{"id":73853,"date":"2022-05-12T09:46:36","date_gmt":"2022-05-12T12:46:36","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=73853"},"modified":"2022-05-16T14:47:36","modified_gmt":"2022-05-16T17:47:36","slug":"um-novo-mandamento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/um-novo-mandamento\/","title":{"rendered":"Um novo mandamento"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Viver na hist\u00f3ria significa pertencer a uma comunidade de mulheres e homens que nos precederam, que constru\u00edram casas, cultivaram a terra, lutaram para sobreviver, inventaram instrumentos, desenvolveram tecnologias, amaram e esperam, etc. N\u00e3o se pode esquecer e nem desvalorizar o que aconteceu antes de n\u00f3s, o que nos abriu um caminho. Por outro lado, sabemos que naturalmente somos impulsionados para o futuro e para coisas novas. N\u00e3o somente o novo no sentido de tempo, mas novo na qualidade. Esta \u00e9 a mensagem central da liturgia do quinto domingo do Tempo Pascal, o novo. (Atos 14, 21b-27; Salmo 14, Apocalipse 21,1-5a e Jo\u00e3o 13, 31-35). \u201cEis que fa\u00e7o novas todas as coisas\u201d e \u201ceu vos dou um novo mandamento\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Diante do novo mandamento de Jesus, que \u00e9 mais do que um simples desejo ou recomenda\u00e7\u00e3o, Santo Agostinho se interrogava: \u201cMas este mandamento j\u00e1 n\u00e3o estava escrito na antiga lei de Deus, onde se l\u00ea: <em>Amar\u00e1s o teu pr\u00f3ximo como a ti mesmo? <\/em>(Lev\u00edtico 19,18)\u201d. Onde est\u00e1 o novo? A novidade est\u00e1: \u201cComo eu vos amei\u201d. A partir de agora a medida do mandamento do amor n\u00e3o \u00e9 mais a medida humana, \u201ca si mesmo\u201d, mas o par\u00e2metro de compara\u00e7\u00e3o \u00e9 divino, o modo de amar de Jesus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O mandamento novo de Jesus vai na contram\u00e3o da nossa cultura. Na cultura ocidental a partir da Idade Moderna o homem vai se considerando o centro do mundo. Afirma-se que se passa do teocentrismo, isto \u00e9, Deus como centro, uma das caracter\u00edsticas da Idade M\u00e9dia, para o antropocentrismo, onde o homem \u00e9 o personagem principal. Este modo ocidental de pensar foi se desenvolvendo e, com o passar dos s\u00e9culos, segundo alguns pensadores, transformou o antropocentrismo em antropote\u00edsmo. Agora o homem \u00e9 a divindade. \u00c9 unicamente ele que tem nas m\u00e3os o seu rumo e seu futuro. \u00c9 o homem que define o que \u00e9 o bem e o mal. A vontade dele deve ser realizada. Ele governa e decide tudo baseado unicamente na raz\u00e3o, na tecnologia e na legisla\u00e7\u00e3o convencionada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Como conjugar o amor humano e a novidade de Jesus \u201ccomo eu vos amei\u201d? Amar como Jesus amou significa destronar o homem? Seria uma viol\u00eancia contra a natureza humana? S\u00e3o amores excludentes? Pode haver um di\u00e1logo entre os homens e Deus sobre o amor? A antropologia crist\u00e3, isto \u00e9, a vis\u00e3o crist\u00e3 de ser humano entende que \u201camar com Jesus amou\u201d n\u00e3o diminui e nem agride os humanos, pelo contr\u00e1rio, torna os humanos mais humanos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Voltando a santo Agostinho: \u201c\u00c9 este amor que nos renova, transformando-nos em homens novos, herdeiros da nova Alian\u00e7a, cantores do canto novo. Foi este amor, car\u00edssimos irm\u00e3os, que renovou outrora os antigos justos, os patriarcas e os profetas e, posteriormente, os santos ap\u00f3stolos. Ainda hoje \u00e9 ele que renova as na\u00e7\u00f5es e re\u00fane todo o g\u00eanero humano espalhado pelo mundo inteiro, formando um s\u00f3 povo novo. (&#8230;) Se um membro sofre, todos sofrem com ele; se um membro \u00e9 honrado, todos os outros se alegram com ele\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u201cComo eu vos amei\u201d se torna para os crist\u00e3os o fundamento do amor e a sua identidade. Isto significa tr\u00eas coisas. Antes de tudo que, sem Cristo, ficamos limitados ao nosso eu, ao nosso horizonte, aos nossos pr\u00e9-ju\u00edzos. Em segundo lugar, que o amor crist\u00e3o n\u00e3o ser\u00e1 jamais mercen\u00e1rio, jamais estar\u00e1 condicionado \u00e0 mutua troca, isto \u00e9, eu te amo se tu me amas. O fundamento do amor de Cristo \u00e9 a gratuidade, simplesmente gratuidade. E, por \u00faltimo, que o amor crist\u00e3o n\u00e3o pode reduzir-se a uma compaix\u00e3o sentimental e est\u00e9ril. O amor ou \u00e9 construtivo e operoso ou n\u00e3o \u00e9 amor. Porque Jesus insistiu tanto no novo mandamento? Porque ele \u00e9 mais inovador e construtivo que o orgulho humano da autossufici\u00eancia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Viver na hist\u00f3ria significa pertencer a uma comunidade de mulheres e homens que nos precederam, que constru\u00edram casas, cultivaram a terra, lutaram para sobreviver, inventaram instrumentos, desenvolveram tecnologias, amaram e esperam, etc. N\u00e3o se pode esquecer e nem desvalorizar o que aconteceu antes de n\u00f3s, o que nos abriu um caminho. 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