{"id":78700,"date":"2023-01-03T09:22:54","date_gmt":"2023-01-03T12:22:54","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=78700"},"modified":"2023-01-03T13:24:29","modified_gmt":"2023-01-03T16:24:29","slug":"a-ligacao-entre-ratzinger-e-santo-agostinho-guia-para-minha-vida-como-teologo-e-pastor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/a-ligacao-entre-ratzinger-e-santo-agostinho-guia-para-minha-vida-como-teologo-e-pastor\/","title":{"rendered":"A liga\u00e7\u00e3o entre Ratzinger e Santo Agostinho: &#8220;Guia para minha vida como te\u00f3logo e pastor&#8221;"},"content":{"rendered":"<figure class=\"article__image\"><span class=\"didascalia_img\">A est\u00e1tua de madeira de Santo Agostinho presente na Capela do Mosteiro Mater Ecclesiae, onde morava o Papa Em\u00e9rito\u00a0<\/span><\/figure>\n<div class=\"article__meta \" data-mediatype=\"\">\n<div class=\"article__subTitle\" style=\"text-align: justify;\">O Papa Em\u00e9rito conheceu o grande padre da Igreja durante seus primeiros estudos filos\u00f3ficos e teol\u00f3gicos e ficou fascinado por ele. Sua tese em teologia foi dedicada a ele e se inspirou em Agostinho para escrever sua primeira Enc\u00edclica \u201cDeus caritas est\u201d. Bento XVI escolheu um s\u00edmbolo &#8220;agostiniano&#8221; no bras\u00e3o papal e, na capela da Mater Ecclesiae, onde repousava o corpo, encontra-se uma est\u00e1tua do bispo de Hipona.<\/div>\n<div class=\"title__separator\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div class=\"article__text \">\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Tiziana Campisi \u2013 Vatican News<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bento XVI e Santo Agostinho. O pensamento e a teologia do 264\u00ba sucessor de Pedro est\u00e3o impregnados nos ensinamentos e escritos do grande Padre da Igreja, mas j\u00e1 como estudante Joseph Ratzinger sentia afinidades com a personalidade do bispo de Hipona. Nutria uma devo\u00e7\u00e3o especial e gratid\u00e3o para com aquela figura \u00e0 qual ele se sentia muito apegado pelo papel que havia desempenhado em sua vida de te\u00f3logo, de sacerdote e de pastor. Repetiu isso v\u00e1rias vezes durante seu pontificado: na \u00faltima de suas cinco catequeses dedicadas ao Santo &#8211; entre janeiro e fevereiro de 2008 -, no ciclo das audi\u00eancias gerais sobre os Padres da Igreja, diante do t\u00famulo de Santo Agostinho em Pavia em abril do mesmo ano, e antes disso aos estudantes do Semin\u00e1rio Maior Romano em 17 de fevereiro de 2007. No per\u00edodo de seus primeiros estudos filos\u00f3ficos e teol\u00f3gicos, na segunda metade dos anos 40, foi particularmente atra\u00eddo pela figura de Santo Agostinho e pelo seu perturbador caminho interior empreendido para crer e compreender e, ao mesmo tempo, para compreender e crer, em suma, para poder dialogar f\u00e9 e raz\u00e3o. Di\u00e1logo que Ratzinger levou adiante e desenvolveu ao longo de toda a sua vida.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><b>O fasc\u00ednio da hist\u00f3ria humana do Bispo de Hipona<\/b><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cFascinava-me sobretudo a grande humanidade de Santo Agostinho&#8221;, explicou Bento XVI aos seminaristas, &#8220;que n\u00e3o teve a possibilidade simplesmente de se identificar com a Igreja porque era catec\u00fameno desde o in\u00edcio, mas teve que lutar espiritualmente para encontrar pouco a pouco o acesso \u00e0 Palavra de Deus, \u00e0 vida com Deus, chegando ao grande \u2018sim\u2019 \u00e0 sua Igreja&#8221;. E \u00e9, em particular, a hist\u00f3ria pessoal do fil\u00f3sofo de Tagaste que impressionou Ratzinger, &#8220;este caminho t\u00e3o humano, no qual tamb\u00e9m hoje podemos ver como se come\u00e7a a entrar em contacto com Deus, como todas as resist\u00eancias da nossa natureza devam ser tomadas a s\u00e9rio e depois devam tamb\u00e9m ser canalizadas para chegar ao grande sim ao Senhor. Desta forma, fui conquistado pela sua teologia muito pessoal, desenvolvida sobretudo na prega\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><b>A tese \u201cagostiniana\u201d em teologia<\/b><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Voltando no tempo, no percurso de estudioso, te\u00f3logo e pastor de Ratzinger e na sua vida pessoal, a figura do bispo de Hipona est\u00e1 sempre presente. Em 1953, o promissor Joseph sacerdote e j\u00e1 brilhante acad\u00eamico se formou em Teologia na Universidade de Munique com uma disserta\u00e7\u00e3o sobre a rela\u00e7\u00e3o entre o Povo de Deus e o Corpo de Cristo em Agostinho &#8211; &#8216;Povo e Casa de Deus na Doutrina da Igreja de Santo Agostinho&#8217; &#8211; com base no que o Doutor da Igreja escreve na &#8216;Exposi\u00e7\u00e3o sobre o Salmo 149&#8217;. A tese foi publicada e no pref\u00e1cio da edi\u00e7\u00e3o italiana de 1978 Ratzinger delineou o resultado central de sua pesquisa, especificando que &#8220;a releitura cristol\u00f3gica do Antigo Testamento e a vida sacramental centrada na Eucaristia s\u00e3o os dois principais elementos da vis\u00e3o agostiniana da Igreja&#8221;.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><b>O desejo de uma vida contemplativa<\/b><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas h\u00e1 outro aspecto da vida de Santo Agostinho que Bento XVI quis destacar durante sua visita ao Semin\u00e1rio Maior Romano, por ocasi\u00e3o da festa de Nossa Senhora da Confian\u00e7a: ele desejava viver, inicialmente, &#8220;uma vida meramente contemplativa, escrever outros livros de filosofia&#8230; mas o Senhor n\u00e3o quis, fez dele um sacerdote e um bispo e, assim, o resto da sua vida, da sua obra, desenvolveu-se substancialmente no di\u00e1logo com um povo muito simples. Ele teve que encontrar sempre pessoalmente, por um lado, o significado da Escritura e, por outro, ter em considera\u00e7\u00e3o a capacidade do povo, do seu contexto vital, e alcan\u00e7ar um cristianismo realista e ao mesmo tempo muito profundo&#8221;. Era a mesma coisa que Ratzinger desejava: retirar-se da vida p\u00fablica para se dedicar \u00e0 medita\u00e7\u00e3o e ao estudo. Como Prefeito da Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9 desde 1981, solicitou v\u00e1rias vezes sua demiss\u00e3o, que Jo\u00e3o Paulo II n\u00e3o concedeu.<\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"article__embed article__embed--unwrap article__embed--photo\">\n<figure><picture><img decoding=\"async\" class=\"loaded\" src=\"https:\/\/www.vaticannews.va\/content\/dam\/vaticannews\/multimedia\/2023\/01\/02\/00324aem.jpg\/_jcr_content\/renditions\/cq5dam.thumbnail.cropped.750.422.jpeg\" alt=\"Bento XVI em visita ao Semin\u00e1rio Romano Maior em 17 de fevereiro de 2007\" data-original=\"\/content\/dam\/vaticannews\/multimedia\/2023\/01\/02\/00324aem.jpg\/_jcr_content\/renditions\/cq5dam.thumbnail.cropped.750.422.jpeg\" data-was-processed=\"true\" \/><\/picture><\/figure>\n<div class=\"photo_embed--Title\">Bento XVI em visita ao Semin\u00e1rio Romano Maior em 17 de fevereiro de 2007<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><b>Sua primeira Enc\u00edclica:\u00a0<i>Deus caritas est<\/i><\/b><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eleito Papa em 16 de abril de 2005, alguns meses depois, no dia de Natal, Bento XVI entregou \u00e0 Igreja sua primeira carta enc\u00edclica,\u00a0<i>Deus caritas est<\/i>, dedicada ao amor crist\u00e3o. Foi inspirado mais uma vez por Santo Agostinho. Seu desejo de &#8220;falar do amor com que Deus nos cumula e que deve ser comunicado aos outros por n\u00f3s&#8221; e o expressa em um tratado dividido em duas grandes partes que est\u00e3o &#8220;profundamente ligadas&#8221; entre elas. A primeira com um car\u00e1ter mais especulativo, com o qual ele quis especificar, no in\u00edcio de seu Pontificado, &#8220;alguns dados essenciais sobre o amor que Deus, de forma misteriosa e gratuita, oferece ao homem, juntamente com a liga\u00e7\u00e3o intr\u00ednseca desse Amor com a realidade do amor humano&#8221;; a segunda parte com &#8220;um car\u00e1ter mais concreto&#8221;, que trata do &#8220;exerc\u00edcio eclesial do mandamento do amor pelo pr\u00f3ximo&#8221;. No par\u00e1grafo anterior \u00e0 conclus\u00e3o, apresenta uma s\u00edntese do conceito de amor, a \u00fanica luz &#8220;que sempre ilumina novamente um mundo escuro e nos d\u00e1 a coragem de viver e de agir&#8221;. &#8220;O amor \u00e9 poss\u00edvel, e n\u00f3s somos capazes de pratic\u00e1-lo porque fomos criados \u00e0 imagem de Deus. Viver o amor e assim deixar a luz de Deus entrar no mundo, isto \u00e9 o que eu gostaria de convidar com esta Enc\u00edclica&#8221;.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><b>Peregrino no t\u00famulo de Santo Agostinho<\/b><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 22 de abril de 2007, em visita a Pavia, Bento XVI deixou ainda mais claro o quanto se sentia pr\u00f3ximo de Santo Agostinho. Com viva emo\u00e7\u00e3o, na Bas\u00edlica de S\u00e3o Pedro em Ciel d&#8217;Oro, onde s\u00e3o guardados os restos mortais do &#8220;Doutor da Gra\u00e7a&#8221;, ele revelou que era seu desejo vener\u00e1-los: &#8220;Para expressar tanto a homenagem de toda a Igreja Cat\u00f3lica a um dos seus \u2018padres\u2019 maiores, como a minha pessoal devo\u00e7\u00e3o e reconhecimento \u00e0quele que grande parte teve na minha vida de te\u00f3logo e de pastor, mas diria antes ainda de homem e de sacerdote&#8221;. E diante do t\u00famulo do Bispo de Hipona, visivelmente emocionado, o Papa Ratzinger tamb\u00e9m quis &#8220;entregar idealmente \u00e0 Igreja e ao mundo&#8221;, sua primeira Enc\u00edclica, &#8220;amplamente devedora ao pensamento de Santo Agostinho, que foi um apaixonado do Amor de Deus, e o cantou, meditou, pregou em todos os seus escritos, e acima de tudo testemunhou no seu minist\u00e9rio pastoral&#8221;. Afirmando tamb\u00e9m que \u201cque a humanidade contempor\u00e2nea tem necessidade desta mensagem essencial, encarnada em Jesus Cristo: Deus \u00e9 amor\u201d e que \u201ctudo deve partir daqui e tudo aqui deve conduzir: cada a\u00e7\u00e3o pastoral, cada desenvolvimento teol\u00f3gico\u201d, e que \u201ctodos os carismas perdem o sentido e o valor sem o amor, gra\u00e7as ao qual, ao contr\u00e1rio, todos concorrem para edificar o Corpo m\u00edstico de Cristo\u201d. Acrescentando que mensagem \u201cque ainda hoje Santo Agostinho repete a toda a Igreja\u201d e que \u201co Amor \u00e9 a alma da vida da Igreja e da sua a\u00e7\u00e3o pastoral\u201d.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><b>Um s\u00edmbolo &#8220;agostiniano&#8221; no bras\u00e3o papal<\/b><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">E n\u00e3o se deve esquecer que para seu bras\u00e3o papal Bento XVI escolheu, entre outros s\u00edmbolos, uma concha, que tamb\u00e9m tem um significado agostiniano. De fato, recorda uma lenda que tem Agostinho como protagonista. A hist\u00f3ria conta que Agostinho notou uma crian\u00e7a em uma praia que estava continuamente tirando \u00e1gua do mar com uma concha e depois despejando-a em um buraco cavado na areia, e pediu explica\u00e7\u00e3o. O menino respondeu que queria colocar toda a \u00e1gua do mar naquele buraco. &#8220;Agostinho compreendeu a refer\u00eancia a seu in\u00fatil esfor\u00e7o em tentar fazer entrar o infinito de Deus na limitada mente humana&#8221;, l\u00ea-se na p\u00e1gina do site Vatican.va dedicada ao bras\u00e3o de Bento XVI. A lenda tem um evidente simbolismo espiritual, para nos convidar a conhecer Deus, ainda que na humildade das inadequadas capacidades humanas, nutrindo-nos na inesgotabilidade do ensinamento teol\u00f3gico&#8221;.<\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"article__embed article__embed--unwrap article__embed--photo\">\n<figure><picture><img decoding=\"async\" class=\"loaded\" src=\"https:\/\/www.vaticannews.va\/content\/dam\/vaticannews\/multimedia\/2023\/01\/02\/stemma-b16.jpg\/_jcr_content\/renditions\/cq5dam.thumbnail.cropped.750.422.jpeg\" alt=\"O bras\u00e3o papal de Bento XVI\" data-original=\"\/content\/dam\/vaticannews\/multimedia\/2023\/01\/02\/stemma-b16.jpg\/_jcr_content\/renditions\/cq5dam.thumbnail.cropped.750.422.jpeg\" data-was-processed=\"true\" \/><\/picture><\/figure>\n<div class=\"photo_embed--Title\">O bras\u00e3o papal de Bento XVI<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><b>A est\u00e1tua de Santo Agostinho no\u00a0<i>Mosteiro Mater Ecclesiae<\/i><\/b><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Impressiona que na capela do Mosteiro\u00a0<i>Mater Ecclesiae<\/i>, nos Jardins do Vaticano, onde foi colocado o corpo de Bento XVI para permitir um \u00faltimo adeus a seus amigos mais pr\u00f3ximos, cardeais, prelados, leigos, amigos, antigos colaboradores, estudantes, fam\u00edlias, religiosos e religiosas, tenha tamb\u00e9m uma est\u00e1tua de Santo Agostinho. Encontra-se em frente ao altar. \u00c9 uma antiga est\u00e1tua de madeira que mostra sinais de tempo; o bispo de Hipona \u00e9 representado com as vestes de prelado. N\u00e3o h\u00e1 d\u00favida que se trate do grande padre da Igreja; ao seu lado est\u00e1 uma crian\u00e7a segurando uma concha. Ele \u00e9 o protagonista da lenda agostiniana que Bento XVI quis recordar em seu bras\u00e3o precisamente com uma concha, que tamb\u00e9m est\u00e1 presente no bras\u00e3o do antigo Mosteiro de Schotten, em Regensburg, ao qual Joseph Ratzinger se sentia espiritualmente muito ligado, e \u00e9 tamb\u00e9m o s\u00edmbolo do peregrino. Justamente onde se concluiu a peregrina\u00e7\u00e3o terrena de Bento XVI, Santo Agostinho parece dar testemunho o quanto Joseph Ratzinger deu ao mundo.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A est\u00e1tua de madeira de Santo Agostinho presente na Capela do Mosteiro Mater Ecclesiae, onde morava o Papa Em\u00e9rito\u00a0 O Papa Em\u00e9rito conheceu o grande padre da Igreja durante seus primeiros estudos filos\u00f3ficos e teol\u00f3gicos e ficou fascinado por ele. 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