{"id":76109,"date":"2022-09-26T08:42:05","date_gmt":"2022-09-26T11:42:05","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=76109"},"modified":"2022-09-26T12:42:59","modified_gmt":"2022-09-26T15:42:59","slug":"meu-nome-e-lazaro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/meu-nome-e-lazaro\/","title":{"rendered":"MEU NOME \u00c9 L\u00c1ZARO"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Interessante observar na par\u00e1bola do rico e o pobre, contada em Lucas, 16,10-31, que somente o pobre tem seu nome revelado, enquanto o rico permanece um ilustre desconhecido. \u00c9 a \u00fanica par\u00e1bola em que Jesus cita um nome. Interessante tamb\u00e9m \u00e9 a coincid\u00eancia do nome, o mesmo do amigo ressuscitado por Jesus, L\u00e1zaro, que etimologicamente tamb\u00e9m significa aquele que sofre de lepras, morf\u00e9tico&#8230;Mesmo assim, Jesus o dignifica, colocando-o num patamar capaz de fazer inveja aos mais afortunados dessa vida. Olhando para os dias atuais, a par\u00e1bola tem muito a nos ensinar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O conflito social \u00e9 latente. N\u00e3o exclui regime pol\u00edtico, nem religioso. Sequer na\u00e7\u00f5es poderosas ou mesmo subdesenvolvidas. As diferen\u00e7as de classes est\u00e3o em qualquer sociedade humana. Mesmo assim, a f\u00e9 crist\u00e3 ainda prega a igualdade e a fraternidade como pilares de sustenta\u00e7\u00e3o do mundo novo que sonhamos. N\u00e3o se v\u00e1 esperar a morte, o julgamento final, para se concluir que as desigualdades entre n\u00f3s s\u00e3o fatores dos muitos conflitos que desestabilizam nossas rela\u00e7\u00f5es pessoais. O rico da par\u00e1bola percebeu tardiamente a desgra\u00e7a que seu ego\u00edsmo lhe proporcionou na eternidade. Nosso problema \u00e9 exatamente esse. Demoramos a enxergar a realidade do outro lado e, quando nos damos conta, clamamos por miseric\u00f3rdia, suplicando at\u00e9 mesmo a caridade dos lazarentos que um dia ignoramos ao redor de nossos pretensos pal\u00e1cios, nossa arrog\u00e2ncia existencial. Os pedestais que constru\u00edmos em vida tornar-se-\u00e3o os abismos a nos separar na realidade das gra\u00e7as celestiais. O que aqui plantamos, l\u00e1 colheremos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 S\u00e3o muitos os L\u00e1zaros ao nosso redor. Pagam o pre\u00e7o da nossa poss\u00edvel salva\u00e7\u00e3o, pois s\u00e3o eles os instrumentos que Deus enviou para nos ajudar na reden\u00e7\u00e3o humana e no nosso aprimoramento espiritual. N\u00e3o podemos ignor\u00e1-los. Nem os condenar. L\u00e1zaros hoje caminham conosco numa mesma cal\u00e7ada, adentram nossas igrejas, pr\u00e9dios p\u00fablicos ou \u00e1reas de lazer, \u00e0 cata de nossas sobras. Integram movimentos sociais na esperan\u00e7a de mudan\u00e7as. Gritam por igualdade em muitas de nossas ruas ou pra\u00e7as. Agitam suas bandeiras em passeatas ou entregam suas esperan\u00e7as no uso de drogas e v\u00edcios que anestesiam suas dores e decep\u00e7\u00f5es. L\u00e1zaros tamb\u00e9m ocupam cargos pol\u00edticos e religiosos, na tentativa de nos despertar. L\u00e1zaros est\u00e3o nas trincheiras dos muitos conflitos entre povos e na\u00e7\u00f5es&#8230; sentem o cheiro m\u00f3rbido da p\u00f3lvora nos canh\u00f5es e visualizam o clar\u00e3o insano de nossas armas nucleares. L\u00e1zaro pode ser eu ou voc\u00ea, um dia&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O perigo das riquezas \u00e9 o pecado por omiss\u00e3o. Ou seja: n\u00e3o \u00e9 o fator riqueza que condena, mas a neglig\u00eancia do rico com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pobreza que grassa ao redor de sua mesa, sua casa, suas posses&#8230; O rico da par\u00e1bola, tardiamente, se deu conta dessa sua omiss\u00e3o. Desejou avisar aos seus, alert\u00e1-los quanto a esse perigo, mas j\u00e1 era tarde. Cada qual deveria prestar contas segundo o alerta que lhes fora dado em vida, pela lei, pelos profetas, pela palavra que lhes fora proclamada&#8230; A consci\u00eancia dos deveres estava embutida em suas vidas pelo conhecimento da Palavra. E isto lhes era suficiente, se quisessem realmente agradar a Deus. Simplesmente cumprir seus desejos de solidariedade, fraternidade, responsabilidade social. Eis aqui o \u00fanico e fatal perigo que o mau uso das riquezas \u00e9 capaz de proporcionar. Quem faz de seus bens instrumentos de opress\u00e3o e humilha\u00e7\u00e3o aos menos favorecidos despreza um privil\u00e9gio que poucos conseguem: ser \u00fatil no processo de crescimento de muitos que rodeiam nossa vida, nosso trabalho, nossa profiss\u00e3o neste mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O crescimento das virtudes \u00e9 a multiplica\u00e7\u00e3o das verdadeiras riquezas. Essas, necessariamente, n\u00e3o exaltam o nome do rico, mas d\u00e1-lhe dignidade na medida que dignifica os L\u00e1zaros que o cercam. Ser\u00e3o eles que exaltar\u00e3o e revelar\u00e3o esse nome na presen\u00e7a de Deus. Que o nosso seja um destes.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Interessante observar na par\u00e1bola do rico e o pobre, contada em Lucas, 16,10-31, que somente o pobre tem seu nome revelado, enquanto o rico permanece um ilustre desconhecido. \u00c9 a \u00fanica par\u00e1bola em que Jesus cita um nome. 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