{"id":74613,"date":"2022-07-17T09:00:14","date_gmt":"2022-07-17T12:00:14","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=74613"},"modified":"2022-07-15T12:22:33","modified_gmt":"2022-07-15T15:22:33","slug":"a-hospitalidade-nos-faz-humanos-cartas-do-padre-jesus-priante","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/a-hospitalidade-nos-faz-humanos-cartas-do-padre-jesus-priante\/","title":{"rendered":"A Hospitalidade nos faz Humanos &#8211; Cartas do Padre Jesus Priante"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Hospitalidade, termo latino que designa o h\u00f3spede e aquele que o recebe para lhe servir (lh\u00f3spede= lavar os p\u00e9s), \u00e9 uma virtude sagrada, essencialmente humanit\u00e1ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Muitas culturas fazem refer\u00eancia a ela como sendo a maneira pela qual os deuses testam as bondades das pessoas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O povo de Israel vai mais longe. A hospitalidade aparece em<br \/>\nv\u00e1rios relatos b\u00edblicos como sacramento ou sinal da presen\u00e7a de Deus na pessoa que nos visita.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dentro de uma cultura n\u00f4made ou semin\u00f4made, a hospitalidade era uma quest\u00e3o de vida ou morte para quem empreendia viagem com escassos meios de sobreviv\u00eancia. Acolher um viandante ou peregrino era um dever sagrado. No cristianismo,a hospitalidade nos identifica como crist\u00e3os. &#8220;Quem vos acolhe, me acolhe a mim&#8221; (Lc. 10). &#8220;Eu era estrangeiro e me acolhestes&#8221; (Mt. 25,35).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No passado mais remoto, a casa familiar, tinha at\u00e9 quarto reservado para um<br \/>\nposs\u00edvel h\u00f3spede. Mais tarde, os caminhos sagrados dar\u00e3o lugar aos profanos, e a hospitalidade ser\u00e1 comercializada. Constroem-se casas apropriadas, hospedarias e paradores, para cumprir esta finalidade, acolher o viandante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na Idade M\u00e9dia nascem os Hospitais e Hosp\u00edcios, nomes que fazem refer\u00eancia \u00e0 hospitalidade, recuperando sua sacralidade, de receber e servir os doentes mais pobres e necessitados, mas tamb\u00e9m esta sagrada e evang\u00e9lica hospitalidade ser\u00e1 profanada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O mundo apropriou-se das palavras e desapropriou a hospitalidade do seu esp\u00edrito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os Hospitais e Hot\u00e9is, lugares de hospedagem, tornaram-se santu\u00e1rios do deus dinheiro a quem servem e adoram h\u00f3spedes e hospedeiros. A ind\u00fastria hospitalar e hoteleira movimenta uma parte colossal da riqueza mundial, carente de amor e miseric\u00f3rdia. Nossas casas, onde hospedar os mais necessitados, hoje, carecem de espa\u00e7o e, o que \u00e9 pior, ningu\u00e9m arrisca-se a receber um estranho, pelo contr\u00e1rio, as protegemos e vigiamos temendo qualquer visitante \u201cmal intencionado\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As na\u00e7\u00f5es constroem gigantescas muralhas para impedir a entrada do peregrino emigrante \u00e0 procura de melhor vida ou simplesmente para sobreviver.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acesso ao Interior<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00f3s mesmos nos refugiamos dentro de n\u00f3s mesmos em intranspon\u00edveis fortalezas,<br \/>\nvedando a entrada at\u00e9 dos mais \u00edntimos, professando a antropologia de Hobbes (s\u00e9culo XVII): &#8220;O homem \u00e9 lobo para o homem&#8221;. Resta proteger-nos para n\u00e3o sermos mordidos pelos outros porque n\u00e3o somos mais humanos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sem um esp\u00edrito hospitaleiro de acolhimento m\u00fatuo nos tornamos estranhos, indiferentes, enfrentados e inumanos. A hospitalidade humanizante \u00e9 poss\u00edvel se no rosto de cada pessoa vemos o rosto de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nas primeiras gera\u00e7\u00f5es crist\u00e3s dizia-se: &#8220;Vistes um homem, viste a Deus&#8221;. De fato, fomos criados \u00e0 imagem e semelhan\u00e7a de Deus, esta \u00e9 nossa verdadeira natureza. Se no outro n\u00e3o vemos a Deus, deixamos de ser humanos. Para universalizar este humanismo divino, Cristo assumiu a figura de servo (hospedeiro a lavar nossos p\u00e9s) e de pecador (h\u00f3spede a acolher todos) para ningu\u00e9m se sentir exclu\u00eddo na casa do Reino dos C\u00e9us. Por isso, no Ju\u00edzo ou crit\u00e9rio final da Hist\u00f3ria, seremos identificados como humanos na medida em que percebamos em nossos semelhantes o pr\u00f3prio Deus, na pessoa de N. S. Jesus Cristo, especialmente nos mais pobres, pecadores e necessitados: os famintos, sedentos, nus, doentes, encarcerados e estrangeiros (Mt. 25, 35-36).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Papa Francisco passar\u00e1 \u00e0 Hist\u00f3ria como o maior arauto do humanismo, baseado na hospitalidade. N\u00e3o s\u00e3o muralhas, diz ele, que temos de construir sen\u00e3o pontes para acolher-nos uns aos outros. Receber um emigrante, diz o papa, \u00e9 receber ao pr\u00f3prio Cristo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Temos que professar a &#8220;cultura do encontro&#8221;, sermos \u201ccom os outros\u201de n\u00e3o viajantes solit\u00e1rios. Contra o culto narcisista de n\u00f3s mesmos e idol\u00e1trico das estrelas de Hollywood, temos que ver em cada uma das pessoas o Sol de Cristo ressuscitado radiante em cada rosto humano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">JAV\u00c9 APARECE A ABRA\u00c3O. ELE V\u00ca TR\u00caS HOMENS DE P\u00c9, \u00c0 ENTRADA DA SUA TENDA, RECONHECENDO NELES A PRESEN\u00c7A DE DEUS&#8221; (Gn.18, 1-10)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este relato encarna a sacralidade da hospitalidade. Ver no outro que nos visita ou com quem nos encontramos a presen\u00e7a de Deus, n\u00e3o s\u00f3 nos humaniza como tamb\u00e9m nos diviniza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Abra\u00e3o est\u00e1 \u00e0 porta da sua tenda em Mambr\u00e9 (Iraque) em dia de sol causticante. De repente, tr\u00eas homens desconhecidos, cansados do caminho, aproximam-se. Abra\u00e3o os acolhe na condi\u00e7\u00e3o de servo e hospedeiro, lava-lhes os p\u00e9s, contemplando neles ao pr\u00f3prio Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cristo ratificou esta tese sagrada da hospitalidade, como mencionamos acima, e nos deixou este gesto como distintivo da nossa identidade crist\u00e3 ordenando-nos &#8220;lavar os p\u00e9s uns aos outros&#8221;, tradu\u00e7\u00e3o literal da hospitalidade. A Carta aos Hebreus, 11, interpreta este epis\u00f3dio b\u00edblico de Abra\u00e3o no mesmo sentido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lideran\u00e7a Servidora<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00e3o Paulo fundamenta o esp\u00edrito do servo, capaz de lavar os p\u00e9s (hospedeiro) e servir dizendo: &#8220;considerando os outros superiores a ti&#8221;(Ef. 2). Sem este esp\u00edrito de servo hospedeiro o outro carece de rosto divino e a hospitalidade converte-se mais numa perturba\u00e7\u00e3o do que uma b\u00ean\u00e7\u00e3o, que passamos a celebrar com um cafezinho, mais do que sinal de acolhida festiva, maneira de acelerar a despedida de quem nos visita\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Abra\u00e3o prepara e brinda aos seus h\u00f3spedes um grande banquete. E Deus, presente naqueles homens, que n\u00e3o se deixa ganhar nunca em generosidade, lhe promete tudo quanto desejava: um filho da sua esposa Sara no qual prolongar, na sua corrente sangu\u00ednea a vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isaque, esse filho que &#8220;sorri&#8221; e nos faz sorrir, prometendo-nos um futuro feliz, nos vem de Deus. Nos privamos Dele quando n\u00e3o caminhamos na Sua presen\u00e7a, que se faz vis\u00edvel em cada uma das pessoas que encontramos e acolhemos. Nossa exist\u00eancia \u00e9 sublime quando sobrenaturalizamos tudo e, como aprendemos no catecismo, vemos a Deus em todo lugar, sendo o ser humano seu pr\u00f3prio santu\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Onde est\u00e1 um ser humano, a\u00ed est\u00e1 Deus. Por isso a hospitalidade, que abrange toda acolhida, dom\u00e9stica ou pessoal, dos outros, tem car\u00e1ter divino.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contra Sartre, que afirmava: &#8220;O inferno s\u00e3o os outros&#8221;, confessamos com um esp\u00edrito de hospitalidade humanizante:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estamos no<br \/>\nC\u00e9u, em, e com os outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;DEUS QUIS MANIFESTAR EM CRISTO A GL\u00d3RIA ESPERADA QUE EST\u00c1 EM VOC\u00caS. MIST\u00c9RIO ESCONDIDO DESDE O COME\u00c7O DOS TEMPOS E GERA\u00c7\u00d5ES, E QUE AGORA \u00c9 REVELADO AOS CRIST\u00c3OS&#8221; (Cl. 1, 24-28)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00e3o Paulo faz uma apologia ao Mist\u00e9rio de Cristo, no qual habita a plenitude da divindade. Nele temos &#8220;tudo em modo pleno&#8221;. Ele \u00e9 a \u00faltima extens\u00e3o de n\u00f3s e do universo. Al\u00e9m Dele o ser e a vida n\u00e3o podem esticar-se mais. Em termos darwinianos, Ele \u00e9 o mutante de toda evolu\u00e7\u00e3o, a sua meta definitiva, eterna e infinita em Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta plenitude e &#8220;gl\u00f3ria&#8221; da CRIA\u00c7\u00c3O foi &#8220;revelada aos crist\u00e3os &#8220;, significando que n\u00e3o somos verdadeiros crist\u00e3os, sem a absoluta convic\u00e7\u00e3o de que em Jesus de Nazar\u00e9 radica toda esperan\u00e7a e possibilidade do devir da Hist\u00f3ria. Podemos conquistar novos mundos, inventar novas m\u00e1quinas, professar novas culturas, superar obst\u00e1culos e defici\u00eancias, mas jamais preencheremos o vazio do ser e da vida que temos sem Cristo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">At\u00e9 o presente momento, a Hist\u00f3ria n\u00e3o desmentiu tal tese. Ele \u00e9 o \u00fanico fundamento de tudo quanto existe e Seu Logos ou raz\u00e3o de ser, como nos \u00e9 revelado em Jo.1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Irrevers\u00edveis Frustra\u00e7\u00f5es<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Da mesma maneira que o sonho paradis\u00edaco do Comunismo humanista e ateu acabou em pesadelo e tr\u00e1gica aliena\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m o novo sonho do progresso cient\u00edfico e tecnol\u00f3gico acaba, na vida de cada um, em irrevers\u00edvel frustra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o deixa de ser uma prova cient\u00edfica a experi\u00eancia pessoal e o legado da Hist\u00f3ria. Se at\u00e9 o presente a conquista da vida n\u00e3o foi poss\u00edvel, podemos prognosticar ,&#8221;cientificamente&#8221;, esse frustrante e tr\u00e1gico futuro do ser humano e do universo. Jesus nos desafia: &#8220;Porque sem Mim nada podeis fazer&#8221; (Jo. 15) &#8220;Eu sou o caminho, a verdade e a vida&#8221;(Jo.14).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A ci\u00eancia contempla estas verdades absolutas irracionais e incertas, anti-cient\u00edficas por carecerem de instrumentos de verifica\u00e7\u00e3o. Entretanto, nos diz Pascal, temos que afirmar que n\u00e3o existe nada mais irracional do que n\u00e3o reconhecer o limite da propria raz\u00e3o, que a ci\u00eancia idolatra. Antes dos doutores das ci\u00eancias sentarem na c\u00e1tedra do saber humano, um rude pescador da Galil\u00e9ia, Pedro, j\u00e1 atingiu seu cume dizendo ser Cristo o \u00fanico que tem palavras de vida eterna. (Jo.6.)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Toda verdade cient\u00edfica ou racional afirma Popper, \u00e9 &#8220;false\u00e1vel&#8221;, isto \u00e9, o que sabemos hoje, amanh\u00e3 ser\u00e1 desmentido e conhecido de outra maneira. Iremos formulando mera opini\u00f5es, verdades provis\u00f3rias e inconsistentes, como \u00e1gua que corre esquecendo sua nascente para mergulhar no absurdo do mar da morte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A verdade ou Logos absolutos de Cristo n\u00e3o consiste em ser objetivamente a origem e fundamento da cria\u00e7\u00e3o, sen\u00e3o ter-se feito &#8220;carne&#8221;, isto \u00e9, incorporado em n\u00f3s e no mundo criado. Jesus de Nazar\u00e9 n\u00e3o \u00e9 mera pessoa hist\u00f3rica mas o pr\u00f3prio corpo ou sujeito da Hist\u00f3ria, esse devir do ser e da vida, de tudo quanto existe, que Nele alcan\u00e7a sua plenitude.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No passado, a filosofia e teologia tentaram provar a exist\u00eancia de Deus como causa explicativa do mundo que, sendo contingente, exigia um ser absoluto, mas deixava o ser e a vida do mundo criado fora Dele. O mist\u00e9rio da Encarna\u00e7\u00e3o era reduzido a Jesus de Nazar\u00e9 como pessoa divina externa, que veio salvar o mundo como o poderia fazer um poderoso her\u00f3i. A defini\u00e7\u00e3o de pessoa segundo Bo\u00e9cio (s\u00e9c. V) &#8220;subst\u00e2ncia individual de natureza racional&#8221;, n\u00e3o s\u00f3 obscureceu o mist\u00e9rio de Cristo, como o novo ser humano. Antes de Cristo \u00e9ramos &#8220;semelhantes&#8221; a Deus e, como pessoas, subst\u00e2ncias individualizadas por uma por\u00e7\u00e3o de mat\u00e9ria, \u00e9ramos semelhantes entre n\u00f3s. Depois de Cristo, Deus encarnado, somos &#8220;corpo&#8221; (realidade) de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa nova antropologia cr\u00edstica faz cada pessoa t\u00e3o divina como o pr\u00f3prio Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando ignoramos este novo humanismo que, como diz S\u00e3o Paulo, foi revelado s\u00f3 aos crist\u00e3os, passamos a nos conceber como meros &#8220;indiv\u00edduos&#8221;, por\u00e7\u00f5es humanas ou simples objetos cont\u00e1veis para qualquer coisa. Um humanismo sem Cristo justifica as guerras, as injusti\u00e7as, a fome, a pobreza e todo tipo de mis\u00e9rias. Torna nossas rela\u00e7\u00f5es protocolares e robotizadas e nos vermos, uns aos outros, como fantasmas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cristo veio, afirma o Conc\u00edlio Vaticano II, a nos revelar Deus e seu projeto de salva\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m nossa verdadeira dignidade humana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00e3o Paulo se fez arauto desse Mist\u00e9rio, dizendo que sua miss\u00e3o \u00e9 anunciar &#8220;com toda sabedoria&#8221;, sem qualquer incerteza e d\u00favida, que em Cristo fomos divinizados. Passamos a ser, de meras criaturas, a filhos de Deus e irm\u00e3os entre n\u00f3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;ENQUANTO CAMINHAVAM, JESUS ENTROU NUM POVOADO , E UMA MULHER, DE NOME MARTA, O RECEBEU EM<br \/>\nSUA CASA&#8221; (Lc.10, 38-42)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este epis\u00f3dio evang\u00e9lico inspirou ao longo dos s\u00e9culos a dupla espiritualidade crist\u00e3, vida ativa e vida contemplativa, representadas na atitude de Marta e Maria, respectivamente.<br \/>\nMarta se defez em aten\u00e7\u00f5es e servi\u00e7os para acolher Jesus em casa, enquanto Maria, &#8220;sentada aos seus p\u00e9s escutava suas palavras&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00e3o Bento (s\u00e9c. VI) prop\u00f4s aos seus disc\u00edpulos, os Beneditinos, unir ambas, estampando o esp\u00edrito da vida mon\u00e1stica com o lema: &#8220;Ora et labora&#8221;, reza e trabalha. Uma sem outra, s\u00e3o igualmente alienantes. Por muito que trabalhemos, nos diz Jesus, n\u00e3o podemos acrescentar um s\u00f3 c\u00f4vado \u00e0 dura\u00e7\u00e3o de nossos dias, mas tamb\u00e9m, sem nosso trabalho, de bra\u00e7os cruzados, profanamos a gra\u00e7a salv\u00edfica de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No contexto da mensagem central deste domingo, sobre a sagrada e humanizante hospitalidade, as atitudes de Marta e Maria, que acolhem Jesus na sua casa, iluminam o esp\u00edrito que deve inspirar o acolhimento das pessoas que nos visitam ou encontramos em nosso dia a dia. Podemos faz\u00ea-lo de maneira funcional e protocolar, como Marta, preparando o necess\u00e1rio para servir da melhor maneira a quem recebemos. Tal pragmatismo hospitalar, o praticamos nas nossas rela\u00e7\u00f5es comerciais, p\u00fablicas e dom\u00e9sticas. No entanto, todos notamos a diferen\u00e7a entre apenas sermos servidos e sermos acolhidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sem um sorriso, todas as portas ficam fechadas e mortas. Sem empatia, nos tornamos ap\u00e1ticos, distantes e estranhos. A efici\u00eancia servi\u00e7al, sem afeto, nos faz mesquinhos e sem alma ou &#8220;homo ex machina&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O mero &#8220;funcionamento&#8221; esconde a morte, por isso, at\u00e9 qualificamos ela com o termo de &#8220;desfun\u00e7ao&#8221;, que significa deixar de funcionar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus, ainda que pare\u00e7a elogiar e preferir a atitude contemplativa de Maria e n\u00e3o o ativismo de Marta, mostra-nos a dimens\u00e3o transcendental da hospitalidade . N\u00e3o basta servir e fazer coisas para os outros, nem admirar seus m\u00e9ritos e virtudes, sen\u00e3o reconhecer em cada pessoa o rosto de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sem a diviniza\u00e7\u00e3o das pessoas, at\u00e9 os mais \u00edntimos nos incomodam. Maria acolhe Jesus como Deus, &#8220;escolhe a melhor parte&#8221;, o lado divino da hospedagem que nos faz inteiramente humanos e n\u00e3o meros funcion\u00e1rios ou m\u00e1quinas que, por qualquer defeito, deixam de funcionar, rompendo a engrenagem da nossa conviv\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estar com Deus \u00e9 estar com os outros e vice-versa. S\u00f3 na rela\u00e7\u00e3o humano-divina a hospitalidade \u00e9 sagrada e humanizante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Padre Jesus Priante<br \/>\nEspanha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Edi\u00e7\u00e3o e intert\u00edtulos por Malcolm Forest<br \/>\nS\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Copyright 2022 Padre Jesus Priante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Direitos Autorais Reservados.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hospitalidade, termo latino que designa o h\u00f3spede e aquele que o recebe para lhe servir (lh\u00f3spede= lavar os p\u00e9s), \u00e9 uma virtude sagrada, essencialmente humanit\u00e1ria. Muitas culturas fazem refer\u00eancia a ela como sendo a maneira pela qual os deuses testam as bondades das pessoas. O povo de Israel vai mais longe. 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