{"id":78869,"date":"2023-01-12T09:21:10","date_gmt":"2023-01-12T12:21:10","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=78869"},"modified":"2023-01-12T15:22:44","modified_gmt":"2023-01-12T18:22:44","slug":"diretor-da-aiea-reforcar-o-compromisso-com-um-mundo-sem-armas-nucleares","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/diretor-da-aiea-reforcar-o-compromisso-com-um-mundo-sem-armas-nucleares\/","title":{"rendered":"Diretor da AIEA: &#8220;refor\u00e7ar o compromisso com um mundo sem armas nucleares&#8221;"},"content":{"rendered":"<figure class=\"article__image\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"didascalia_img\">Rafael Grossi, diretor geral da Ag\u00eancia Internacional de Energia At\u00f4mica (AIEA)\u00a0 (VATICAN MEDIA Divisione Foto)<\/span><\/figure>\n<div class=\"article__meta \" data-mediatype=\"\">\n<div class=\"article__subTitle\" style=\"text-align: justify;\">Na m\u00eddia do Vaticano a entrevista com Rafael Mariano Grossi, diretor geral da Ag\u00eancia Internacional de Energia At\u00f4mica em Viena, recebido nesta quinta-feira em audi\u00eancia pelo Papa Francisco no Pal\u00e1cio Apost\u00f3lico.<\/div>\n<div class=\"title__separator\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div class=\"article__text \">\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Valerio Palombaro<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Papa Francisco recebeu na manh\u00e3 desta quinta-feira (12\/01) o diretor geral da Ag\u00eancia Internacional de Energia At\u00f4mica (AIEA), Rafael Grossi, em visita ao Vaticano, onde tamb\u00e9m manteve conversa\u00e7\u00f5es com o cardeal Secret\u00e1rio de Estado, Pietro Parolin, e com o secret\u00e1rio para as Rela\u00e7\u00f5es com Estados e Organiza\u00e7\u00f5es Internacionais, arcebispo Paul Richard Gallagher. Em entrevista \u00e0 m\u00eddia do Vaticano, Grossi enfatizou a necessidade de encontrar solu\u00e7\u00f5es multilaterais para as crises internacionais e evitar a escalada nuclear. Em particular, ele se debru\u00e7ou sobre a delicada situa\u00e7\u00e3o na usina nuclear de Zaporizhzhia, anunciando que em breve visitar\u00e1 a Ucr\u00e2nia, pela quinta vez desde o in\u00edcio do conflito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>O Papa Francisco denunciou fortemente a gravidade da amea\u00e7a nuclear que hoje paira sobre a humanidade. Quais s\u00e3o seus sentimentos sobre esta amea\u00e7a?<br \/>\n<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><i>Eu encontrei o Papa Francisco porque sua voz, sua mensagem sobre estas amea\u00e7as neste momento dif\u00edcil &#8211; com uma agenda internacional complexa &#8211; me parece indispens\u00e1vel. O trabalho da AIEA tornou-se urgente: trata-se de um trabalho n\u00e3o apenas dedicado \u00e0 quest\u00e3o da Ucr\u00e2nia. H\u00e1 tamb\u00e9m o Ir\u00e3 e a Cor\u00e9ia do Norte. Neste momento, \u00e9 evidente que a seguran\u00e7a das instala\u00e7\u00f5es nucleares na Ucr\u00e2nia se tornou urgente, indispens\u00e1vel. Claro que, quanto \u00e0 situa\u00e7\u00e3o atual, \u00e9 sempre prec\u00e1ria, sempre fr\u00e1gil: os bombardeios em torno e \u00e0s vezes sobre a central de Zaporizhzhia continuam. Desde minha visita em setembro passado, pude estabelecer uma presen\u00e7a cont\u00ednua da Ag\u00eancia em Zaporizhzhia: neste momento meu compromisso \u00e9 chegar a um acordo pol\u00edtico entre Moscou e Kiev, para assegurar uma zona\u00a0<\/i>de prote\u00e7\u00e3o e de seguran\u00e7a nuclear<i> em torno da usina.<\/i><\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"article__embed article__embed--unwrap article__embed--photo\">\n<figure><picture><img decoding=\"async\" class=\"loaded\" src=\"https:\/\/www.vaticannews.va\/content\/dam\/vaticannews\/agenzie\/images\/srv\/2023\/01\/12\/2023-01-12-il-signor-rafael-mariano-grossi--direttore-generale-d\/1673515712268.JPG\/_jcr_content\/renditions\/cq5dam.thumbnail.cropped.750.422.jpeg\" alt=\"Encontro com o Papa Francisco\" data-original=\"\/content\/dam\/vaticannews\/agenzie\/images\/srv\/2023\/01\/12\/2023-01-12-il-signor-rafael-mariano-grossi--direttore-generale-d\/1673515712268.JPG\/_jcr_content\/renditions\/cq5dam.thumbnail.cropped.750.422.jpeg\" data-was-processed=\"true\" \/><\/picture><\/figure>\n<div class=\"photo_embed--Title\">Encontro com o Papa Francisco<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>O Papa tem repetidamente expressado apoio a uma abordagem multilateral em grandes crises internacionais: qual a import\u00e2ncia deste apoio da Santa S\u00e9?<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><i>\u00c9 fundamental! O apoio da Santa S\u00e9 \u00e9 fundamental porque enfatiza a import\u00e2ncia em termos de paz, com uma voz universal como a voz do Santo Padre, e em particular neste conflito na Ucr\u00e2nia, que \u00e9 um conflito na Europa, mas \u00e9 tamb\u00e9m um conflito que envolve crist\u00e3os em todo o mundo. Escutar a voz do Santo Padre \u00e9 indispens\u00e1vel: \u00e9 por isso que o diretor geral da Ag\u00eancia &#8211; n\u00e3o apenas por ser cat\u00f3lico &#8211; se reconhece nesta orienta\u00e7\u00e3o espiritual do Santo Padre, mas tamb\u00e9m por causa da for\u00e7a real no mundo desta voz neste momento de guerra.<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>O senhor mencionou a usina nuclear de Zaporizhzhia e a possibilidade que se crie esta zona de seguran\u00e7a. Entre outras coisas, o senhor visitou a Ucr\u00e2nia. Quais s\u00e3o as expectativas em rela\u00e7\u00e3o a esta possibilidade de cria\u00e7\u00e3o de uma zona de seguran\u00e7a?<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><i>Obviamente, n\u00e3o \u00e9 uma negocia\u00e7\u00e3o f\u00e1cil porque \u00e9 uma quest\u00e3o que envolve aspectos t\u00e9cnicos e tamb\u00e9m pol\u00edticos e militares. Eu disse ontem, aqui em Roma: a mesa de negocia\u00e7\u00f5es se tornou maior. N\u00e3o falo apenas com diplomatas, com l\u00edderes pol\u00edticos, mas tamb\u00e9m com os militares: generais, coron\u00e9is, pessoas que t\u00eam objetivos militares em uma zona de combate ativo. E tamb\u00e9m tenho que deixar isto claro para a comunidade internacional, porque para as for\u00e7as militares de dois pa\u00edses inimigos &#8211; neste momento &#8211; esta zona \u00e9 uma zona de intensa atividade militar. Meu desafio \u00e9 chegar a um ponto em que haja uma\u00a0<\/i>santuariza\u00e7\u00e3o<i>\u00a0&#8211; com um neologismo, por assim dizer &#8211; da usina que seja vista n\u00e3o como um problema, mas como uma solu\u00e7\u00e3o para quaisquer consequ\u00eancias mais graves: de fato, \u00e9 claro que um acidente nuclear teria consequ\u00eancias n\u00e3o limitadas a um dos dois Estados em guerra, mas a uma \u00e1rea geogr\u00e1fica maior e talvez a toda a Europa. E para isso h\u00e1 a insist\u00eancia da Ag\u00eancia e minha pessoal. Portanto, fala-se muito neste momento de aspectos territoriais, perimetrais, que s\u00e3o as preocupa\u00e7\u00f5es das for\u00e7as armadas dos dois lados. Fiz progressos. Na pr\u00f3xima semana estarei novamente na Ucr\u00e2nia, a quinta vez desde o in\u00edcio do conflito, para continuar esta rodada de negocia\u00e7\u00f5es, depois disso n\u00e3o est\u00e1 confirmada, mas acho que \u00e9 poss\u00edvel ir \u00e0 R\u00fassia tamb\u00e9m.<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>O Papa, falando h\u00e1 alguns dias ao Corpo Diplom\u00e1tico acreditado junto \u00e0 Santa S\u00e9, expressou preocupa\u00e7\u00e3o com o impasse sobre o acordo nuclear iraniano. H\u00e1 alguma chance de progresso nisto?<br \/>\n<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><i>O Papa tem raz\u00e3o: h\u00e1 um\u00a0<\/i>impasse<i>, as negocia\u00e7\u00f5es foram interrompidas, h\u00e1 muitas reuni\u00f5es e interc\u00e2mbios e \u00e9 por isso que a Ag\u00eancia &#8211; e eu pessoalmente &#8211; n\u00e3o quero deixar este vazio pol\u00edtico em torno de uma quest\u00e3o t\u00e3o vol\u00e1til e perigosa. H\u00e1 dois caminhos paralelos: o do acordo global, o chamado JCPOA (Joint Comprehensive Plan of Action), e tamb\u00e9m a negocia\u00e7\u00e3o bilateral entre a Ag\u00eancia e o Ir\u00e3. N\u00e3o temos conseguido progredir. O Ir\u00e3, ao mesmo tempo, est\u00e1 progredindo, progredindo no processo de enriquecimento de ur\u00e2nio, desenvolvimento e constru\u00e7\u00e3o de centr\u00edfugas cada vez mais avan\u00e7adas. Isto \u00e9 realmente preocupante porque, \u00e9 claro, estes s\u00e3o passos para a prolifera\u00e7\u00e3o, enquanto temos que evit\u00e1-la. Espero poder ir a Teer\u00e3. Eu sempre digo que a Ag\u00eancia \u00e9 um lugar de acordo, um espa\u00e7o, uma plataforma de entendimento m\u00fatuo. Portanto, estou pronto para viajar e come\u00e7ar de novo, se poss\u00edvel, o mais r\u00e1pido poss\u00edvel.<br \/>\n<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>O Papa Francisco denunciou repetidamente a imoralidade n\u00e3o s\u00f3 do uso de armas nucleares, mas tamb\u00e9m de sua posse. O que a ag\u00eancia internacional que o senhor lidera pode fazer para promover o uso exclusivamente pac\u00edfico do nuclear?<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><i>O uso exclusivamente pac\u00edfico do nuclear \u00e9 importante, especialmente no momento em que outra crise, a da mudan\u00e7a clim\u00e1tica, atingiu a humanidade. \u00c9 claro que existe &#8211; n\u00e3o vou dizer uma redescoberta, mas um foco muito mais intenso na capacidade da energia nuclear de fornecer uma solu\u00e7\u00e3o limpa e livre de carbono para a economia global. Pode-se ver na Europa Oriental, pode-se ver na China, se v\u00ea na \u00c1sia do Sul emergente, em quase todos os lugares se v\u00ea isto. Ao mesmo tempo, como voc\u00ea diz com raz\u00e3o, o problema da posse de armas nucleares est\u00e1 sempre presente. \u00c9 claro que temos que &#8211; e eu, como diretor da Ag\u00eancia, tenho que reconhecer &#8211; que este \u00e9 um processo gradual e que agora a obriga\u00e7\u00e3o do momento \u00e9 impedir que mais e mais pa\u00edses procurem armas nucleares, especialmente em um contexto internacional de tens\u00e3o. Pa\u00edses, muitos t\u00eam a ideia &#8211; e esta \u00e9 uma ideia absolutamente incorreta &#8211; de pensar que talvez neste momento a possibilidade de desenvolvimento nacional de armas nucleares deva ser reconsiderada. \u00c9 a isso que a Ag\u00eancia deve dizer &#8216;n\u00e3o&#8217;: j\u00e1 temos uma situa\u00e7\u00e3o internacional dif\u00edcil e n\u00e3o devemos torn\u00e1-la ainda mais dif\u00edcil. Se h\u00e1 uma coisa que \u00e9 clara &#8211; o Santo Padre, a Igreja o disse &#8211; \u00e9 que as armas nucleares n\u00e3o fornecem seguran\u00e7a: \u00e9 o oposto. \u00c9 o oposto! E isto deve ser dito. Devemos ter a paci\u00eancia e a capacidade de convencer os Estados, e isso n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil.<\/i><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rafael Grossi, diretor geral da Ag\u00eancia Internacional de Energia At\u00f4mica (AIEA)\u00a0 (VATICAN MEDIA Divisione Foto) Na m\u00eddia do Vaticano a entrevista com Rafael Mariano Grossi, diretor geral da Ag\u00eancia Internacional de Energia At\u00f4mica em Viena, recebido nesta quinta-feira em audi\u00eancia pelo Papa Francisco no Pal\u00e1cio Apost\u00f3lico. 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