{"id":79560,"date":"2023-02-23T09:12:17","date_gmt":"2023-02-23T12:12:17","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=79560"},"modified":"2023-02-23T13:13:14","modified_gmt":"2023-02-23T16:13:14","slug":"gallagher-guerra-atroz-na-ucrania-a-igreja-mantem-vivo-o-sonho-da-paz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/gallagher-guerra-atroz-na-ucrania-a-igreja-mantem-vivo-o-sonho-da-paz\/","title":{"rendered":"Gallagher: guerra atroz na Ucr\u00e2nia, a Igreja mant\u00e9m vivo o sonho da paz"},"content":{"rendered":"<figure class=\"article__image\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"didascalia_img\">Dom Paul Richard Gallagher (no meio) durante visita \u00e0 Ucr\u00e2nia\u00a0<\/span><\/figure>\n<div class=\"article__meta \" data-mediatype=\"\">\n<div class=\"article__subTitle\" style=\"text-align: justify;\">O secret\u00e1rio para as Rela\u00e7\u00f5es com os Estados explica \u00e0 m\u00eddia vaticana o papel da diplomacia da Santa S\u00e9 no contexto da guerra que estourou h\u00e1 um ano com o ataque russo em 24 de fevereiro: junto com a proximidade ao povo ucraniano, o objetivo \u00e9 criar a possibilidade de uma negocia\u00e7\u00e3o que leve \u00e0 paz.<\/div>\n<div class=\"title__separator\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div class=\"article__text\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Svitlana Dukhovych \u2013 Vatican News<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um ano depois da invas\u00e3o russa da Ucr\u00e2nia, o secret\u00e1rio para as Rela\u00e7\u00f5es com os Estados,\u00a0<b>dom Paul Richard Gallagher,<\/b>\u00a0fala \u00e0 m\u00eddia vaticana sobre a a\u00e7\u00e3o diplom\u00e1tica da Santa S\u00e9 para ajudar a p\u00f4r fim a esta terr\u00edvel guerra. Esta a\u00e7\u00e3o \u00e9 animada pela &#8220;iniciativa do Santo Padre&#8221; com seus cont\u00ednuos &#8220;apelos pela paz na Ucr\u00e2nia&#8221;, disse ele. Procuramos sempre n\u00e3o fazer esquecer &#8220;a atrocidade, a ferocidade desta guerra&#8221;, afirma o prelado, abertos \u00e0 esperan\u00e7a de &#8220;uma negocia\u00e7\u00e3o&#8221; que conduza \u00e0 paz. Ele recorda sua visita \u00e0 Ucr\u00e2nia em maio passado, afirmando que ficou &#8220;profundamente mudado&#8221; e explica que a perman\u00eancia do n\u00fancio apost\u00f3lico em Kiev, apesar da guerra, significa querer compartilhar o sofrimento do povo ucraniano: uma decis\u00e3o que faz parte da pr\u00f3pria natureza da diplomacia da Santa S\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Excel\u00eancia, em 24 de fevereiro de um ano atr\u00e1s, come\u00e7ou a invas\u00e3o em grande escala da Ucr\u00e2nia pela Federa\u00e7\u00e3o Russa. A guerra parece n\u00e3o parar. Quais s\u00e3o as \u00e1reas nas quais a diplomacia da Santa S\u00e9 se move para ajudar a por fim a esta guerra e estabelecer a paz?<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Dom Gallagher:\u00a0<\/b>A diplomacia da Santa S\u00e9 \u00e9 guiada e animada sobretudo pela iniciativa do Santo Padre: \u00e9 ele quem continua fazendo &#8211; nas suas ora\u00e7\u00f5es e nas suas interven\u00e7\u00f5es &#8211; tanto nas audi\u00eancias gerais quanto na ora\u00e7\u00e3o mariana do Angelus todos os domingos &#8211; apelos em favor da paz na Ucr\u00e2nia. E n\u00f3s o seguimos. Procuramos sempre ter presente, como tantos outros, a atrocidade, a ferocidade desta guerra que continua \u00e0 custa de tantas v\u00edtimas, tantos mortos, tantos feridos, fam\u00edlias dispersas. \u00c9 o que procuramos fazer, mantendo sempre uma certa disponibilidade para com os interventores para uma eventual negocia\u00e7\u00e3o que ponha fim a esta terr\u00edvel guerra. Acredito que esse \u00e9 o nosso papel. Embora seja dif\u00edcil para a pr\u00f3pria Ucr\u00e2nia e para muitos outros falar de di\u00e1logo e paz, de reconcilia\u00e7\u00e3o, isso \u00e9 algo que a Igreja, a Santa S\u00e9 e o Santo Padre podem e devem fazer, e isso \u00e9 fundamental: ter presente a sonho de paz. Compreendemos as dificuldades de muitos, neste momento de sofrimento, de pensar a paz nestes termos, mas algu\u00e9m tem de fazer porque no final acabar\u00e1 essa terr\u00edvel guerra e esperamos que este fim chegue logo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Do ponto de vista da a\u00e7\u00e3o diplom\u00e1tica da Santa S\u00e9, quais s\u00e3o os aspectos que tornam esta guerra na Ucr\u00e2nia particular em compara\u00e7\u00e3o com outras guerras?<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Dom Gallagher:\u00a0<\/b>Primeiramente, devemos dizer que esta \u00e9 uma guerra na Europa. N\u00f3s europeus, ap\u00f3s a experi\u00eancia da Segunda Guerra Mundial, pens\u00e1vamos que nunca mais haveria guerra e agora vemos a realidade. Isto \u00e9 importante. Ent\u00e3o \u00e9 uma guerra entre dois pa\u00edses que compartilham uma longa hist\u00f3ria, muitos aspectos culturais e, n\u00e3o menos importante, a dimens\u00e3o religiosa. Isto torna esta guerra particularmente problem\u00e1tica. Todas as guerras s\u00e3o terr\u00edveis, mas esta guerra nos confronta com uma situa\u00e7\u00e3o muito dif\u00edcil para todos, porque embora reconhe\u00e7amos a gravidade das a\u00e7\u00f5es da R\u00fassia, vemos que a R\u00fassia \u00e9 um pa\u00eds muito importante, um pa\u00eds com uma longa hist\u00f3ria, e devemos reconstruir uma paz, uma rela\u00e7\u00e3o com esta R\u00fassia no futuro. E isto tamb\u00e9m torna a condu\u00e7\u00e3o da guerra particularmente dif\u00edcil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Em maio do ano passado o senhor visitou a Ucr\u00e2nia, que significado teve esta visita para o senhor?<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Dom Gallagher:\u00a0<\/b>Isso teve um impacto muito profundo em mim. Quando a gente vai e toca o sofrimento de um povo, quando a gente v\u00ea, como eu vi em Bucha e em outras cidades, os fatos, a verdade da guerra, o sofrimento do povo, isso n\u00e3o pode deixar de ter um impacto muito profundo. Quando a gente toca nas feridas desse povo, isso muda voc\u00ea para sempre, n\u00e3o \u00e9 uma coisa te\u00f3rica, uma not\u00edcia no jornal: \u00e9 uma verdade, o sofrimento de um povo. Foi o que aconteceu comigo. A experi\u00eancia de estar ali me mudou profundamente, ver o sofrimento, ver tamb\u00e9m a coragem do povo e tamb\u00e9m a complexidade da situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Excel\u00eancia, desde o primeiro dia da guerra, o n\u00fancio apost\u00f3lico na Ucr\u00e2nia, o arcebispo Visvaldas Kulbokas, foi um dos tr\u00eas diplomatas que permaneceram para trabalhar em Kiev. Como foi tomada esta decis\u00e3o e que significado teve para a Santa S\u00e9 o fato de ele, o n\u00fancio, permanecer ali?<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Dom Gallagher:\u00a0<\/b>Na realidade, uma decis\u00e3o nunca foi tomada, foi espont\u00e2nea. Estamos todos muito orgulhosos de dom Visvaldas, que est\u00e1 cumprindo esta miss\u00e3o junto com seus colaboradores com muita coragem, com muita determina\u00e7\u00e3o. Isso faz parte da tradi\u00e7\u00e3o da nossa diplomacia. Pense tamb\u00e9m no cardeal Zenari em Damasco, na S\u00edria: tamb\u00e9m ele permaneceu l\u00e1, agora s\u00e3o mais de dez anos, acho que quase 12 anos, apesar desta guerra na S\u00edria. Faz parte da nossa tradi\u00e7\u00e3o, porque o nosso compromisso n\u00e3o \u00e9 &#8211; digamos &#8211; um compromisso pol\u00edtico, no sentido puramente diplom\u00e1tico, \u00e9 um compromisso para com um povo, de uma Igreja. E se \u00e0s vezes, do ponto de vista hist\u00f3rico, houve expuls\u00e3o de n\u00fancios, por exemplo durante a Segunda Guerra Mundial e ainda mais recentemente, n\u00e3o fazemos essas coisas voluntariamente, \u00e9 algo que acontece. Podemos dizer que a ideia de permanecer, partilhando o sofrimento de um povo, faz parte da nossa diplomacia. O Papa n\u00e3o quer impor sacrif\u00edcios e sofrimentos \u00e0s pessoas, mas quer que este esp\u00edrito de solidariedade, esta proximidade pessoal se manifeste atrav\u00e9s dos seus representantes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Na sua opini\u00e3o, como pode o povo ucraniano aspirar \u00e0 paz diante de uma agress\u00e3o que continua, uma paz que o Papa Francisco n\u00e3o cessa de invocar?<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Dom Gallagher:\u00a0<\/b>N\u00e3o duvido que todos os ucranianos sonhem com a paz, isso \u00e9 normal. Quando os pais e m\u00e3es de fam\u00edlia olham para seus filhos, esperam que eles possam crescer em um pa\u00eds em paz. Eles devem manter esse sonho, apesar dos sofrimentos, apesar das dificuldades, apesar das rela\u00e7\u00f5es obviamente t\u00e3o dolorosas, neste momento, com a R\u00fassia e com os russos. No entanto, tamb\u00e9m eles devem preservar &#8211; talvez at\u00e9 recordando os anos de liberdade, os anos de paz que aquele pa\u00eds viveu ap\u00f3s a sua independ\u00eancia &#8211; devem olhar para o futuro com algum otimismo, tentando pensar j\u00e1 na reconstru\u00e7\u00e3o deste pa\u00eds. Haver\u00e1 muito para reconstruir e reconciliar no pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Obrigada, Excel\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Obrigada a voc\u00ea.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Paul Richard Gallagher (no meio) durante visita \u00e0 Ucr\u00e2nia\u00a0 O secret\u00e1rio para as Rela\u00e7\u00f5es com os Estados explica \u00e0 m\u00eddia vaticana o papel da diplomacia da Santa S\u00e9 no contexto da guerra que estourou h\u00e1 um ano com o ataque russo em 24 de fevereiro: junto com a proximidade ao povo ucraniano, o objetivo [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":79561,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-79560","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-vaticano"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/79560","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=79560"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/79560\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":79562,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/79560\/revisions\/79562"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media\/79561"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=79560"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=79560"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=79560"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}