{"id":74395,"date":"2022-07-07T09:42:42","date_gmt":"2022-07-07T12:42:42","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=74395"},"modified":"2022-07-07T17:46:12","modified_gmt":"2022-07-07T20:46:12","slug":"a-profecia-de-lampedusa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/a-profecia-de-lampedusa\/","title":{"rendered":"A profecia de Lampedusa"},"content":{"rendered":"<figure class=\"article__image\"><span class=\"didascalia_img\">Papa com os migrantes em Lampedusa em 2013\u00a0 (Vatican Media)<\/span><\/figure>\n<div class=\"article__meta audioInside\" data-mediatype=\"\">\n<div class=\"article__subTitle\" style=\"text-align: justify;\">Nove anos atr\u00e1s o Papa Francisco visitou Lampedusa, a ilha s\u00edmbolo do drama dos migrantes no Mediterr\u00e2neo. Nessa memor\u00e1vel primeira viagem do Pontificado, o Papa destacou a quest\u00e3o decisiva da fraternidade. Um aviso que hoje parece ainda mais urgente em um mundo desfigurado por guerras, enquanto se tenta, com dificuldade, superar a crise pand\u00eamica<\/div>\n<div class=\"title__separator\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div class=\"article__text \">\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Alessandro Gisotti<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 acontecimentos neste pontificado, escolhas feitas por Francisco que, com o passar dos anos, assumem cada vez mais for\u00e7a e uma dimens\u00e3o que, em alguns casos, n\u00e3o \u00e9 exagero chamar de prof\u00e9ticas. Em 8 de julho, h\u00e1 nove anos, poucos meses ap\u00f3s o in\u00edcio de seu pontificado, fez sua primeira viagem apost\u00f3lica, indo para a Ilha de Lampedusa. Uma viagem que foi tamb\u00e9m uma mensagem porque naquelas poucas horas passadas na ilha s\u00edmbolo do drama dos migrantes no Mediterr\u00e2neo, Francisco testemunhou com gestos e sinais o que entendia como &#8220;Igreja em sa\u00edda&#8221;. E mostrou porque \u00e9 necess\u00e1rio come\u00e7ar, concretamente e n\u00e3o metaforicamente, a partir das &#8220;periferias existenciais&#8221;, se quisermos construir um mundo mais justo e solid\u00e1rio, uma humanidade reconciliada consigo mesma.<\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"article__embed article__embed--unwrap article__embed--dark\">\n<div class=\"article__innerTitle\">Ou\u00e7a e compartilhe!<\/div>\n<div>\n<!--[if lt IE 9]><script>document.createElement('audio');<\/script><![endif]-->\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-74395-1\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/media.vaticannews.va\/media\/audio\/s1\/2022\/07\/07\/15\/136634994_F136634994.mp3?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/media.vaticannews.va\/media\/audio\/s1\/2022\/07\/07\/15\/136634994_F136634994.mp3\">https:\/\/media.vaticannews.va\/media\/audio\/s1\/2022\/07\/07\/15\/136634994_F136634994.mp3<\/a><\/audio>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Daquela visita temos na mem\u00f3ria algumas imagens que n\u00e3o se apagam: o Papa celebrando a missa em um altar feito de barcos dos migrantes, a grinalda de flores jogadas ao mar de um barco, o abra\u00e7o com os jovens que sobreviveram a essas viagens chamadas viagens de esperan\u00e7a, mas que infelizmente muitas vezes se transformam em viagens do desespero. O cora\u00e7\u00e3o da visita era, portanto, claramente a dif\u00edcil situa\u00e7\u00e3o dos migrantes. Todavia, naquela ocasi\u00e3o, Francisco fez uma homilia que ampliava o olhar, que ia al\u00e9m daquela ilha e do que ela significava naquele momento. Uma homilia que hoje impressiona ao ser relida (e mais ainda ouvida novamente) \u00e0 luz do que est\u00e1 acontecendo nos \u00faltimos meses na Ucr\u00e2nia sob ataque russo, bem como em cada canto mais ou menos remoto da terra onde as guerras se desencadeiam \u2013 libertando das correntes &#8211; o &#8220;esp\u00edrito caimista de matar, ao em vez do esp\u00edrito de paz&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Naquela homilia, o Papa ofereceu sua medita\u00e7\u00e3o pessoal sobre o di\u00e1logo que o Senhor tem com Caim imediatamente ap\u00f3s o assassinato de seu irm\u00e3o Abel. Deus faz a pergunta que hoje e sempre deve ressoar como um aviso para cada um de n\u00f3s: &#8220;Caim, onde est\u00e1 o teu irm\u00e3o?&#8221;. Francisco chega a repetir essa pergunta lancinante por seis vezes: &#8220;Onde est\u00e1 o teu irm\u00e3o?\u201d. Teu irm\u00e3o migrante, teu irm\u00e3o prostrado pela pobreza, teu irm\u00e3o esmagado pela guerra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos anos que seguiram essa viagem, o Pont\u00edfice retornou in\u00fameras vezes \u00e0 essa antinomia decisiva fraternidade-fratric\u00eddio. Em 13 de fevereiro de 2017, em uma missa na Casa Santa Marta, falando mais uma vez sobre Caim e Abel, proferiu palavras fortes de condena\u00e7\u00e3o para os que decidem que &#8220;um peda\u00e7o de terra \u00e9 mais importante do que o v\u00ednculo da fraternidade&#8221;. Francisco advertiu os poderosos da terra que ousam dizer: &#8220;A mim interessa este territ\u00f3rio, este peda\u00e7o de terra, se a bomba cai e mata duzentas crian\u00e7as, a culpa n\u00e3o \u00e9 minha: \u00e9 da bomba&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Papa da Fratelli tutti, da Declara\u00e7\u00e3o de Abu Dhabi sobre a Fraternidade, o Bispo de Roma que tomou o nome do frade Francisco, adverte que exatamente esta luta entre fraternidade e fratric\u00eddio \u00e9 a quest\u00e3o das quest\u00f5es de nosso tempo. Com o passar dos anos, ele v\u00ea tragicamente o esbo\u00e7o sombrio do que ele chamaria de &#8220;Terceira Guerra Mundial em peda\u00e7os&#8221; se tornando cada vez mais definido. E o que \u00e9 isso sen\u00e3o tamb\u00e9m um &#8220;Fratric\u00eddio Mundial em Peda\u00e7os&#8221;, pois cada guerra traz dentro de si precisamente aquela raiz maligna que leva Caim a matar seu irm\u00e3o e depois responder com desprezo a Deus que lhe pergunta: &#8220;Sou porventura eu o guardi\u00e3o do meu irm\u00e3o?\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na Statio Orbis de 27 de mar\u00e7o de 2020 na Pra\u00e7a de S\u00e3o Pedro vazia, o Papa declarou que, com a tempestade da pandemia, &#8220;ficou a descoberto, uma vez mais, aquela aben\u00e7oada perten\u00e7a comum a que n\u00e3o nos podemos subtrair: a perten\u00e7a como irm\u00e3os&#8221;. Causa certa impress\u00e3o justapor estas palavras com aquelas, amargas e angustiadas, que ele pronunciaria na Urbi et Orbi deste ano, na P\u00e1scoa. &#8220;Era o momento de sairmos do t\u00fanel juntos, de m\u00e3os dadas, \u00a0&#8211; referindo-se \u00e0 pandemia &#8211; juntando as for\u00e7as e os recursos&#8230; Em vez disso, estamos demostrando que ainda n\u00e3o existe em n\u00f3s o Esp\u00edrito de Jesus, mas existe ainda em n\u00f3s o esp\u00edrito de Caim, que v\u00ea Abel n\u00e3o como um irm\u00e3o, mas como um rival, e pensa como h\u00e1 de elimin\u00e1-lo\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Francisco tem dito repetidamente que se sai de uma crise melhor ou pior, nunca o mesmo. Hoje, a humanidade est\u00e1 enfrentando uma das crises mais profundas e multifacetadas que j\u00e1 teve que enfrentar. Para sairmos melhor, portanto, devemos inverter o rumo, nos exorta o Papa, afastando-nos do poderoso \u00edm\u00e3 de Caim e orientando a b\u00fassola de nossas vidas decisivamente em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 estrela polar da fraternidade.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Papa com os migrantes em Lampedusa em 2013\u00a0 (Vatican Media) Nove anos atr\u00e1s o Papa Francisco visitou Lampedusa, a ilha s\u00edmbolo do drama dos migrantes no Mediterr\u00e2neo. Nessa memor\u00e1vel primeira viagem do Pontificado, o Papa destacou a quest\u00e3o decisiva da fraternidade. 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