{"id":73928,"date":"2022-05-22T09:00:30","date_gmt":"2022-05-22T12:00:30","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=73928"},"modified":"2022-05-21T19:59:56","modified_gmt":"2022-05-21T22:59:56","slug":"pascoa-nosso-existencial-e-paradigma-da-historia-cartas-do-padre-jesus-priante","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/pascoa-nosso-existencial-e-paradigma-da-historia-cartas-do-padre-jesus-priante\/","title":{"rendered":"P\u00e1scoa: Nosso Existencial e Paradigma da Hist\u00f3ria &#8211; Cartas do Padre Jesus Priante"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">O termo grego Pascha, derivado do hebraico Pesah, embora de origem etimol\u00f3gica discut\u00edvel, adquiriu culturalmente o sentido de &#8220;passagem&#8221;. A P\u00e1scoa \u00e9 a passagem de Deus que nos faz passar de uma situa\u00e7\u00e3o de escravid\u00e3o, pecado e de morte a uma vida nova. Esse dinamismo pascal est\u00e1 impresso no ser de tudo quanto existe e \u00e9 o paradigma do devir da Hist\u00f3ria, c\u00f3smica e humana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O nada primordial fez sua p\u00e1scoa pela a\u00e7\u00e3o criadora de Deus ao ser das coisas, a mat\u00e9ria inerte esperou dez bilh\u00f5es de anos para se tornar viva, as sementes passam pela letargia do inverno para florir na primavera; as noites esperam pelo novo dia, o povo de Israel esperou 400 anos no Egito pela sua liberta\u00e7\u00e3o e a humanidade e toda a cria\u00e7\u00e3o aguardam ansiosamente &#8220;passar&#8221;, fazer sua P\u00e1scoa, para uma realidade ou Reino novo e definitivo, pleno de ser e vida em Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">At\u00e9 Cristo, a P\u00e1scoa existencial de n\u00f3s e do universo, era mero postulado, pois o muro intranspon\u00edvel do pecado e da morte impediam consumar esse desejo e necessidade inatos em n\u00f3s e em toda a Cria\u00e7\u00e3o de ter a plenitude do ser e da vida. O rio do pecado e da morte que nos separa de Deus, disse Santa Catarina de Siena (s\u00e9c. XIV) tem s\u00f3 uma ponte ou P\u00e1scoa para passar: Cristo. N\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil chegar a essa conclus\u00e3o te\u00f3rica. De fato, experimentamos nossa exist\u00eancia a e exist\u00eancia do mundo como um permanente devir ou passagem, mas sem meta. Apelar a um eterno retorno deixaria tudo no mesmo lugar, sem sa\u00edda nem sentido. Deixar correr as \u00e1guas do ser e da vida do existente nos levaria ao absurdo do nada ou ao eterno &#8220;samsara&#8221; do ef\u00eamero e insignificante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tem de haver uma ponte que nos permita passar ao infinito e eterno, livres das fronteiras do espa\u00e7o e do tempo, com todas suas car\u00eancias, que nos confinam neste mundo. Deus \u00e9 a uni\u00e3o dos extremos (do nada e do ser,da morte e da vida) em Cristo, afirmava Nicol\u00e1s de Cusa (s\u00e9c.XIV). Sem essa<br \/>\ncomunh\u00e3o \u00f4ntica a Cria\u00e7\u00e3o \u00e9 tr\u00e1gica, sujeita ao mal ou pecado, separada do seu Criador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O dualismo &#8220;diab\u00f3lico&#8221; Deus e o Mundo, no qual n\u00f3s estamos inclu\u00eddos, foi superado em Cristo, no qual n\u00f3s e o universo somos unidos a Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CRISTO, NOSSA P\u00c1SCOA (1Cor.5,7)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nossa rela\u00e7\u00e3o com Deus , segundo Kierkegaard (s\u00e9c. XIX) pode ser vivida em tr\u00eas dimens\u00f5es: est\u00e9tica, \u00e9tica e fiducial (f\u00e9 confiante). Esteticamente (de maneira sens\u00edvel e sentimental) nossa rela\u00e7\u00e3o com Deus \u00e9 externa, emocional e devocional, n\u00e3o existencial, isto \u00e9, n\u00e3o incorporada ao ser de nossa vida. Esta dimens\u00e3o religiosa torna-se folcl\u00f3rica e de costumes ou meramente cultural e, por vezes, alienante e supersticiosa. Neste<br \/>\nn\u00edvel religioso, s\u00f3 quem tem um crit\u00e9rio filos\u00f3fico, a se perguntar pelas \u00faltimas causas, pode experimentar Deus como um &#8220;sentimento de profunda depend\u00eancia&#8221;, como Schleiermacher, pai da filosofia da religi\u00e3o, constatou. N\u00e3o \u00e9 o mesmo &#8220;depender&#8221; de Deus do que ser e viver Nele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nPodemos nos relacionar com Deus, num segundo est\u00e1gio, eticamente, que consiste em estar &#8220;em paz com Deus&#8221; na medida em que cumprimos seus mandamentos. Esta dimens\u00e3o nos impede de fazer da religi\u00e3o uma magia alienante e mero sentimento. Entretanto, nos faz sentir a Salva\u00e7\u00e3o como imposs\u00edvel, pois jamais poderemos equacionar nosso dever moral ou \u00e9tico com o devido. Tamb\u00e9m esta dimens\u00e3o religiosa \u00e9 alienante, da qual despertou S\u00e3o Paulo, fan\u00e1tico fariseu da Lei, at\u00e9 se encontrar com Cristo Ressuscitado. O Deus da Antiga Alian\u00e7a, na Lei de Mois\u00e9s, foi desvirtuado pelo povo de Israel, ao transformar a obedi\u00eancia aos mandamentos de Deus em sua observ\u00e2ncia, isto \u00e9, a dimens\u00e3o \u00c9tica da religi\u00e3o tornou-se condi\u00e7\u00e3o existencial para manter sua rela\u00e7\u00e3o com Deus, n\u00e3o mais &#8221;<br \/>\nseu Deus&#8221; sen\u00e3o um Deus separado do qual espera-se pr\u00eamio ou castigo, segundo nossas obras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim como na dimens\u00e3o est\u00e9tica ou sentimental, Deus \u00e9 um ser superior e inacess\u00edvel, na dimens\u00e3o \u00c9tica, fica separado de n\u00f3s por causa de nossos pecados. Deus deu ao seu povo uma lei, n\u00e3o propriamente para ser cumprida, o que era imposs\u00edvel, mas para se identificar como sendo povo de Deus, &#8220;obediente&#8221;, do latim &#8220;ob-audire&#8221;, aberto \u00e0 Sua promessa de Salva\u00e7\u00e3o e comunh\u00e3o com Ele.<br \/>\nA Antiga Alian\u00e7a (uni\u00e3o com Deus) se faz nova e eterna em Cristo, no qual realiza-se a mesma promessa feita por Deus a Abra\u00e3o e seu povo e, nele, em favor de todos os povos, atrav\u00e9s do mist\u00e9rio da Sua Encarna\u00e7\u00e3o, pela qual Deus se faz homem e criatura em Jesus de Nazar\u00e9 e, o homem, se une existencialmente, no ser e na vida ao pr\u00f3prio Deus, de cuja diviniza\u00e7\u00e3o toda a cria\u00e7ao participa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A lei, diz S\u00e3o Paulo, exerce apenas a fun\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica, nos conduz \u00e0 Cristo, e nesta fun\u00e7\u00e3o tudo existe e subsiste em Deus. Entramos aqui na dimens\u00e3o &#8220;religiosa&#8221; da F\u00e9, pela qual, diz Kierkegaard, nos entregamos confiantes e nos sentimos vivendo em Deus. Uma experi\u00eancia, segundo K . Rahner, que s\u00f3 pode ser m\u00edstica ou de comunh\u00e3o com Deus. S\u00e3o Paulo nos revela essa m\u00edstica em Cristo dizendo: &#8220;N\u00e3o sou eu quem vive, mas Cristo que vive em mim&#8221; E acrescenta: &#8220;Tudo o que vivo no humano se faz vida minha no Filho de Deus&#8221; (Gl,2,20). Nos deparamos mais uma vez com a dificuldade de passar do vis\u00edvel ao invis\u00edvel, e de reconhecer &#8220;que o mundo vis\u00edvel n\u00e3o tem sua origem e fim no que se apalpa, sen\u00e3o em Deus&#8221; (Hb. 11,2).&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A F\u00e9 \u00e9 a maneira de ter o que se espera e de ver ou conhecer o que n\u00e3o vemos (Hb.11,1). Ela nos abre ao Mist\u00e9rio da Encarna\u00e7\u00e3o de sDeus em Cristo e da Sua morte e Ressurrei\u00e7\u00e3o, que nos faz &#8220;passar&#8221; ou, melhor, ser em Deus. Cristo, mais do que mediador, \u00e9 &#8220;meio&#8221; no qual somos divinizados. Dificilmente &#8220;vivemos pela F\u00e9&#8221;, essencialmente m\u00edstica; nossa rela\u00e7\u00e3o religiosa para com Deus fica na sua dimens\u00e3o est\u00e9tica ou \u00e9tica. N\u00e3o temos ainda existencializado o mist\u00e9rio da Encarna\u00e7\u00e3o e da P\u00e1scoa. O Natal \u00e9 vivido esteticamente, raiando ao folclore, e a P\u00e1scoa pouco mais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cristo nos parece excessivamente humano para ser Deus e excessivamente divino para ser humano. Da mesma maneira, a Ressurrei\u00e7\u00e3o \u00e9 excessivamente fato para ser hist\u00f3rico e excessivamente hist\u00f3rica para ser fato, por isso, acabamos vivendo existencialmente numa dimens\u00e3o religiosa est\u00e9tica ou \u00e9tica, duvidando da nossa salva\u00e7ao.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cremos em Deus, cada um \u00e0 sua maneira, mas n\u00e3o em Cristo, Deus feito homem, solid\u00e1rio com nossa condi\u00e7\u00e3o humana, pecado e morte, que nos une \u00e0 Sua condi\u00e7\u00e3o divina. A P\u00e1scoa \u00e9 um exerc\u00edcio permanente de &#8220;passagem&#8221; das realidades vis\u00edveis \u00e0s invis\u00edveis, do pecado e da morte enquanto estamos neste mundo, \u00e0 santidade e vida gloriosa e imortal. Isso requer a \u201csobrenaturalisa\u00e7\u00e3o\u201d do natural, que chamamos de espiritualidade ou vida do Esp\u00edrito pela qual nos sentimos unidos a Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;PARECEU BEM AO ESP\u00cdRITO SANTO E A N\u00d3S N\u00c3O VOS IMPOR O JUGO DA LEI&#8221; (At. 15,1-29)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Passagem do regime da lei ou dimens\u00e3o \u00c9tica da religi\u00e3o, professda pelo povo judeu, do qual procediam os primeiros crist\u00e3os, a come\u00e7ar pelos seus patriarcas, os ap\u00f3stolos, ao regime da gra\u00e7a em Cristo, n\u00e3o foi f\u00e1cil. Durante uma d\u00e9cada, os que reconheceram Jesus como o Messias anunciado pelos profetas, permaneceram, consanguinea e culturalmente, unidos ao povo judeu. O grande sinal ou rito pelo qual passavam a ser parte dele, era a circuncis\u00e3o. Em Antioquia (Turquia) onde S\u00e3o Paulo e Barnab\u00e9 anunciavam a Salva\u00e7\u00e3o de Cristo, tamb\u00e9m aos n\u00e3o judeus, os gentios, surge um problema: teriam estes de ser primeiro judeus pela circuncis\u00e3o, para serem crist\u00e3os? A quest\u00e3o foi levada por Paulo e Barnab\u00e9 a Jerusal\u00e9m onde permaneciam os Ap\u00f3stolos, crist\u00e3os, mas com<br \/>\nesp\u00edrito judaico. Celebrou-se o que chamamos de primeiro Conc\u00edlio m, pr\u00e1xis da hist\u00f3ria do cristianismo para discernir com o Esp\u00edrito Santo os caminhos a tomar nas diferentes circunst\u00e2ncias de cada momento da hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o de maneira &#8220;sinodal&#8221;, isto \u00e9, tentando caminhar juntos na estrada da f\u00e9. Depois do Conc\u00edlio Vaticano II, o Papa Paulo VI estabeleceu essa pedagogia conciliar ou sinodal permanente, a cada dois ou tr\u00eas anos, re\u00fane-se uma representa\u00e7\u00e3o eclesial do episcopado do mundo. Agora, com o Papa Francisco, tamb\u00e9m com a participa\u00e7\u00e3o dos leigos. &#8220;Igreja sempre reformanda&#8221;, em constante verifica\u00e7\u00e3o e renova\u00e7\u00e3o da sua F\u00e9. O pensar, crer e esperar \u00e9, ao mesmo tempo que recorda\u00e7\u00e3o, cria\u00e7\u00e3o e crescimento da verdade e da vida at\u00e9 atingir sua plenitude na Ressurrei\u00e7\u00e3o. Esse dinamismo &#8220;pascal&#8221; da F\u00e9 aplica-se a cada pessoa e aos povos e gera\u00e7\u00f5es. Se a nossa F\u00e9 \u00e9 a mesma do que quando fizemos a primeira comunh\u00e3o, \u00e9 porque de fato carecemos dela, ficando apenas na dimens\u00e3o est\u00e9tica ou \u00c9tica da nossa religiosidade natural, n\u00e3o podendo dizer com S\u00e3o Paulo, a medida que passa o tempo: &#8220;A Salva\u00e7\u00e3o est\u00e1 hoje mais perto do que quando come\u00e7amos&#8221; (Rm.13,11). O mesmo problema que tiveram os primeiros crist\u00e3os judeus, atrelados ao seu passado religioso, temos tamb\u00e9m n\u00f3s ap\u00f3s 20 s\u00e9culos de cristianimo. Condicionamos nosso pertencimento salv\u00edfico a Cristo \u00e0s tradi\u00e7\u00f5es, ritos e preceitos religiosos. At\u00e9 o Concilio Vaticano II, \u00e9ramos regidos pelo princ\u00edpio eclesial: &#8220;N\u00e3o h\u00e1 salva\u00e7\u00e3o fora da Igreja&#8221;. Os limbos e os infernos ficaram cheios, nos purgat\u00f3rios muitos outros esperando melhor sorte e os C\u00e9us eram morada de privilegiados. O Conc\u00edlio de Jerusal\u00e9m, nos prim\u00f3rdios do cristianismo, representou uma verdadeira revolu\u00e7\u00e3o &#8220;religiosa&#8221; para todos os tempos. A Salva\u00e7\u00e3o n\u00e3o mais est\u00e1 condicionada aos credos, filosofias, preceitos e ritos, pois realiza-se para todos os povos na pessoa de Cristo, nossa P\u00e1scoa. Ele \u00e9, como Ele mesmo disse, &#8220;a porta&#8221; pela qual, n\u00f3s e o universo, passamos desta condi\u00e7\u00e3o de pecado e de morte para o Reino feliz e glorioso de Deus. A Salva\u00e7\u00e3o \u00e9 interior ao ser humano e \u00e0 propria cria\u00e7\u00e3o. Quando Deus criou o mundo, programou sua Encarna\u00e7\u00e3o em Jesus de Nazar\u00e9, e sua morte e Ressurrei\u00e7\u00e3o. A religiosidade com a qual reveste-se este Mist\u00e9rio atrav\u00e9s de ritos, credos e preceitos, apenas \u00e9 roupagem da F\u00e9, dom de Deus que todos receberemos antes de deixar este mundo. O pr\u00f3prio Esp\u00edrito Santo &#8220;nos tirar\u00e1 o pecado de n\u00e3o crer na Salva\u00e7\u00e3o de Cristo&#8221; (Jo.16). De fato, &#8220;N\u00e3o foi dado aos homens outro nome (pessoa) pelo qual possamos ser Salvos a n\u00e3o ser o de Jesus Cristo&#8221; (At.4,12). Foi essa a grande conclus\u00e3o de Pedro, iluminado pelo Esp\u00edrito Santo, anunciando ao povo e chefes de Jerusal\u00e9m a Cristo Ressuscitado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n&#8220;Porque se confessares com tua boca e teu cora\u00e7\u00e3o que Jesus \u00e9 Senhor (Deus) ser\u00e1s salvo&#8221; (Rm.10). Se cremos que Jesus de Nazar\u00e9, ou melhor de Bel\u00e9m, morto e Ressuscitado em Jerusal\u00e9m, \u00e9 o pr\u00f3prio Deus, que veio a este mundo, n\u00e3o a fazer turismo, nem a julg\u00e1-lo e conden\u00e1-lo mas para salv\u00e1-lo do pecado e da morte, certamente n\u00e3o podemos duvidar que todos seremos salvos. N\u00e3o ser\u00e3o nossos m\u00e9ritos e nem sequer a pr\u00f3pria f\u00e9 que nos salva, sen\u00e3o Cristo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando afirmamos que somos salvos pela f\u00e9 dizemos que s\u00f3 pela f\u00e9 confiante em Cristo sabemos que, de fato, somos salvos. A diferen\u00e7a entre ter f\u00e9 e n\u00e3o t\u00ea-la, diz Santo Agostinho, \u00e9 a mesma que existe entre um cego e um vidente. Ambos vivem, mas um enxerga e outro n\u00e3o.<br \/>\nH\u00e1 uma f\u00e9 incipiente em toda religi\u00e3o, pela qual atribuimos o ser e a vida a um Criador e, de alguma maneira, a possibilidade da nossa salva\u00e7\u00e3o. No Conc\u00edlio de Jerusal\u00e9m valoriza-se e purifica-se essa f\u00e9 incipiente, proibindo &#8220;comer das carnes dos animais sacrificados aos \u00eddolos&#8221;, revelando que o verdadeiro Deus s\u00f3 pode ser UM. No AT, o maior e, praticamente, o \u00fanico pecado, do qual derivam todos os pecados \u00e9 a idolatria, esperar a vida de algo ou algu\u00e9m que n\u00e3o \u00e9 o verdadeiro Deus, com o qual Cristo identificou-se: &#8220;Credes em Deus, crede em mim&#8221; (Jo.14,1). &#8220;Eu e o Pai somos um&#8221; (Jo.10,30) &#8220;Ningu\u00e9m vai ao Pai sen\u00e3o por mim&#8221; (Jo.10). O profeta Zacarias , no s\u00e9culo VI a.C, vislumbrou essa divindde \u00fanica e salvadora de Cristo para todos os povos: &#8220;Os habitantes de todas as<br \/>\nna\u00e7\u00f5es vir\u00e3o para asir o manto de um judeu, dizendo: queremos ir contigo porque Deus est\u00e1 contigo&#8221; (Zc.8,23). Quem tem esta vis\u00e3o cristoc\u00eantrica torna mais clara e f\u00e1cil a pr\u00e1tica da sua f\u00e9, superando a confusa e complicada dimens\u00e3o religiosa, est\u00e9tica e \u00e9tica, que nos deixa na d\u00favida e no temor em nossa rela\u00e7\u00e3o com Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esteticamente, s\u00f3 a Deus devemos adorar. Eticamente, temos de fazer uma \u201cop\u00e7\u00e3o fundamental&#8221; em tudo quanto fazemos por Deus, relativizando nossas coisas, ideias e atos. Este Absoluto vive-se pela f\u00e9. Mesmo no pecado, ca\u00eddos, caminhamos ,&#8221;levantando nossos olhos para os montes (Deus) de onde nos vir\u00e1 o aux\u00edlio&#8221; ((Sl.121. S\u00e3o Paulo ser\u00e1 mais preciso:&#8221;tendo os olhos fixos em Cristo&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;N\u00c3O VI NENHUM TEMPLO NA CIDADE DE JERUSAL\u00c9M, POIS SEU TEMPLO \u00c9 O SENHOR&#8221; (Ap. 21,10- 23)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como dissemos, dias atr\u00e1s, o livro do Apocalipse que lemos durante este tempo da P\u00e1scoa, \u00e9 o Evangelho de Cristo Ressuscitado. Revela-nos atrav\u00e9s de s\u00edmbolos nosso futuro glorioso n\u00e3o antes de passarmos pelo pecado, pela dor e pela morte deste mundo. Por especial dom prof\u00e9tico, S\u00e3o Jo\u00e3o contempla na cidade santa de Jerusal\u00e9m, cidade de Deus com todos os povos, sem templos, pois o templo (morada de Deus) \u00e9 a pessoa de Cristo, destru\u00eddo na sua morte e reconstru\u00eddo para sempre com Sua Ressurei\u00e7\u00e3o. N\u00e3o feito com tijolos humanos, nem c\u00f3smicos sen\u00e3o por obra de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Templo \u00danico<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Interessante \u00e9 o fato do povo judeu, fan\u00e1tico por seu Templo em Jerusal\u00e9m, ao longo da sua hist\u00f3ria, destruido no ano 70 por ordem do Imperador romano Tito, conservar apenas algumas pedras das suas ru\u00ednas, sem projeto algum para reconstrui-lo. Cumprem, sem sua pr\u00f3pria vontade, a profecia de S\u00e3o Jo\u00e3o: A hist\u00f3ria terminar\u00e1 reconhecendo que Cristo \u00e9 o \u00fanico templo onde encontrar a Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todas as religi\u00f5es t\u00eam seus templos ou lugares sagrados para invocar seu Deus, assim como determinadas horas para orar. Tempo e lugar condicionam nosso pensar e tamb\u00e9m nossas cren\u00e7as humanas. Por isso precisamos de templos para orar. No Reino dos C\u00e9us, n\u00e3o mais espacial e temporal, Deus ser\u00e1 em n\u00f3s e n\u00f3s em Deus. Nossa rela\u00e7\u00e3o n\u00e3o ser\u00e1 mediada por ritos, sacerdotes e<br \/>\nora\u00e7\u00f5es, pois viveremos em comunh\u00e3o de ser e vida com Deus. Algo imposs\u00edvel de imaginar ou representar com nossas categorias mentais, regidas pelo princ\u00edpio de individua\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria. Tudo o que existe neste mundo \u00e9 revestido de uma por\u00e7\u00e3o de mat\u00e9ria concreta, localizada em um determinado espa\u00e7o e no tempo.O infinito e o eterno foge \u00e0 nossa compreens\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 ainda uma outra profecia revelada a S\u00e3o Jo\u00e3o nesta vis\u00e3o evang\u00e9lica. Ele nota haver tr\u00eas portas abertas, dia e noite em cada um dos quatro lados da cidade da Jerusal\u00e9m celeste, Dos quatro pontos cardiais, todos os povos vir\u00e3o e entrar\u00e3o pelas tres portas da mans\u00e3o de Deus. Do Deus das religi\u00f5es (Criador), do Deus da F\u00e9 (Cristo) e do Deus do amor divinizante (Esp\u00edrito Santo). Esta profecia, que anuncia a Salva\u00e7\u00e3o universal, ainda n\u00e3o chegou ao conhecimento de todos os povos, nem mesmo do povo crist\u00e3o. Ainda n\u00e3o temos \u201cexistencializado\u201d a Encarna\u00e7\u00e3o de Deus em Cristo nem a P\u00e1scoa da Sua morte e Ressurrei\u00e7\u00e3o, vivendo receios, d\u00favidas e temores em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 nossa Salva\u00e7\u00e3o. Ecoa em n\u00f3s a temerosa cren\u00e7a medieval: &#8220;Que tenho de morrer \u00e9 infal\u00edvel. Deixar de ver a Deus e condenar-me , triste coisa ser\u00e1 mas n\u00e3o imposs\u00edvel&#8221;. A raz\u00e3o deste receio radica em n\u00e3o ver a Salva\u00e7\u00e3o na pessoa de Cristo, o pr\u00f3prio Deus encarnado em n\u00f3s e no mundo, e esperar a Salva\u00e7\u00e3o como pr\u00eamio merecido ou gra\u00e7a divina acrescentada ao nosso ser de criaturas e nao na condi\u00e7\u00e3o de sermos seus filhos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A rela\u00e7\u00e3o religiosa, natural ao ser humano, com Deus at\u00e9 os ateus n\u00e3o podem evitar. &#8220;Quem sabe se Deus ainda nos pode salvar&#8221;, disse Heidegger, em seu camuflado ate\u00edsmo. A quest\u00e3o da vida ou da morte que, na consci\u00eancia do dever, \u00e9 revelada<br \/>\nem Dt. 30,15, n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o moral, mas a maneira de nos identificarmos como povo de Deus. &#8220;Eu sou Deus e voc\u00eas, meu povo &#8221; (Lv.26,12). A dimens\u00e3o est\u00e9tica e \u00c9tica da F\u00e9 s\u00e3o meios para n\u00f3s tornarmos conscientes de que pertencemos a Deus, destinados vitalmente a Ele. Quando isto n\u00e3o acontece, nossa alian\u00e7a e comunh\u00e3o com Deus torna-se um contrato legal e bilateral imposs\u00edvel de cumprir por nossa parte. O homem \u00e9 hist\u00f3rico e, na sua hist\u00f3ria, experimenta sua exist\u00eancia referida a Deus. &#8220;Ordo hominis ad Deum&#8221;, o homem est\u00e1 ordenado a Deus, disse Santo Tom\u00e1s de Aquino. Uma aspira\u00e7\u00e3o imposs\u00edvel de realizar sem Cristo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ser humano \u00e9 precedido por Deus em Cristo.. Ele \u00e9 Quem vem ao nosso encontro para nos levar com Ele (Jo.14). Somos a possibilidade infinita e eterna de Deus. Seremos nele e Ele em n\u00f3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;SE ALGU\u00c9M ME AMA, GUARDAR\u00c1 MINHA PALAVRA E MEU PAI O AMAR\u00c1 E VIREMOS A ELE E NELE FAREMOS NOSSA MORADA&#8221; (Jo. 14,23-29)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O amor culmina na unidade dos amantes. A filosofia grega distinguia no amor tr\u00eas dimens\u00f5es: &#8220;Eros&#8221;, amor de posse de coisas ou pessoas. &#8220;philia&#8221;, amor rec\u00edproco dos amigos. &#8220;\u00c1gape&#8221;, amor de entrega total \u00e0 pessoa amada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Martin Buber o definia como ser o outro. Proeza imposs\u00edvel de realizar pelo ser humano por n\u00e3o ter o ser e a vida em propriedade, mas recebida de Deus. Por isso S\u00e3o Jo\u00e3o diz: N\u00e3o fomos n\u00f3s, mas Deus quem nos amou primeiro&#8221;. Na medida que somos de, e em Deus, \u00e9 que podemos amar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nenhuma filantropia tem futuro. S\u00f3 podemos amar o que n\u00e3o morre, diz Gabriel Marcel e, tamb\u00e9m, se, amando, n\u00f3s mesmos n\u00e3o morremos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Arist\u00f3teles<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todo ego\u00edsmo nasce pelo medo da morte (Hb. 2,16). Se n\u00e3o temos por certa nossa Ressurrei\u00e7\u00e3o em Cristo, nem Deus nos pode amar, nem n\u00f3s a Ele. Nisso Arist\u00f3teles (eles s\u00e9c. IV a.C.) foi feliz afirmando: &#8220;Podemos amar Deus, mas n\u00e3o Ele a n\u00f3s&#8221;, porque somos mortais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O amor filos\u00f3fico de Arist\u00f3teles, como o de Plat\u00e3o, s\u00f3 pode ser er\u00f3tico, desejo de posse. Um beijo com o qual nossos l\u00e1bios nunca tocar\u00e3o o rosto de Deus. Nosso amor a Deus \u00e9 reflexo: porque nos foi revelado que Deus nos ama ao &#8220;extremo&#8221;, ao ponto de entregar sua pr\u00f3pria vida em Cristo (Jo.13,1). Este amor reflete em n\u00f3s, como o sol, na lua. Para amar a Deus, amemos os outros, todas Suas criaturas. Por isso, com a F\u00e9 e a esperan\u00e7a, o amor &#8220;\u00e1gape&#8221; ou a caridade, as chamamos de virtudes teologais (atributos divinos), que recebemos de Deus. Estas virtudes, exercitadas, dia a dia, v\u00e3o crescendo em n\u00f3s, na medida em que experimentamos nossa vida em Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Maior a f\u00e9 e esperan\u00e7a divinas em n\u00f3s, maior certeza da nossa pr\u00f3pria Salva\u00e7\u00e3o. Maior amor, nascido tamb\u00e9m de Deus, maior consci\u00eancia de sermos filhos Dele e irm\u00e3os entre n\u00f3s. At\u00e9 Cristo este amor paterno e filial da nossa rela\u00e7\u00e3o com Deus era desconhecido: Deus estava no c\u00e9u. O &#8220;Deus conosco&#8221; (Emanuel) prometido atrav\u00e9s dos profetas permanecia no horizonte da esperan\u00e7a. Em Cristo, ainda que vivamos no pecado, na dor e na morte, cresce em n\u00f3s a vida imortal e gloriosa da Ressurrei\u00e7\u00e3o. N\u00e3o o percebemos, como n\u00e3o percebemos o germinar e desabrochar das sementes, mas atua com o poder e amor invenc\u00edveis de Deus .Fato este meta-hist\u00f3rico, por isso imposs\u00edvel de constatar sensivelmente ou entender pela raz\u00e3o. Mist\u00e9rio da F\u00e9 que nos faz sentir a vida em Deus. Um c\u00e9u, cidade de Deus, povoado de pequenos deuses, n\u00f3s e os anjos, mesmo &#8220;afiliados&#8221;, nos tornaria apenas h\u00f3spedes e n\u00e3o seus verdadeiros filhos, consangu\u00edneos, com a mesma vida Dele. A Salva\u00e7\u00e3o nos diviniza.<br \/>\n&#8220;Se algu\u00e9m me ama&#8221;, reconhece Meu amor, o aprecia e O &#8220;guarda&#8221; como seu maior dom, experimentar\u00e1 a presen\u00e7a real de Deus na sua vida. N\u00e3o apenas ser\u00e1 &#8221; imagem de Deus&#8221;, por ser criatura Dele com especial distin\u00e7\u00e3o no meio de toda a cria\u00e7\u00e3o, mas Seu pr\u00f3prio Templo, morada. &#8220;Vosso corpo \u00e9 Santu\u00e1rio do Esp\u00edrito Santo&#8221; (1Cr. 6,19). Habita\u00e7\u00e3o de Deus&#8221; (Ef. 2,22). Esta maneira de entender nossa rela\u00e7\u00e3o com Deus foi fonte da maravilhosa espiritualidade da &#8220;em-habita\u00e7\u00e3o&#8221;, vivida por muitos crist\u00e3os, que consiste em sentir Deus morando em n\u00f3s. Ele diz que Santo Agostinho \u00e9 mais \u00edntimo do que n\u00f3s mesmos. Embora vivida de maneira esteticamente religiosa, por isso a expressamos dizendo: Deus \u00e9 &#8220;h\u00f3spede de nossas almas&#8221; , &#8220;temos&#8221;,&#8221;O levamos&#8221; &#8220;est\u00e1 dentro de n\u00f3s&#8221;&#8230; mas n\u00e3o O percebemos misticamente em comunh\u00e3o de ser e vida ao ponto de poder dizer com S\u00e3o Paulo: &#8220;N\u00e3o sou eu quem vive, mas Cristo (Deus) Quem vive em mim&#8221; (Gl. 2,20). Depois de Cristo, matar uma pessoa ou tirarmos nossa pr\u00f3pria vida, n\u00e3o \u00e9 uma ofensa a Deus, por termos sido criados \u00e0 sua imagem, mas verdadeiro deic\u00eddio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ver Deus em seu Irm\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em Cristo, cada pessoa \u00e9 o pr\u00f3prio Deus. Le\u00f4nidas, pai do grande pensador da f\u00e9, Or\u00edgenes (s\u00e9c. III) costumava se ajoelhar quando este era crian\u00e7a para lhe adorar. Vendo Deus em seu filho. Seremos plenamente humanos quando veremos a Deus no rosto de cada pessoa. De outra maneira, &#8220;o homem ser\u00e1 lobo para o homem&#8221;, como disse Hobbes (s\u00e9c. XVII). O amor de Deus leva \u00e0 unidade. &#8220;Que todos sejam um como n\u00f3s somos um&#8221; (Jo.17), a comunh\u00e3o de ser e vida. Por isso, afirma K- Rahner, o cristianismo, F\u00e9 e vida em Cristo, s\u00f3 pode ser m\u00edstico. Esta maneira de interpretar nossa F\u00e9 na clave de amor, nos leva a ver nossa exist\u00eancia e a exist\u00eancia do mundo n\u00e3o com as categorias mentais de pecado e de reden\u00e7\u00e3o, sen\u00e3o de cria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se Deus nos criou \u00e9 porque nos ama e nos d\u00e1 vida com tudo o que ela precisa para ser vivida neste mundo e no seu Reino. Na medida que amamos, cuidamos e promovemos a vida terrena, n\u00e3o s\u00f3 somos gratos a Deus como tamb\u00e9m esperamos nele a vida eterna e feliz. Os sofrimentos e doen\u00e7as, vida e morte, assim como o pecado, integram o plano criador de Deus que ter\u00e1 sua plenitude na Ressurrei\u00e7\u00e3o. Os males da vida presente t\u00eam sentido dentro do di\u00e1logo amoroso de Deus, pelo qual Ele nos salva e n\u00f3s nos deixamos salvar por Ele. O amor \u00e9 pascal: entrega da vida, para receb\u00ea-la em plenitude. &#8220;Sofrer por amor&#8221;, chamamos amor apaixonado, desejo &#8220;erotico&#8221; de viver em comunh\u00e3o com Deus. Por isso, sua verdadeira express\u00e3o evang\u00e9lica n\u00e3o \u00e9 na forma de mandamento: &#8220;Amai&#8221; sen\u00e3o \u00f4ntica: &#8220;Permanecei no meu amor&#8221; (Jo.15,9). Isto \u00e9, sentirmo-nos amados por Deus, unidos a Ele: Se nos criou \u00e9 porque nos quer e ama e, se nos ama \u00e9 porque nos dar\u00e1 tudo quanto Ele tem: sua pr\u00f3pria vida. &#8220;Prova de amor maior n\u00e3o h\u00e1 do que dar a vida pelos que amamos&#8221; (Jo. 15,13). Dom excessivo \u00e0 nossa raz\u00e3o que exige uma grande dose de f\u00e9 para ser vivido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CRISTO NOSSA P\u00c1SCOA.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Padre Jesus Priante, Espanha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Edi\u00e7\u00e3o e intert\u00edtulos por Malcolm Forest. S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Copyright 2022 Padre Jesus Priante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Direitos Reservados.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O termo grego Pascha, derivado do hebraico Pesah, embora de origem etimol\u00f3gica discut\u00edvel, adquiriu culturalmente o sentido de &#8220;passagem&#8221;. A P\u00e1scoa \u00e9 a passagem de Deus que nos faz passar de uma situa\u00e7\u00e3o de escravid\u00e3o, pecado e de morte a uma vida nova. 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