{"id":77719,"date":"2022-11-27T09:55:34","date_gmt":"2022-11-27T12:55:34","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=77719"},"modified":"2022-12-01T12:58:00","modified_gmt":"2022-12-01T15:58:00","slug":"carta-pastoral-ano-vocacional-missionario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/carta-pastoral-ano-vocacional-missionario\/","title":{"rendered":"CARTA PASTORAL  ANO VOCACIONAL MISSION\u00c1RIO"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\">Ao dileto Povo de Deus da Arquidiocese de S\u00e3o Sebasti\u00e3o do Rio de Janeiro<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><em>VOCACIONADOS E ENVIADOS PARA A MISS\u00c3O<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li>Car\u00edssimos amigos e irm\u00e3os, a paz do Senhor esteja com todos voc\u00eas! Em tudo devemos ver a Provid\u00eancia Divina que conduz os passos da humanidade, ainda quando essa se distancia ou at\u00e9 mesmo ignora a Sua presen\u00e7a amorosa e cheia de compaix\u00e3o. Passamos por momentos dif\u00edceis nos \u00faltimos anos devido \u00e0 pandemia. Agora vivemos tempos de guerras e de polariza\u00e7\u00f5es acirradas. Diante de um mundo em mudan\u00e7a, convidamos os nossos diocesanos a reavivar a chama da miss\u00e3o como um dom de sua voca\u00e7\u00e3o crist\u00e3 nestes tempos vindouros. Prosseguem as dificuldades com rela\u00e7\u00e3o a uma pandemia que ainda n\u00e3o terminou, mas a esperan\u00e7a nos move a olhar com confian\u00e7a para frente. Os problemas que enfrentamos nestes \u00faltimos tempos s\u00e3o, sem d\u00favida, um divisor de \u00e1guas, e precisamos dar respostas aos in\u00fameros desafios que brotaram para a a\u00e7\u00e3o evangelizadora em nossa Arquidiocese de S\u00e3o Sebasti\u00e3o do Rio de Janeiro. Por isso, desejei escrever esta Carta Pastoral como um instrumento de trabalho para que possamos refletir, como Igreja particular, sobre os passos a serem dados na caminhada da evangeliza\u00e7\u00e3o para uma a\u00e7\u00e3o pastoral atual e eficaz.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A Sinodalidade<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"2\">\n<li>Desde que o S\u00ednodo dos Bispos foi convocado e iniciado pelo Papa Francisco em 2021, toda a Igreja come\u00e7ou a viver a experi\u00eancia da sinodalidade, que ser\u00e1 realizada em duas partes (2023 e 2024), por ocasi\u00e3o da XVI Assembleia Geral Ordin\u00e1ria.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"3\">\n<li>Iluminados pelo tema \u201cPor uma Igreja sinodal: comunh\u00e3o, participa\u00e7\u00e3o e miss\u00e3o\u201d todos n\u00f3s somos, por for\u00e7a do nosso Batismo, envolvidos neste processo de escuta: da Palavra na ora\u00e7\u00e3o, e do pr\u00f3ximo, a fim de que, pelo Esp\u00edrito Santo que neles atua, compreendamos os sinais que o Senhor nos envia para sermos uma Igreja que est\u00e1 em sa\u00edda (miss\u00e3o permanente), que caminha junto, escuta e dialoga. Ser\u00e1 pelo caminho da sinodalidade que, segundo o Papa, devemos viver.<\/li>\n<li>Com o S\u00ednodo, toda a Igreja no Rio de Janeiro pode viver uma experi\u00eancia singular em suas atividades e que atinge a todos. O denso e rico question\u00e1rio foi respondido com comprometimento pelas par\u00f3quias, religiosos e consagrados, entidades, associa\u00e7\u00f5es, leigos em geral, sintetizado com redobrada aten\u00e7\u00e3o para que todos fossem contemplados. O resultado foi enviado \u00e0 CNBB, que se encarregou de fazer o resumo das respostas do Brasil.<\/li>\n<li>A sinodalidade em nossa Arquidiocese permanece viva e din\u00e2mica. No atual momento, o Governo arquidiocesano<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a> volta sua aten\u00e7\u00e3o para as respostas do question\u00e1rio do s\u00ednodo e j\u00e1 come\u00e7a a delinear linhas de a\u00e7\u00e3o pastoral imediatas e a longo prazo, e que servir\u00e3o de base para a elabora\u00e7\u00e3o do pr\u00f3ximo Plano de Pastoral de Conjunto.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ano Santo em 2025<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"6\">\n<li>Em 11 de Fevereiro de 2022, o Papa Francisco enviou uma carta ao Arcebispo Rino Fisichella \u2013 na \u00e9poca Presidente do ent\u00e3o Pontif\u00edcio Conselho para a Promo\u00e7\u00e3o da Nova Evangeliza\u00e7\u00e3o, a fim de indicar as linhas gerais da prepara\u00e7\u00e3o para o Ano Santo em 2025. Nessa carta, o Santo Padre chamou toda a Igreja a reacender a esperan\u00e7a, diante dos transtornos catastr\u00f3ficos causados pela pandemia, que alterou o modo de viver em todo o mundo gerando limita\u00e7\u00e3o, medo, perplexidade, dor, sofrimento e morte.<\/li>\n<li>O desejo do Papa \u00e9 que fa\u00e7amos \u201ctodo o poss\u00edvel para que cada um recupere a for\u00e7a e a certeza de olhar para o futuro com esp\u00edrito aberto, cora\u00e7\u00e3o confiante e mente clarividente\u201d. Desse modo, almeja que o Jubileu da Esperan\u00e7a, cujo lema \u00e9 <em>Peregrinos de Esperan\u00e7a, <\/em>favore\u00e7a uma grande \u201crecomposi\u00e7\u00e3o de um clima de esperan\u00e7a e confian\u00e7a, como sinal de um renovado renascimento do qual todos sentimos a urg\u00eancia [&#8230;] tudo isto ser\u00e1 poss\u00edvel se formos capazes de recuperar o sentido de fraternidade universal [&#8230;]. Que as vozes dos pobres sejam escutadas neste tempo de prepara\u00e7\u00e3o.\u201d<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A prepara\u00e7\u00e3o para o Jubileu<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>2023 \u2013 Ano do Conc\u00edlio Vaticano II<\/em><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"8\">\n<li>A prepara\u00e7\u00e3o para o Jubileu ocorrer\u00e1 nos anos de 2023 e 2024. Neste per\u00edodo, o Papa chama todas as comunidades \u201ca intensificar o empenho sinodal\u201d. Com isso, volta sua aten\u00e7\u00e3o para o Conc\u00edlio Vaticano II, que desde 11 de outubro de 2022 celebra os seus sessenta anos de inaugura\u00e7\u00e3o. Para o ano de 2023, estaremos empenhados em revisitar as quatro constitui\u00e7\u00f5es conciliares: <em>Sacrosanctum Concilum<\/em> (sobre a Liturgia), <em>Dei Verbum<\/em> (sobre a Revela\u00e7\u00e3o), <em>Lumen Gentium<\/em> (sobre a identidade e vida da Igreja) e <em>Gaudium et Spes<\/em> (sobre a miss\u00e3o da Igreja) para que o povo de Deus \u201cprogrida na miss\u00e3o de levar a todos o jubiloso an\u00fancio do Evangelho\u201d, afirma o Papa.<\/li>\n<li>Vale ressaltar que, em 2023, a Carta apost\u00f3lica <em>Dies Domini <\/em>do Papa S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II, fruto amadurecido do Conc\u00edlio Vaticano II, completar\u00e1 vinte e cinco anos de publica\u00e7\u00e3o. Seria muito bom e importante que as comunidades organizassem estudos, reflex\u00f5es, partilhas sobre o Domingo a fim de redescobrirem o valor capital da celebra\u00e7\u00e3o integral do Dia do Senhor na vida crist\u00e3 e comunit\u00e1ria.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>2024 \u2013 Ano da Ora\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"10\">\n<li>O ano de 2024, segundo o Papa Francisco, ser\u00e1 dedicado \u00e0 ora\u00e7\u00e3o a fim de \u201crecuperar o desejo de estar na presen\u00e7a do Senhor, escut\u00e1-Lo e ador\u00e1-Lo [&#8230;] para agradecer a Deus tantos dons do seu amor por n\u00f3s e louvar a sua obra na cria\u00e7\u00e3o [&#8230;] que se traduz na solidariedade e partilha do p\u00e3o quotidiano\u201d.<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a> Compreendendo que a ora\u00e7\u00e3o \u00e9 \u201co programa de vida\u201d dos disc\u00edpulos de Jesus, nossas atividades pastorais dever\u00e3o ser planejadas, pautadas e permeadas pela ora\u00e7\u00e3o. Inclusive ser\u00e1 neste ano que, vivendo o contexto eclesial desta \u00e9poca, elaboraremos o 14\u00ba Plano de Pastoral de Conjunto, iniciando com as reflex\u00f5es que atualmente o Governo arquidiocesano faz baseadas nas respostas que foram dadas \u00e0 perguntas do S\u00ednodo no \u00e2mbito de nossa Arquidiocese.<\/li>\n<li>Oportunamente, a Coordena\u00e7\u00e3o de Pastoral Arquidiocesana indicar\u00e1 as diretrizes e as propostas para prepararmos bem o Ano Santo de 2025, o Jubileu da Esperan\u00e7a que deve ser um momento \u00edmpar em nossa caminhada, tamb\u00e9m dentro das comemora\u00e7\u00f5es dos Jubileus do Quinqu\u00eanio que estamos celebrando.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Ano Vocacional Mission\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"12\">\n<li>Impulsionados pelo esp\u00edrito sinodal que permeia a Igreja, damos continuidade ao 13\u00ba Plano de Pastoral de Conjunto em nossa Arquidiocese. A 10\u00aa Festa da Unidade que ora vivemos assinala mais um pilar na constru\u00e7\u00e3o (ou renova\u00e7\u00e3o) da \u201cCasa da Comunidade\u201d<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a>: o Pilar da A\u00c7\u00c3O MISSION\u00c1RIA no qual somos chamados a recobrar o nosso estado permanente de miss\u00e3o. Al\u00e9m disso, acolhendo a proposta da CNBB para toda a Igreja do Brasil, viveremos o 3\u00ba Ano Vocacional com o tema: \u201cVoca\u00e7\u00e3o: gra\u00e7a e miss\u00e3o\u201d e o lema: \u201cCora\u00e7\u00f5es ardentes, p\u00e9s a caminho\u201d (cf. Lc 24, 32-33). Em n\u00edvel mundial, celebraremos a Jornada Mundial da Juventude (JMJ) em Lisboa, cujo tema \u00e9 tamb\u00e9m mission\u00e1rio: \u201cMaria levantou-se e partiu apressadamente\u201d (Lc 1,39).<\/li>\n<li>Unindo estas realidades: mission\u00e1ria e vocacional, estabelecemos para a nossa Arquidiocese o <strong>ANO VOCACIONAL MISSION\u00c1RIO<\/strong> at\u00e9 a Solenidade de Cristo Rei do Universo, em 26 de Novembro de 2023. Assumimos, portanto, como lema: \u201cVocacionados e enviados para a Miss\u00e3o\u201d. Durante este tempo refletiremos sobre essa tem\u00e1tica a fim de que todas as nossas atividades religiosas e pastorais estejam orientadas para esse fim.<\/li>\n<li>Tal como acontecera com o profeta (Jr 1,5-10), antes mesmo da nossa concep\u00e7\u00e3o o Senhor j\u00e1 nos conhecia, havia consagrado e constitu\u00eddo profetas. Essa realidade encontra seu ponto de partida e centralidade no Batismo quando o chamado do Senhor se concretiza e assinala em n\u00f3s a identidade mission\u00e1ria. Todo batizado \u00e9 um vocacionado para a miss\u00e3o. A Igreja \u00e9 mission\u00e1ria!<\/li>\n<li>Conforme orienta o nosso atual 13\u00ba PPC, e inspirados pelo Ano Vocacional Mission\u00e1rio, somos chamados a ser comunidade de f\u00e9 e de amor, al\u00e9m das iniciativas pessoais e espont\u00e2neas, com iniciativas pastorais comunit\u00e1rias. A Igreja vocacional mission\u00e1ria e servidora \u00e9 fruto da Igreja orante, contemplativa, \u00e0 escuta do Senhor, para poder discernir atentamente os passos a seguir no cumprimento da sua miss\u00e3o:<\/li>\n<li>Consolidar a mentalidade mission\u00e1ria da cultura do encontro diante do contexto urbano marcado pelo consumismo e individualismo, buscando iniciativas simples e eficazes de super\u00e1-los;<\/li>\n<li>Detectar locais que n\u00e3o foram evangelizados e onde a Igreja n\u00e3o se faz presente;<\/li>\n<li>Assumir a tarefa di\u00e1ria da miss\u00e3o: di\u00e1logo, apresenta\u00e7\u00e3o da Palavra e, se for poss\u00edvel, a breve ora\u00e7\u00e3o;<\/li>\n<li>Despertar, acompanhar e favorecer o amadurecimento da voca\u00e7\u00e3o das pessoas dispensando-lhes aten\u00e7\u00e3o, acolhida, solidariedade, disponibilidade e direcionamento;<\/li>\n<li>Investir nos jovens e na presen\u00e7a dos meios de comunica\u00e7\u00e3o social;<\/li>\n<li>Valorizar como espa\u00e7os mission\u00e1rios aqueles lugares onde \u00e9 poss\u00edvel a presen\u00e7a fraterna e orante para anunciar Jesus Cristo e formar comunidades.<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a><\/li>\n<li>J\u00e1 em outubro de 2019, Deus sinalizou que este momento de repensar nossa miss\u00e3o se fazia necess\u00e1rio, quando o Papa Francisco proclamou o M\u00eas Mission\u00e1rio Extraordin\u00e1rio com o objetivo de despertar em medida maior a consci\u00eancia da\u00a0miss\u00e3o <em>ad gentes<\/em>(a todos os povos) e retomar com novo impulso a transforma\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria da vida e da pastoral. Para tanto, apresentou tr\u00eas objetivos principais como as motiva\u00e7\u00f5es daquele ano. S\u00e3o metas concretas, que visam renovar a interioridade dos crist\u00e3os e, ao mesmo tempo, o seu agir em meio ao mundo.<\/li>\n<li>O primeiro objetivo \u00e9 o despertar a consci\u00eancia da miss\u00e3o chamada <em>Ad Gentes, <\/em>que quer dizer \u201ca todos os povos\u201d, mostrando que a Igreja \u00e9 algo vivo e que \u00e9 enviada para ser sinal universal de salva\u00e7\u00e3o para todos os povos.<\/li>\n<li>O segundo objetivo \u00e9 dar um novo impulso \u00e0 transforma\u00e7\u00e3o da vida, j\u00e1 que a miss\u00e3o para o crist\u00e3o n\u00e3o \u00e9 um peso ou uma obriga\u00e7\u00e3o dolorosa colocada sobre seus ombros, mas sim a consequ\u00eancia natural para algu\u00e9m que foi alcan\u00e7ado pela gra\u00e7a transformadora do Evangelho.<\/li>\n<li>Finalmente, o terceiro objetivo \u00e9 incentivar a que a transforma\u00e7\u00e3o de vida possa oferecer e dar um novo impulso \u00e0s nossas atividades pastorais, onde n\u00e3o tenhamos pastorais de manuten\u00e7\u00e3o da vida devocional ou conserva\u00e7\u00e3o de poderes, mas sim lugares que favore\u00e7am as convers\u00f5es ou o aprofundamento da f\u00e9.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Despertar a consci\u00eancia sobre a miss\u00e3o Ad Gentes<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"20\">\n<li>O que seria a miss\u00e3o chamada <em>ad gentes<\/em>? De maneira direta, \u00e9 a miss\u00e3o exercida junto \u00e0queles que ainda n\u00e3o conhecem Jesus Cristo e seu Evangelho de salva\u00e7\u00e3o. \u00c9 o modelo que configura toda a a\u00e7\u00e3o evangelizadora da Igreja.<\/li>\n<li>A miss\u00e3o <em>ad gentes <\/em>significa a miss\u00e3o junto do povo n\u00e3o crist\u00e3o, adentrando o contexto existencial de cada um deles, formando ali uma comunidade seguidora de Cristo, servindo com alegria e promovendo a vida e a esperan\u00e7a, entrando na caminhada de Igrejas necessitadas, pobres, perseguidas, assumindo assim as lutas e as causas das pessoas com quem nos encontraremos.<\/li>\n<li>N\u00f3s, Arquidiocese de S\u00e3o Sebasti\u00e3o do Rio de Janeiro, unidos ao Santo Padre, a toda a Igreja, a todos os homens de boa vontade e a todos aqueles que necessitam da Palavra libertadora do Evangelho, acolhemos de cora\u00e7\u00e3o e com prontid\u00e3o esta indica\u00e7\u00e3o do sucessor de Pedro: renovar nosso ardor mission\u00e1rio, nossa abertura \u00e0 gra\u00e7a de Deus e acolher de forma nova esta realidade essencial da vida da Igreja.<\/li>\n<li>Como nos recorda o Papa Francisco<em>: \u201cA a\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria \u00e9 o paradigma de toda obra da Igreja. Trata de p\u00f4r a miss\u00e3o de Jesus no cora\u00e7\u00e3o da Igreja, transformando-a em crit\u00e9rio para medir a efic\u00e1cia das suas estruturas, os resultados dos seus trabalhos, a fecundidade de seus ministros e a alegria que eles s\u00e3o capazes de suscitar, porque sem alegria n\u00e3o se atrai ningu\u00e9m.\u201d<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\"><strong>[6]<\/strong><\/a><\/em><\/li>\n<li>Em nosso Ano Vocacional Mission\u00e1rio, somos chamados pelo Senhor a prolongar na a\u00e7\u00e3o pastoral desta Igreja particular o despertar de uma maior consci\u00eancia do estado permanente de miss\u00e3o pr\u00f3prio de cada fiel batizado e, assim, dar um novo impulso \u00e0 transforma\u00e7\u00e3o da vida em sociedade e da pr\u00f3pria pastoral. Nisto tamb\u00e9m vejo a Provid\u00eancia divina, que assiste a nossa Arquidiocese com o Esp\u00edrito Santo.<\/li>\n<li>Olhando a hist\u00f3ria do povo carioca, percebe-se o quanto a F\u00e9 crist\u00e3 sempre se fez presente na vida da nossa cidade. A sua funda\u00e7\u00e3o, ao receber o nome de S\u00e3o Sebasti\u00e3o do Rio de Janeiro, j\u00e1 demonstra o quanto a vida e a f\u00e9 se interligam. A presen\u00e7a do Mosteiro de S\u00e3o Bento logo nos in\u00edcios, a cria\u00e7\u00e3o da Prelazia, a cria\u00e7\u00e3o da Diocese, a eleva\u00e7\u00e3o \u00e0 Arquidiocese, al\u00e9m de v\u00e1rios outros eventos hist\u00f3ricos, aponta para uma fecunda vida de f\u00e9. O fruto da miss\u00e3o dos nossos antepassados \u00e9, justamente, o grande n\u00famero de par\u00f3quias, capelas, movimentos e outras formas de associa\u00e7\u00f5es religiosas que vivem e praticam a f\u00e9, coexistindo nesta grande cidade. S\u00e3o cora\u00e7\u00f5es generosos que se doaram \u2013 e se doam \u2013 \u00e0 Evangeliza\u00e7\u00e3o, deixando de lado os obst\u00e1culos e fazendo vivas aquelas palavras de S\u00e3o Paulo: <em>Anunciar o Evangelho n\u00e3o \u00e9 gl\u00f3ria para mim; \u00e9 uma obriga\u00e7\u00e3o que se me imp\u00f5e. Ai de mim, se eu n\u00e3o anunciar o Evangelho! <\/em>(1 Cor 9,16).<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\"><em><strong>[7]<\/strong><\/em><\/a><\/li>\n<li>Como falei na Carta aos sacerdotes por ocasi\u00e3o da Quinta-feira Santa, na Quaresma de 2020: esse momento ficar\u00e1 registrado na hist\u00f3ria e precisamos colher dele os melhores frutos. Uma experi\u00eancia quaresmal vivida n\u00e3o somente com ensinamentos, mas com a pr\u00f3pria vida foi, diante de nossos olhos e cora\u00e7\u00e3o, uma rica circunst\u00e2ncia para reconhecermos a nossa precariedade de homens feridos pelo pecado e a necessidade de elevarmos o olhar para Deus que, em Cristo, venceu o poder da enfermidade, da morte e do pecado.<\/li>\n<li>Este tem sido um tempo em que redescobrimos e evidenciamos a necessidade de aprofundar os nossos v\u00ednculos como cidad\u00e3os e colaboradores do bem comum, n\u00e3o como indiv\u00edduos isolados, mas como membros de uma fam\u00edlia, povo de Deus a caminho da P\u00e1tria Celestial. Uma Igreja samaritana que permaneceu &#8211; e permanece! &#8211; com seu cora\u00e7\u00e3o aberto e suas m\u00e3os estendidas atrav\u00e9s de incont\u00e1veis gestos de caridade e fraternidade com os mais necessitados, ainda que seus templos n\u00e3o estivessem com as portas abertas.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Novo impulso \u00e0 transforma\u00e7\u00e3o da vida<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"28\">\n<li>Logo ap\u00f3s a Ressurrei\u00e7\u00e3o de Nosso Senhor Jesus Cristo, Ele mesmo, encontrando-se com os seus disc\u00edpulos, enviou-os aos confins do mundo para anunciarem o Evangelho e formarem outros disc\u00edpulos. Estes tiveram que enfrentar todo tipo de adversidade, mas nada os impediu de seguir em frente, porque haviam aprendido com o Mestre n\u00e3o somente a orar, mas viver o grande mandamento do amor em palavras, a\u00e7\u00f5es e despojamento de si mesmos.<\/li>\n<li>Hoje somos n\u00f3s que devemos fazer a experi\u00eancia do Ressuscitado e acolher este Mandato Mission\u00e1rio, o <strong>Ide,<\/strong> que encontramos testificado nos Evangelhos: \u201c<em>Mas Jesus, aproximando-se, lhes disse: \u2018Toda autoridade me foi dada no c\u00e9u e na terra. Ide, pois, e ensinai a todas as na\u00e7\u00f5es; batizai-as em nome do Pai, do Filho e do Esp\u00edrito Santo. Ensinai-as a observar tudo o que vos prescrevi. Eis que estou convosco todos os dias, at\u00e9 o fim do mundo\u2019<\/em>\u201d (Mt 28, 19-20; cf. Mc 16, 15-18 e At 1, 8). \u00c9 a partir deste Mandato Mission\u00e1rio que se explicita a voca\u00e7\u00e3o da Igreja de anunciar a alegria da f\u00e9, a salva\u00e7\u00e3o em Jesus, testemunhando este nome e vivendo conforme Ele ensinou: \u201c<em>A Igreja, enviada por Deus a todas as gentes para ser \u2018sacramento universal de salva\u00e7\u00e3o\u2019, por \u00edntima exig\u00eancia da pr\u00f3pria catolicidade, obedecendo a um mandato do seu fundador, procura incansavelmente anunciar o Evangelho a todos os homens. J\u00e1 os pr\u00f3prios Ap\u00f3stolos em que a Igreja se alicer\u00e7a, seguindo o exemplo de Cristo, \u2018pregaram a palavra da verdade e geraram as igrejas\u2019. Aos seus sucessores compete perpetuar esta obra, para que \u2018a palavra de Deus se propague rapidamente e seja glorificada, e o reino de Deus seja pregado e estabelecido em toda a terra.\u2019<\/em>\u201d<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\"><sup>[8]<\/sup><\/a><\/li>\n<li>Diferente dos primeiros disc\u00edpulos, hoje temos outros recursos para fazer chegar aos homens e mulheres a Boa Nova. Experimentamos isto no tempo de quarentena, de isolamento social, de igrejas fechadas. Tivemos que buscar alternativas para que o Povo de Deus fosse assistido, animado e estimulado a viver cada momento com tranquilidade e confian\u00e7a total e absoluta em Deus. O an\u00fancio ressoou em ouvidos que estavam ensurdecidos, noutros que n\u00e3o tinham ainda prestado aten\u00e7\u00e3o \u00e0 mensagem e at\u00e9 mesmo naqueles que nunca tinham ouvido falar do grande amor de Deus pela humanidade.<\/li>\n<li>Tudo o que fazemos \u00e9 fruto desta Igreja que nasce da Miss\u00e3o Trinit\u00e1ria. O Pai envia o Filho como Redentor e Salvador e ambos enviam o Esp\u00edrito Santo. Na for\u00e7a do Esp\u00edrito enviado, vai-se congregando o Povo de Deus; vai-se animando o Corpo de Cristo; vai-se edificando o Seu Templo: \u201c<em>A Igreja peregrina \u00e9, por sua natureza, mission\u00e1ria, visto que tem a sua origem, segundo o des\u00edgnio de Deus Pai, na \u2018miss\u00e3o\u2019 do Filho e do Esp\u00edrito Santo.\u201d<a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\"><strong>[9]<\/strong><\/a> <\/em><\/li>\n<li>Em todas as iniciativas se v\u00ea a a\u00e7\u00e3o da Sant\u00edssima Trindade, que nos faz instrumentos na din\u00e2mica da miss\u00e3o que est\u00e1 na ess\u00eancia do ser Igreja. Por isso, pode-se afirmar, sem exagero, que se n\u00e3o evangelizarmos, deixamos de ser Igreja, j\u00e1 que se perde algo que lhe \u00e9 fundamental. Tudo o que fazemos n\u00e3o somos n\u00f3s, \u00e9 Deus quem o realiza atrav\u00e9s de n\u00f3s.<\/li>\n<li>Car\u00edssimos, a miss\u00e3o como an\u00fancio do kerigma deve perpassar, portanto, cada a\u00e7\u00e3o eclesial. N\u00e3o \u00e9 algo secund\u00e1rio ou anexo, mas deve ser a motiva\u00e7\u00e3o b\u00e1sica que une as atividades eclesiais, o ingrediente que lhes d\u00e1 sabor, seja na Liturgia, no estudo da Teologia, na aplica\u00e7\u00e3o do Direito Can\u00f4nico ou nos servi\u00e7os de assist\u00eancia social. Em tudo, tenhamos em vista a obedi\u00eancia ao Mandato Mission\u00e1rio.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Novo impulso \u00e0 transforma\u00e7\u00e3o da pastoral<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"34\">\n<li>Portanto, para que a miss\u00e3o assuma o seu papel pr\u00f3prio na vida da Igreja, urge uma convers\u00e3o pastoral, como intuiu brilhantemente a Confer\u00eancia Episcopal de Aparecida: \u201c<em>Esta firme decis\u00e3o mission\u00e1ria deve impregnar todas as estruturas eclesiais e todos os planos pastorais de dioceses, par\u00f3quias, comunidades religiosas, movimentos e de qualquer institui\u00e7\u00e3o da Igreja. Nenhuma comunidade deve isentar-se de entrar decididamente, com todas as for\u00e7as, nos processos constantes de renova\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria e de abandonar as ultrapassadas estruturas que j\u00e1 n\u00e3o favore\u00e7am a transmiss\u00e3o da f\u00e9.\u201d<a href=\"#_ftn10\" name=\"_ftnref10\"><strong>[10]<\/strong><\/a> <\/em><\/li>\n<li>Seguindo esta dire\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria, o Papa Francisco tem defendido categ\u00f3rica e exaustivamente o ideal de uma Igreja-em-sa\u00edda: \u201c<em>A Igreja \u2018em sa\u00edda\u2019 \u00e9 a comunidade de disc\u00edpulos mission\u00e1rios que \u2018primeireiam\u2019, que se envolvem, que acompanham, que frutificam e festejam. A comunidade mission\u00e1ria experimenta que o Senhor tomou a iniciativa, precedeu-a no amor e, por isso, ela sabe ir \u00e0 frente, tomar a iniciativa sem medo, ir ao encontro, procurar os afastados e chegar \u00e0s encruzilhadas dos caminhos para convidar os exclu\u00eddos. Vive um desejo inesgot\u00e1vel de oferecer miseric\u00f3rdia, fruto de ter experimentado a miseric\u00f3rdia infinita do Pai e a sua for\u00e7a difusiva [&#8230;] Com obras e gestos, a comunidade mission\u00e1ria entra na vida di\u00e1ria dos outros, encurta as dist\u00e2ncias, abaixa-se at\u00e9 \u00e0 humilha\u00e7\u00e3o e assume a vida humana, tocando a carne sofredora de Cristo no povo.\u201d<a href=\"#_ftn11\" name=\"_ftnref11\"><strong>[11]<\/strong><\/a><\/em><\/li>\n<li>Na din\u00e2mica mission\u00e1ria da Igreja, portanto, h\u00e1 uma tens\u00e3o sempre crescente de dentro-para-fora, ou seja, da experi\u00eancia salv\u00edfica para um anunciar ao mundo esta mesma Salva\u00e7\u00e3o em Jesus Cristo! O \u201cIde por todo o mundo\u201d \u00e9 sempre uma constante mission\u00e1ria eclesial.<\/li>\n<li>Na missionariedade da Igreja, ao lado daquela dimens\u00e3o comumente conhecida \u201cde sa\u00edda\u201d, como o Papa Francisco tem afirmado, h\u00e1 outra dimens\u00e3o que pode ser chamada \u201cde entrada\u201d. Unido ao movimento de ir existe outro movimento, o de vir. Foi o que o Ap\u00f3stolo S\u00e3o Paulo e seus companheiros experimentaram naquele epis\u00f3dio do Maced\u00f4nio que pedia a visita deles e o an\u00fancio do Evangelho em sua terra. O \u201cir\u201d e o \u201cvir\u201d s\u00e3o dois movimentos complementares que, na miss\u00e3o, precisam ser discernidos, elaborados, trabalhados e realizados. Talvez se tenha hipertrofiado um aspecto, o \u201cir\u201d; e por outro lado, o \u201cvir\u201d tenha se atrofiado&#8230;<\/li>\n<li>O primeiro par\u00e1grafo do documento <em>Gaudium et Spes<\/em> assim escreve: \u201c<em>As alegrias e as esperan\u00e7as, as tristezas e as ang\u00fastias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem, s\u00e3o tamb\u00e9m as alegrias e as esperan\u00e7as, as tristezas e as ang\u00fastias dos disc\u00edpulos de Cristo; e n\u00e3o h\u00e1 realidade alguma verdadeiramente humana que n\u00e3o encontre eco no seu cora\u00e7\u00e3o. Porque a sua comunidade \u00e9 formada por homens, que, reunidos em Cristo, s\u00e3o guiados pelo Esp\u00edrito Santo na sua peregrina\u00e7\u00e3o em demanda do reino do Pai, e receberam a mensagem da salva\u00e7\u00e3o para a comunicar a todos. Por este motivo, a Igreja sente-se real e intimamente ligada ao g\u00eanero humano e \u00e0 sua hist\u00f3ria.\u201d<a href=\"#_ftn12\" name=\"_ftnref12\"><strong>[12]<\/strong><\/a><\/em> Ou seja, as dores e tamb\u00e9m as alegrias de qualquer ser humano na face da terra s\u00e3o tamb\u00e9m as dores e as alegrias da Igreja! E para viver esta realidade \u00e9 preciso que a Igreja desenvolva a empatia e a compaix\u00e3o, e ou\u00e7a o clamor de quem lhe pede ajuda.<\/li>\n<li>O Documento de Aparecida no\u00a0<em>n\u00ba 549<\/em>afirma que <em>\u201cPara nos converter em uma Igreja cheia de \u00edmpeto e aud\u00e1cia evangelizadora (Igreja em sa\u00edda), temos que ser de novo evangelizados e fi\u00e9is disc\u00edpulos. Conscientes de nossa responsabilidade pelos batizados que deixaram essa gra\u00e7a de participa\u00e7\u00e3o no mist\u00e9rio pascal e de incorpora\u00e7\u00e3o no Corpo de Cristo sob uma capa de indiferen\u00e7a e esquecimento, \u00e9 necess\u00e1rio cuidar do tesouro da religiosidade popular de nosso povo para que nela resplande\u00e7a cada vez mais &#8216;a p\u00e9rola preciosa&#8217; que \u00e9 Jesus Cristo e seja sempre novamente evangelizada na f\u00e9 da Igreja e por sua vida sacramental. \u00c9 preciso fortalecer a f\u00e9 &#8216;para encarar s\u00e9rios desafios, pois est\u00e3o em jogo o desenvolvimento harm\u00f4nico da sociedade e da identidade cat\u00f3lica de seus povos&#8217;\u201d.<\/em><\/li>\n<li>Neste sentido \u00e9 importante motivar e valorizar as devo\u00e7\u00f5es populares ou a religiosidade popular, de modo particular a devo\u00e7\u00e3o mariana, que <em>contribuiu para nos tornar mais conscientes de nossa comum condi\u00e7\u00e3o de filhos de Deus e de nossa comum dignidade perante seus olhos, n\u00e3o obstante as diferen\u00e7as sociais, \u00e9tnicas ou de qualquer outro tipo\u201d <\/em>(DA, 37). A piedade popular reflete, justamente, a sede de Deus que nosso povo sente e que necessita ser atendida.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Aprofundando a miss\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Encontro pessoal com Jesus Cristo: A Santidade<\/em><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"41\">\n<li>A santidade \u00e9 a meta para onde se dirige toda a pastoral, a vida crist\u00e3 e a evangeliza\u00e7\u00e3o. Ajuda-nos a recordar isso o Conc\u00edlio Vaticano II, na <em>Lumen Gentium<\/em>, cap. V, onde fala sobre a Voca\u00e7\u00e3o Universal \u00e0 Santidade.<\/li>\n<li>A <em>Lumen Gentium<\/em> redescobriu a Igreja como mist\u00e9rio, ou seja, como um povo que transparece a unidade do Pai e do Filho e do Esp\u00edrito Santo. Isso implica um reencontro com a santidade, entendida no seu sentido fundamental de perten\u00e7a \u00c0quele que \u00e9 o Santo, o tr\u00eas vezes Santo (cf. Is 6,3). A santidade indicada pela evangeliza\u00e7\u00e3o significa apontar o rosto da Igreja como Esposa de Cristo, que a amou, entregando-Se por ela precisamente para santific\u00e1-la (cf. Ef 5,25-26). Este dom de santidade \u00e9 oferecido a cada batizado.<\/li>\n<li>O compromisso crist\u00e3o com a santidade \u00e9 um compromisso que diz respeito n\u00e3o apenas a alguns, pois os crist\u00e3os de qualquer estado ou ordem s\u00e3o chamados \u00e0 plenitude da vida em Cristo e \u00e0 perfei\u00e7\u00e3o da caridade.<\/li>\n<li>Como explicou o Conc\u00edlio Vaticano II, este ideal de santidade n\u00e3o deve ser motivo de d\u00favidas, visto como um caminho extraordin\u00e1rio, acess\u00edvel apenas a indiv\u00edduos especiais. Os caminhos da santidade s\u00e3o variados e apropriados \u00e0 voca\u00e7\u00e3o de cada um. \u00c9 hora de propor de novo, a todos, com convic\u00e7\u00e3o, esta \u201cmedida alta\u201d da vida crist\u00e3 ordin\u00e1ria: toda a vida da Igreja, das fam\u00edlias crist\u00e3s e da a\u00e7\u00e3o evangelizadora deve apontar nesta dire\u00e7\u00e3o. Mas \u00e9 claro, tamb\u00e9m, que os caminhos da santidade s\u00e3o pessoais e exigem um verdadeiro percurso pr\u00f3prio, capaz de se adaptar ao ritmo dos indiv\u00edduos.<\/li>\n<li>Assim como as devo\u00e7\u00f5es populares, n\u00e3o podemos esquecer a import\u00e2ncia dos sacramentais, que muitas vezes s\u00e3o deixados de lado, mas que t\u00eam um grande valor de santifica\u00e7\u00e3o e consagra\u00e7\u00e3o, uma vez que Deus derrama sobre o homem a sua b\u00ean\u00e7\u00e3o. Como diz o nosso povo: \u201conde existe a b\u00ean\u00e7\u00e3o de Deus, o dem\u00f4nio n\u00e3o pode tocar\u201d. A Sacrosanctum Concilium, n. 60, assim nos ensina: \u201c<em>Os Sacramentais (&#8230;) oferecem aos fi\u00e9is bem dispostos a possibilidade de santificarem quase todos os acontecimentos da vida por meio da Gra\u00e7a divina que deriva do Mist\u00e9rio Pascal da Paix\u00e3o, Morte e Ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo. (&#8230;) A Santa M\u00e3e Igreja instituiu tamb\u00e9m os sacramentais. Estes s\u00e3o sinais sagrados por meio dos quais, imitando de algum modo os sacramentos, se significam e se obt\u00eam, pela ora\u00e7\u00e3o da Igreja, efeitos principalmente de ordem espiritual. Por meio deles, disp\u00f5em-se os homens para a recep\u00e7\u00e3o do principal efeito dos sacramentos e s\u00e3o santificadas as v\u00e1rias circunst\u00e2ncias da vida.<\/em>\u201d (cf. CIC can. 1166; CCEO can. 867)<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Jesus Cristo Vivo na Igreja<\/em><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"46\">\n<li>A natureza humana foi assumida t\u00e3o intimamente pelo Filho de Deus, que o \u00fanico e mesmo Cristo est\u00e1 n\u00e3o apenas neste homem, primog\u00eanito de toda a criatura, mas tamb\u00e9m em todos os seus santos, assim como a Cabe\u00e7a n\u00e3o pode separar-se dos membros, e tamb\u00e9m os membros n\u00e3o podem separar-se da Cabe\u00e7a. Se \u00e9 certo que Deus ser\u00e1 tudo em todos na vida eterna, tamb\u00e9m \u00e9 verdade que, desde agora, ele habita inseparavelmente no Seu templo, que \u00e9 a Igreja, conforme Sua promessa:\u00a0<em>\u201cEis que eu estarei convosco todos os dias, at\u00e9 ao fim do mundo\u201d<\/em>(Mt 28,20).<\/li>\n<li>Por conseguinte, tudo quanto o Filho de Deus fez e ensinou, para a reconcilia\u00e7\u00e3o do mundo, podemos saber n\u00e3o apenas pela hist\u00f3ria do passado, mas experimentando-o na efic\u00e1cia do que Ele realiza no presente.<\/li>\n<li>Tendo nascido da Virgem M\u00e3e pelo poder do Esp\u00edrito Santo, por a\u00e7\u00e3o do mesmo Esp\u00edrito Ele fecunda a Sua Igreja, a fim de gerar, pelo nascimento batismal, uma inumer\u00e1vel multid\u00e3o de filhos de Deus. \u00c9 deles que se diz: <em>\u201cEstes n\u00e3o nasceram do sangue nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus mesmo\u201d<\/em> (Jo 1,13).<\/li>\n<li>Atrav\u00e9s de Jesus Cristo a descend\u00eancia de Abra\u00e3o foi aben\u00e7oada com a ado\u00e7\u00e3o filial de todos os povos do mundo; e o Santo Patriarca torna-se pai das na\u00e7\u00f5es quando, pela f\u00e9 e n\u00e3o pela carne, lhe nascem os filhos da promessa.<\/li>\n<li>Sem excluir povo algum, Ele re\u00fane em um s\u00f3 rebanho as ovelhas de todas as na\u00e7\u00f5es que existem debaixo do c\u00e9u e, todos os dias, cumpre o que prometera ao dizer: <em>\u201cTenho ainda outras ovelhas que n\u00e3o s\u00e3o deste redil: tamb\u00e9m a elas devo conduzir; escutar\u00e3o a minha voz e haver\u00e1 um s\u00f3 rebanho e um s\u00f3 pastor\u201d<\/em>(Jo 10,16).<\/li>\n<li>Embora tenha dito de modo especial a S\u00e3o Pedro: <em>\u201cApascenta as minhas ovelhas\u201d<\/em>(Jo 21,17), \u00e9 Ele o \u00fanico Senhor que orienta o minist\u00e9rio de todos os pastores. \u00c9 Ele quem alimenta os que se aproximam desta pedra, com pastos t\u00e3o f\u00e9rteis e bem irrigados, que in\u00fameras ovelhas, fortalecidas pela generosidade do seu amor, n\u00e3o hesitam em morrer pelo Pastor, o Bom Pastor que deu a vida por Suas ovelhas.<\/li>\n<li>Jesus Cristo une \u00e0 Sua Paix\u00e3o n\u00e3o apenas a gloriosa fortaleza dos m\u00e1rtires, mas tamb\u00e9m a f\u00e9 de todos aqueles que renasceram nas \u00e1guas batismais. Nisso consiste celebrar dignamente a P\u00e1scoa do Senhor com os \u00e1zimos da sinceridade e da verdade: tendo rejeitado o fermento da antiga mal\u00edcia, a nova criatura se inebria e se alimenta do pr\u00f3prio Senhor.<\/li>\n<li>A nossa participa\u00e7\u00e3o no Corpo e no Sangue de Cristo age de tal modo que nos transformamos naquele que recebemos. Mortos, sepultados e ressuscitados n\u2019Ele, que o tenhamos sempre em n\u00f3s, tanto no esp\u00edrito quanto no corpo.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Testemunhas da Miss\u00e3o para a nossa Arquidiocese<\/em><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"54\">\n<li>A Santidade continua a ser a forma mais eficaz de evangeliza\u00e7\u00e3o. Somos cercados por uma nuvem de testemunhas (cf. Hb 12,1), que trilharam antes de n\u00f3s, ou seguem conosco, os caminhos da miss\u00e3o. Os processos de beatifica\u00e7\u00e3o em curso iniciados em nossa Arquidiocese nestes \u00faltimos anos demonstram que aqui tamb\u00e9m \u00e9 terra de santos.<\/li>\n<li>Por isso, lembramos exemplos de santidade muito ligados \u00e0 nossa Arquidiocese, de pessoas que viveram as dificuldades pr\u00f3prias de suas respectivas realidades e, mesmo assim, permaneceram fi\u00e9is \u00e0 vontade de Deus.<\/li>\n<li>O primeiro desses exemplos \u00e9 o de S\u00e3o Sebasti\u00e3o, Padroeiro da Arquidiocese e da Cidade do Rio de Janeiro, e um dos santos mais populares que temos entre o nosso povo, seja no Rio como em todo o Brasil.<\/li>\n<li>Esse grande homem de Deus viveu no tempo do Imperador Diocleciano, quando os crist\u00e3os eram duramente perseguidos, por n\u00e3o adorarem deuses pag\u00e3os. Apesar de soldado do Imp\u00e9rio Romano, tornou-se defensor da Igreja, consolando secretamente os crist\u00e3os que eram presos, e tornando-se ap\u00f3stolo dos confessores e m\u00e1rtires, aos quais tamb\u00e9m se uniu pelo pr\u00f3prio mart\u00edrio.<\/li>\n<li>S\u00e3o Sebasti\u00e3o \u00e9 um exemplo de coragem ante os obst\u00e1culos da vida e fidelidade mesmo diante das persegui\u00e7\u00f5es e sofrimentos, que lhe foram infligidos no mart\u00edrio pelas flechadas at\u00e9 se consumar a cruel execu\u00e7\u00e3o por espancamento. Sua vida nos mostra que, no amor a Cristo e aos irm\u00e3os, podemos superar as dificuldades que se apresentam no nosso cotidiano.<\/li>\n<li>Na Carta Pastoral que tive a oportunidade de escrever sobre o nosso Padroeiro, recordo o contexto no qual S\u00e3o Sebasti\u00e3o viveu a santidade, em muitos aspectos semelhante ao nosso: <em>\u201cS\u00e3o Sebasti\u00e3o \u00e9 um homem de Deus que foi habitante de grandes cidades em sua \u00e9poca. Foi algu\u00e9m que testemunhou Cristo em meio a grandes conflitos e dificuldades. Rogo a sua intercess\u00e3o para que sejamos inspirados pelo Esp\u00edrito Santo para encontrarmos novos caminhos para bem realizar nossa miss\u00e3o para os pr\u00f3ximos anos. S\u00e3o desafios de todos n\u00f3s, cat\u00f3licos desta cidade, que somos chamados a contribuir para o bem de toda a popula\u00e7\u00e3o.\u201d<\/em><a href=\"#_ftn13\" name=\"_ftnref13\">[13]<\/a><\/li>\n<li>Outro exemplo que nos toca muito de perto \u00e9 o de S\u00e3o Jorge, um dos santos de maior devo\u00e7\u00e3o na piedade popular da nossa Cidade, onde \u00e9 conhecido como o \u201cSanto Guerreiro\u201d. Assim como Sebasti\u00e3o, Jorge pertenceu ao ex\u00e9rcito do Imp\u00e9rio Romano, quando este era governado por Diocleciano. Distinguindo-se por suas qualidades, conquistou a confian\u00e7a do Imperador e chegou a exercer altas fun\u00e7\u00f5es na corte imperial. Entretanto, a nobreza a que foi elevado n\u00e3o o fez abandonar a f\u00e9 crist\u00e3 \u00e0 qual se tinha convertido ainda na inf\u00e2ncia.<\/li>\n<li>Por interm\u00e9dio da prega\u00e7\u00e3o e testemunho do jovem soldado romano, muitas pessoas passaram a crer em Jesus e confess\u00e1-lo como Senhor, a quem S\u00e3o Jorge se manteve fiel diante da persegui\u00e7\u00e3o, apesar de v\u00e1rias torturas e \u00e0 custa da pr\u00f3pria vida.<\/li>\n<li>Ao olharmos para a imagem de S\u00e3o Jorge, atravessando com uma lan\u00e7a o drag\u00e3o, possamos, a exemplo dele, lutar contra o drag\u00e3o do mal para sermos vencedores nas batalhas deste tempo de tantos questionamentos e problemas contra a nossa f\u00e9.<\/li>\n<li>Viveram nos tempos atuais outros personagens que tamb\u00e9m nos edificam na f\u00e9, atrav\u00e9s dos seus modelos de santidade. Destacamos aqueles mais pr\u00f3ximos do povo carioca, que teve a felicidade de conhec\u00ea-los nas visitas que fizeram \u00e0 nossa Cidade.<\/li>\n<li>\u00c9 motivo de grande alegria podermos iniciar esta sequ\u00eancia com um santo que foi nosso contempor\u00e2neo e esteve em terras brasileiras: o Papa Jo\u00e3o Paulo II, o \u201cJo\u00e3o de Deus\u201d dos cariocas, hoje elevado aos altares. A trajet\u00f3ria do Papa S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II at\u00e9 o pontificado foi cheia de f\u00e9, coragem e determina\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o podemos deixar de recordar alguns elementos que se tornaram fatores essenciais para a sua canoniza\u00e7\u00e3o e popularidade, at\u00e9 os dias de hoje.<\/li>\n<li>O primeiro papa polon\u00eas nasceu em um pa\u00eds de maioria cat\u00f3lica fervorosa, que sofreu a opress\u00e3o pelo nazismo, e depois pelo comunismo. Essas situa\u00e7\u00f5es marcaram a sua forma\u00e7\u00e3o sacerdotal, realizada na clandestinidade, e o desejo de libertar a Pol\u00f4nia, e o Ocidente, desses dom\u00ednios ideol\u00f3gicos.<\/li>\n<li>Depois de ordenado sacerdote, e com vasta forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica, Karol Wojtyla tornou-se um personagem influente na Igreja. Como bispo rec\u00e9m-ordenado, participou do Conc\u00edlio Vaticano II, engajando-se na abertura ao di\u00e1logo com o mundo contempor\u00e2neo, e foi respons\u00e1vel por influenciar muitas realiza\u00e7\u00f5es na Igreja at\u00e9 a morte do Papa Paulo VI e o inesperado falecimento do Papa Jo\u00e3o Paulo I, seus predecessores.<\/li>\n<li>Apesar do grave atentado que quase lhe tirou a vida, em 1981, seu prest\u00edgio, popularidade e influ\u00eancia continuaram crescendo ao longo do seu pontificado, tanto internamente, na defesa da tradi\u00e7\u00e3o e dos valores morais da Igreja, como tamb\u00e9m nas rela\u00e7\u00f5es com a sociedade contempor\u00e2nea.<\/li>\n<li>S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II foi canonizado, juntamente com S\u00e3o Jo\u00e3o XXIII, pelo Papa Francisco, em 2014. A Missa de Canoniza\u00e7\u00e3o foi concelebrada pelo Papa Em\u00e9rito Bento XVI.<\/li>\n<li>Outro modelo de santidade que sobressai para n\u00f3s \u00e9 o da Santa Madre Teresa de Calcut\u00e1, que tamb\u00e9m tivemos a alegria de receber no Rio de Janeiro, cidade onde a Congrega\u00e7\u00e3o atua em maior n\u00famero, no Brasil.<\/li>\n<li>Aos dezoito anos, a jovem albanesa Agnes sentiu o chamado de consagrar-se totalmente a Deus na vida religiosa e ingressou na Casa M\u00e3e das Irm\u00e3s de Nossa Senhora de Loreto, situada na Irlanda. O seu sonho, no entanto, era o trabalho mission\u00e1rio com os pobres na \u00cdndia, para onde foi enviada pelas superioras. Naquele pa\u00eds fez o noviciado e a profiss\u00e3o religiosa tomando o nome de Teresa, inspirada pelo desejo de se parecer com a Carmelita de Lisieux.<\/li>\n<li>Foi transferida para Calcut\u00e1, onde conheceu a realidade dos habitantes dos bairros pobres da cidade, marcados pela mis\u00e9ria, pela fome e por in\u00fameras doen\u00e7as. Ap\u00f3s um tempo de discernimento, ela saiu de sua antiga congrega\u00e7\u00e3o para dar in\u00edcio ao trabalho mission\u00e1rio nas ruas de Calcut\u00e1. A obra cresceu e as voca\u00e7\u00f5es come\u00e7aram a surgir, at\u00e9 que, em 1950, a Congrega\u00e7\u00e3o fundada por ela foi aprovada pela Santa S\u00e9, expandindo-se por toda a \u00cdndia e pelo mundo inteiro.<\/li>\n<li>No ano de 1979, Madre Teresa recebeu o Pr\u00eamio Nobel da Paz. Naquele mesmo ano, o Papa Jo\u00e3o Paulo II a recebeu em audi\u00eancia privada e a tornou sua melhor \u201cembaixadora\u201d em todas as na\u00e7\u00f5es, f\u00f3runs e assembleias de todo o mundo.<\/li>\n<li>A vida inteira de Madre Teresa foi de amor e doa\u00e7\u00e3o aos exclu\u00eddos e abandonados, sendo reconhecida e admirada por l\u00edderes de outras religi\u00f5es, presidentes, universidades e at\u00e9 mesmo por alguns pa\u00edses submetidos ao marxismo. Com a sa\u00fade debilitada, faleceu em 1997. Foi beatificada pelo Papa Jo\u00e3o Paulo II em 2003, e canonizada pelo Papa Francisco, em 2016, ap\u00f3s a Igreja Cat\u00f3lica ter aprovado seu segundo milagre, a cura de um brasileiro. Uma bela imagem dela temos diante de nossa catedral ao lado do Cristo pobre, recordando nossa voca\u00e7\u00e3o de ir ao encontro dos necessitados e pobres a partir de nossa Igreja-m\u00e3e.<\/li>\n<li>Essa voca\u00e7\u00e3o da Santa Madre Teresa, chamada a uma santidade que se manifesta em gestos concretos, para levar a miseric\u00f3rdia de Deus a tantas pessoas, tamb\u00e9m floresceu entre n\u00f3s, com a vida e a obra da Irm\u00e3 Dulce, a Santa Dulce dos Pobres, primeira santa nascida no Brasil. Por isso, nossa lembran\u00e7a tamb\u00e9m se volta para ela.<\/li>\n<li>Maria Rita de Souza Brito Lopes Pontes, nascida na cidade de Salvador, j\u00e1 manifestava o interesse pela vida religiosa no in\u00edcio da adolesc\u00eancia, quando atendia a doentes no port\u00e3o de casa, no bairro de Nazar\u00e9. Em 1933, ingressa na Congrega\u00e7\u00e3o das Irm\u00e3s Mission\u00e1rias da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o da M\u00e3e de Deus. No mesmo ano, recebe o h\u00e1bito e adota, em homenagem \u00e0 sua m\u00e3e, o nome de Irm\u00e3 Dulce.<\/li>\n<li>A partir de ent\u00e3o, a religiosa inicia um trabalho assistencial nas comunidades carentes e come\u00e7a a atender tamb\u00e9m os oper\u00e1rios, criando a primeira organiza\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria cat\u00f3lica do Estado, embri\u00e3o do C\u00edrculo Oper\u00e1rio da Bahia. Na sua peregrina\u00e7\u00e3o, durante uma d\u00e9cada, para abrigar doentes que recolhia nas ruas de Salvador, ela percorreu v\u00e1rios locais da cidade, inclusive um galinheiro ao lado do Convento onde residia. Ali nasceu a Associa\u00e7\u00e3o Obras Sociais Irm\u00e3 Dulce, oficialmente instalada em 1959. A iniciativa deu origem \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o propagada h\u00e1 d\u00e9cadas pelo povo baiano de que a freira construiu o maior hospital da Bahia a partir de um simples galinheiro.<\/li>\n<li>O \u201cAnjo Bom da Bahia\u201d, como \u00e9 popularmente reconhecida, morreu em 1992, aos 77 anos, no Convento Santo Ant\u00f4nio, ao lado de seus doentes, por quem tanto lutou. Para alegria do povo brasileiro, foi canonizada pelo Papa Francisco em 13 de outubro de 2019.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Testemunhas da Miss\u00e3o na nossa Arquidiocese<\/em><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"78\">\n<li>Estamos em pleno Ano de Anima\u00e7\u00e3o do Estado Permanente de Miss\u00e3o em nossa Arquidiocese. Este \u00e9 o tempo prop\u00edcio para recordarmos, al\u00e9m dos santos de outros tempos e lugares que nos inspiram em nossa caminhada, aqueles que est\u00e3o ligados mais de perto \u00e0 nossa hist\u00f3ria. S\u00e3o personagens que nos ensinam a reconhecer a for\u00e7a do chamado de Deus e a obra da sua gra\u00e7a na nossa realidade cotidiana.<\/li>\n<li>Atualmente, a Arquidiocese de S\u00e3o Sebasti\u00e3o do Rio de Janeiro tem em curso, junto \u00e0 Congrega\u00e7\u00e3o para as Causas dos Santos, v\u00e1rios processos para eleva\u00e7\u00e3o de Servos de Deus e uma vener\u00e1vel aos altares.<\/li>\n<li>Um desses, que ainda corre em n\u00edvel arquidiocesano refere-se ao casal Jer\u00f4nimo de Castro Abreu Magalh\u00e3es e Z\u00e9lia Pedreira Abreu Magalh\u00e3es, que contra\u00edram matrim\u00f4nio em 1876, fixando sua resid\u00eancia na Fazenda Santa F\u00e9, perto do Carmo do Cantagalo, Prov\u00edncia do Rio de Janeiro. Naquela fazenda, os dois constitu\u00edram um aut\u00eantico lar crist\u00e3o, onde foram respons\u00e1veis pela catequese e a promo\u00e7\u00e3o humana e social dos seus escravos, aos quais concederam a liberdade, muito antes da promulga\u00e7\u00e3o da Lei \u00c1urea.<\/li>\n<li>Desse santo e feliz casamento nasceram-lhes treze filhos: quatro falecidos em tenra idade, tendo todos os demais (tr\u00eas homens e seis mulheres) abra\u00e7ado diferentes Ordens Religiosas. Ap\u00f3s a morte de Jer\u00f4nimo, Z\u00e9lia ingressa no Convento das Servas do Sant\u00edssimo Sacramento,\u00a0no Rio de Janeiro, passando a se chamar Irm\u00e3 Maria do Sant\u00edssimo Sacramento. Ambos morreram em justa fama de santidade, pois entregaram a Deus n\u00e3o s\u00f3 os seus filhos, mas as pr\u00f3prias vidas pela causa do Evangelho.<\/li>\n<li>A variedade dos dons do Esp\u00edrito Santo se manifesta em tantas formas de acolher o chamado de Deus e viver a santidade. Mudam os tempos, os lugares, as personalidades e at\u00e9 as faixas et\u00e1rias, mas cada pessoa que segue os passos do Senhor contribui para o imenso patrim\u00f4nio comum da Igreja, formado pela Comunh\u00e3o dos Santos.<\/li>\n<li>A Vener\u00e1vel Odetinha, aquela que poder\u00e1 se tornar a primeira santa carioca, \u00e9 uma li\u00e7\u00e3o viva dessa a\u00e7\u00e3o surpreendente do Esp\u00edrito. Odette Vidal de Oliveira nasceu em 1930. Chamada carinhosamente de \u201cOdetinha\u201d pelos pais, foi um l\u00edrio de pureza e caridade, dotada de um amor extraordin\u00e1rio a Jesus Eucar\u00edstico. Desde muito pequena, aos quatro anos, j\u00e1 possu\u00eda col\u00f3quios \u00edntimos com o Senhor Sacramentado. Seu confessor atestou sua f\u00e9 viva, confian\u00e7a inabal\u00e1vel, intenso amor a Deus e ao pr\u00f3ximo.<\/li>\n<li>Demonstrou profunda caridade para com os pobres e a busca da santidade de forma impressionante e extraordin\u00e1ria para uma crian\u00e7a t\u00e3o nova. Inserida na causa de promo\u00e7\u00e3o dos mais carentes, gostava muito de ajud\u00e1-los com obras concretas de miseric\u00f3rdia, e atividades caritativas. Inspirou uma imensa obra social, assumida com seriedade pelos seus pais, tornando-os grandes ap\u00f3stolos da caridade por toda a sua vida. O trabalho que iniciaram em favor de meninas \u00f3rf\u00e3s (um pedido de Odetinha) prossegue at\u00e9 hoje administrado por religiosas e volunt\u00e1rios.<\/li>\n<li>A mod\u00e9stia e o pudor foram um grande sinal de sua alma pura e boa, assim como a frequ\u00eancia \u00e0 Missa e a reza di\u00e1ria do Ter\u00e7o revelavam seu amor a Deus e a Nossa Senhora. Nos \u00faltimos quarenta e nove dias de sua vida sofreu dolorosa enfermidade \u2013 paratifo, suportada com paci\u00eancia crist\u00e3, at\u00e9 que, no dia 25 de novembro de 1939, recebeu a Sagrada Comunh\u00e3o e, pouco depois, serenamente, entregou sua alma inocente a Deus.<\/li>\n<li>Outro processo de canoniza\u00e7\u00e3o submetido pela nossa Arquidiocese \u00e0 Congrega\u00e7\u00e3o para as Causas dos Santos refere-se a um contempor\u00e2neo nosso, o Servo de Deus Guido Schaffer, que j\u00e1 est\u00e1 na fase romana. Nascido em 1974, na cidade de Volta Redonda, desde aquela \u00e9poca residiu com os pais na cidade do Rio de Janeiro. Os tra\u00e7os que marcam a inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia do Guido s\u00e3o de uma crian\u00e7a e um jovem saud\u00e1vel, com gosto pela praia, pelo mar, pelos esportes. Desde a juventude, ele chamava seus amigos a se engajarem em atividades que os aproximassem de Cristo. Mesmo depois de sua formatura em Medicina, prosseguiu a miss\u00e3o evangelizadora.<\/li>\n<li>Chamado ao sacerd\u00f3cio, cursou Filosofia (2002-2004) e Teologia (2006-2007), no Instituto de Filosofia e Teologia do Mosteiro de S\u00e3o Bento do Rio de Janeiro, onde deixou um testemunho coerente com sua f\u00e9, tanto no trato com os colegas como no profundo conhecimento das Sagradas Escrituras e no grande amor pela Eucaristia. Como aluno externo, Guido conseguiu conciliar os estudos preparat\u00f3rios para o sacerd\u00f3cio com o apostolado que exercia como leigo, al\u00e9m de trabalhar voluntariamente como m\u00e9dico.<\/li>\n<li>Em 2008, ingressou no Semin\u00e1rio S\u00e3o Jos\u00e9 (Rio de Janeiro), para cursar os dois \u00faltimos anos do curso de Teologia, pois \u00e9 necess\u00e1rio um per\u00edodo m\u00ednimo de vida no semin\u00e1rio para a ordena\u00e7\u00e3o sacerdotal. Entretanto, Deus tinha para ele outros planos e o chamou aos trinta e quatro anos de idade. No dia 1\u00ba de maio de 2009, Guido faleceu, v\u00edtima de uma contus\u00e3o na nuca que gerou desmaio e afogamento, enquanto surfava, na praia da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro.<\/li>\n<li>Sua fama de santidade logo se espalhou e, em 17 de janeiro de 2015, a Arquidiocese de S\u00e3o Sebasti\u00e3o do Rio de Janeiro abriu solenemente seu processo de beatifica\u00e7\u00e3o. Foi encerrada a etapa diocesana e encaminhada a documenta\u00e7\u00e3o ao Vaticano em 8 de outubro de 2017.<\/li>\n<li>Mais uma carioca candidata aos altares \u00e9 a carmelita descal\u00e7a Madre Maria Jos\u00e9 de Jesus (1882-1959), que foi priora do Convento de Santa Teresa, em nossa cidade. O surgimento da sua voca\u00e7\u00e3o se deu atrav\u00e9s de um processo de convers\u00e3o que transformou completamente a vida da bela e inteligente jovem de 20 anos, Honorina de Abreu, filha do famoso historiador Capistrano de Abreu. Aos 29 anos tornou-se carmelita descal\u00e7a e seis anos depois j\u00e1 era eleita priora, sendo reeleita diversas vezes. Dedicou a boa forma\u00e7\u00e3o cultural que possu\u00eda \u00e0 tradu\u00e7\u00e3o de diversos livros carmelitanos, escreveu poesias e cartas e fundou outras casas. Enfrentou os problemas de sa\u00fade e o mart\u00edrio da alma com total entrega a Deus na ora\u00e7\u00e3o, que era o centro do seu apostolado, tamb\u00e9m manifestado nas s\u00e1bias orienta\u00e7\u00f5es que transmitia \u00e0queles que a procuravam.<\/li>\n<li>No dia 7 de outubro de 2021, a Arquidiocese de S\u00e3o Sebasti\u00e3o do Rio de Janeiro publicou o edital que declara Frei Nem\u00e9sio Bernardi, ofmCap Servo de Deus. O Processo Diocesano foi aberto em 14\/07\/2022, no Santu\u00e1rio de S\u00e3o Sebasti\u00e3o, na Tijuca. Ga\u00facho de Veran\u00f3polis, Frei Nem\u00e9sio veio morar no Rio de Janeiro em 1964 e se considerava \u201ccarioca de cora\u00e7\u00e3o e de ado\u00e7\u00e3o\u201d. Falecido em 4 de fevereiro de 2016, \u00e0s v\u00e9speras de completar 89 anos, ele nos deixa o belo testemunho de uma vida de santidade voltada para as coisas simples, como respons\u00e1vel pela hospedaria e cozinheiro do convento. Essas tarefas cotidianas n\u00e3o o impediram de cumprir sua miss\u00e3o como consagrado e sacerdote, cuja disponibilidade era reconhecida por todos, no incans\u00e1vel atendimento a confiss\u00f5es e visitas aos enfermos a qualquer hora do dia ou da noite. Na prova\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a que o atingiu com muitas dores e o levou \u00e0 morte, seus confrades testemunharam seu humor, delicadeza e serenidade, confirmando as palavras que ele mesmo havia escrito: \u201cA morte \u00e9 um doce sono, que nos faz acordar nos bra\u00e7os do Pai [&#8230;] Ela ser\u00e1 a nossa \u00faltima ora\u00e7\u00e3o e o come\u00e7o de nossa suprema ventura.\u201d<\/li>\n<li>A voca\u00e7\u00e3o \u00e0 santidade \u00e9 universal, chamado de Deus que se manifesta a todos e que \u00e9 acolhido pelos cora\u00e7\u00f5es generosos, nas situa\u00e7\u00f5es cotidianas: <em>\u201cTodos os fi\u00e9is se santificar\u00e3o cada dia mais nas condi\u00e7\u00f5es, tarefas e circunst\u00e2ncias da pr\u00f3pria vida e atrav\u00e9s de todas elas, se receberem tudo com f\u00e9 da m\u00e3o do Pai celeste e cooperarem com a divina vontade, manifestando a todos, na pr\u00f3pria atividade temporal, a caridade com que Deus amou o mundo.\u201d<\/em><a href=\"#_ftn14\" name=\"_ftnref14\">[14]<\/a><\/li>\n<li>Esses exemplos de santidade s\u00e3o alguns dentre os milhares que a Igreja reconheceu ao longo do tempo, assim como os santos que encontramos no percurso da vida, aos quais assim se refere o Papa Francisco<em>: \u201cOlhemos para os \u2018santos da porta ao lado\u2019 que, com simplicidade, respondem ao mal com o bem, t\u00eam a coragem de amar os inimigos e rezar por eles.\u201d<\/em> (Publicado no Twitter em 3\/8\/2020). O Papa S\u00e3o Paulo VI tamb\u00e9m nos recorda que os exemplos dos santos s\u00e3o poderosos e eficazes instrumentos de evangeliza\u00e7\u00e3o: <em>&#8220;O homem contempor\u00e2neo escuta com melhor boa vontade as testemunhas do que os mestres, [&#8230;] ou ent\u00e3o se escuta os mestres, \u00e9 porque eles s\u00e3o testemunhas&#8221;.<\/em><a href=\"#_ftn15\" name=\"_ftnref15\">[15]<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Forma\u00e7\u00e3o catequ\u00e9tica para a miss\u00e3o <\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"94\">\n<li>A catequese foi sempre considerada pela Igreja como uma das suas tarefas primordiais, porque Cristo ressuscitado, antes de voltar para o Pai, deu aos Ap\u00f3stolos uma \u00faltima ordem: fazer disc\u00edpulos de todas as na\u00e7\u00f5es e ensinar-lhes a observar tudo aquilo que lhes tinha mandado. Deste modo, lhes confiava a miss\u00e3o e o poder de anunciar aos homens aquilo que eles pr\u00f3prios tinham ouvido do Verbo da Vida, visto com os seus olhos, contemplado e tocado com as suas m\u00e3os. Ao mesmo tempo, confiava-lhes a miss\u00e3o e o poder de explicar com autoridade aquilo que Ele lhes tinha ensinado, as suas palavras e os seus atos, os seus sinais e os seus mandamentos. E dava-lhes o Esp\u00edrito Santo, para realizar tal miss\u00e3o.<\/li>\n<li>Com o passar do tempo, come\u00e7ou-se a chamar catequese ao conjunto dos esfor\u00e7os realizados pela Igreja para fazer disc\u00edpulos. Os ensinamentos visam ajudar os homens a conhecer e aprofundar a f\u00e9 em Jesus Cristo, o Filho de Deus feito homem, a fim de que, tenham a vida em Seu nome, para os educar e instruir quanto a esta vida e assim edificar o Corpo de Cristo.<a href=\"#_ftn16\" name=\"_ftnref16\">[16]<\/a><\/li>\n<li>\u00c9 complexa a realidade do mundo de hoje, onde a pessoa humana vive cada vez mais inserida no espa\u00e7o virtual em detrimento das rela\u00e7\u00f5es interpessoais de modo presencial. A intelig\u00eancia do homem, que contribuiu para o progresso tecnol\u00f3gico, n\u00e3o percebeu que o uso destes meios, sem a devida aten\u00e7\u00e3o, o levaria a um distanciamento e, muitas vezes, indiferen\u00e7a diante dos seus semelhantes. Neste sentido, a Igreja nos ensina que \u00e9 <em>\u201cneste mundo que a catequese tem de ajudar os crist\u00e3os a serem, pela sua alegria e servi\u00e7o a todos, luz e sal. Isso exige que ela os consolide na sua identidade pr\u00f3pria e que incessantemente se reserve a si mesma das incertezas dos ambientes\u201d<\/em>.<a href=\"#_ftn17\" name=\"_ftnref17\">[17]<\/a><\/li>\n<li>Tratando do desafio da catequese, afirmou S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II: <em>\u201cFalava-se muito, h\u00e1 alguns anos, de mundo secularizado e da era p\u00f3s-crist\u00e3. A moda, como sempre, passa. Mas permanece uma realidade profunda. Os crist\u00e3os de hoje t\u00eam de ser formados para viverem num mundo que em vasta escala ignora a Deus, ou que em mat\u00e9ria religiosa, em vez de di\u00e1logo exigente e fraterno, estimulante para todos, se atola com muita frequ\u00eancia num indiferentismo nivelador, quando n\u00e3o permanece mesmo numa atitude de suspeita, em nome dos seus progressos em mat\u00e9ria de explica\u00e7\u00f5es cient\u00edficas<\/em>\u201d.<a href=\"#_ftn18\" name=\"_ftnref18\">[18]<\/a><\/li>\n<li>Para nos comunicar com este mundo e oferecer a todos a possibilidade de um di\u00e1logo que aponte a salva\u00e7\u00e3o, onde cada um se sinta respeitado na sua dignidade de filho de Deus, ou de algu\u00e9m que busca Deus, \u00e9 necess\u00e1rio termos uma catequese que ajude os jovens e adultos das nossas comunidades a fazerem uma experi\u00eancia do Ressuscitado. Deste modo, l\u00facidos e coerentes com a f\u00e9, possam afirmar serenamente a sua identidade crist\u00e3 e cat\u00f3lica, dando testemunho do Deus vivo no seio de uma civiliza\u00e7\u00e3o materialista que o nega.<\/li>\n<li>H\u00e1 tamb\u00e9m uma forma de comunicar o Evangelho, como que uma pedagogia da f\u00e9. \u201c<em>N\u00e3o se trata simplesmente de transmitir um saber humano, por mais elevado que se considere; trata-se de comunicar na sua integridade a Revela\u00e7\u00e3o de Deus. Ora, ao longo de toda a hist\u00f3ria sagrada, sobretudo no Evangelho, o pr\u00f3prio Deus serviu-se de uma pedagogia que deve continuar a ser modelo para a pedagogia da f\u00e9. Nenhuma t\u00e9cnica ser\u00e1 v\u00e1lida na catequese sen\u00e3o na medida em que for posta ao servi\u00e7o da f\u00e9 a transmitir e a educar; caso contr\u00e1rio, n\u00e3o ter\u00e1 valor<\/em>\u201d.<a href=\"#_ftn19\" name=\"_ftnref19\">[19]<\/a><\/li>\n<li>Outro aspecto \u00e9 o da linguagem: \u00e9 t\u00e3o importante o que falar como a forma de se falar. De fato, \u201c<em>\u00e9 um dever imperioso encontrar a linguagem adaptada \u00e0s crian\u00e7as, aos jovens do nosso tempo e a muitas outras categorias de pessoas, conforme suas necessidades e as atividades que desenvolvem<\/em>\u201d.<a href=\"#_ftn20\" name=\"_ftnref20\">[20]<\/a> Na evangeliza\u00e7\u00e3o, como na teologia, o problema da linguagem \u00e9, sem d\u00favida, primordial. \u201c<em>No entanto, n\u00e3o ser\u00e1 sup\u00e9rfluo recordar aqui o seguinte: a catequese nunca poderia admitir uma linguagem que, sob qualquer pretexto, mesmo pretensamente cient\u00edfico, levasse a desfigurar o conte\u00fado do Credo. Nem lhe conv\u00e9m, em qualquer hip\u00f3tese, uma linguagem que engane ou seduza<\/em>\u201d.<a href=\"#_ftn21\" name=\"_ftnref21\">[21]<\/a> A seguran\u00e7a do Evangelho apresenta sua perenidade at\u00e9 os dias de hoje, sem necessidade de que seu conte\u00fado original seja substitu\u00eddo.<\/li>\n<li>Jesus nos indica a linguagem pr\u00f3pria do disc\u00edpulo que alcan\u00e7ar\u00e1 o cora\u00e7\u00e3o humano: <em>\u201cQuem der testemunho de mim diante dos homens, tamb\u00e9m eu darei testemunho dele diante de meu Pai que est\u00e1 nos c\u00e9us. Aquele, por\u00e9m, que me negar diante dos homens, tamb\u00e9m eu o negarei diante de meu Pai que est\u00e1 nos c\u00e9us\u201d<\/em><strong>(Mt 10,32-33). Catequizar \u00e9, justamente, dar testemunho da experi\u00eancia de Deus; falar de Deus e do seu amor pela humanidade de forma simples e direta. Dar um testemunho que condiz com o seu modo de agir, apresentando \u00e0 humanidade a novidade que somente \u00e9 encontrada no Ressuscitado, sempre deixando-se guiar pelo Esp\u00edrito Santo.<\/strong><\/li>\n<li><strong>Neste sentido, afirmou o Papa Francisco: \u201c<\/strong><em>S\u00e3o necess\u00e1rios crist\u00e3os que tornem vis\u00edvel aos homens de hoje a miseric\u00f3rdia de Deus, a sua ternura por todas as criaturas. Todos n\u00f3s sabemos que a crise da humanidade contempor\u00e2nea n\u00e3o \u00e9 superficial, mas profunda. Por isso, enquanto exorta a ter a coragem de ir contra a corrente, de se converter dos \u00eddolos para o \u00fanico Deus verdadeiro, a nova evangeliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode deixar de recorrer \u00e0 linguagem da miseric\u00f3rdia, feita de gestos e de atitudes, antes ainda que de palavras. A Igreja, no meio da humanidade de hoje, diz: Vinde a Jesus, v\u00f3s todos que estais cansados e oprimidos, e encontrareis descanso para as vossas almas (cf.\u00a0Mt11, 28-30). Vinde a Jesus! S\u00f3 Ele tem palavras de vida eterna\u201d.<a href=\"#_ftn22\" name=\"_ftnref22\"><strong>[22]<\/strong><\/a>\u00a0 <\/em><\/li>\n<li>Diante de uma sociedade na qual os valores da f\u00e9 frequentemente n\u00e3o s\u00e3o mais transmitidos no \u00e2mbito familiar, a import\u00e2ncia da inicia\u00e7\u00e3o \u00e0 vida crist\u00e3 e a miss\u00e3o dos catequistas \u00e9 fundamental, a tal ponto que o Papa Francisco instituiu o Minist\u00e9rio de Catequista, com a publica\u00e7\u00e3o do Motu proprio \u201c<em>Antiquum ministerium\u201d<\/em>, no dia 11 de maio de 2021. Nesse documento, ele destaca <em>&#8220;a necessidade de metodologias e instrumentos criativos que tornem o an\u00fancio do Evangelho coerente com a transforma\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria da Igreja.&#8221;<\/em><\/li>\n<li>N\u00f3s tamb\u00e9m nos pronunciamos a respeito dessa miss\u00e3o essencial, quando o Pontif\u00edcio Conselho para a Promo\u00e7\u00e3o da Nova Evangeliza\u00e7\u00e3o tornou p\u00fablico o novo \u201cDiret\u00f3rio para a Catequese\u201d, em 25 de junho de 2020, no qual nos baseamos para as seguintes reflex\u00f5es:<\/li>\n<li><em>\u201cA catequese est\u00e1 no cerne da miss\u00e3o evangelizadora da Igreja, por meio dela \u00e9 que a Igreja faz o primeiro an\u00fancio aos catec\u00famenos que receber\u00e3o o batismo e na Igreja a catequese permanece durante toda a vida de f\u00e9 da pessoa, partindo do batismo at\u00e9 a vida adulta. [&#8230;] A catequese \u00e9 um elemento fundamental da inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3, ela est\u00e1 estritamente ligada ao Sacramento do Batismo, que \u00e9 o Sacramento da f\u00e9 e por meio dele o crist\u00e3o expressa a sua f\u00e9 pela primeira vez publicamente, sendo inserido na Igreja. O Sacramento do Batismo \u00e9 a porta de entrada nos Sacramentos e na Igreja. A catequese est\u00e1 presente desde o Batismo at\u00e9 a vida adulta de cada fiel. E cabe \u00e0quele que recebeu o primeiro an\u00fancio levar aquilo que ele recebeu adiante, n\u00e3o guardar jamais para si mesmo. Aquele que recebeu a forma\u00e7\u00e3o catequ\u00e9tica pode vir a ser no futuro um catequista e evangelizar novas pessoas para que a catequese seja um processo cont\u00ednuo de recep\u00e7\u00e3o e de entrega.\u201d<\/em><a href=\"#_ftn23\" name=\"_ftnref23\">[23]<\/a><\/li>\n<li>\u00c9 nosso prop\u00f3sito garantir a continuidade dessa miss\u00e3o. Assim \u00e9 que no dia 5 de novembro de 2022, ocorreu a 38\u00aa Assembleia Arquidiocesana da Inicia\u00e7\u00e3o \u00e0 Vida Crist\u00e3 da nossa Arquidiocese, com o tema \u201cCora\u00e7\u00f5es ardentes, p\u00e9s a caminho\u201d. Aos cerca de 1.400 catequistas de todos os vicariatos presentes, dirigi estas palavras: <em>\u201cPelo tema da Assembleia senti a for\u00e7a do Esp\u00edrito Santo no audit\u00f3rio repleto de cora\u00e7\u00f5es ardentes, catequistas confiantes no chamado, mas ao mesmo tempo sedentas(os) em partilhar, ansiosos(as) para se entregarem ao servi\u00e7o do Reino.\u201d <\/em>Confio a Deus os bons frutos desse evento no cora\u00e7\u00e3o e na miss\u00e3o de cada catequista.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A Lectio Divina<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"107\">\n<li><em>Tenho insistido sobre a import\u00e2ncia da Lectio divina<\/em>por tratar-se de um alimento necess\u00e1rio para a nossa vida espiritual, principalmente como m\u00e9todo para os c\u00edrculos b\u00edblicos e grupos de reflex\u00e3o ou pequenas comunidades. Com base nesse exerc\u00edcio, conscientes do plano de Deus e de sua vontade, podemos produzir os frutos espirituais necess\u00e1rios para a salva\u00e7\u00e3o. A\u00a0<em>Lectio divina<\/em>\u00a0consiste em deixar-se envolver pelo plano de salva\u00e7\u00e3o de Deus. O Conc\u00edlio Vaticano II, em sua Constitui\u00e7\u00e3o dogm\u00e1tica\u00a0<em>Dei Verbum<\/em>, n. 25, ratificou e promoveu, com todo o peso de sua autoridade, a restaura\u00e7\u00e3o da\u00a0<em>Lectio divina<\/em>, retomando essa antiqu\u00edssima tradi\u00e7\u00e3o da Igreja Cat\u00f3lica. O Conc\u00edlio exorta igualmente, com ardor e insist\u00eancia, a todos os fi\u00e9is crist\u00e3os, sobretudo os religiosos, que, pela frequente leitura das divinas Escrituras, alcancem este bem supremo: o conhecimento de Jesus Cristo (Fl 3,8), porquanto <em>\u201cignorar as Escrituras \u00e9 ignorar a Cristo\u201d<\/em> (S\u00e3o Jer\u00f4nimo,\u00a0<em> in Is.,<\/em>\u00a0prol.).<\/li>\n<li>O m\u00e9todo mais antigo, que inspirou outros mais recentes, consiste em que, pessoalmente, em comunidade, ou no c\u00edrculo b\u00edblico, a reflex\u00e3o com a palavra de Deus, depois da invoca\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo, siga os passos tradicionais: 1) \u00a0<em>lectio<\/em>(leitura); 2)\u00a0<em>meditatio<\/em>\u00a0(medita\u00e7\u00e3o); 3)\u00a0<em>oratio<\/em>\u00a0(ora\u00e7\u00e3o); 4)\u00a0<em>contemplatio<\/em>\u00a0(contempla\u00e7\u00e3o). Existem outros m\u00e9todos que, inspirados neste, procuram ajudar o crist\u00e3o a acolher em sua vida a palavra de Deus e p\u00f4-la em pr\u00e1tica no seu dia a dia. Chegou o momento de passarmos a propor em nossos grupos de reflex\u00e3o, c\u00edrculos b\u00edblicos e outros grupos a palavra de Deus como fonte de reflex\u00e3o e inspira\u00e7\u00e3o para iluminar a nossa realidade concreta.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A Caridade Mission\u00e1ria<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"109\">\n<li>Durante s\u00e9culos, v\u00e1rios membros da Igreja se tornaram grandes mission\u00e1rios, n\u00e3o realizando miss\u00f5es monumentais, mas ouvindo o grito do povo e ajudando-o em suas necessidades mais urgentes: S\u00e3o Camilo e S\u00e3o Jo\u00e3o de Deus com os enfermos; S\u00e3o Vicente de Paulo e Santa Luiza de Marillac com os pobres; S\u00e3o Jo\u00e3o Bosco com os jovens; Santa Madre Teresa e Santa Dulce dos Pobres com os mais miser\u00e1veis da sociedade. Estes s\u00e3o alguns exemplos, mas existem tantos outros. Todos, plenos do senso mission\u00e1rio, foram at\u00e9 onde se escutava a voz da dor, o grito de socorro: o \u201cir\u201d do envio mission\u00e1rio se encontrava com o \u201cvem\u201d do pedido de socorro de quem sofre.<\/li>\n<li>Mas quem sofre? O homem, a mulher, a humanidade! E escondido nela, o Cristo, pois todas as vezes que fazemos assim a eles, \u00e9 ao Senhor que servimos, amando, acolhendo, abra\u00e7ando (cf. Mt 25, 31-46). O grito do pequenino \u00e9 o grito de Jesus mesmo!<\/li>\n<li>Da Confer\u00eancia do Episcopado Latino-Americano, realizada em Puebla (M\u00e9xico), os Bispos nos deixaram um texto cheio de compaix\u00e3o por tantas realidades de pobreza e injusti\u00e7a que marcam o nosso continente, e do qual eles \u201ccompartilham as ang\u00fastias\u201d: <em>\u201c<\/em><em>Esta situa\u00e7\u00e3o de extrema pobreza generalizada adquire, na vida real, fei\u00e7\u00f5es concret\u00edssimas, nas quais dever\u00edamos reconhecer as fei\u00e7\u00f5es sofredoras de Cristo, o Senhor (que nos questiona e interpela).\u201d <a href=\"#_ftn24\" name=\"_ftnref24\"><strong>[24]<\/strong><\/a><\/em><\/li>\n<li>As situa\u00e7\u00f5es que eles descrevem come\u00e7am pela pobreza que atinge as crian\u00e7as antes mesmo de nascerem, e tamb\u00e9m aquelas abandonadas e exploradas, v\u00edtimas da desorganiza\u00e7\u00e3o moral da fam\u00edlia. Passando pelas diversas faixas et\u00e1rias, etnias e condi\u00e7\u00f5es de trabalho que caracterizam o nosso povo mais carente, o Documento de Puebla tra\u00e7a um pungente retrato das \u201cfei\u00e7\u00f5es\u201d da nossa popula\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<li>Esse contingente de pessoas que necessitam ser reconhecidas e amparadas abrange os jovens desorientados e frustrados, por falta de oportunidades de capacita\u00e7\u00e3o e de ocupa\u00e7\u00e3o; os ind\u00edgenas e afro-americanos que vivem segregados e em situa\u00e7\u00f5es desumanas; os camponeses sem terra e v\u00edtimas de sistemas de com\u00e9rcio que os enganam e exploram; os oper\u00e1rios mal remunerados e que n\u00e3o conseguem defender os pr\u00f3prios direitos; os subempregados e desempregados, v\u00edtimas das crises e de modelos econ\u00f4micos desumanos; as pessoas carentes que vivem marginalizadas e amontoadas nas nossas cidades; os anci\u00e3os cada dia mais numerosos, frequentemente postos \u00e0 margem da sociedade por j\u00e1 n\u00e3o serem capazes de produzir.<\/li>\n<li>Todas essas realidades nos interpelam e clamam por novas formas de levar a miseric\u00f3rdia de Deus aos que mais necessitam, a partir do cuidado pelas suas necessidades materiais. Deixar-se conduzir pelo Esp\u00edrito Santo, numa intimidade profunda com Ele, faz com que o disc\u00edpulo crist\u00e3o descubra na palavra humana a Palavra de Deus, no \u201ctenho sede\u201d do sedento o \u201cTenho Sede\u201d de Jesus l\u00e1 na Cruz, no grito desesperado do homem solit\u00e1rio o grito do Cristo abandonado. E este clamor \u00e9 um \u201cvem\u201d que deve nortear a atividade da miss\u00e3o da Igreja.<\/li>\n<li>A caridade social \u00e9 uma forma aut\u00eantica e eficaz de evangelizar pelo exemplo e encontrar Jesus na pessoa do pobre. Por isso, alimentar o corpo e o esp\u00edrito s\u00e3o tarefas que temos o compromisso de realizar em favor dos irm\u00e3os. <em>\u201cA op\u00e7\u00e3o pelos \u00faltimos, por aqueles que a sociedade descarta e lan\u00e7a fora, \u00e9 uma escolha priorit\u00e1ria que os disc\u00edpulos de Cristo s\u00e3o chamados a abra\u00e7ar para n\u00e3o trair a credibilidade da Igreja e dar uma esperan\u00e7a concreta a tantos indefesos. \u00c9 neles que a caridade crist\u00e3 encontra a sua prova real, porque quem partilha os seus sofrimentos com o amor de Cristo recebe for\u00e7a e d\u00e1 vigor ao an\u00fancio do Evangelho.\u201d<\/em><a href=\"#_ftn25\" name=\"_ftnref25\">[25]<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Con<\/strong><strong>clus\u00e3o<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"116\">\n<li>H\u00e1 dez anos, na Jornada Mundial da Juventude, est\u00e1vamos \u00e0 beira-mar, em Copacabana, quando o Cristo Senhor passou por n\u00f3s e junto com Pedro-Francisco, nos chamou ao Seu seguimento e nos enviou. Ele nos enviou! Enviou-nos ao mundo para evangelizar, anunciando que Ele \u00e9 Senhor e Salvador e que a nossa vida, pautada em seus ensinamentos seria uma vida feliz e vivida com grandeza. O \u201cir\u201d passou a ser uma constante em nossa vida eclesial, seja nesta nossa Arquidiocese de S\u00e3o Sebasti\u00e3o do Rio de Janeiro, como em qualquer outra grande ou pequena comunidade eclesial.<\/li>\n<li>Mas o \u201cir\u201d n\u00e3o pode ser conforme pensamos e planejamos antecipadamente, correndo o risco de gastar energia naquilo que achamos ser mais importante, conforme nossos crit\u00e9rios humanos: \u00e9 necess\u00e1rio, muitas vezes, deixar de lado os planejamentos que se desenham nos escrit\u00f3rios paroquiais e nas assembleias comunit\u00e1rias, fechadas nas grandes salas e, em atenta ora\u00e7\u00e3o, de olhos e ouvidos abertos, compreender por onde o Esp\u00edrito Santo deseja que se v\u00e1 e que se anuncie e que se sirva! O Esp\u00edrito Santo \u00e9 o verdadeiro protagonista da Miss\u00e3o (cf. Rm 21) e nos ajudar\u00e1 a discernir a voz de Nosso Senhor no clamor do povo sofrido e servi-Lo.<\/li>\n<li>O mundo efetivamente se transforma a cada dia. Por\u00e9m, a responsabilidade de cada batizado, de fazer de sua vida um cont\u00ednuo comunicar da Boa Nova do Evangelho, permanece intacta. Vale sempre a pena recordar as palavras do Papa Francisco em sua Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica <em>Evangelii Gaudium<\/em>, onde ele afirma que \u201c<em>A Miss\u00e3o no cora\u00e7\u00e3o do povo n\u00e3o \u00e9 somente uma parcela da minha vida ou um ornamento que posso p\u00f4r de lado; n\u00e3o \u00e9 um ap\u00eandice ou um momento entre tantos outros da minha vida. \u00c9 algo que n\u00e3o posso arrancar do meu ser, se n\u00e3o quero me destruir. Eu sou uma miss\u00e3o nesta terra e para isso estou nesse mundo\u201d<\/em> (EG 273).<\/li>\n<li>Evangelizar \u00e9 a resposta que os crist\u00e3os, ao longo dos s\u00e9culos, t\u00eam dado a quaisquer situa\u00e7\u00f5es novas. Maiores os problemas, maior deve ser a miss\u00e3o, uma miss\u00e3o que come\u00e7a no testemunho, mas que se confirma no claro falar de Jesus Cristo, na dedica\u00e7\u00e3o de um tempo \u00e0 vida e ao servi\u00e7o em comunidade e na participa\u00e7\u00e3o ativa nas obras de caridade. Como afirma tamb\u00e9m o Papa Francisco, <em>\u201cEvangelizar \u00e9 um convite que o Senhor Jesus faz a todos os batizados. Para isso \u00e9 necess\u00e1rio que nos deixemos envolver por Ele, renovando nosso encontro pessoal com Ele\u201d<\/em> (EG 3). Busquemo-lo porque ele nos busca, Ele nos deseja.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Rio de Janeiro, 26 de novembro de 2022<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">10\u00aa Festa da Unidade \u2013 Catedral Metropolitana<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Composto pelo Arcebispo, bispos auxiliares, vig\u00e1rios episcopais e outros presb\u00edteros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> FRANCISCO. Carta ao Arcebispo Rino Fisichella pelo Jubileu 2025. 11 fev 2022.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> FRANCISCO. Carta ao Arcebispo Rino Fisichella pelo Jubileu 2025. 11 fev 2022.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> CNBB &#8211; Proposta das Diretrizes Gerais da A\u00e7\u00e3o Evangelizadora 2019-2023.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> ARQUIDIOCESE DE S\u00c3O SEBASTI\u00c3O DO RIO DE JANEIRO. Orienta\u00e7\u00f5es do 13\u00ba Plano de Pastoral de Conjunto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> FRANCISCO. Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica <em>Evangelii Gaudium, 2013, <\/em>n. 15.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a> Cf. TEMPESTA, Orani Jo\u00e3o. Carta Pastoral Amar, Unir, Servir, 2014, n. 31.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">[8]<\/a> Conc\u00edlio Vaticano II, Decreto <em>Ad Gentes<\/em>, n. 1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\">[9]<\/a> Conc\u00edlio Vaticano II, Decreto <em>Ad Gentes<\/em>, n. 2.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref10\" name=\"_ftn10\">[10]<\/a>\u00a0 CELAM. Documento de Aparecida, 2007, n. 365.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref11\" name=\"_ftn11\">[11]<\/a> FRANCISCO. Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica <em>Evangelii Gaudium, 2013, <\/em>n. 24.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref12\" name=\"_ftn12\">[12]<\/a> Conc\u00edlio Vaticano II, Constitui\u00e7\u00e3o <em>Gaudium et Spes<\/em>, n. 1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref13\" name=\"_ftn13\">[13]<\/a> TEMPESTA, Orani Jo\u00e3o. Carta Pastoral S\u00e3o Sebasti\u00e3o, Padroeiro do Rio, 2016, n. 91.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref14\" name=\"_ftn14\">[14]<\/a> Conc\u00edlio Vaticano II, Constitui\u00e7\u00e3o <em>Lumen Gentium<\/em>, n. 41.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref15\" name=\"_ftn15\">[15]<\/a> PAULO VI. Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica Evangelii Nuntiandi, n. 41.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref16\" name=\"_ftn16\">[16]<\/a> Jo\u00e3o Paulo II, Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica Catequese Tradendae, ano 1979, n.1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref17\" name=\"_ftn17\">[17]<\/a> Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica Catequese Tradendae, ano 1979, n.56.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref18\" name=\"_ftn18\">[18]<\/a> Jo\u00e3o Paulo II, Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica Catequese Tradendae, ano 1979, n.57<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref19\" name=\"_ftn19\">[19]<\/a> Jo\u00e3o Paulo II, Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica Catequese Tradendae, ano 1979, n.58<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref20\" name=\"_ftn20\">[20]<\/a> Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica Catequese Tradendae, ano 1979, n.59<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref21\" name=\"_ftn21\">[21]<\/a> Jo\u00e3o Paulo II, Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica Catequese Tradendae, ano 1979, n.59<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref22\" name=\"_ftn22\">[22]<\/a> FRANCISCO. Discurso aos participantes na plen\u00e1ria do Pontif\u00edcio Conselho para a Promo\u00e7\u00e3o da Nova Evangeliza\u00e7\u00e3o, 2013.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref23\" name=\"_ftn23\">[23]<\/a> TEMPESTA, Orani Jo\u00e3o. Reflex\u00f5es sobre a catequese, artigo de 01 de julho de 2020.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref24\" name=\"_ftn24\">[24]<\/a> CELAM. Documento de Puebla, 1979, n.2.2.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref25\" name=\"_ftn25\">[25]<\/a> FRANCISCO. Mensagem para o III Dia Mundial dos Pobres, 2019.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ao dileto Povo de Deus da Arquidiocese de S\u00e3o Sebasti\u00e3o do Rio de Janeiro VOCACIONADOS E ENVIADOS PARA A MISS\u00c3O Car\u00edssimos amigos e irm\u00e3os, a paz do Senhor esteja com todos voc\u00eas! 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