{"id":76786,"date":"2022-10-25T10:00:45","date_gmt":"2022-10-25T13:00:45","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=76786"},"modified":"2022-10-25T13:02:53","modified_gmt":"2022-10-25T16:02:53","slug":"cardeal-hollerich-uma-igreja-pobre-uma-igreja-viva","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/cardeal-hollerich-uma-igreja-pobre-uma-igreja-viva\/","title":{"rendered":"Cardeal Hollerich: uma Igreja pobre uma Igreja viva"},"content":{"rendered":"<figure class=\"article__image\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"didascalia_img\">Entrevista com o Cardeal Jean-Claude Hollerich\u00a0 (Roger Nilles, www.cathol.lu)<\/span><\/figure>\n<div class=\"article__meta \" data-mediatype=\"\">\n<div class=\"article__subTitle\" style=\"text-align: justify;\">&#8220;Em algumas partes do norte da Europa ser\u00e1 predominantemente uma Igreja de migrantes; os ricos aut\u00f3ctones s\u00e3o os primeiros a abandonar o barco, porque o Evangelho choca com os seus interesses. O desejo do Papa Francisco \u00e9 este: uma igreja pobre, uma igreja viva&#8221;. Palavras do Cardeal Jean-Claude Hollerich em entrevista ao L&#8217;Osservatore Romano<\/div>\n<div class=\"title__separator\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div class=\"article__text \">\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Andrea Monda e Roberto Cetera<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jean-Claude Hollerich, 64 anos, cardeal arcebispo de Luxemburgo, \u00e9 presidente da Comiss\u00e3o das Confer\u00eancias Episcopais da Comunidade Europeia e vice-presidente do Conselho das Confer\u00eancias Episcopais da Europa, bem como Relator-geral para o S\u00ednodo sobre a Sinodalidade.\u00a0Com a abertura da fase continental do S\u00ednodo sobre a Sinodalidade, aceitou de bom grado a oportunidade de conversar com L\u2019Osservatore Romano sobre o andamento da mais difusa consulta da hist\u00f3ria da Igreja na Europa, e sobre os seus conte\u00fados.\u00a0Encontramo-nos com ele na igreja paroquial em Roma da qual \u00e9 titular, enquanto se entret\u00e9m como um \u201cbom p\u00e1roco\u201d com as crian\u00e7as da primeira comunh\u00e3o. \u00abA igreja n\u00e3o \u00e9 este edif\u00edcio &#8211; explica-lhes &#8211; igreja significa assembleia. A Igreja sois v\u00f3s. Porque, como diz o Papa Francisco, sem os jovens n\u00e3o h\u00e1 igreja, pois Deus \u00e9 jovem\u00bb.\u00a0 Depois, caminha na nossa dire\u00e7\u00e3o e diz: \u00abEstou realmente feliz por ser titular, n\u00e3o de uma das bonitas igrejas do centro hist\u00f3rico, mas desta par\u00f3quia de periferia; quando aqui venho redescubro a alegria de ser sacerdote no meio do povo\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><i>No m\u00eas passado, o cardeal Zuppi concedeu-nos uma longa entrevista sobre o S\u00ednodo da Igreja Italiana, na qual, com muita honestidade, n\u00e3o escondeu o facto de a participa\u00e7\u00e3o ter sido inferior ao esperado, tanto em quantidade como em qualidade. Qual \u00e9 a sua vis\u00e3o sobre a atua\u00e7\u00e3o do S\u00ednodo no panorama europeu?\u00a0<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sim, li aquela entrevista com grande interesse. Com igual honestidade, parece-me que as observa\u00e7\u00f5es de Zuppi podem tamb\u00e9m se aplicar a outros pa\u00edses europeus, embora com as necess\u00e1rias distin\u00e7\u00f5es entre um pa\u00eds e outro. Vedes, acredito que na Europa de hoje estamos a sofrer de uma patologia, isto \u00e9, n\u00e3o conseguimos enxergar claramente qual \u00e9 a miss\u00e3o da Igreja.\u00a0 Falamos sempre de estruturas, o que certamente n\u00e3o \u00e9 um mal, porque as estruturas s\u00e3o importantes e certamente precisam de ser repensadas.\u00a0 Mas n\u00e3o se fala o suficiente sobre a miss\u00e3o da Igreja. Que \u00e9 anunciar o Evangelho. Anunciar, e sobretudo testemunhar, a morte e a ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus o Cristo. Um testemunhar que o crist\u00e3o deve interpretar principalmente atrav\u00e9s do seu compromisso no mundo para a salvaguarda da cria\u00e7\u00e3o, para a justi\u00e7a, para a paz.\u00a0 O ensinamento do Papa Francisco \u00e9 tudo e nada mais do que a explica\u00e7\u00e3o do Evangelho. N\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil de compreender isto. No mundo secularizado de hoje, o an\u00fancio direto nem sempre \u00e9 compreendido, mas o nosso testemunho sim.\u00a0 Somos observados e avaliados no mundo pela forma como vivemos o Evangelho. \u00c9 um pouco como os professores na escola: \u00e9 certamente importante o que eles dizem, mas ainda mais importante \u00e9 o que eles comunicam sobre si. No nosso caso, o que importa \u00e9 a coer\u00eancia com o Evangelho. Tomemos por exemplo a enc\u00edclica\u00a0<i>Laudato si\u2019<\/i>.\u00a0 Muitos leram-na, inclusive entre os n\u00e3o-crentes, e entre quantos \u00a0n\u00e3o conhecem o Evangelho. E todos aqueles que a leram partilharam o seu valor, a sua import\u00e2ncia, a sua urg\u00eancia. Constatei isto diretamente nos meus contactos di\u00e1rios com pol\u00edticos do parlamento\u00a0 e da comiss\u00e3o europeia em Bruxelas. Todos leram, portanto,\u00a0<i>Laudato si\u2019<\/i>, e admiram-na.\u00a0 E o mesmo se aplica a\u00a0<i>Fratelli tutti<\/i>.\u00a0 Ou seja, todos reconhecem a Papa Francisco a paternidade da proposta de um novo humanismo. Que muitas vezes prop\u00f5e em solid\u00e3o entre os grandes l\u00edderes mundiais.\u00a0 Mas depois cabe a n\u00f3s explicar que o humanismo de Francisco n\u00e3o \u00e9 apenas uma proposta pol\u00edtica, mas uma proclama\u00e7\u00e3o do Evangelho. Quem est\u00e1 fora da Igreja por vezes compreendem melhor o Evangelho do que os que est\u00e3o dentro dela.\u00a0 O Papa Francisco indicou assim esta forma de proclamar o Evangelho, que parte da realidade, aquela realidade que nos v\u00ea a todos como criaturas e filhos do mesmo Pai. Mas para responder \u00e0 vossa pergunta inicial: em todos os pa\u00edses europeus nos s\u00ednodos falou-se muito de comunh\u00e3o, de participa\u00e7\u00e3o, mas muito pouco de miss\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><i>Certamente as dificuldades verificadas nos s\u00ednodos dos v\u00e1rios pa\u00edses foram influenciadas por uma certa defesa instintiva do pr\u00f3prio status por parte do clero e por outro lado por uma \u00a0atitude persistente de delega\u00e7\u00e3o dos leigos<\/i>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O conceito de sinodalidade foi introduzido pelo Papa Paulo vi como um requisito de colegialidade, de comunh\u00e3o entre os bispos.\u00a0 O Conc\u00edlio Vaticano ii tinha a necessidade preliminar de completar o que tinha ficado por acabar com o Conc\u00edlio Vaticano i, cujo foco estava inteiramente na figura e nas prerrogativas do pont\u00edfice romano. Assim, o esfor\u00e7o da assembleia foi, antes de mais, definir o papel do bispo. Mas a\u00a0<i>Lumen gentium<\/i>\u00a0introduziu pela primeira vez o conceito de \u201cpovo de Deus a caminho\u201d e da Igreja como \u201ctemplo do Esp\u00edrito Santo\u201d, e tornou expl\u00edcito o \u201csacerd\u00f3cio universal\u201d que diz respeito a todos os batizados.\u00a0\u00a0 Ent\u00e3o penso que estas intui\u00e7\u00f5es gigantescas dos padres conciliares ainda n\u00e3o foram suficientemente desenvolvidas.\u00a0 Mas concordo plenamente com o Papa Francisco quando diz que s\u00e3o necess\u00e1rios cem anos para implementar um conc\u00edlio. Passaram apenas 60&#8230; n\u00e3o estamos atrasados (<i>diz isto com uma risada de cora\u00e7\u00e3o ndr<\/i>)!\u00a0 Mas, brincadeiras \u00e0 parte, devemos estar cientes de que o sacerd\u00f3cio batismal nada tira ao sacerd\u00f3cio ministerial. Pelo contr\u00e1rio, todos n\u00f3s sacerdotes devemos compreender que n\u00e3o h\u00e1 sacerd\u00f3cio ministerial sem um sacerd\u00f3cio universal dos crist\u00e3os, pois dele tem origem.\u00a0\u00a0 Estou bem ciente de que a dificuldade de assimilar um conceito, no fundo t\u00e3o elementar, \u00e9 impedida por uma forma\u00e7\u00e3o sacerdotal que ainda se mant\u00e9m sobre uma \u00abdiversidade ontol\u00f3gica\u00bb que n\u00e3o existe. Os te\u00f3logos devem come\u00e7ar a trabalhar sobre isto e fornecer defini\u00e7\u00f5es mais certas em torno do tema do car\u00e1ter e da gra\u00e7a sacramental. Mas sobretudo, os bispos devem colocar as m\u00e3os a s\u00e9rio e profundamente na forma\u00e7\u00e3o dos futuros sacerdotes.\u00a0 Ainda hoje temos semin\u00e1rios que defino \u00abtridentinos liberalizados\u00bb.\u00a0 N\u00e3o devemos dar mais passos rumo \u00e0 \u00abliberalidade\u00bb, mas empreender o caminho da \u00abradicalidade\u00bb.\u00a0 A forma\u00e7\u00e3o deve consistir em ser capaz de viver hoje o Evangelho de uma forma radical.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m neste aspeto, olhemos para o Papa Francisco: na Europa ouvimos muitas vezes que Francisco \u00e9 um Papa liberal.\u00a0 O Papa Francisco n\u00e3o \u00e9 liberal:\u00a0 \u00e9 radical.\u00a0 Ele vive a radicalidade do Evangelho. \u00c9 o paradigma integral n\u00e3o s\u00f3 da sua miss\u00e3o, mas da sua vida, porque interiorizou a radicalidade do Evangelho.\u00a0 Pensai na sua radicalidade na miseric\u00f3rdia, e tamb\u00e9m na proclama\u00e7\u00e3o do Reino de Deus.\u00a0 Vedes, n\u00e3o se pode manter um jovem separado do mundo, numa vida de tipo mon\u00e1stico durante seis anos e depois queixar-se que ele acaba por pressupor uma pr\u00f3pria diversidade.\u00a0\u00a0 Tamb\u00e9m neste caso n\u00e3o \u00e9 um problema &#8211; repito &#8211; de estruturas, mas, de miss\u00e3o. Precisamos de compreender, ou melhor, de recompreender, o que significa ser pastores hoje.\u00a0 Assim como todos nos devemos perguntar o que significa ser crist\u00e3os hoje.\u00a0\u00a0 Esta \u00e9 a quest\u00e3o.\u00a0 E esta pergunta \u00e9 tamb\u00e9m a marca deste pontificado: aceitar a inadequa\u00e7\u00e3o de uma pastoral filha de \u00e9pocas j\u00e1 passadas e repensar a miss\u00e3o. Uma escolha que tem dif\u00edceis e corajosas implica\u00e7\u00f5es teol\u00f3gicas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><i>E a atitude de delega\u00e7\u00e3o dos leigos?<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acho que, tanto devido aos resultados deste S\u00ednodo como \u00e0 redu\u00e7\u00e3o das voca\u00e7\u00f5es, o equil\u00edbrio entre leigos e clero ser\u00e1 muito diferente no futuro do que o atual.\u00a0 No entanto, existe um obst\u00e1culo ao desenvolvimento de um di\u00e1logo construtivo que deve ser removido primeiro. Refiro-me ao facto de que o confronto gira frequentemente apenas em volta do tema do \u00abpoder\u00bb.\u00a0 O s\u00ednodo alem\u00e3o, por exemplo, \u00e9 muito influenciado por este t\u00f3pico.\u00a0\u00a0 Penso que limitar o confronto intra-eclesial \u00e0 quest\u00e3o do poder \u00e9 profundamente errado. Tanto da parte daqueles que \u00abcontestam\u00bb o poder, como da parte de quantos \u00abdefendem\u00bb o poder.\u00a0 A sinodalidade vai muito al\u00e9m do discurso sobre o poder.\u00a0 Se as pessoas perceberem a autoridade do bispo ou p\u00e1roco como \u00abpoder\u00bb, bem, ent\u00e3o temos um problema. Pois somos ordenados para um minist\u00e9rio, para um servi\u00e7o.\u00a0 Autoridade n\u00e3o \u00e9 poder.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><i>Vossa Emin\u00eancia fala de uma inadequa\u00e7\u00e3o da pastoral em rela\u00e7\u00e3o aos tempos. Por qu\u00ea? Em que tempos vivemos?<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 muito interessante o que Zuppi diz na entrevista concedida a v\u00f3s, quando tratais o tema da mudan\u00e7a antropol\u00f3gica.\u00a0\u00a0 E concordo com ele que este \u00e9 o tema que mais precisa de nos interpelar.\u00a0 Vedes, a minha gera\u00e7\u00e3o j\u00e1 experimentou e est\u00e1 a experimentar mudan\u00e7as que nenhuma gera\u00e7\u00e3o experimentou antes. Eu diria que as maiores desde a inven\u00e7\u00e3o da roda. Com a diferen\u00e7a de que hoje tudo muda com uma velocidade inaudita h\u00e1 apenas algumas d\u00e9cadas.\u00a0 \u00c9 impressionante como, por exemplo, um rapaz de 15 anos j\u00e1 \u00e9 radicalmente diferente de um rapaz de 20. Hoje nem sequer o podemos imaginar, mas haver\u00e1 transforma\u00e7\u00f5es antropol\u00f3gicas muito grandes. Sabendo que o homem s\u00f3 pode influenciar parcialmente a pr\u00f3pria evolu\u00e7\u00e3o. A quest\u00e3o que levantastes, e que precisa de ser mais desenvolvida, \u00e9 que n\u00e3o estamos a falar de antropologia cultural, mas de mudan\u00e7as que tamb\u00e9m dizem respeito \u00e0 esfera biol\u00f3gica, natural.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><i>E portanto tamb\u00e9m a pastoral deveria dar-se conta&#8230;<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o quero parecer\u00a0<i>tranchant<\/i>, mas com muita franqueza, a nossa pastoral \u00a0fala a um homem que j\u00e1 n\u00e3o existe. Devemos ser capazes de proclamar o Evangelho, e fazer compreender o Evangelho, ao homem de hoje que, na sua maioria, o ignora. Isto implica uma grande abertura da nossa parte, e tamb\u00e9m uma disponibilidade &#8211; embora firmes no Evangelho &#8211; para nos deixarmos transformar tamb\u00e9m n\u00f3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><i>Quando falamos de mudan\u00e7as antropol\u00f3gicas, o pensamento corre em primeiro lugar para o da rela\u00e7\u00e3o homem-mulher. A maior mudan\u00e7a. J\u00e1 Paulo vi tinha-a prefigurada.<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sim.\u00a0<i>Humanae Vitae<\/i>\u00a0\u00e9 um texto maravilhoso. \u00c9 realmente uma pena que s\u00f3 tenha ficado na hist\u00f3ria por causa do julgamento sobre os contracetivos. Pensai por exemplo na ideia que prop\u00f5e do amor esponsal como uma imagem do Deus Trino. Quando ensinei no Jap\u00e3o sobre estes temas, desenhava um tri\u00e2ngulo explicativo cujos v\u00e9rtices eram:\u00a0 sexualidade,\u00a0 dom da vida e\u00a0 amor esponsal.\u00a0 Hoje, as coisas no mundo mudaram radicalmente. Antes, a sexualidade e o dom da vida eram separados, e agora tamb\u00e9m sexualidade e\u00a0 afetividade. Muitos jovens vivem a sexualidade de uma forma totalmente separada da afetividade. E n\u00e3o inventaram isto sozinhos, mas aprenderam-no com o mundo adulto. O matrim\u00f3nio &#8211; n\u00e3o apenas o\u00a0 sacramental &#8211; \u00e9 uma pr\u00e1tica que caiu em desuso em grande parte da Europa. E o mesmo se aplica \u00e0 transmiss\u00e3o da heran\u00e7a; as pessoas na Europa podem agora viver sem a heran\u00e7a cultural dos pais. Cada gera\u00e7\u00e3o \u00e9 praticamente um novo come\u00e7o. E o distanciamento nas idades dado por uma popula\u00e7\u00e3o cada vez mais idosa dificulta ainda mais esta transmiss\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><i>Cardeal Hollerich, permanecendo neste argumento, h\u00e1 a quest\u00e3o da adapta\u00e7\u00e3o da pastoral a estas mudan\u00e7as antropol\u00f3gicas<\/i>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Certamente. E \u00e9 precisamente a necessidade pastoral que tem suscitado uma reflex\u00e3o sobre\u00a0\u00a0 o tema dos g\u00e9neros que \u00a0suscitou algumas cr\u00edticas. H\u00e1 uma suposi\u00e7\u00e3o que me inspirou.\u00a0 Procuro, por quanto me \u00e9 poss\u00edvel nas dificuldades do meu papel, manter uma rela\u00e7\u00e3o pessoal viva com os jovens. Porque antes de ser cardeal sou um sacerdote; um pastor.\u00a0 E vejo constantemente que os jovens deixam de considerar o Evangelho, se tiverem a impress\u00e3o de que estamos a discriminar. Para os jovens de hoje, o valor mais elevado \u00e9 a n\u00e3o discrimina\u00e7\u00e3o. N\u00e3o s\u00f3 a do g\u00e9nero, mas tamb\u00e9m \u00e9tnica, de proveni\u00eancia, de classe social. Sobre a discrimina\u00e7\u00e3o zangam-se mesmo! H\u00e1 algumas semanas conheci uma jovem de vinte anos que me disse: \u00abQuero deixar a Igreja, porque ela n\u00e3o acolhe casais homossexuais\u00bb, e eu perguntei-lhe: \u00abSentes-te discriminada porque \u00e9s homossexual?\u00bb e ela respondeu: \u00abN\u00e3o, n\u00e3o! N\u00e3o sou l\u00e9sbica, mas a minha melhor amiga \u00e9. Conhe\u00e7o o seu sofrimento, e n\u00e3o quero fazer parte daqueles que a julgam\u00bb.\u00a0 Isto fez-me refletir muito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><i>Mas, cardeal, as igrejas protestantes que adotam uma abordagem mais liberal e aben\u00e7oam casais homossexuais, n\u00e3o parece que encontrem uma maior aprecia\u00e7\u00e3o entre os jovens&#8230;<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Claro que n\u00e3o.\u00a0 Porque isso n\u00e3o \u00e9 suficiente.\u00a0 Precisamos de uma mudan\u00e7a de paradigma cultural mais profunda, e de uma convers\u00e3o de esp\u00edrito. N\u00e3o se trata de um problema de direito can\u00f3nico, normas ou estruturas.\u00a0\u00a0 Foi o que o Papa disse \u00e0 Igreja alem\u00e3. \u00abEstai atentos a n\u00e3o come\u00e7ar pelas estruturas; come\u00e7ai antes pela vida do povo de Deus, pela miss\u00e3o, pela evangeliza\u00e7\u00e3o\u00bb.\u00a0 Anunciar o Evangelho hoje significa proclamar a alegria da vida em Deus, encontrar o sentido da vida em Jesus Cristo. O que n\u00e3o \u00e9 uma frase feita, porque devemos ser capazes de comunicar que viver no seguimento de Cristo significa viver bem, significa desfrutar a vida. Somos chamados a anunciar uma boa not\u00edcia, n\u00e3o um conjunto de normas ou proibi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><i>Onde a boa not\u00edcia \u00e9 o kerigma original&#8230;<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sim, \u00e9 claro.\u00a0 Vedes a p\u00f3s-modernidade, tal como o racionalismo que a precedeu, debate contra um limite insuper\u00e1vel.\u00a0 Que \u00e9 a perce\u00e7\u00e3o angustiante da finitude humana. Quanto mais cresce a capacidade intelectual e cognitiva do homem, mais resulta \u00a0evidente a sua incapacidade de responder \u00e0 pergunta que o acompanha &#8211; racional mas tamb\u00e9m inconscientemente \u2013 por toda a sua exist\u00eancia: \u00abpor que a vida acaba?\u00bb, \u00abpor que este meu \u201ceu\u201d, que ningu\u00e9m mais conhece na sua profundidade, est\u00e1 destinado a morrer?\u00bb. O movimento astuto da civiliza\u00e7\u00e3o de consumo na qual vivemos \u00e9 esconder e exorcizar a quest\u00e3o, com o engano do mito da eterna juventude. Assim, a \u00abnova evangeliza\u00e7\u00e3o\u00bb hoje \u00e9 mostrar uma h\u00f3stia elevada dizendo \u00abquem como deste p\u00e3o nunca morre\u00bb.\u00a0 Uma \u00e9tica do amor &#8211; e da miseric\u00f3rdia &#8211; \u00e9 portanto suced\u00e2nea \u00e0 revela\u00e7\u00e3o que \u00abj\u00e1 n\u00e3o se morre\u00bb.\u00a0\u00a0 Devemos gritar nas pra\u00e7as e\u00a0 dos terra\u00e7os \u00abj\u00e1 n\u00e3o se morre\u00bb! E se n\u00e3o o gritarmos, limitando-nos a propor uma \u00e9tica do bom viver, n\u00e3o podemos ent\u00e3o queixar-nos de que j\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 crentes!\u00a0 Acreditar na vida eterna, no entanto, significa acreditar que a vida eterna j\u00e1 est\u00e1 aqui, agora.\u00a0 E que como tal deve ser vivida, e desfrutada. Estou muito assustado neste sentido por uma crescente conce\u00e7\u00e3o\u00a0<i>funcionalista<\/i>\u00a0da vida, pela qual, se n\u00e3o funcionar, deita-se fora. Fiquei aterrorizado ao ver nos Pa\u00edses Baixos a extens\u00e3o da pr\u00e1tica da eutan\u00e1sia at\u00e9 aos doentes psicol\u00f3gicos.\u00a0 Isto tamb\u00e9m \u00e9 o resultado da ideologia consumista penetrante: antes, se a\u00a0 televis\u00e3o se avariasse, levava-a ao reparador, e os\u00a0 sapatos ao sapateiro; hoje deitamos-os fora. E querem fazer o mesmo com a vida, se esta n\u00e3o \u00abfuncionar\u00bb, se se tornar um fardo para a sociedade, deitam-no fora.\u00a0 O mesmo se aplica ao in\u00edcio da vida: preocupa-me ouvir no Parlamento Europeu aqueles que invocam a atribui\u00e7\u00e3o do status de direito \u00ab\u201dfundamental\u201d ao aborto, porque se \u00e9 um direito fundamental ent\u00e3o \u00e9 um direito absoluto e por isso j\u00e1 n\u00e3o admite uma recusa de consci\u00eancia.\u00a0\u00a0 Isto tamb\u00e9m \u00e9 absurdo.\u00a0 Lembremo-nos sempre que a vida, mesmo que limitada, \u00e9 bela\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><i>Assim, come\u00e7ar de novo a partir de um t\u00famulo vazio numa manh\u00e3 de Domingo de Primavera em Jerusal\u00e9m.<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Claro que sim. Essa \u00e9 a boa not\u00edcia! E quero acrescentar: todos s\u00e3o chamados a isso. Ningu\u00e9m exclu\u00eddo: tamb\u00e9m os divorciados casados de novo, os homossexuais, todos. O Reino de Deus n\u00e3o \u00e9 um clube exclusivo. Abre as suas portas a todos, sem discrimina\u00e7\u00e3o. A todos!\u00a0 Por vezes h\u00e1 debates na Igreja sobre a acessibilidade destes grupos ao Reino de Deus. E isto cria uma perce\u00e7\u00e3o de exclus\u00e3o entre alguns do povo de Deus. Eles sentem-se exclu\u00eddos e isto n\u00e3o \u00e9 correto! N\u00e3o se trata de sutilezas teol\u00f3gicas ou disserta\u00e7\u00f5es \u00e9ticas: aqui \u00e9 simplesmente uma quest\u00e3o de afirmar que a mensagem de Cristo \u00e9 para todos!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><i>No entanto, existe objetivamente um problema teol\u00f3gico. O senhor mesmo j\u00e1 o referiu em entrevistas anteriores, apelando a um repensamento da doutrina.<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0O Papa Francisco recorda frequentemente a necessidade de a teologia se originar e desenvolver a partir da experi\u00eancia humana, e n\u00e3o continuar a ser fruto apenas da elabora\u00e7\u00e3o acad\u00e9mica. Muitos dos nossos irm\u00e3os e irm\u00e3s dizem-nos que seja qual for a origem e causa da sua orienta\u00e7\u00e3o sexual, certamente n\u00e3o a escolheram. N\u00e3o s\u00e3o \u00abma\u00e7\u00e3s estragadas\u00bb. S\u00e3o tamb\u00e9m fruto da cria\u00e7\u00e3o. E em Bereshit lemos que em cada passo da cria\u00e7\u00e3o Deus est\u00e1 satisfeito com a sua obra, dizendo \u00ab&#8230;e viu que era coisa boa\u00bb. Dito isto, quero ser claro: n\u00e3o penso que haja espa\u00e7o para um matrim\u00f3nio sacramental entre pessoas do mesmo sexo, porque n\u00e3o h\u00e1 uma finalidade procriadora que o caraterize, mas isso n\u00e3o significa que a\u00a0 rela\u00e7\u00e3o afetiva n\u00e3o tenha valor algum.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><i>No entanto, os bispos belgas pronunciaram-se a favor da possibilidade de aben\u00e7oar estas uni\u00f5es.<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Francamente, a quest\u00e3o n\u00e3o me parece decisiva. Se nos cingirmos \u00e0 etimologia do \u201cbem-dizer\u201d, pensai \u00a0que Deus poderia alguma vez \u201cdizer-mal\u201d de duas pessoas que se amam? Eu estaria mais interessado em discutir outros aspetos do problema. Por exemplo: o que est\u00e1 a impulsionar o vistoso crescimento da orienta\u00e7\u00e3o homossexual na sociedade? Ou por que a percentagem de homossexuais nas institui\u00e7\u00f5es eclesi\u00e1sticas \u00e9 mais elevada do que na sociedade civil?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><i>Cardeal Hollerich, Vossa Emin\u00eancia \u00e9 o presidente da Comiss\u00e3o das Confer\u00eancias Episcopais da Comunidade Europeia. Estamos a viver um momento dram\u00e1tico. Ap\u00f3s quase 80 anos, a guerra voltou a aparecer na Europa. Por incr\u00edvel que pare\u00e7a, a amea\u00e7a nuclear nunca como antes de hoje se tornou atual.\u00a0 Perante isto, a presen\u00e7a ativa da Europa pol\u00edtica promotora eficaz de paz parece fraca, d\u00e9bil, n\u00e3o escutada.<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Temos de fazer a paz. Promover a paz entre as na\u00e7\u00f5es \u00e9 como fazer a paz entre homens: deve haver sempre um compromisso entre as respetivas raz\u00f5es presumidas. Todos devem procurar identificar-se com as raz\u00f5es dos outros, mesmo que n\u00e3o as partilhem. E a partir da\u00ed, encontrar um compromisso.\u00a0 Caso contr\u00e1rio, podemos ter uma tr\u00e9gua do conflito armado, mas n\u00e3o uma verdadeira paz.\u00a0 A hist\u00f3ria ensina-nos que os conflitos latentes mais cedo ou mais tarde explodem em guerras.\u00a0 Este tamb\u00e9m era um conflito que se arrastava h\u00e1 muito tempo, mas ningu\u00e9m queria realmente trabalhar pela paz. Dito isto, confirmo o que dizeis: a Europa pol\u00edtica \u00e9 muito fraca.\u00a0 \u00c9 assim porque a prioridade pol\u00edtica da Europa \u00e9 manter os seus pa\u00edses constituintes, que s\u00e3o muito diferentes uns dos outros, unidos \u00e0s suas institui\u00e7\u00f5es, especialmente ap\u00f3s o alargamento a 27.\u00a0\u00a0 Claro que, concentrando-se mais na din\u00e2mica interna, enfraquece a sua proje\u00e7\u00e3o externa, o seu protagonismo pol\u00edtico.\u00a0 Mas os l\u00edderes europeus devem compreender que o equil\u00edbrio n\u00e3o \u00e9 alcan\u00e7ado ad intra, mas ad extra, atrav\u00e9s de pol\u00edticas de confronta\u00e7\u00e3o e proposta original com outras pot\u00eancias.\u00a0 E isto constitui hoje um grave\u00a0<i>vulnus<\/i>\u00a0nos equil\u00edbrios mundiais porque a Europa tem a inspira\u00e7\u00e3o para a paz no seu adn. Acho que tamb\u00e9m as for\u00e7as que se \u00a0inspiram no popularismo devem comprometer-se a redefinir a sua identidade. Atualmente, o l\u00e9xico europeu comum \u201cpopular\u201d \u00e9 identificado com \u201cconservador\u201d, e isto n\u00e3o \u00e9 bom. Portanto, \u00e9 necess\u00e1rio especificar \u201cpopular\u201d na tradi\u00e7\u00e3o dos democratas-crist\u00e3os, que tanto significado tiveram em muitos pa\u00edses europeus. Ou seja, recuperar esse perfil \u201csocial\u201d dos populares que o liberalismo de certo modo obscureceu. Tamb\u00e9m porque o popularismo \u00e9 o \u00fanico ant\u00eddoto s\u00e9rio para o populismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><i>Mas o populismo parece ainda estar a aumentar em muitos pa\u00edses europeus.<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Onde o populismo ganha, enfrenta o desafio do governo. O problema com o populismo \u00e9 que ele fornece respostas simplificadas \u00e0s quest\u00f5es cada vez mais complicadas colocadas pelo mundo de hoje.\u00a0 Pensai, por exemplo, nas receitas soberanistas propostas a um mundo que, ao contr\u00e1rio, est\u00e1 cada vez mais inextricavelmente ligado.\u00a0 Preocupo-me com o que poder\u00e1 acontecer caso os populistas falhem o desafio do governo.\u00a0 Iriam culpar irrevogavelmente outras pessoas: migrantes, refugiados, Bruxelas. Exacerbando ainda mais as tens\u00f5es sociais. E n\u00e3o h\u00e1 absolutamente necessidade disso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><i>Mas acredita que as derivas autorit\u00e1rias, ou como se diz hoje em dia, autocratas, ainda podem ter lugar na Europa?<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o sei. Espero que n\u00e3o. Mas acredito que todos devemos come\u00e7ar a pensar sobre as condi\u00e7\u00f5es da democracia. Pensamos at\u00e9 agora que a democracia era a \u00fanica forma pol\u00edtica poss\u00edvel no Ocidente. Mas at\u00e9 no Ocidente podemos sentir alguns rangidos. Temos de pensar no que significa ser um pa\u00eds democr\u00e1tico, um continente democr\u00e1tico, hoje. Espera-nos um inverno rigoroso, no qual muitos sofrer\u00e3o de frio, pobreza, desemprego: ser\u00e1 um teste \u00e0 resili\u00eancia da democracia.\u00a0 At\u00e9 agora a democracia era sustentada atrav\u00e9s do bem-estar da maioria, hoje isso n\u00e3o \u00e9 suficiente. \u00c9 f\u00e1cil ser amigos e democratas no rico almo\u00e7o de domingo, mais complicado no dia do jejum.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><i>Uma \u00faltima quest\u00e3o. Como imagina a Igreja na Europa daqui a 20 anos?<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ser\u00e1 muito menor. A maioria dos europeus n\u00e3o conhecer\u00e1 Deus nem o seu Evangelho. Menor, mas tamb\u00e9m mais viva. Creio que esta redu\u00e7\u00e3o em n\u00fameros \u00e9, no plano de Deus, necess\u00e1ria para ganhar um novo impulso. Nalgumas partes do norte da Europa ser\u00e1 predominantemente uma igreja de migrantes; os ricos aut\u00f3ctones \u00a0s\u00e3o os primeiros a abandonar o barco, porque o Evangelho choca com os seus interesses. O \u00a0desejo do Papa Francisco \u00e9 este: uma igreja pobre, uma igreja viva.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entrevista com o Cardeal Jean-Claude Hollerich\u00a0 (Roger Nilles, www.cathol.lu) &#8220;Em algumas partes do norte da Europa ser\u00e1 predominantemente uma Igreja de migrantes; os ricos aut\u00f3ctones s\u00e3o os primeiros a abandonar o barco, porque o Evangelho choca com os seus interesses. O desejo do Papa Francisco \u00e9 este: uma igreja pobre, uma igreja viva&#8221;. 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