{"id":74687,"date":"2022-07-18T09:42:48","date_gmt":"2022-07-18T12:42:48","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=74687"},"modified":"2022-07-21T12:43:35","modified_gmt":"2022-07-21T15:43:35","slug":"a-arte-de-celebrar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/a-arte-de-celebrar\/","title":{"rendered":"A ARTE DE CELEBRAR"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O segundo foco da Carta Apost\u00f3lica \u201cDesiderio Desideravi\u201d (Desejei Ardentemente) do Papa Francisco, frisa o aspecto da arte de celebrar como quest\u00e3o fundamental ao bom termo de nossas celebra\u00e7\u00f5es lit\u00fargicas. N\u00e3o \u00e9, nunca foi e nunca ser\u00e1 um simples ato, um acontecimento social&#8230; \u201cA ars celebranti n\u00e3o pode ser reduzida a apenas um mecanismo rubrical, muito menos deve ser pensada como imaginativa \u2013 \u00e0s vezes selvagem \u2013 criatividade sem regras\u201d (48). Dizendo o que n\u00e3o \u00e9, Francisco foca no desejo de Cristo ao instituir seu rito sacramental, apresentando-se como centro vivo e raz\u00e3o do encontro eucar\u00edstico. Ele \u00e9 o \u201cartista\u201d desse acontecimento. E, como tal, \u201co verdadeiro artista n\u00e3o possui uma arte, mas \u00e9 possu\u00eddo por ela. N\u00e3o se aprende a arte de celebrar frequentando um curso de orat\u00f3ria ou t\u00e9cnicas de comunica\u00e7\u00e3o persuasivas\u201d (50).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Sil\u00eancio e respeito devem marcar grande parte dos momentos lit\u00fargicos. \u201cEntre os atos rituais que pertencem a toda assembleia, o sil\u00eancio ocupa um lugar de absoluta import\u00e2ncia&#8230; Toda a celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica est\u00e1 imersa no sil\u00eancio que precede o seu in\u00edcio e que marca cada momento do seu desenrolar ritual\u201d (52). N\u00e3o celebramos uma festa, um bacanal mundano, mas \u201calgo muito mais grandioso\u201d que s\u00f3 o sil\u00eancio \u00e9 capaz de traduzir para nossas vidas a grandiosidade do milagre que aqui contemplamos. \u201cTamb\u00e9m ajoelhar-se deve ser feito com arte, ou seja, com plena consci\u00eancia do seu sentido simb\u00f3lico e da necessidade que temos deste gesto para expressar o nosso modo de estar na presen\u00e7a do Senhor\u201d (53).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ademais, o celebrante da liturgia eucar\u00edstica nunca \u00e9 nem ser\u00e1 um homem qualquer, a quem o sacramento da ordem outorgou um minist\u00e9rio especial, mas sim o pr\u00f3prio Cristo, ali presente. N\u00e3o contemplamos a simples humanidade de um Deus representado na imagem de um homem de carne e osso, como qualquer um de n\u00f3s. Ao contr\u00e1rio, o que presenciamos \u00e9 a divindade de um Homem que se fez um igual \u00e0queles que tanto amou, que se deu e continua se doando para que tenhamos nossa f\u00e9 alimentada pelo p\u00e3o da vida. \u201cO ministro ordenado \u00e9 ele pr\u00f3prio um dos tipos de presen\u00e7a do Senhor que torna a assembleia crist\u00e3 \u00fanica, diferente de qualquer outra assembleia\u201d (cf. Sacrossanctum Concilium n. 7), cita Francisco, que ainda nos lembra: \u201cEnt\u00e3o, o Senhor ressuscitado est\u00e1 no papel principal e n\u00e3o nossas pr\u00f3prias imaturidades\u201d (57), referindo-se \u00e0 nossa f\u00e9 infantil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Por fim, Francisco se preocupa com a coer\u00eancia de muitos sacerdotes, que, mesmo revestidos da gra\u00e7a de uma un\u00e7\u00e3o sacerdotal, ainda titubeiam no dom que receberam. H\u00e1 muitos indecisos e incr\u00e9dulos ao redor da mesa da comunh\u00e3o, dentre estes tamb\u00e9m sacerdotes, presidentes e propiciadores do milagre que emana do altar. Nessa linha escrevi \u201cPedra dos Milagres\u201d (Editora A partilha), que aqui cito para aqueles que desejem aprofundar esse assunto. Mas quem sou eu diante da preciosidade das reflex\u00f5es de um Papa? Eis uma de suas preocupa\u00e7\u00f5es, que n\u00e3o isenta ningu\u00e9m das neglig\u00eancias presentes numa celebra\u00e7\u00e3o de f\u00e9: \u201cOs sacerdotes devem permitir que o Esp\u00edrito Santo aja sobre eles, para completar o trabalho que ele come\u00e7ou neles em sua ordena\u00e7\u00e3o\u201d (59). Por mais indigno que seja o celebrante, por mais contradit\u00f3ria que seja sua vida de f\u00e9 \u2013 como muitas vezes constatamos &#8211; o padre nunca fala \u00e0s paredes. \u201cAs palavras que a Liturgia coloca em seus l\u00e1bios t\u00eam conte\u00fados diversos que requerem tonalidades espec\u00edficas\u201d (60). S\u00e3o palavras divinas, n\u00e3o humanas. Concluindo: \u201cDe domingo a domingo a energia do P\u00e3o partido nos sustenta no an\u00fancio do Evangelho no qual se manifesta a autenticidade da nossa celebra\u00e7\u00e3o\u201d (65) Ent\u00e3o, Ide em Paz!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O segundo foco da Carta Apost\u00f3lica \u201cDesiderio Desideravi\u201d (Desejei Ardentemente) do Papa Francisco, frisa o aspecto da arte de celebrar como quest\u00e3o fundamental ao bom termo de nossas celebra\u00e7\u00f5es lit\u00fargicas. 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