, que devem caracterizar quem se tornou criatura nova. Ao querigma, faz seguir a par\u00eanese, ao an\u00fancio, a exorta\u00e7\u00e3o. O importante \u00e9 a ordem a ser seguida na vida e no an\u00fancio, de onde come\u00e7ar, pois, j\u00e1 dizia S\u00e3o Greg\u00f3rio Magno \u201cn\u00e3o se chega \u00e0 f\u00e9 partindo das virtudes, mas \u00e0s virtudes partindo da f\u00e9\u201d<a href=\"https:\/\/www.vaticannews.va\/pt\/vaticano\/news\/2023-03\/ii-pregacao-da-quaresma-2023.html#_ftn3\" target=\"_blank\" rel=\"external nofollow noopener\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>. Toda iniciativa de evangeliza\u00e7\u00e3o que quisesse come\u00e7ar com reformar os costumes da sociedade, antes de buscar mudar o cora\u00e7\u00e3o das pessoas, \u00e9 fadada a cair no nada, ou, pior, na pol\u00edtica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas n\u00e3o \u00e9 o caso de insistir nem mesmo sobre isso, neste momento. Devemos, antes, colher o ensinamento positivo do Ap\u00f3stolo. O que diz a palavra de Deus a uma Igreja que \u2013 mesmo ferida em si mesma e comprometida aos olhos do mundo \u2013 tem um suspiro de esperan\u00e7a e quer retomar, com novo impulso, a sua miss\u00e3o evangelizadora? Diz que \u00e9 preciso recome\u00e7ar a partir da pessoa de Cristo, falar dele \u201coportuna e inoportunamente\u201d; jamais dar por certo, ou pressuposto, o discurso sobre ele. Jesus n\u00e3o deve estar no pano de fundo, mas no cora\u00e7\u00e3o de todo an\u00fancio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O mundo secular faz de tudo (e infelizmente consegue!) para manter o nome de Jesus longe, ou silenciado, em todo discurso sobre a Igreja. N\u00f3s devemos fazer de tudo para mant\u00ea-lo sempre presente. N\u00e3o para nos refugiarmos por detr\u00e1s dele, mas porque \u00e9 ele a for\u00e7a e a vida da Igreja. No in\u00edcio da\u00a0<i>Evangelii gaudium,\u00a0<\/i>lemos estas palavras:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Convido todo o crist\u00e3o, em qualquer lugar e situa\u00e7\u00e3o que se encontre, a renovar hoje mesmo o seu encontro pessoal com Jesus Cristo ou, pelo menos, a tomar a decis\u00e3o de se deixar encontrar por Ele, de O procurar dia a dia sem cessar. N\u00e3o h\u00e1 motivo para algu\u00e9m poder pensar que este convite n\u00e3o lhe diz respeito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Que eu saiba, esta \u00e9 a primeira vez que, em um documento oficial do Magist\u00e9rio, aparece a express\u00e3o \u201cencontro pessoal com Cristo\u201d. Apesar da sua aparente simplicidade, esta express\u00e3o cont\u00e9m uma novidade que devemos procurar entender.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na pastoral e na espiritualidade cat\u00f3lica, eram familiares, no passado, outros modos de conceber a nossa rela\u00e7\u00e3o com Cristo. Falava-se de uma\u00a0<i>rela\u00e7\u00e3o doutrinal<\/i>, que consistia em crer em Cristo; de uma\u00a0<i>rela\u00e7\u00e3o sacramental<\/i>, que se realiza nos sacramentos; de uma\u00a0<i>rela\u00e7\u00e3o eclesial<\/i>, enquanto membros do corpo de Cristo, que \u00e9 a Igreja; falava-se tamb\u00e9m de uma\u00a0<i>rela\u00e7\u00e3o m\u00edstica ou esponsal<\/i>, reservada a algumas almas privilegiadas. N\u00e3o se falava \u2013 ou ao menos n\u00e3o era comum falar \u2013 de uma\u00a0<i>rela\u00e7\u00e3o pessoal<\/i>\u00a0\u2013 como entre um eu e um tu \u2013, aberta a todo crente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante os cinco s\u00e9culos que temos \u00e0s costas \u2013 que impropriamente s\u00e3o chamados \u201cda Contrarreforma\u201d \u2013, a espiritualidade e a pastoral cat\u00f3lica t\u00eam olhado com suspeita para este modo de conceber a salva\u00e7\u00e3o. Via-se a\u00ed o perigo (de resto, totalmente o contr\u00e1rio de remoto e hipot\u00e9tico) do subjetivismo, isto \u00e9, de conceber a f\u00e9 e a salva\u00e7\u00e3o como um fato individual, sem uma verdadeira rela\u00e7\u00e3o com a Tradi\u00e7\u00e3o e com a f\u00e9 do resto da Igreja. O multiplicar-se das correntes e das denomina\u00e7\u00f5es no mundo Protestante n\u00e3o fazia outra coisa sen\u00e3o refor\u00e7ar esta convic\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entramos agora, gra\u00e7as a Deus, em uma nova fase, na qual nos esfor\u00e7amos em ver as diferen\u00e7as, n\u00e3o necessariamente como incompat\u00edveis entre si e, portanto, a serem combatidas, mas, at\u00e9 onde \u00e9 poss\u00edvel, como riquezas a serem compartilhadas. Neste novo clima, entende-se a exorta\u00e7\u00e3o para haver uma \u201crela\u00e7\u00e3o pessoal com Cristo\u201d. Este modo de conceber a f\u00e9 nos parece, antes, o \u00fanico poss\u00edvel desde quando a f\u00e9 n\u00e3o \u00e9 mais um fato pressuposto que se absorve quando crian\u00e7as com a educa\u00e7\u00e3o familiar e escol\u00e1stica, mas \u00e9 fruto de uma decis\u00e3o pessoal. O sucesso de uma miss\u00e3o n\u00e3o pode ser medido pelo n\u00famero das confiss\u00f5es ouvidas e das comunh\u00f5es distribu\u00eddas, mas de quantas pessoas passaram de ser crist\u00e3os de nome a crist\u00e3os reais, isto \u00e9, convictos e ativos na comunidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Procuremos entender em que consiste, concretamente, este famoso \u201cencontro pessoal\u201d com Cristo. Eu digo que \u00e9 como encontrar uma pessoa ao vivo, depois de t\u00ea-la conhecido por anos apenas por fotografia. Pode-se conhecer livros sobre Jesus, doutrinas, heresias sobre Jesus, conceitos sobre Jesus, mas n\u00e3o o conhecer vivo e presente (insisto sobretudo sobre estes dois adjetivos: um Jesus ressuscitado e\u00a0<i>vivo<\/i>\u00a0e um Jesus\u00a0<i>presente<\/i>!). Para muitos, mesmo batizados e crentes, Jesus \u00e9 um personagem do passado, n\u00e3o uma pessoa viva no presente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ajuda-nos a entender a diferen\u00e7a aquilo que acontece no \u00e2mbito humano, quando se passa do conhecer uma pessoa ao enamorar-se dela. Algu\u00e9m pode conhecer tudo sobre uma mulher ou um homem: como se chama, quantos anos tem, que estudos fez, a qual fam\u00edlia pertence&#8230; Depois, um dia acende uma fagulha e se enamora daquela mulher ou daquele homem. Tudo muda. Quer estar com aquela pessoa, agrad\u00e1-la, t\u00ea-la para si, tem medo de desagrad\u00e1-la e de n\u00e3o ser digno dela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como fazer para que se acenda em muitos aquela fagulha em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pessoa de Jesus? \u00a0Ela n\u00e3o se acender\u00e1 em quem escuta a mensagem do Evangelho, se n\u00e3o se acendeu antes \u2013 ao menos como desejo, como busca e como prop\u00f3sito \u2013 em quem o proclama. Houve e h\u00e1 exce\u00e7\u00f5es; a palavra de Deus tem uma for\u00e7a pr\u00f3pria e pode agir, \u00e0s vezes, mesmo se pronunciada por quem n\u00e3o a vive; mas \u00e9 exce\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para consola\u00e7\u00e3o e encorajamento de quantos trabalham institucionalmente no campo da evangeliza\u00e7\u00e3o, gostaria de lhes dizer que nem tudo depende deles. Deles, depende criar as condi\u00e7\u00f5es para que se acenda aquela fagulha e se difunda. Mas ela acende nas maneiras e nos momentos mais impens\u00e1veis. Na maioria dos casos que conheci em minha vida, a descoberta de Cristo que mudou a vida tinha sido ocasionada a partir do encontro com algu\u00e9m que j\u00e1 tinha experimentado aquela gra\u00e7a, da participa\u00e7\u00e3o de um encontro, da escuta de um testemunho, de ter experimentado a presen\u00e7a de Deus em um momento de grande sofrimento, e \u2013 n\u00e3o posso omiti-lo, pois assim aconteceu tamb\u00e9m para mim \u2013 de ter recebido o chamado batismo do Esp\u00edrito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aqui se v\u00ea a necessidade de designar sempre mais os leigos, homens e mulheres, para a evangeliza\u00e7\u00e3o. Eles est\u00e3o mais inseridos nas tramas da vida em que normalmente se realizam aquelas circunst\u00e2ncias. Tamb\u00e9m pela escassez de n\u00famero, a n\u00f3s, do clero, torna-se mais f\u00e1cil sermos pastores do que pescadores de almas: mais f\u00e1cil apascentar com as palavras e os sacramentos aqueles que v\u00eam \u00e0 Igreja, do que partir ao alto-mar a pescar os distantes. Os leigos podem nos suprir na tarefa de pescadores. Muitos deles descobriram o que significa conhecer Jesus vivo e est\u00e3o ansiosos para compartilhar com outros a sua descoberta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os movimentos eclesiais, surgidos ap\u00f3s o Conc\u00edlio, foram para muitos o lugar em que fizeram tal descoberta. Em sua homilia na Missa Crismal da Quinta-feira Santa de 2012, a \u00faltima do seu pontificado, Bento XVI afirmou: \u201cQuem observa a hist\u00f3ria do per\u00edodo p\u00f3s-conciliar pode reconhecer a din\u00e2mica da verdadeira renova\u00e7\u00e3o, que frequentemente assumiu formas inesperadas em movimentos cheios de vida e que tornam quase palp\u00e1vel a vivacidade inexaur\u00edvel da santa Igreja, a presen\u00e7a e a a\u00e7\u00e3o eficaz do Esp\u00edrito Santo\u201d. Junto com os bons frutos, alguns desses movimentos produziram tamb\u00e9m frutos podres. \u00c9 preciso recordar-se da express\u00e3o: \u201cN\u00e3o jogue o beb\u00ea fora junto com a \u00e1gua do banho\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Termino com as palavras conclusivas do\u00a0<i>Itiner\u00e1rio<\/i>\u00a0<i>da mente para Deus<\/i>, de S\u00e3o Boaventura, porque elas nos sugerem de onde come\u00e7ar para realizar, ou renovar, a nossa \u201crela\u00e7\u00e3o pessoal com Cristo\u201d e nos tornarmos seus corajosos anunciadores:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 este um dom m\u00edstico e secret\u00edssimo \u2013 escreve \u2013 que ningu\u00e9m conhece, sen\u00e3o quem o recebe. Nem o recebe, sen\u00e3o quem o deseja. Nem o deseja, sen\u00e3o quem est\u00e1 inflamado profundamente pelo fogo do Esp\u00edrito Santo que Jesus Cristo enviou \u00e0 terra<a href=\"https:\/\/www.vaticannews.va\/pt\/vaticano\/news\/2023-03\/ii-pregacao-da-quaresma-2023.html#_ftn4\" target=\"_blank\" rel=\"external nofollow noopener\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">_______________________<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tradu\u00e7\u00e3o de Fr. Ricardo Farias, ofmcap<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/www.vaticannews.va\/pt\/vaticano\/news\/2023-03\/ii-pregacao-da-quaresma-2023.html#_ftnref1\" target=\"_blank\" rel=\"external nofollow noopener\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a>\u00a0Cf. Agostinho,\u00a0<i>De natura et gratia<\/i>, 22,24.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/www.vaticannews.va\/pt\/vaticano\/news\/2023-03\/ii-pregacao-da-quaresma-2023.html#_ftnref2\" target=\"_blank\" rel=\"external nofollow noopener\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a>\u00a0Cf. Tom\u00e1s de Aquino,\u00a0<i>S.Th. I-IIae<\/i>, q.113, a. 4.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/www.vaticannews.va\/pt\/vaticano\/news\/2023-03\/ii-pregacao-da-quaresma-2023.html#_ftnref3\" target=\"_blank\" rel=\"external nofollow noopener\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a>\u00a0Cf. Greg\u00f3rio Magno,\u00a0<i>Homilias sobre Ezequiel<\/i>, II,7 (PL 76, 1018).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/www.vaticannews.va\/pt\/vaticano\/news\/2023-03\/ii-pregacao-da-quaresma-2023.html#_ftnref4\" target=\"_blank\" rel=\"external nofollow noopener\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a>\u00a0Cf. Boaventura de Bagnoregio,\u00a0<i>Itinerarium mentis in Deum<\/i>, VII,4.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0Segunda prega\u00e7\u00e3o da Quaresma O pregador da Casa Pontif\u00edcia, cardeal Raniero Cantalamessa, OFMCap, prop\u00f4s \u00e0 C\u00faria Romana, nesta sexta-feira, 10 de mar\u00e7o, a segunda prega\u00e7\u00e3o da Quaresma intitulada \u201cO Evangelho \u00e9 poder de Deus para todo aquele que cr\u00ea\u201d (Rm 1,16) Fr. Raniero Card. 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