{"id":77962,"date":"2022-12-13T10:57:56","date_gmt":"2022-12-13T13:57:56","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=77962"},"modified":"2022-12-13T14:00:27","modified_gmt":"2022-12-13T17:00:27","slug":"a-estrela-dos-magos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/a-estrela-dos-magos\/","title":{"rendered":"A ESTRELA DOS MAGOS"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">No Evangelho de S\u00e3o Mateus os dois primeiros cap\u00edtulos, denominados frequentemente evangelho da Inf\u00e2ncia, constituem uma esp\u00e9cie de pr\u00f3logo, mesclando os acontecimentos e sua interpreta\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica como bem observa. Jean-Christian L\u00e9v\u00eaque, not\u00e1vel hermeneuta. \u00c9 preciso ent\u00e3o partir da significa\u00e7\u00e3o religiosa da narrativa para apreciar os detalhes em fun\u00e7\u00e3o da vis\u00e3o global. O texto de hoje (Mt 2,1-12) consagrado \u00e0 visita dos Magos, continua no Evangelho de S\u00e3o Mateus com tr\u00eas outros epis\u00f3dios: a fuga pera o Egito, o massacre dos meninos inocentes e a ida da Sagrada Fam\u00edlia para Nazar\u00e9.\u00a0Excetuando-se Jesus, o personagem central nestas passagens do Evangelho \u00e9 Herodes, o cruel,\u00a0 cioso de seu poder. O fio que liga as\u00a0quatro cenas \u00e9\u00a0\u00a0 o conflito entre dos reis, a saber o velho d\u00e9spota e\u00a0\u201cJesus o Messias o rei dos Judeus, que acabara de nascer\u201d (Mt 2,2). O Rei Herodes, bem conhecido dos historiadores, \u00e9 para o evangelista Mateus o s\u00edmbolo da recusa em acolher Cristo e sua mensagem e, desse modo, \u00e9 todo o destino de Jesus que nos \u00e9 apesentado desde o pr\u00f3logo deste evangelista. Jesus acolhido pelos homens de boa vontade, ser\u00e1 rejeitado pelos respons\u00e1veis de seu povo. Outro tema teol\u00f3gico est\u00e1 baseado na vinda dos Magos, Ele que veio trazer uma salva\u00e7\u00e3o universal. De fato, s\u00e3o pag\u00e3os que se apresentam em Jerusal\u00e9m, procurando o rei dos Judeus, s\u00e3o eles que retomam o caminho, sempre guiados por uma estrela e v\u00e3o at\u00e9 Bel\u00e9m, entram na casa e adoram o Menino nele vendo o Salvador. A partir deste encontro com Jesus os Magos se tornam crentes, rompendo com Herodes. Deus os adverte, agora n\u00e3o por um astro, mas por um anjo, como Ele faz com seus eleitos.\u00a0Rebrilha assim, de fato, uma teologia da salva\u00e7\u00e3o e os detalhes do texto recebem seu verdadeiro valor. Nossa f\u00e9 crist\u00e3 repousa em definitivo n\u00e3o sobre um fundo hist\u00f3rico imposs\u00edvel de se deduzir dos textos atuais, mas sim sobre os testemunhos dos diversos disc\u00edpulos, testemunhos dados ao mesmo Cristo atrav\u00e9s de imagens vindas da tradi\u00e7\u00e3o de Israel. Os Magos, vindos do Oriente s\u00e3o s\u00e1bios, persas ou babil\u00f4nios, provavelmente astr\u00f4nomos, que puderam, talvez, ter tido contato com o messianismo israelita no comercio de Babil\u00f4nia, anda florescente na \u00e9poca. Atrav\u00e9s deles \u00e9 o mundo da ci\u00eancia que se coloca\u00a0em marcha para Cristo, o Messias, \u00e9 o universo dos pag\u00e3os que se volta para a luz do Evangelhos. Nada nos diz que eles eram tr\u00eas, sen\u00e3o talvez o n\u00famero dos presentes, mas \u00e9 certo que eles n\u00e3o eram reis e assim n\u00e3o ser\u00e3o na tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3, antes do Livro arm\u00eanio da Inf\u00e2ncia, datado do 6\u00aa. s\u00e9culo. No que concerne \u00e0 estrela, qualquer que seja o ponto de partida material e a observa\u00e7\u00e3o de base, o essencial \u00e9 que o texto sublinha que os s\u00e1bios viram na estrela um sinal, retomando assim a tradi\u00e7\u00e3o judia, que considerava o Astro surgido da tribo de Jac\u00f3 como como um dos s\u00edmbolos do Messias esperado. J\u00e1 os te\u00f3logos da Idade M\u00e9dia, no seu s\u00f3lido bom senso, tinham notado que n\u00e3o poderia se tratar de um corpo celeste ordin\u00e1rio, pois que seu brilho era intermitente e se movimento descont\u00ednuo. O tra\u00e7o messi\u00e2nico de toda a cena \u00e9 por outra sublinhado pelo texto do profeta Miqu\u00e9ias, que os escribas citam imediatamente junto da pessoa de Herodes: \u201cE tu Bel\u00e9m de \u00c9frata, t\u00e3o pequena entre as principais cidade de Jud\u00e1, de ti sair\u00e1 para mim aquele que dominar\u00e1 em Israel\u201d\u00a0(Mq 5,1). Prosseguindo na leitura da profecia de Miqu\u00e9ias se chega ao pres\u00e9pio e aos confins do mundo:\u201d Ele tem suas origens desde os tempos anteriores. Desde os dias mais remotos. Por isto os entregar\u00e1 \u00e0 merc\u00ea de outrem at\u00e9 o tempo em que d\u00ea a luz aquela que h\u00e1 de dar \u00e0 luz e o resto de seus irm\u00e3os voltar\u00e1 com os filhos de Israel. Ele permanecer\u00e1 firme e governar\u00e1 com a for\u00e7a do Senhor e com a majestade do nome de\u00a0Jav\u00e9 seu Deus. Viver-se-\u00e1 em paz, porque ent\u00e3o ela ser\u00e1 grande at\u00e9\u00a0os extremos confins da terra. S tal ser\u00e1 a paz \u201c. Deste modo. Para S\u00e3o Mateus a chegada dos Magos a Bel\u00e9m, guiados pela Estela, anunciou a miss\u00e3o de Cristo, marcou o cumprimento das promessas da antiga alian\u00e7a. Os Magos chegando n\u00e3o viram sen\u00e3o uma crian\u00e7a, mas o Evangelista, pela sua narrativa, clara e ao mesmo tempo sugestiva, lembrava \u00e0 comunidade o que a f\u00e9 deve ver aquele menino, a saber o\u00a0Pastor do povo de Deus, o \u00fanico guia para a salva\u00e7\u00e3o e aquele que\u00a0trouxe a paz ao mundo. A narrativa de S\u00e3o Mateus deixa igualmente entrever que o destino de Jesus seria marcado pelo drama da descren\u00e7a.\u00a0Herodes n\u00e3o pensava sen\u00e3o no poder e se faz perseguidor, porque s\u00f3 lhe interessava a constru\u00e7\u00e3o das cidades terrena. Os escribas conheciam a fundo as Escritura, sabiam de cor o catecismo das profecias messi\u00e2nicas, mas n\u00e3o se mexeram. Os estrangeiros, eles sim, souberam trilhar o caminho, souberam perceber os sinais de Deus na sua vida e no fundo de sua ci\u00eancia. No encontro do Menino Jesus e do \u00f3dio S\u00e3o Mateus discerne j\u00e1 o mist\u00e9rio de Cristo sinal de contradi\u00e7\u00e3o. Perante o Menino e os s\u00e1bios, o Evangelista v\u00ea prefigurado Cristo, Verdade de Deus. Quanto a n\u00f3s, se recebemos tudo isto como uma catequese b\u00edblica sobre os acontecimentos da Inf\u00e2mia do Messias, n\u00f3s podemos descobrir ent\u00e3o o apelo de Jesus para que tenhamos uma f\u00e9 adulta. Hoje ainda \u00e9 necess\u00e1rio aceitar que a esperan\u00e7a venha ao mundo atrav\u00e9s da humildade do Filho de Deus.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No Evangelho de S\u00e3o Mateus os dois primeiros cap\u00edtulos, denominados frequentemente evangelho da Inf\u00e2ncia, constituem uma esp\u00e9cie de pr\u00f3logo, mesclando os acontecimentos e sua interpreta\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica como bem observa. Jean-Christian L\u00e9v\u00eaque, not\u00e1vel hermeneuta. \u00c9 preciso ent\u00e3o partir da significa\u00e7\u00e3o religiosa da narrativa para apreciar os detalhes em fun\u00e7\u00e3o da vis\u00e3o global. 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