{"id":76548,"date":"2022-10-17T12:40:59","date_gmt":"2022-10-17T15:40:59","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=76548"},"modified":"2022-10-17T12:40:59","modified_gmt":"2022-10-17T15:40:59","slug":"o-que-eu-vi-o-que-veremos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/o-que-eu-vi-o-que-veremos\/","title":{"rendered":"O QUE EU VI, O QUE VEREMOS"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A avia\u00e7\u00e3o ainda \u00e9 uma fa\u00e7anha emergente: pouco mais de cem anos de exist\u00eancia. O dia 23 de outubro de 1906 foi um marco. Nesta data, Santos Dumont fez o voo inaugural do primeiro aparelho mais pesado do que o ar. Uma odisseia de sessenta metros, ao redor do maior s\u00edmbolo da prepot\u00eancia humana da \u00e9poca, a torre Eiffel. De l\u00e1 para c\u00e1, muitas nuvens singraram nossos c\u00e9us, muitos voos al\u00e7aram a genialidade humana, a intrepidez de seus sonhos e ambi\u00e7\u00f5es. Pouco mais de cem anos sem que nossos voos e descobertas, a conquista da Lua e a sondagem das estrelas ainda n\u00e3o nos tenha revelado outras vidas nesse Universo. Os alegres e efusivos anos das grandes inven\u00e7\u00f5es, no in\u00edcio do s\u00e9culo passado, voaram c\u00e9leres com a sucess\u00e3o de novos inventos que transformaram o mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Assustado com o r\u00e1pido aprimoramento de sua obra, em fun\u00e7\u00e3o da primeira grande Guerra (1914\/18), Santos Dumont aposentou seu g\u00eanero criativo. Transferiu-se para Petr\u00f3polis, onde realizou seu \u00faltimo grande investimento, uma casa super futurista para a \u00e9poca, \u00e0 qual deu um nome pr\u00f3ximo \u00e0 realidade das f\u00e1bulas \u2013 a Encantada \u2013 e ali se isolou do mundo. Escreveu ent\u00e3o seu segundo livro, \u201cO que eu vi, o que n\u00f3s veremos\u201d. Nele fazia diversas sugest\u00f5es para o bom uso de seus inventos, mas n\u00e3o ocultava sua m\u00e1goa e decep\u00e7\u00e3o pelo uso militar que faziam do avi\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Pobre alma! Numa \u00faltima tentativa de recompor seus projetos, correu mundos e fundos divulgando apelos contra a \u201cfor\u00e7a a\u00e9rea\u201d que destru\u00eda vidas. Nessa luta, sentia-se uma \u201c\u00c1guia Solit\u00e1ria\u201d (nome do primeiro avi\u00e3o a atravessar o Atl\u00e2ntico), mas intensificava suas viagens usando seu prest\u00edgio para demover a alma humana de suas insanidades contra si pr\u00f3pria. Nada obteve. Ao contr\u00e1rio, viu desenvolver-se com voraz intensidade o aparelho que sonhara para diminuir dist\u00e2ncias entre os homens. N\u00e3o diminu\u00eda; aumentava em fun\u00e7\u00e3o da guerra, do mortic\u00ednio que proporcionava.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Inconformado, o \u201cPai da Avia\u00e7\u00e3o\u201d volta em definitivo para o Brasil. Prestam-lhe uma nova homenagem, com o voo inaugural do hidroplano Santos Dumont, tripulado por seis pessoas. Diante de seus olhos comovidos, o pequeno aparelho sobe vertiginosamente e desce em parafuso, sepultando-se em definitivo nas estranhas do mar. Profundamente deprimido, o grande inventor aceita como sua a culpa por essas e outras mortes que viriam com o uso do seu invento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Isso tudo n\u00e3o encerra a biografia desse grande brasileiro. Extremamente debilitado, o j\u00e1 velho construtor \u201cde sonhos\u201d isola-se numa praia paulista donde \u201couve falar\u201d da revolu\u00e7\u00e3o que amea\u00e7a a integridade brasileira (1932). N\u00e3o se conforma com tamanha insanidade entre compatriotas. No dia 23 de julho daquele ano v\u00ea avi\u00f5es militares cruzar o c\u00e9u anil de sua p\u00e1tria em dire\u00e7\u00e3o a um navio ocupado por brasileiros paulistas. Era o alvo de bombardeio daqueles avi\u00f5es! Desesperado, Santos Dumont se suicida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Paix\u00e3o, vida e morte desse her\u00f3i aqui est\u00e3o. O que ele viu, j\u00e1 o sabemos. O que veremos n\u00f3s? Toda e qualquer inven\u00e7\u00e3o humana tem sempre a m\u00e3o e a\u00e7\u00e3o divina, pois que dele provem nossa sabedoria. De nada nos serve toda ci\u00eancia, quando dela fazemos mal uso. Mec\u00e2nica ou imaginariamente, Santos Dumont nos ensinou: podemos voar, podemos sonhar. Mesmo com tantas diverg\u00eancias entre n\u00f3s, com tantos desarranjos dentro da nossa casa comum, podemos sonhar, podemos voar&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A avia\u00e7\u00e3o ainda \u00e9 uma fa\u00e7anha emergente: pouco mais de cem anos de exist\u00eancia. O dia 23 de outubro de 1906 foi um marco. Nesta data, Santos Dumont fez o voo inaugural do primeiro aparelho mais pesado do que o ar. Uma odisseia de sessenta metros, ao redor do maior s\u00edmbolo da prepot\u00eancia humana [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":17,"featured_media":55826,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-76548","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/76548","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/users\/17"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=76548"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/76548\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":76549,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/76548\/revisions\/76549"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media\/55826"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=76548"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=76548"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=76548"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}