{"id":75613,"date":"2022-08-29T10:14:24","date_gmt":"2022-08-29T13:14:24","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=75613"},"modified":"2022-08-30T18:15:14","modified_gmt":"2022-08-30T21:15:14","slug":"um-coracao-petrificado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/um-coracao-petrificado\/","title":{"rendered":"UM CORA\u00c7\u00c3O PETRIFICADO"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Nada \u00e9 mais odioso e socialmente inc\u00f4modo \u00e0s rela\u00e7\u00f5es humanas do que a presen\u00e7a de um cora\u00e7\u00e3o empedernido, insens\u00edvel, indiferente, petrificado. Quem o possui n\u00e3o merece respeito, mas temor. A pessoa assim descrita certamente tem em seu curr\u00edculo um hist\u00f3rico de mando e desmando, posturas autorit\u00e1rias, caracter\u00edsticas ditatoriais. Imaginem esse cora\u00e7\u00e3o pulsando num peito de um l\u00edder, um governante, um imperador! Imaginem essa pessoa p\u00fablica conduzindo uma na\u00e7\u00e3o, tentando impor suas vontades, suas ideias e ide\u00e1rios pol\u00edticos, seus tent\u00e1culos de ordem social completamente avessos aos interesses e necessidades populares. Um cora\u00e7\u00e3o desse naipe jamais conduziria um povo \u00e0 santa e sonhada liberdade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Pois imaginem que, ironicamente, para comemorar nossa bicenten\u00e1ria independ\u00eancia, trouxemos de Portugal o cora\u00e7\u00e3o petrificado de D. Pedro, aquele que um dia fez ecoar entre n\u00f3s seu brado de \u201cIndepend\u00eancia ou Morte\u201d! Nada \u00e9 mais sintom\u00e1tico e oportunamente s\u00e1dico, t\u00e9trico, f\u00fanebre que esse m\u00f3rbido s\u00edmbolo da nossa independ\u00eancia. Aquele cora\u00e7\u00e3o que um dia pulsou de amor pelo seu povo, que rasgou seus la\u00e7os familiares e p\u00e1trios com a terra-m\u00e3e, essa que nos governou por s\u00e9culos e nos ensinou os primeiros passos como civiliza\u00e7\u00e3o douta e culta, que nos deixou a l\u00edngua como identidade de um povo unido em seus ideais&#8230; aquele cora\u00e7\u00e3o n\u00e3o merecia ser incomodado em seu silencio no ex\u00edlio que sofreu! N\u00e3o. Nem na viola\u00e7\u00e3o de sua urna sepulcral! Nem no desrespeito por tudo que sonhou de bom para nosso pa\u00eds. N\u00e3o t\u00ednhamos esse direito!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Se hoje podemos contemplar os contornos daquele cora\u00e7\u00e3o enrijecido pelo formol da hist\u00f3ria, lembremo-nos que estamos diante de um m\u00fasculo que um dia foi carne e sangue, que ajudou a construir nossa hist\u00f3ria de liberdade e nos fez sonhar com ela ao romper seus la\u00e7os com a tirania, a escravid\u00e3o, a explora\u00e7\u00e3o injusta contra nossa soberania mais que merecida. Agora, decorridos duzentos anos, pouco temos a comemorar se considerarmos os passos ainda inseguros dessa rep\u00fablica de contradi\u00e7\u00f5es. Um pa\u00eds de contrastes n\u00e3o somente territorialmente, mas tamb\u00e9m social. Os sonhos de liberdade continuam sonhos. Nossa soberania campeia. \u201cDesafia o nosso peito a pr\u00f3pria morte\u201d. Ent\u00e3o esse cora\u00e7\u00e3o petrificado, do peito de Pedro, o Imperador insubordinado, inquieto e rebelde \u00e0 sua monarquia an\u00e1rquica, torna-se s\u00edmbolo de nossas comemora\u00e7\u00f5es c\u00edvicas. N\u00e3o poderia ser mais ir\u00f4nico no momento!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Esse \u00e9 nosso reino! Uma na\u00e7\u00e3o n\u00e3o se constr\u00f3i com s\u00edmbolos, nem desenterra seu passado para aviltar uma soberania ainda imberbe e insegura. Ao contr\u00e1rio, o reino que buscamos \u00e9 outro, bem diferente dos cen\u00e1rios m\u00f3rbidos que hoje contemplamos. Deixemos de lado a imagem t\u00e9trica desse cora\u00e7\u00e3o enrijecido no formol de muitos interesses escusos. Lembremo-nos de nossa origem, como Terra da Santa Cruz, da mesma cruz que melhor representa nossos anseios de liberdade! Um dia, como povo religioso e crist\u00e3o que ainda somos, haveremos de contemplar esse s\u00edmbolo com mais amor e respeito. \u00c9 dessa cruz que fluem nossos sonhos de um novo Reino, pois ali sucumbiu um cora\u00e7\u00e3o verdadeiramente amoroso, que derramou seu sangue pelo seu povo. O banquete desse novo Reino ainda nos aguarda. \u201cVinde, benditos do meu Pai\u201d. N\u00e3o \u00e9 hora de velar o passado. Mas de convidar nosso povo a celebrar sua liberdade, com mais igualdade e respeito entre n\u00f3s. \u201cEnt\u00e3o tu ser\u00e1s feliz! Porque eles n\u00e3o te podem retribuir\u201d (Lc 14,14). Ent\u00e3o poderemos cantar nosso Hino com o cora\u00e7\u00e3o nas m\u00e3os&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Nada \u00e9 mais odioso e socialmente inc\u00f4modo \u00e0s rela\u00e7\u00f5es humanas do que a presen\u00e7a de um cora\u00e7\u00e3o empedernido, insens\u00edvel, indiferente, petrificado. Quem o possui n\u00e3o merece respeito, mas temor. A pessoa assim descrita certamente tem em seu curr\u00edculo um hist\u00f3rico de mando e desmando, posturas autorit\u00e1rias, caracter\u00edsticas ditatoriais. 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