{"id":78436,"date":"2022-12-28T09:18:29","date_gmt":"2022-12-28T12:18:29","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=78436"},"modified":"2022-12-28T15:20:47","modified_gmt":"2022-12-28T18:20:47","slug":"por-que-um-dos-pastores-do-presepio-aqui-de-casa-se-chama-filomeno","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/por-que-um-dos-pastores-do-presepio-aqui-de-casa-se-chama-filomeno\/","title":{"rendered":"Por que um dos pastores do pres\u00e9pio aqui de casa se chama Filomeno"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"subtitle\" style=\"text-align: justify;\">A pergunta nasceu em fam\u00edlia, enquanto prepar\u00e1vamos o pres\u00e9pio este ano &#8211; e a resposta vem repleta de lembran\u00e7as e gratid\u00e3o<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Nota: para os leitores que se perguntam sobre os doces e tradi\u00e7\u00f5es mencionados pelo autor, informamos que Ary Waldir \u00e9 colombiano<\/em>.\u00a0<em>Eis o seu tocante depoimento sobre a bondade de uma vizinha que, passados quarenta anos, continuar\u00e1 sempre viva no cora\u00e7\u00e3o dele e de dezenas de crian\u00e7as do seu bairro.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por que um dos pastores do nosso pres\u00e9pio, aqui em casa, se chama Filomeno?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta pergunta nasceu em fam\u00edlia, enquanto prepar\u00e1vamos o pres\u00e9pio este ano. Ent\u00e3o contei para a minha filha a hist\u00f3ria deste segredo que guardei no cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O pres\u00e9pio na minha inf\u00e2ncia era algo m\u00e1gico: parecia que Jesus nascia para resolver os problemas de todo o bairro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As novenas acompanhadas de bolinhos, dedinhos de queijo e \u201carequipe\u201d eram a novidade mais doce depois das can\u00e7\u00f5es e declama\u00e7\u00f5es natalinas. Carlos, o magricela, comia como se n\u00e3o houvesse amanh\u00e3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todas as casas da vizinhan\u00e7a davam espa\u00e7o ao rito. O seu Juan, da lojinha, sorria mais do que de costume; as pessoas o cumprimentavam e havia mais gentileza. Do\u00e1vamos alimentos e artigos de primeira necessidade para as fam\u00edlias que tinham menos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Minha av\u00f3 preparava \u201ctamales\u201d, e o cheiro delicioso impregnava toda a casa e se infiltrava at\u00e9 sob os telhados das casas vizinhas. Muitas dessas iguarias acabavam no bandej\u00e3o para os necessitados.<\/p>\n<div class=\"wp-block-aleteia-heading3\" style=\"text-align: justify;\">\n<h3>O segredo de Dona Filomena<\/h3>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma vizinha do bairro, dona Filomena, certa vez disse \u00e0s crian\u00e7as que preparar o pres\u00e9pio 25 anos seguidos trazia um presente inesperado para aquela fam\u00edlia. Ela tinha pedido com devo\u00e7\u00e3o a S\u00e3o Jos\u00e9 e \u00e0 Sant\u00edssima Virgem Maria que lhe concedessem um teto sobre sua cabe\u00e7a. Era uma mulata caribenha de sorriso de p\u00e9rola, olhos negros brilhantes, cabelos crespos e meio grisalhos. Alta e grandalhona, morava sozinha; tinha um neto militar a quem pouco via.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/Aleteiaes\/videos\/novena-de-navidad\/870264230885159\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">novenas<\/a>\u00a0de Natal na sua casa vermelha, antiga e arrumada eram uma alegria. A novena de Natal do bairro sempre terminava na casa dela, no dia 24. Para as crian\u00e7as, era uma festa compartilhar suas cocadas, doces de cana e \u201carepas\u201d de ovo. Mas tamb\u00e9m n\u00e3o faltavam suas broncas de v\u00f3 quando mex\u00edamos os m\u00f3veis de lugar ou exager\u00e1vamos nas brincadeiras, enquanto as outras senhoras nos chamavam para rezar a novena antes de rodearmos a mesa vermelha com as comidinhas natalinas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Certa vez, dois colegas da escola brigaram na casa dela. Dona Filomena repreendeu a todos n\u00f3s e pediu que aprend\u00eassemos a perdoar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ela morou naquela casa a vida inteira pagando aluguel. Mas talvez Jesus tenha concedido a dona Filomena que o seu cora\u00e7\u00e3o fosse um pres\u00e9pio vivo para a nossa inf\u00e2ncia. Os meninos e meninas do bairro tinham um teto para as suas lembran\u00e7as mais aut\u00eanticas e afetuosas do Natal. No cora\u00e7\u00e3o de dona Filomena, todos n\u00f3s saboreamos o esp\u00edrito de bondade, proximidade e simplicidade do encontro com o Menino Jesus.<\/p>\n<div class=\"wp-block-aleteia-heading3\" style=\"text-align: justify;\">\n<h3>Ela estava certa<\/h3>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Passados quarenta anos, todos n\u00f3s, aqueles meninos e meninas do bairro, ainda pensamos nela com carinho especial quando chega esta \u00e9poca do ano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dona Filomena tinha raz\u00e3o; preparar o\u00a0pres\u00e9pio\u00a0em casa ano ap\u00f3s ano traz um presente para aquela fam\u00edlia, inclusive maior do que o esperado e melhor do que o imaginado pela mente e pela expectativa humana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Obrigado, dona Filomena! Feliz Natal \u00e0 sua alma boa e imensa, repleta de amor por Jesus e dessa capacidade de perdoar que a senhora quis presentear aos seus pequenos h\u00f3spedes, e que Deus permita que dure para sempre.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 por isso que, no Natal da minha casa, nunca falta uma pequena homenagem \u00e0 sua mem\u00f3ria: um dos pastores do pres\u00e9pio se chama Filomeno.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A pergunta nasceu em fam\u00edlia, enquanto prepar\u00e1vamos o pres\u00e9pio este ano &#8211; e a resposta vem repleta de lembran\u00e7as e gratid\u00e3o Nota: para os leitores que se perguntam sobre os doces e tradi\u00e7\u00f5es mencionados pelo autor, informamos que Ary Waldir \u00e9 colombiano.\u00a0Eis o seu tocante depoimento sobre a bondade de uma vizinha que, passados quarenta [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":78437,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-78436","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cotidiano"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/78436","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=78436"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/78436\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":78438,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/78436\/revisions\/78438"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media\/78437"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=78436"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=78436"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=78436"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}