{"id":74470,"date":"2022-07-08T11:16:11","date_gmt":"2022-07-08T14:16:11","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=74470"},"modified":"2022-07-08T17:18:49","modified_gmt":"2022-07-08T20:18:49","slug":"escolher-a-melhor-parte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/escolher-a-melhor-parte\/","title":{"rendered":"ESCOLHER A MELHOR PARTE"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Nas pessoas de Marta e Maria o Evangelho nos mostra que o crist\u00e3o deve servir e rezar (Lc\u00a0 10,38-42). Marta \u00e9 aquela que sabe ser eficiente, realiza uma tarefa \u00fatil, enquanto Maria sabia empregar o tempo escutando Jesus, a Palavra de Deus. Deste modo uns s\u00e3o mais sens\u00edveis aos bens materiais imediatos e outros aos bens espirituais e se identificam com uma ou a outra destas personalidades. Segundo os bons hermeneutas, quando se faz esta an\u00e1lise simples, assaz simples, a reflex\u00e3o de Jesus a Marta \u00e9 incompreens\u00edvel, talvez injusta: \u201cMaria escolheu a melhor parte e ela n\u00e3o lhe ser\u00e1 tirada\u201d.\u00a0 Segundo esta interpreta\u00e7\u00e3o simplista ent\u00e3o Jesus toma partido de uma contra a outra e, neste caso, esquece o alimento que ter\u00e1 para comer. Se a contempla\u00e7\u00e3o \u00e9 superior \u00e0 a\u00e7\u00e3o poderia dizer Marta, enquanto Jesus e Maria curtiam as realidades espirituais. Entretanto, v\u00e1rias vezes Jesus nos convita a uma caridade ativa, sobretudo quando nos previne:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cN\u00e3o \u00e9 aquele que diz Senhor, Senhor que entrar\u00e1 no reino dos c\u00e9us, mas o que faz a vontade de meu Pai que est\u00e1 nos c\u00e9u\u201d (Mt 7,21). \u00c9 que Jesus repreende Marta n\u00e3o porque ela est\u00e1 agindo, mas porque ela estava agitada. \u201cMarta, Marta, tu te preocupas e te agitas por muitas coisas\u201d Agir e agitar n\u00e3o \u00e9 a mesma coisa. Como, ali\u00e1s, nada fazer n\u00e3o \u00e9 for\u00e7osamente rezar e, menos ainda, ser contemplativo. Isto porque em toda a vida uma s\u00f3 coisa \u00e9 necess\u00e1ria, como ressalta Jesus e \u00e9 porque Maria ao contr\u00e1rio de Marta sabe colocar em pr\u00e1tica a \u00fanica coisa necess\u00e1ria, que o Senhor a louva. Entretanto, qual \u00e9 esta coisa \u00fanica e necess\u00e1ria? Marta nos ajuda a melhor compreend\u00ea-la. O Evangelho diz que a atitude de Marta \u00e9 estar ela absorvida pelas muitas tarefas do servi\u00e7o, ela se agita e est\u00e1 afobada e at\u00e9 protesta contra sua irm\u00e3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ela se concentrava unicamente no que tinha a fazer, no que tinha a organizar e esquece a raz\u00e3o de ser de todo aquele servi\u00e7o. O valor de nossas a\u00e7\u00f5es deve ser, por uma grande parte, a resposta a estas quest\u00f5es \u201cporqu\u00ea e para quem\u201d. Se nosso olhar se fixa sobre a materialidade de nossas obras, se perdemos o sentido, a finalidade de nosso trabalho, de nossos of\u00edcios, ent\u00e3o se corre o risco de ser absorvido pela extens\u00e3o de nossas tarefas e ficar desanimado pelo incessante recome\u00e7o de cada hora numa rotina mon\u00f3tona e sem significado. Esquecendo-se a raz\u00e3o de ser de determinado servi\u00e7o, ou seja o amor a Jesus, vem a agita\u00e7\u00e3o. Marta, como foi dito, n\u00e3o agia, estava, isto sim, agitada e protestava veem entente, \u201cisto n\u00e3o \u00e9 equitativo, somente eu a trabalhar\u201d. N\u00e3o fazia, assim, um julgamento imparcial sobre os que a rodeavam. A disc\u00f3rdia se instalava entre ela e sua irm\u00e3, elas que deveriam estar unidas. Perdendo o sentido de seu servi\u00e7o, Marta pedia tamb\u00e9m a alegria e a paz interiores. Entre se agitar ou escutar tranquilamente a Palavra de Deus a melhor parte \u00e9 facilmente discern\u00edvel.\u00a0 N\u00e3o se trata no Evangelho de hoje de descrever a figura do crist\u00e3o ativo e a do crist\u00e3o contemplativo, opondo-os entre si, mas de nos colocar em guarda contra a perda do sentido que nos faz perder o fundamento \u00faltimo daquilo que se pratica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se nossos servi\u00e7os, nossas tarefas n\u00e3o encontram um sentido positivo no amor, ele se tornam algo que escraviza e do qual se deve se libertar. Esquecendo-se que nossos deveres t\u00eam um sentido numa din\u00e2mica de vida que leva o crist\u00e3o \u00e0 perfei\u00e7\u00e3o do amor, se cai num materialismo insensato, conden\u00e1vel. Para o crist\u00e3o toda sua vida deve\u00a0ser\u00a0\u00a0 a express\u00e3o do amor de Deus que \u00e9 a Vida em plenitude.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Compreende-se ent\u00e3o que a\u00a0\u00a0 prece e a a\u00e7\u00e3o n\u00e3o se op\u00f5em uma \u00e0 outra\u00a0desde que n\u00e3o se viva na mediocridade. Trata-se da ora\u00e7\u00e3o como uma simples inatividade e a a\u00e7\u00e3o como uma mera agita\u00e7\u00e3o. Entretanto se a prece e a a\u00e7\u00e3o s\u00e3o vividas como uma decorr\u00eancia da caridade elas se tornam uma maneira \u00fanica de se estar louvando a Deus e de se estar ao servi\u00e7o do pr\u00f3ximo. Portanto, como Marta se pode fazer muitas coisas, mas superficialmente sem estarem elas impregnadas do verdadeiro amor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com efeito, sob o ponto de vista da F\u00e9 uma obra caritativa toma todo seu peso e seu valor quando ela n\u00e3o simplesmente \u00e9 mera obra da vontade humana e n\u00e3o colabora\u00e7\u00e3o de nossa liberdade com a obra de Deus.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nas pessoas de Marta e Maria o Evangelho nos mostra que o crist\u00e3o deve servir e rezar (Lc\u00a0 10,38-42). Marta \u00e9 aquela que sabe ser eficiente, realiza uma tarefa \u00fatil, enquanto Maria sabia empregar o tempo escutando Jesus, a Palavra de Deus. 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