{"id":75830,"date":"2022-09-09T09:37:58","date_gmt":"2022-09-09T12:37:58","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=75830"},"modified":"2022-09-12T12:40:20","modified_gmt":"2022-09-12T15:40:20","slug":"prodigos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/prodigos\/","title":{"rendered":"Pr\u00f3digos"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A Palavra de Deus da liturgia dominical prop\u00f5e a conhecida \u201cPar\u00e1bola do filho pr\u00f3digo\u201d, do cap\u00edtulo 15, de S\u00e3o Lucas. Uma par\u00e1bola repleta de sabedoria que introduz no cora\u00e7\u00e3o de Deus misericordioso e na grandeza e nas limita\u00e7\u00f5es dos seres humanos. Os tr\u00eas personagens, o pai e os dois filhos, podem ser adjetivados como pr\u00f3digos. Ensina-nos o dicion\u00e1rio que pr\u00f3digo \u00e9 quem despende com excesso, esbanjador; que d\u00e1, distribui, faz ou emprega profusamente e sem dificuldade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O primeiro personagem \u00e9 o filho mais novo. \u201cPai d\u00e1-me a parte da heran\u00e7a que me cabe\u201d. Com o pedido aceito, parte \u201cpara um lugar distante\u201d e \u201cesbanjou tudo numa vida desenfreada\u201d. A escolha foi se distanciar dos la\u00e7os familiares, do lugar de origem, da rotina de compromissos e trabalho. Seu plano era simplesmente gozar a vida. \u201cN\u00e3o quer estar submetido a mais nenhum mandamento, a mais nenhuma autoridade; ele procura a radical liberdade; quer apenas viver para si mesmo; sente-se totalmente aut\u00f4nomo\u201d (Bento XVI, Jesus de Nazar\u00e9). Esta escolha de vida, aos pouco, se revela problem\u00e1tica e decad\u00eancia chega ao ponto que \u201cdeseja matar a fome com a comida que os porcos comiam, mas nem isto lhe davam\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Se o filho mais novo \u00e9 pr\u00f3digo \u201cna vida desenfreada\u201d, tamb\u00e9m \u00e9 pr\u00f3digo no reconhecimento do seu pecado, das escolhas mal feitas. \u201cVou voltar para meu pai e dizer-lhe: Pai pequei contra Deus e contra ti; j\u00e1 n\u00e3o mere\u00e7o ser chamado teu filho\u201d. Toma o caminho de volta mesmo n\u00e3o sabendo se seria recebido ou perdoado, mas arrisca pois suas op\u00e7\u00f5es e decis\u00f5es n\u00e3o lhe davam mais nenhum direito de voltar para casa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O segundo personagem pr\u00f3digo \u00e9 o pai. D\u00e1 a heran\u00e7a que o filho pede, mesmo n\u00e3o tendo o dever de faz\u00ea-lo. Quando o filho volta enche-se de compaix\u00e3o, corre ao seu encontro. Ele ouve a confiss\u00e3o do filho e v\u00ea o caminho interior que o filho percorreu. Por isso, o pai n\u00e3o o deixa acabar de falar, abra\u00e7a-o e beija-o e manda preparar uma grande festa. O motivo disto tudo \u00e9 \u201cporque este meu filho estava morto e tornou a viver; estava perdido e foi encontrado\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Fica evidente que o pai da par\u00e1bola \u00e9 Deus, somente ele \u00e9 pr\u00f3digo nesta medida. \u201c\u00c9 porque Deus \u00e9 Deus, o santo, Ele age assim, como nenhum homem poderia agir. Deus tem um cora\u00e7\u00e3o, e este cora\u00e7\u00e3o, volta-se, por assim dizer, contra Ele mesmo. (&#8230;) O cora\u00e7\u00e3o de Deus transforma a ira e muda o castigo em perd\u00e3o\u201d (Bento XVI, Jesus de Nazar\u00e9).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O terceiro personagem, o filho mais velho, quando soube da volta do irm\u00e3o e da festa preparada pelo pai, manifesta que \u00e9 pr\u00f3digo na raiva, na emiss\u00e3o de ju\u00edzo condenat\u00f3rio sobre o que irm\u00e3o sem antes escut\u00e1-lo, em se considerar perfeito. \u201cJamais desobedeci a qualquer ordem tua. E nunca me deste um cabrito para festejar com meus amigos\u201d. A sua rea\u00e7\u00e3o \u00e9 similar a uma ora\u00e7\u00e3o de outra par\u00e1bola de Lucas 18,12: \u201cDeus, eu te agrade\u00e7o, porque n\u00e3o sou como os outros, ladr\u00f5es, desonestos, ad\u00falteros, nem como este publicano\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A sabedoria das par\u00e1bolas de Jesus permitem que elas nunca percam a atualidade.\u00a0 Como tamb\u00e9m, o leitor sempre \u00e9 envolvido, sempre \u00e9 o seu destinat\u00e1rio. A figura do filho perdido \u00e9 descrita com muita clareza, como tamb\u00e9m seu destino, tanto no bem como no mal.\u00a0 Ele se torna exemplar para peregrinarmos, com humildade e sinceridade, em nosso interior para percebermos em quais aspectos somos \u201cpr\u00f3digos\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A Palavra de Deus da liturgia dominical prop\u00f5e a conhecida \u201cPar\u00e1bola do filho pr\u00f3digo\u201d, do cap\u00edtulo 15, de S\u00e3o Lucas. Uma par\u00e1bola repleta de sabedoria que introduz no cora\u00e7\u00e3o de Deus misericordioso e na grandeza e nas limita\u00e7\u00f5es dos seres humanos. 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