{"id":76746,"date":"2022-10-24T10:33:00","date_gmt":"2022-10-24T13:33:00","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=76746"},"modified":"2022-10-24T12:35:45","modified_gmt":"2022-10-24T15:35:45","slug":"de-volta-ao-paraiso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/de-volta-ao-paraiso\/","title":{"rendered":"\u201cDe volta ao para\u00edso\u201d"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"subtitle\" style=\"text-align: justify;\">Voc\u00ea sabe o que s\u00e3o os apoftegmas?<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta obra das Edi\u00e7\u00f5es Subiaco e Lumen Christi, em coedi\u00e7\u00e3o, publicada em dois alentados volumes \u2013 o\u00a0<em>I<\/em>\u00a0em 2019 e o\u00a0<em>II<\/em>\u00a0em 2022 \u2013, traz, em ordem alfab\u00e9tica, o que o pr\u00f3prio subt\u00edtulo sugere: \u201ca vida dos Padres do Deserto e seus Apoftegmas\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ela \u00e9, na verdade, a segunda edi\u00e7\u00e3o revista e ampliada de<em>\u00a0Apoftegmas: a sabedoria dos antigos monges<\/em>\u00a0lan\u00e7ada, em 1979, pelas Edi\u00e7\u00f5es Lumen Christi, tendo Dom Est\u00eav\u00e3o Bettencourt, OSB, por tradutor do grego. H\u00e1 tempos esgotada, eis que, agora, reaparece, com duas excelentes novidades: a longa e oportuna introdu\u00e7\u00e3o (cf. p. 11-115 no volume I) e as notas, ambas elaborada por Dom Justino de Almeida Bueno, OSB. Ele tamb\u00e9m retocou alguns pontos traduzidos por seu confrade e lhe acrescentou outros apoftegmas (cf. p. 107-108).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aqui, surge a grande quest\u00e3o: Que se entende por apoftegmas? \u2013 A resposta n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o simples. Com efeito, para designar as palavras dos Padres do Deserto s\u00e3o usados tr\u00eas termos gregos:\u00a0<em>logos<\/em>,\u00a0<em>logion<\/em>\u00a0e\u00a0<em>rh\u00eama<\/em>. As duas primeiras se referem sempre \u00e0 Palavra de Deus ou de Cristo, j\u00e1 a terceira (<em>rh\u00eama<\/em>) faz eco a\u00a0<em>dabar<\/em>, termo hebraico a significar, mais do que a mera palavra, uma coisa, um fato, um acontecimento. N\u00e3o \u00e9 algo morto, ou do passado, guardado na mem\u00f3ria, mas uma palavra viva e que, portanto, produz frutos no hoje da nossa exist\u00eancia. Desse modo, ao se \u201cchamar de\u00a0<em>rh\u00eama<\/em>\u00a0a palavra de um Padre do Deserto, quer-se ressaltar que n\u00e3o \u00e9 uma palavra vazia ou solta, mas uma palavra portadora de vida e eficaz, porque vem de Deus ou de um homem de Deus; que se torna fonte de vida para o disc\u00edpulo que a recebe com f\u00e9 e a coloca em pr\u00e1tica\u201d (p. 95). Da\u00ed se segue que \u201cenquanto\u00a0<em>rh\u00eama<\/em>\u00a0indica o car\u00e1ter pr\u00f3prio da palavra por seu conte\u00fado, apoftegma designa a forma liter\u00e1ria\u201d (<em>idem<\/em>).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mais: \u201cConforme era costume, na Antiguidade cl\u00e1ssica distinguia-se a senten\u00e7a (<em>gn\u00f4m\u00e9<\/em>), o apoftegma e o relato (<em>chreia<\/em>). Enquanto a senten\u00e7a podia ser colocada por escrito sem ter sido pronunciada, e no relato circunstanciado de um fato o principal n\u00e3o era a palavra, mas o pr\u00f3prio relato, no apoftegma, ao contr\u00e1rio, a palavra era o essencial porque estava em rela\u00e7\u00e3o com as circunst\u00e2ncias em que foi pronunciada e que esclarecem o seu sentido\u201d (<em>ibidem<\/em>).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De tudo isso, Dom Justino conclui ser melhor n\u00e3o tentar traduzir o termo apoftegma. Eis o seu interessante racioc\u00ednio: \u201cPoder\u00edamos traduzir a palavra apoftegma por \u2018dito breve\u2019 \u2013 \u2018senten\u00e7a, m\u00e1xima\u2019 \u2013 como Dom Est\u00eav\u00e3o Bettencourt fez na primeira edi\u00e7\u00e3o dessa cole\u00e7\u00e3o que estamos introduzindo. Por\u00e9m, n\u00e3o a substituir por uma tradu\u00e7\u00e3o deve-se ao fato de que perderia toda a for\u00e7a que o termo original tem para exprimir o que significam, no seu conjunto, as palavras dos Padres do Deserto\u201d (p. 96). Ainda: como a experi\u00eancia pessoal e religiosa dos Padres do Deserto \u00e9 pioneira na Igreja, \u201cas cole\u00e7\u00f5es de apoftegmas s\u00e3o o resultado bruto, ainda n\u00e3o sistematizado, dessas experi\u00eancias. Isso as torna uma documenta\u00e7\u00e3o \u00fanica que, apesar de sua heterogeneidade e das vicissitudes atravessadas para chegar at\u00e9 n\u00f3s, nos restitui, nas suas grandes linhas, a experi\u00eancia desses pioneiros do deserto\u201d (p. 98).<\/p>\n<div id=\"aleteia-welcome\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div class=\"nativo-inread\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Longe, por\u00e9m, de ser algo que se volta apenas para o al\u00e9m e se esquece do aqu\u00e9m, a rica espiritualidade dos Padres do Deserto leva em conta o ser humano no seu todo em suas peculiaridades pr\u00f3prias. Nas palavras de Paul Evidokimov, \u201ca ascese do deserto \u00e9 uma imensa psican\u00e1lise seguida de uma psicoss\u00edntese da alma humana universal\u201d (p. 113). Eis um exemplo de que o ser humano deve se sacrificar pelo Reino de Deus, mas sem menosprezar a pr\u00f3pria natureza humana carente de repouso, por exemplo: \u201c836. Siso\u00e9s 33. Narrava um dos Padres a respeito do abade Siso\u00e9s de Calamon que, desejando um dia vencer o sono, suspendeu-se acima do precip\u00edcio de Petra; um anjo, por\u00e9m, apareceu para desamarr\u00e1-lo e ordenar-lhe que n\u00e3o mais fizesse aquilo, e nem ensinasse os outros a faz\u00ea-lo\u201d (volume II, p. 187).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Possa, pois, esta obra encontrar o seu lugar no nosso conturbado s\u00e9culo XXI.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Voc\u00ea sabe o que s\u00e3o os apoftegmas? Esta obra das Edi\u00e7\u00f5es Subiaco e Lumen Christi, em coedi\u00e7\u00e3o, publicada em dois alentados volumes \u2013 o\u00a0I\u00a0em 2019 e o\u00a0II\u00a0em 2022 \u2013, traz, em ordem alfab\u00e9tica, o que o pr\u00f3prio subt\u00edtulo sugere: \u201ca vida dos Padres do Deserto e seus Apoftegmas\u201d. 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