{"id":76302,"date":"2022-10-03T09:38:45","date_gmt":"2022-10-03T12:38:45","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=76302"},"modified":"2022-10-03T15:39:37","modified_gmt":"2022-10-03T18:39:37","slug":"os-apostolos-desconhecidos-da-santa-face-de-tours","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/os-apostolos-desconhecidos-da-santa-face-de-tours\/","title":{"rendered":"Os ap\u00f3stolos desconhecidos da Santa Face de Tours"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"subtitle\" style=\"text-align: justify;\">A origem da linda devo\u00e7\u00e3o \u00e0 Santa Face de Jesus<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando pensamos na Santa Face, a imagem que espontaneamente nos vem \u00e0 mente \u00e9 a do Santo Sud\u00e1rio. Este n\u00e3o foi o caso at\u00e9 1898, quando a imagem da Santa Face foi impressa em um negativo fotogr\u00e1fico. Antes disso, ela era quase quase invis\u00edvel. At\u00e9 aquele momento, as medita\u00e7\u00f5es sobre os sofrimentos da Paix\u00e3o que desfiguraram o \u201cmais belo de todos os filhos dos homens\u201d baseavam-se em obras de arte e na \u00fanica rel\u00edquia que deveria revelar as caracter\u00edsticas do Salvador: a \u201cver\u00f4nica\u201d, \u201ca verdadeira imagem\u201d. Embora a hist\u00f3ria n\u00e3o apare\u00e7a nos Evangelhos como tal, est\u00e1 profundamente enraizada na tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3. Segundo ela, uma mulher piedosa de Jerusal\u00e9m, tomada por uma compaix\u00e3o indescrit\u00edvel enquanto o condenado passava, aproximou-se de Jesus e, desafiando os soldados, limpou gentilmente o seu rosto ferido. Para lhe agradecer pelo seu gesto, diz-se que o Salvador deixou a sua imagem no v\u00e9u da mulher compassiva desconhecida, chamada de Ver\u00f4nica e por vezes identificada com a mulher do publicano Zaqueu.<\/p>\n<div class=\"wp-block-aleteia-heading3\" style=\"text-align: justify;\">\n<h3>Mensagens do C\u00e9u<\/h3>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 quem desdenhe do fato de haver pelo menos tr\u00eas supostos v\u00e9us de Ver\u00f4nica preservados aqui e ali, um dos quais est\u00e1 em S\u00e3o Pedro em Roma e outro, perturbadoramente, em Manopelo, no sul de It\u00e1lia, o aut\u00eantico talvez, roubado de Roma pelo Condest\u00e1vel de Bourbon reinante durante o saque da cidade em 1527. Em qualquer caso, n\u00e3o importa, uma vez que estas representa\u00e7\u00f5es, verdadeiras ou falsas, da Santa Face, belas ou n\u00e3o de acordo com o talento daqueles que as copiaram e as espalharam por toda a cristandade, nunca tiveram outro papel sen\u00e3o o de fixar os olhos dos fi\u00e9is e incit\u00e1-los a meditar sobre o pre\u00e7o da sua reden\u00e7\u00e3o. Foi isto que o pr\u00f3prio Cristo disse no final dos anos 1830 a uma freira carmelita de Tours, Irm\u00e3 Marie de Saint-Pierre et de la Sainte Famille, Perrine \u00c9lu\u00e8re, nascida em Rennes, em 1816.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Irm\u00e3 Marie pertence a essas \u201calmas privilegiadas\u201d, das quais havia muitas no s\u00e9culo XIX, que receberam mensagens do C\u00e9u e foram respons\u00e1veis pela sua divulga\u00e7\u00e3o. Muitas destas revela\u00e7\u00f5es privadas foram agora esquecidas, porque o seu conte\u00fado n\u00e3o est\u00e1 em sintonia com os nossos tempos. Este \u00e9 o caso destas revela\u00e7\u00f5es. No entanto, s\u00e3o de ineg\u00e1vel import\u00e2ncia. Desde o final dos anos 1830, a humilde Irm\u00e3 Maria viu Cristo e a Sua M\u00e3e; eles falaram com ela. Como na Rue du Bac em Paris em 1830, e em La Salette em 1846, avisaram-na da gravidade da descristianiza\u00e7\u00e3o na Fran\u00e7a, dos pecados daqueles tempos, e da ira divina que ela provocava. O esp\u00edrito revolucion\u00e1rio, que tinha sido desencadeado no final do s\u00e9culo XVIII atrav\u00e9s da persegui\u00e7\u00e3o religiosa, ainda estava em a\u00e7\u00e3o, embora de uma forma mais insidiosa; as suas ideias tinham rastejado na sociedade e estavam a afast\u00e1-la de Deus e da sua Lei. Blasf\u00eamia, desrespeito, sacril\u00e9gio, profana\u00e7\u00e3o de coisas sagradas, abandono do preceito dominical s\u00e3o os seus aspectos mais vis\u00edveis, e tudo isto fere profundamente o Cora\u00e7\u00e3o divino.<\/p>\n<div class=\"wp-block-aleteia-heading3\" style=\"text-align: justify;\">\n<h3>Uma \u201cflecha dourada\u201d contra a blasf\u00eamia<\/h3>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">O aviso \u00e9 cl\u00e1ssico. Muitos padres n\u00e3o dizem mais nada ao seu rebanho todos os domingos. \u00c0 Irm\u00e3 Maria, no entanto, Cristo explica que Ele sofre sobretudo por ouvir as pessoas jurarem o Santo Nome de Deus em v\u00e3o. Alguns fazem-no sem medir a seriedade dos seus juramentos, outros, por outro lado, maliciosamente. Mas o Santo Nome do Senhor s\u00f3 pode ser pronunciado com rever\u00eancia. \u00c9 portanto necess\u00e1rio fazer uma repara\u00e7\u00e3o por todos aqueles que o ofendem. Para este fim, Jesus dita \u00e0 mulher carmelita uma breve ora\u00e7\u00e3o que descreve como \u201cuma espada\u201d ou \u201cuma flecha dourada\u201d, uma arma todo-poderosa contra a blasf\u00eamia do Santo Nome e a profana\u00e7\u00e3o do Domingo. Diz em poucas palavras:<\/p>\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>Que o Sant\u00edssimo, o mais sagrado, o mais ador\u00e1vel, o mais desconhecido, o mais inexprim\u00edvel Nome de Deus seja louvado, aben\u00e7oado, amado, adorado e glorificado para sempre no C\u00e9u, na terra e nos infernos por todas as criaturas vindas das m\u00e3os de Deus e pelo Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Nosso Senhor Jesus Cristo no Sant\u00edssimo Sacramento do Altar. Assim seja.<\/p><\/blockquote>\n<div id=\"aleteia-welcome\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">A jovem freira assegura-nos que a recita\u00e7\u00e3o piedosa desta ora\u00e7\u00e3o \u201cfar\u00e1 brotar do Sagrado Cora\u00e7\u00e3o torrentes de gra\u00e7a para os pecadores\u201d. Tamb\u00e9m ajudar\u00e1 a \u201climpar a lama\u201d que todas estas blasf\u00eamias lan\u00e7am sobre o rosto do Redentor, a Santa Face que a Irm\u00e3 Maria contempla com amor atrav\u00e9s de uma imagem bastante prec\u00e1ria do v\u00e9u de Ver\u00f4nica. Cristo encoraja-a, declarando: \u201cAqueles que contemplam a minha Face ferida na terra contemplar\u00e3o um dia a gl\u00f3ria e majestade com que ela est\u00e1 rodeada no C\u00e9u. Apesar de muitos obst\u00e1culos, a freira carmelita trabalhou para espalhar esta dupla devo\u00e7\u00e3o reparadora \u00e0 \u201cflecha dourada\u201d e \u00e0 Santa Face. Em 1847, um ano antes da sua morte (Julho de 1848), a Irm\u00e3 Marie conseguiu ter uma arquiconfraria e uma medalha da associa\u00e7\u00e3o reconhecida por Roma. Esta obra, recusada pelo Arcebispo de Tours, espalhou-se no entanto por toda a Fran\u00e7a, particularmente no Ocidente. A morte prematura da vidente poderia ter posto um fim \u00e0 hist\u00f3ria se outra figura do catolicismo em Tours n\u00e3o tivesse agido.<\/p>\n<div class=\"wp-block-aleteia-heading3\" style=\"text-align: justify;\">\n<h3>Um magistrado piedoso<\/h3>\n<\/div>\n<div class=\"nativo-inread\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">L\u00e9on Papin-Dupont, mais conhecido como \u201cMonsieur Dupont\u201d, mas que foi apelidado pelos seus vizinhos e posteridade de \u201co homem santo de Tours\u201d, era um personagem perturbador. Nascido a 24 de Novembro de 1797 em Lamentin, Martinica, numa fam\u00edlia de origem bret\u00e3, este muito piedoso magistrado deixou as Antilhas no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1830. Vi\u00favo de uma jovem esposa muito amada, pai de uma rapariga solteira em fr\u00e1gil sa\u00fade, o Sr. Dupont instalou-se em Tours e dedicou-se a boas obras. Homem pr\u00e1tico, juntou-se \u00e0 Sociedade de S\u00e3o Vicente de Paulo, de Fr\u00e9d\u00e9ric Ozanam, apoiou a instala\u00e7\u00e3o em Tours das Irm\u00e3zinhas dos Pobres de Jeanne Jugan, e trabalhou arduamente para obter a reconstru\u00e7\u00e3o da prestigiosa Bas\u00edlica de S\u00e3o Martinho, que tinha sido arrasada durante a Revolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma imagem da Santa Face foi ent\u00e3o instalada na sala de estar do Sr. Dupont. Por devo\u00e7\u00e3o, uma l\u00e2mpada de petr\u00f3leo foi colocada \u00e0 sua frente e amigos e familiares adquiriram o h\u00e1bito de se encontrarem para rezar diante dela em repara\u00e7\u00e3o pelas \u201cblasf\u00eamias, impreca\u00e7\u00f5es e profana\u00e7\u00f5es dos domingos\u201d.<\/p>\n<div id=\"article-desk-content-p6-ad_2022_10_03_os-apostolos-desconhecidos-da-santa-face-de-tours\" class=\"css-cfwtta\" style=\"text-align: justify;\" data-google-query-id=\"CLOfsLfaxPoCFQZPwQodWgwB1w\">\n<div id=\"google_ads_iframe_64500793\/PT_DESK_ARTICLE_WELCOME_1X1_0__container__\"><\/div>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi naquele contexto um tanto tenso que, em 1851, ele descobriu as mensagens de Cristo \u00e0 Irm\u00e3 Marie de Saint-Pierre e decidiu continuar \u00e0 sua pr\u00f3pria maneira o trabalho da Carmelita falecida.<\/p>\n<div class=\"wp-block-aleteia-heading3\" style=\"text-align: justify;\">\n<h3>Os milagres da Santa Face<\/h3>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pouco depois, uma jovem doente veio rezar perante a Santa Face. O Sr. Dupont teve a ideia \u2013 um h\u00e1bito comum \u2013 mesmo que o costume seja especialmente difundido nas regi\u00f5es mediterr\u00e2neas \u2013, de faz\u00ea-la aplicar um pouco de \u00f3leo da l\u00e2mpada no seu corpo doente. Num instante, ela estava curada. A not\u00edcia deste milagre espalhou-se. E muito rapidamente dezenas, depois centenas de peregrinos vieram a Tours. Houve muitos milagres.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Sr. Dupont morreu em 1876; a sua causa de beatifica\u00e7\u00e3o foi introduzida em Roma, mas n\u00e3o progrediu, por falta de um milagre, desde 1983, quando Jo\u00e3o Paulo II o reconheceu como vener\u00e1vel. O seu trabalho, agora confiado ao convento dominicano em Tours, que cuida da sua casa, que se tornou um orat\u00f3rio, j\u00e1 n\u00e3o tem a sua antiga reputa\u00e7\u00e3o. Mas \u00e9 necess\u00e1rio recordar as multid\u00f5es que encontraram diante da imagem do Crucificado algo para alimentar a sua f\u00e9. Entre eles, a fam\u00edlia Gu\u00e9rin. N\u00e3o foi por acaso que Santa Teresa tomou o nome completo de Teresa do Menino Jesus e da Santa Face quando entrou no convento das Carmelitas em Lisieux. Na d\u00e9cada de 1930, uma freira italiana, Maria Pierrina di Micheli, tamb\u00e9m contribuiu para a difus\u00e3o da devo\u00e7\u00e3o \u00e0 Santa Face, substituindo a Ver\u00f4nica pela imagem do Sud\u00e1rio de Turim. \u201cN\u00e3o sabeis que aquele que me v\u00ea, v\u00ea o meu Pai\u201d, disse Jesus ao ap\u00f3stolo Filipe. Como poder\u00edamos n\u00e3o contemplar a Santa Face e, atrav\u00e9s dela, toda a Trindade?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A origem da linda devo\u00e7\u00e3o \u00e0 Santa Face de Jesus Quando pensamos na Santa Face, a imagem que espontaneamente nos vem \u00e0 mente \u00e9 a do Santo Sud\u00e1rio. Este n\u00e3o foi o caso at\u00e9 1898, quando a imagem da Santa Face foi impressa em um negativo fotogr\u00e1fico. 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