{"id":74788,"date":"2022-07-26T10:02:54","date_gmt":"2022-07-26T13:02:54","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=74788"},"modified":"2022-07-26T16:05:23","modified_gmt":"2022-07-26T19:05:23","slug":"a-mulher-da-casa-abandonada-carta-de-joao-paulo-ii-encorajou-denuncia-de-trabalho-escravo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/a-mulher-da-casa-abandonada-carta-de-joao-paulo-ii-encorajou-denuncia-de-trabalho-escravo\/","title":{"rendered":"\u2018A Mulher da Casa Abandonada\u2019: carta de Jo\u00e3o Paulo II encorajou den\u00fancia de trabalho escravo"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"subtitle\" style=\"text-align: justify;\">Depois de se lembrar das palavras do Papa, a mulher que vivia a poucos metros da casa onde uma brasileira era explorada nos EUA resolveu denunciar a situa\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Opodcast \u201cA Mulher da Casa Abandonada\u201d, da Folha de S. Paulo, narra uma investiga\u00e7\u00e3o jornal\u00edstica de um caso de trabalho an\u00e1logo \u00e0 escravid\u00e3o cometido por um casal de brasileiros e investigado pelo FBI.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ren\u00e9 Bonetti e a esposa, Margarida Bonetti, foram morar nos Estados Unidos e levaram uma empregada dom\u00e9stica para cuidar da casa deles. L\u00e1, segundo a justi\u00e7a americana, o casal passou a submeter a mulher a longas jornadas de trabalho, maus-tratos e cerceamento de liberdade. A situa\u00e7\u00e3o deplor\u00e1vel durou cerca de vinte anos e, neste per\u00edodo, a mulher n\u00e3o recebeu sal\u00e1rios nem direitos trabalhistas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E foi gra\u00e7as a uma vizinha do casal e a um texto de Jo\u00e3o Paulo II que a empregada conseguiu se livrar de tanto sofrimento.<\/p>\n<div class=\"wp-block-aleteia-heading3\" style=\"text-align: justify;\">\n<h3>A vizinha<\/h3>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">O jornalista Chico Felitti, criador do podcast, conversou com uma vizinha da casa onde a brasileira trabalhava em situa\u00e7\u00e3o parecida com a escravid\u00e3o, na cidade de Gaithesburg, estado americano de Maryland.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vic Schneider revelou ao jornalista que quando o casal ia passar f\u00e9rias no Brasil, a empregada deixava a casa e ia conversar com ela em \u201cportunhol\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em uma dessas conversas, a brasileira confessou que era v\u00edtima de maus-tratos e que apanhava constantemente da patroa. Ela ainda revelou que n\u00e3o podia tomar banho de chuveiro e que os patr\u00f5es mantinham os arm\u00e1rios e a geladeira trancados para que ela n\u00e3o comesse os alimentos deles. Mesmo sofrendo h\u00e1 anos com uma infec\u00e7\u00e3o na perna e com um tumor no abdome \u201cdo tamanho de um mel\u00e3o\u201d, o casal, de acordo com a ex-empregada, n\u00e3o a levava ao m\u00e9dico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diante da terr\u00edvel situa\u00e7\u00e3o, Vic Schneider sugeriu que a mulher denunciasse o casal para a pol\u00edcia. Mas a empregada tinha medo, pois os patr\u00f5es a amea\u00e7avam constantemente. Mesmo assim, a vizinha tentou procurar ajuda na igreja que ela e os Bonetti frequentavam e entre os vizinhos, mas ningu\u00e9m acreditava na hist\u00f3ria. Sem saber o que fazer, Vic rezou: \u201c\u00d3, Senhor, voc\u00ea tem de me ajudar\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ela revela que, naquela noite de abril de 1998 um \u201cmilagre\u201d aconteceu: Vic se lembrou de uma carta apost\u00f3lica de Jo\u00e3o Paulo II e afirma que o conte\u00fado do documento a encorajou a seguir em frente e denunciar o caso de trabalho an\u00e1logo \u00e0 escravid\u00e3o a que os Bonetti submetiam a brasileira nos Estados Unidos.<\/p>\n<div class=\"wp-block-aleteia-heading3\" style=\"text-align: justify;\">\n<h3>A carta de Jo\u00e3o Paulo II<\/h3>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o fica claro no podcast, mas, ao que tudo indica, a carta de que Vic Schneider se lembrou \u00e9 a Carta Apost\u00f3lica\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/john-paul-ii\/pt\/apost_letters\/1994\/documents\/hf_jp-ii_apl_19941110_tertio-millennio-adveniente.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>Tertio Millennio Advenient<\/em>e<\/a>, escrita por Jo\u00e3o Paulo II ao clero e aos leigos. O documento papal d\u00e1 as diretrizes para a prepara\u00e7\u00e3o ao Grande Jubileu da Igreja no ano 2000 e recorda os antigos jubileus do Antigo Testamento:<\/p>\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>\u201c\u00c9 sabido que o jubileu era\u00a0<em>um tempo dedicado de modo particular a Deus<\/em>. Tinha lugar de sete em sete anos, segundo a Lei de Mois\u00e9s: o s\u00e9timo era o \u00ab ano sab\u00e1tico \u00bb, durante o qual se deixava repousar a terra e eram libertados os escravos. A obriga\u00e7\u00e3o da liberta\u00e7\u00e3o dos escravos era regulada por detalhadas prescri\u00e7\u00f5es, contidas nos livros do \u00caxodo (23, 10-11), do Lev\u00edtico (25, 1-28), e do Deuteron\u00f3mio (15, 1-6), isto \u00e9, praticamente em toda a legisla\u00e7\u00e3o b\u00edblica, que adquire assim essa peculiar dimens\u00e3o.\u201d<\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vic Schneider afirma que o seguinte texto tocou o seu cora\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>\u201cO ano jubilar devia restabelecer a igualdade entre todos os filhos de Israel, abrindo novas possibilidades \u00e0s fam\u00edlias que tinham perdido as suas propriedades, ou at\u00e9 mesmo a liberdade pessoal. Aos ricos, pelo contr\u00e1rio, o ano jubilar recordava que chegaria o tempo em que os escravos israelitas, tornando-se novamente iguais a eles, haveriam de poder reivindicar os seus direitos\u201d.<\/p><\/blockquote>\n<div class=\"wp-block-aleteia-heading3\" style=\"text-align: justify;\">\n<h3>Den\u00fancia e condena\u00e7\u00e3o<\/h3>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vic sentiu que a carta tinha sido escrita para aquela mulher escravizada a poucos metros da casa dela. Por isso, ela resolveu ajudar \u2013 e continuou agindo para salvar a vizinha. Atrav\u00e9s de uma advogada famosa, Vic denunciou o caso, que foi parar no FBI, a pol\u00edcia federal americana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ren\u00e9 Bonetti foi condenado pela justi\u00e7a dos EUA a pouco mais de seis anos de pris\u00e3o por submeter uma brasileira a trabalho parecido com a escravid\u00e3o durante duas d\u00e9cadas em territ\u00f3rio americano. Ele j\u00e1 cumpriu a pena e hoje \u00e9 executivo de uma grande empresa nos Estados Unidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 a mulher dele, Margarida Bonetti, fugiu para o Brasil antes da investiga\u00e7\u00e3o. O nome dela passou a fazer parte de uma lista de fugitivos da pol\u00edcia. E, at\u00e9 pouco tempo atr\u00e1s, morava praticamente escondida em uma mans\u00e3o caindo aos peda\u00e7os num dos bairros mais ricos de S\u00e3o Paulo. Por isso, ficou conhecida como \u201cA Mulher da Casa Abandonada\u201d \u2013 o mesmo nome do\u00a0podcast\u00a0que narra toda essa hist\u00f3ria.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Depois de se lembrar das palavras do Papa, a mulher que vivia a poucos metros da casa onde uma brasileira era explorada nos EUA resolveu denunciar a situa\u00e7\u00e3o Opodcast \u201cA Mulher da Casa Abandonada\u201d, da Folha de S. 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