{"id":79728,"date":"2023-02-27T09:44:08","date_gmt":"2023-02-27T12:44:08","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=79728"},"modified":"2023-03-03T17:45:28","modified_gmt":"2023-03-03T20:45:28","slug":"uma-concorrencia-inaceitavel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/uma-concorrencia-inaceitavel\/","title":{"rendered":"UMA CONCORR\u00caNCIA INACEIT\u00c1VEL"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O pobre \u00e9 um concorrente que incomoda. Mas n\u00e3o admitimos essa verdade. Na realidade, preferimos ignorar a admitir. Nesse quadro de insana e extrema ignor\u00e2ncia social, a fome \u00e9 fato inadmiss\u00edvel. \u201cUma car\u00eancia grave e prolongada da alimenta\u00e7\u00e3o provoca a debilidade do organismo, a apatia, a perda do sentido social, a indiferen\u00e7a e, por vezes, a hostilidade em rela\u00e7\u00e3o aos mais fr\u00e1geis: em particular as crian\u00e7as e os idosos\u201c (TB 67). \u00c9 prefer\u00edvel, pois, fechar os olhos para essa realidade social do que enfrenta-la como parte dos muitos problemas que j\u00e1 temos, tais quais a viol\u00eancia dom\u00e9stica, social e a perda do sentido da vida. E nunca admitirmos ser tudo isso uma consequ\u00eancia da fome.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Como prova\u00e7\u00e3o, a fome ainda \u00e9 uma experi\u00eancia desconhecida para muitos de n\u00f3s, brasileiros privilegiados. \u201cJesus jejuou durante quarenta dias e quarenta noites e, depois disso, teve fome\u201d (Mt 4,2) E voc\u00ea, j\u00e1 passou fome alguma vez? Sabe o quanto d\u00f3i, o quanto revolta? \u00c9 dessa experi\u00eancia de dor e abandono que, volunt\u00e1ria ou involuntariamente, necessitamos provar para reavaliar a dignidade perdida tamb\u00e9m volunt\u00e1ria ou involuntariamente. Uma experi\u00eancia de fome nos leva a rejeitar situa\u00e7\u00f5es de injusti\u00e7a. \u201cUma consequ\u00eancia quase ignorada \u00e9 o aumento da criminalidade\u201d (76). N\u00e3o h\u00e1 como negar essa rela\u00e7\u00e3o, como tamb\u00e9m a falta de vontade pol\u00edtica e social para se encarar de frente essa quest\u00e3o. J\u00e1 dizia Betinho, grande ativista e soci\u00f3logo brasileiro, \u201cquando havia 32 milh\u00f5es de famintos no Brasil\u201d (anos 90), que \u201ca alma da fome \u00e9 pol\u00edtica\u201d (78).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 N\u00e3o podemos negar que \u201ca responsabilidade maior por enfrentar e solucionar os problemas da mis\u00e9ria e da fome pertence ao poder p\u00fablico\u201d (83). Mas igualmente n\u00e3o podemos negar que \u201caquilo que descartamos ou desperdi\u00e7amos \u00e9, precisamente, o que falta \u00e0 mesa dos famintos e miser\u00e1veis\u201d (89). Somos respons\u00e1veis comunitariamente. \u201cNessa educa\u00e7\u00e3o para vencer a fome, como se tenta vencer a doen\u00e7a ou a ignor\u00e2ncia, \u00e9 importante que todos sejam sensibilizados\u201d (93). Muitos s\u00e3o os projetos, institui\u00e7\u00f5es e movimentos sociais voltados para essa \u00e1rea, mas a indiferen\u00e7a social ainda se constitui um obst\u00e1culo vergonhoso. \u201cSente-se, contudo, a aus\u00eancia no cen\u00e1rio brasileiro, dos Bancos \u00c9ticos, aqueles que conectam poupadores e investidores que querem transformar o mundo (100)\u201d. A economia solid\u00e1ria \u00e9 um sonho bonito. Mas n\u00e3o sai do papel. A economia de comunh\u00e3o, nascida no seio do catolicismo, ainda engatinha. A economia de Francisco e Clara, projeto recente do Papa Francisco, est\u00e1 em fase de gesta\u00e7\u00e3o, buscando envolver jovens de diferentes cren\u00e7as ou nacionalidades. Muitos outros grupos se somam a essa tomada de consci\u00eancia de que \u201cquem tem fome, tem pressa\u201d; de que s\u00f3 se constr\u00f3i uma sociedade justa e humana a partir dos nossos conceitos de justi\u00e7a e humanidade. O mundo que nos rodeia tem a nossa cara, \u00e9 retrato do que somos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Mas os ensinamentos crist\u00e3os continuam v\u00e1lidos. \u201cOnde todos s\u00e3o irm\u00e3os n\u00e3o h\u00e1 lugar para a fome\u201d, diz um subt\u00edtulo do texto-base dessa CF. Causa e consequ\u00eancia da a\u00e7\u00e3o de Cristo em nosso mundo. Raz\u00e3o de sua vida! De nosso existir como na\u00e7\u00e3o, como povo escolhido e aben\u00e7oado por Deus. Moramos numa p\u00e1tria amada. \u201cBrasil, terra rica, bela e abundante, cheia de um povo bom e solid\u00e1rio, n\u00e3o se parece como Reino desejado por Deus, e apresentado por Jesus. Aqui, nem todos t\u00eam vida em plenitude! Ainda n\u00e3o somos verdadeiramente irm\u00e3os e irm\u00e3s! Nosso Pa\u00eds n\u00e3o \u00e9 ainda nossa Casa Comum! N\u00e3o formamos uma s\u00f3 fam\u00edlia, dos filhos e filhas de Deus. Se assim fosse, a gan\u00e2ncia, o individualismo, o dom\u00ednio dos interesses individuais e, sobretudo, a fome n\u00e3o existiriam entre n\u00f3s, ceifando vidas\u201d (112). Todavia, ainda somos um povo de f\u00e9. Como bem disse, um dia, Dom Helder em sua voz prof\u00e9tica: \u201cSe eu tenho fome, o problema \u00e9 meu, Se meu irm\u00e3o tem fome, o problema \u00e9 nosso\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O pobre \u00e9 um concorrente que incomoda. Mas n\u00e3o admitimos essa verdade. Na realidade, preferimos ignorar a admitir. 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