{"id":78290,"date":"2023-01-01T08:44:47","date_gmt":"2023-01-01T11:44:47","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=78290"},"modified":"2022-12-26T10:46:29","modified_gmt":"2022-12-26T13:46:29","slug":"dia-mundial-da-paz-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/dia-mundial-da-paz-2\/","title":{"rendered":"Dia Mundial da Paz"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 No dia 1\u00ba de janeiro de 2023, celebramos, na Solenidade de Santa Maria, M\u00e3e de Deus, o Dia Mundial da Paz, institu\u00eddo pelo Papa S\u00e3o Paulo VI em 1967. Este ano, o Papa Francisco traz o desafio de nos vermos todos \u201cjuntos\u201d para construirmos um mundo melhor, mais solid\u00e1rio, fraterno, pacificado e pacificador em todos os n\u00edveis do nosso viver, ou seja, em n\u00edvel internacional, nacional e local. O tema \u00e9 robusto: \u201cningu\u00e9m pode salvar-se sozinho. Juntos, recomecemos a partir de covid-19 para tra\u00e7ar sendas de paz\u201d. \u00a0Reflitamos!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Fundamentado na 1\u00aa Carta de S\u00e3o Paulo aos Tessalonicenses 5,1-2, o Santo Padre recorda ser preciso esperar, sim, o Senhor que vem, mas com os p\u00e9s e o cora\u00e7\u00e3o firmes nesta terra. Mesmo nas escurid\u00f5es da vida como foi, por exemplo, o tempo de pandemia \u2013 a Covid 19 tanto mal fez e ainda faz \u2013 ou \u00e9 o de guerra, de fome etc., devemos estar despertos e confiar em Deus. Afinal, a M\u00e3e Igreja acompanha com muita aten\u00e7\u00e3o todos os dramas da humanidade e os faz seus. Da\u00ed, com suas a\u00e7\u00f5es e palavras, tenta minorar as mis\u00e9rias humanas. Eis o que diz, j\u00e1 no in\u00edcio, a <em>Gaudium et Spes<\/em>, do Conc\u00edlio Ecum\u00eanico Vaticano II (1962-1965): \u201cAs alegrias e as esperan\u00e7as, as tristezas e as ang\u00fastias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem, s\u00e3o tamb\u00e9m as alegrias e as esperan\u00e7as, as tristezas e as ang\u00fastias dos disc\u00edpulos de Cristo; e n\u00e3o h\u00e1 realidade alguma verdadeiramente humana que n\u00e3o encontre eco no seu cora\u00e7\u00e3o. Porque a sua comunidade \u00e9 formada por homens, que, reunidos em Cristo, s\u00e3o guiados pelo Esp\u00edrito Santo na sua peregrina\u00e7\u00e3o em demanda do reino do Pai, e receberam a mensagem da salva\u00e7\u00e3o para a comunicar a todos. Por este motivo, a Igreja sente-se real e intimamente ligada ao g\u00eanero humano e \u00e0 sua hist\u00f3ria\u201d (n. 1).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Mais: \u201cO Conc\u00edlio, testemunhando e expondo a f\u00e9 do Povo de Deus por Cristo congregado, n\u00e3o pode manifestar mais eloquentemente a sua solidariedade, respeito e amor para com a inteira fam\u00edlia humana, na qual est\u00e1 inserido, do que estabelecendo com ela di\u00e1logo sobre esses v\u00e1rios problemas, aportando a luz do Evangelho e pondo \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o do g\u00eanero humano as energias salvadoras que a Igreja, conduzida pelo Esp\u00edrito Santo, recebe do seu Fundador. Trata-se, com efeito, de salvar a pessoa do homem e de restaurar a sociedade humana. Por isso, o homem ser\u00e1 o fulcro de toda a nossa exposi\u00e7\u00e3o: o homem na sua unidade e integridade: corpo e alma, cora\u00e7\u00e3o e consci\u00eancia, intelig\u00eancia e vontade. Eis a raz\u00e3o por que este sagrado Conc\u00edlio, proclamando a sublime voca\u00e7\u00e3o do homem, e afirmando que nele est\u00e1 depositado um germe divino, oferece ao g\u00eanero humano a sincera coopera\u00e7\u00e3o da Igreja, a fim de instaurar a fraternidade universal que a esta voca\u00e7\u00e3o corresponde. Nenhuma ambi\u00e7\u00e3o terrena move a Igreja, mas unicamente este objetivo: continuar, sob a dire\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Consolador, a obra de Cristo que veio ao mundo para dar testemunho da verdade, para salvar e n\u00e3o para julgar, para servir e n\u00e3o para ser servido\u201d (n. 3).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Voltando \u00e0 Mensagem para o 56\u00ba Dia Mundial da Paz, o Santo Padre reflete sobre a Covid-19. Importa, pois, reproduzir as palavras do Papa a fim de melhor coment\u00e1-las: \u201cA Covid-19 precipitou-nos no cora\u00e7\u00e3o da noite, desestabilizando a nossa vida quotidiana, transtornando os nossos planos e h\u00e1bitos, subvertendo a aparente tranquilidade mesmo das sociedades mais privilegiadas, gerando desorienta\u00e7\u00e3o e sofrimento, causando a morte de tantos irm\u00e3os e irm\u00e3s nossos. Arrastados na voragem de desafios inesperados e numa situa\u00e7\u00e3o que n\u00e3o era totalmente clara nem sequer do ponto de vista cient\u00edfico, o mundo da sa\u00fade mobilizou-se para aliviar a dor de in\u00fameras pessoas e procurar remedi\u00e1-la; e de igual modo fizeram as autoridades pol\u00edticas, que tiveram de tomar medidas not\u00e1veis em termos de organiza\u00e7\u00e3o e gest\u00e3o da emerg\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A par das manifesta\u00e7\u00f5es f\u00edsicas, a Covid-19 provocou \u2013 inclusive com efeitos de longa dura\u00e7\u00e3o \u2013 um mal-estar geral, que se concentrou no cora\u00e7\u00e3o de tantas pessoas e fam\u00edlias, com implica\u00e7\u00f5es n\u00e3o transcur\u00e1veis, incrementadas por longos per\u00edodos de isolamento e diversas limita\u00e7\u00f5es da liberdade\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda: \u201cAl\u00e9m disso, n\u00e3o podemos esquecer como a pandemia atingiu pontos sens\u00edveis da ordem social e econ\u00f4mica, pondo a descoberto contradi\u00e7\u00f5es e desigualdades. Amea\u00e7ou a seguran\u00e7a laboral de muitos e agravou a solid\u00e3o sempre mais generalizada nas nossas sociedades, especialmente a solid\u00e3o dos mais fr\u00e1geis e pobres. Pensemos, por exemplo, nos milh\u00f5es de trabalhadores n\u00e3o regularizados em muitas partes do mundo, que ficaram sem trabalho nem qualquer apoio durante todo o per\u00edodo de confinamento. Raramente os indiv\u00edduos e a sociedade progridem em situa\u00e7\u00f5es que geram tamanho sentimento de derrota e amargura: na realidade, o mesmo enfraquece os esfor\u00e7os empreendidos pela paz e provoca conflitos sociais, frustra\u00e7\u00f5es e viol\u00eancias de v\u00e1rios g\u00eaneros. Neste sentido, a pandemia parece ter transtornado inclusive as \u00e1reas mais pac\u00edficas do nosso mundo, fazendo emergir inumer\u00e1veis fragilidades\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Chamaria, aqui, aten\u00e7\u00e3o especial para dois pontos, uma vez que de outros t\u00f3picos presentes na cita\u00e7\u00e3o j\u00e1 nos voltamos com mais frequ\u00eancia. O primeiro \u00e9 o risco da solid\u00e3o for\u00e7ada e dos problemas ps\u00edquicos que dela podem decorrer. Da\u00ed a grande quest\u00e3o: Como estamos, enquanto pessoas e comunidades, olhando para o pr\u00f3ximo que sofre? Recebe ele o nosso carinho ainda que via redes sociais ou sequer nos lembramos dele (dela) como nosso irm\u00e3o ou irm\u00e3? Qual tem sido a nossa atitude n\u00e3o s\u00f3 para com as crian\u00e7as e idosos, mas com os sofredores em geral? Que esta fala do Santo Padre nos ajude num s\u00e9rio exame de consci\u00eancia. Afinal, tudo o que fazemos ou deixamos de fazer pelos irm\u00e3os e irm\u00e3s \u00e9 para Cristo mesmo que fazemos ou deixamos de fazer (cf. Mt 25,31-46). O segundo ponto \u00e9 o valor da liberdade humana, assaz privado na pandemia, que \u00e9 uma constantemente violado em n\u00e3o poucos regimes autorit\u00e1rios mundo afora. O <em>Catecismo<\/em>\u00a0<em>da Igreja Cat\u00f3lica<\/em> ensina que a aut\u00eantica liberdade \u00e9 \u201co poder, baseado na raz\u00e3o e na vontade, de agir ou n\u00e3o agir, de fazer isto ou aquilo, portanto, de praticar atos deliberados. Pelo livre-arb\u00edtrio, cada qual disp\u00f5e sobre si mesmo. A liberdade \u00e9, no homem, uma for\u00e7a de crescimento e amadurecimento na verdade e na bondade. A liberdade alcan\u00e7a sua perfei\u00e7\u00e3o quando est\u00e1 ordenada para Deus, nossa bem-aventuran\u00e7a\u201d (n. 1731).\u00a0Perder a liberdade \u00e9 perder o maior dom \u2013 depois do pr\u00f3prio Deus e da gra\u00e7a divina \u2013 que o Senhor nos deu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todavia, como Deus n\u00e3o permitiria um mal se n\u00e3o fosse para tirar dele bens ainda maiores (Santo Agostinho. <em>Enchiridion<\/em>, 38), a pandemia tamb\u00e9m \u201cpermitiu-nos fazer descobertas positivas: um ben\u00e9fico regresso \u00e0 humildade; uma redu\u00e7\u00e3o de certas pretens\u00f5es consumistas; um renovado sentido de solidariedade que nos encoraja a sair do nosso ego\u00edsmo para nos abrirmos ao sofrimento dos outros e \u00e0s suas necessidades; bem como um empenho, em alguns casos verdadeiramente heroico, de muitas pessoas que se deram para que todos conseguissem superar do melhor modo poss\u00edvel o drama da emerg\u00eancia. E, de tal experi\u00eancia, brotou mais forte a consci\u00eancia que convida a todos, povos e na\u00e7\u00f5es, a colocar de novo no centro a palavra \u2018juntos\u2019. Com efeito, \u00e9 juntos, na fraternidade e solidariedade, que constru\u00edmos a paz, garantimos a justi\u00e7a, superamos os acontecimentos mais dolorosos. De fato, as respostas mais eficazes \u00e0 pandemia foram aquelas que viram grupos sociais, institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e privadas, organiza\u00e7\u00f5es internacionais unidos para responder ao desafio, deixando de lado interesses particulares. S\u00f3 a paz que nasce do amor fraterno e desinteressado nos pode ajudar a superar as crises pessoais, sociais e mundiais\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por fim, o Santo Padre se volta para o doloroso flagelo da guerra entre R\u00fassia e Ucr\u00e2nia: \u201cA guerra na Ucr\u00e2nia ceifa v\u00edtimas inocentes e espalha a incerteza, n\u00e3o s\u00f3 para quantos s\u00e3o diretamente afetados por ela, mas de forma generalizada e indiscriminada para todos, mesmo para aqueles que, a milhares de quil\u00f3metros de dist\u00e2ncia, sofrem os seus efeitos colaterais: basta pensar nos problemas do trigo e nos pre\u00e7os dos combust\u00edveis. [&#8230;] E enquanto para a Covid-19 se encontrou uma vacina, para a guerra ainda n\u00e3o se encontraram solu\u00e7\u00f5es adequadas. Com certeza, o v\u00edrus da guerra \u00e9 mais dif\u00edcil de derrotar do que aqueles que atingem o organismo humano, porque o primeiro n\u00e3o provem de fora, mas do \u00edntimo do cora\u00e7\u00e3o humano, corrompido pelo pecado (cf.\u00a0<em>Evangelho de Marcos<\/em>\u00a07, 17-23)\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para tentar sanar tudo isso, o Papa nos convida \u00e0 mudan\u00e7a ou a refazermos o nosso modo de ser e agir a fim de que, a partir da convers\u00e3o de cada um, convertamos toda a humanidade: \u201cPara fazer isto e viver melhor depois da emerg\u00eancia Covid-19, n\u00e3o se pode ignorar um dado fundamental: as variadas crises morais, sociais, pol\u00edticas e econ\u00f4micas que estamos a viver encontram-se todas interligadas, e os problemas que consideramos como singulares, na realidade um \u00e9 causa ou consequ\u00eancia do outro. E assim somos chamados a enfrentar, com responsabilidade e compaix\u00e3o, os desafios do nosso mundo. Devemos repassar o tema da garantia da sa\u00fade p\u00fablica para todos; promover a\u00e7\u00f5es de paz para acabar com os conflitos e as guerras que continuam a gerar v\u00edtimas e pobreza; cuidar de forma concertada da nossa casa comum e implementar medidas claras e eficazes para fazer face \u00e0s altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas; combater o v\u00edrus das desigualdades e garantir o alimento e um trabalho digno para todos, apoiando quantos n\u00e3o t\u00eam sequer um sal\u00e1rio m\u00ednimo e passam por grandes dificuldades. Fere-nos o esc\u00e2ndalo dos povos famintos. Precisamos de desenvolver, com pol\u00edticas adequadas, o acolhimento e a integra\u00e7\u00e3o, especialmente em favor dos migrantes e daqueles que vivem como descartados nas nossas sociedades. Somente despendendo-nos nestas situa\u00e7\u00f5es, com um desejo altru\u00edsta inspirado no amor infinito e misericordioso de Deus, \u00e9 que poderemos construir um mundo novo e contribuir para edificar o Reino de Deus, que \u00e9 reino de amor, justi\u00e7a e paz\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Que Nossa Senhora, a M\u00e3e de Deus e nossa M\u00e3e, interceda junto a seu Filho e nosso irm\u00e3o Jesus Cristo a fim de que sejamos cada vez mais humanos, solid\u00e1rios, fraternos e pacificadores. Feliz e aben\u00e7oado 2023!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 No dia 1\u00ba de janeiro de 2023, celebramos, na Solenidade de Santa Maria, M\u00e3e de Deus, o Dia Mundial da Paz, institu\u00eddo pelo Papa S\u00e3o Paulo VI em 1967. Este ano, o Papa Francisco traz o desafio de nos vermos todos \u201cjuntos\u201d para construirmos um mundo melhor, mais solid\u00e1rio, fraterno, pacificado [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":55819,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-78290","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/78290","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=78290"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/78290\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":78291,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/78290\/revisions\/78291"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media\/55819"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=78290"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=78290"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=78290"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}