{"id":73599,"date":"2022-04-25T09:03:29","date_gmt":"2022-04-25T12:03:29","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=73599"},"modified":"2022-04-27T15:04:40","modified_gmt":"2022-04-27T18:04:40","slug":"tocando-feridas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/tocando-feridas\/","title":{"rendered":"TOCANDO FERIDAS"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Um dos aspectos mais marcantes dos fatos que alardearam e comprovaram a ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo est\u00e1 na incredulidade humana, em especial aquela representada pela incredulidade do amigo Tom\u00e9. Esse nos representa. Esse, de fato, age como qualquer humano em sua racionalidade imediata, que exige provas, quer ver, tocar, sentir&#8230; Estava longe dos fatos, ausente do clima euf\u00f3rico que permeou o cora\u00e7\u00e3o daqueles que se deixaram envolver pelos \u201c\u00faltimos acontecimentos\u201d, revela\u00e7\u00f5es e manifesta\u00e7\u00f5es dos agraciados pela presen\u00e7a miraculosa de Jesus ap\u00f3s sua paix\u00e3o e morte. \u201cN\u00f3s vimos o Senhor, Ele esteve entre n\u00f3s, Ele vive\u201d!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ora, a rea\u00e7\u00e3o daquele que chegou atrasado, que nada disso testemunhou, n\u00e3o poderia ser outra. \u201cS\u00f3 acredito vendo; s\u00f3 acredito se tocar suas feridas, sentir a profundidade dos pregos, o corte da lan\u00e7a em seu peito\u201d. Isso ele viu, sentiu, chorou em sua agonia e dor. As feridas que os homens provocaram em Jesus, de certa forma, tamb\u00e9m foram provocadas e infringidas em seu pr\u00f3prio corpo. Solid\u00e1rio na dor daquele amigo injusti\u00e7ado e impotente diante de suas fraquezas, Tom\u00e9 nada pode fazer. Ent\u00e3o fugiu acovardado. Ao retornar, para sua surpresa, o clima era outro. Havia alegria inv\u00e9s de tristeza. Havia uma esperan\u00e7a renovada, uma euforia inexplic\u00e1vel, um fato novo: Ele vive!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ent\u00e3o o amigo da hora tardia exp\u00f5e sua incredulidade. E manifesta sua solidariedade, desejando tocar, sentir, acariciar as feridas do \u201cbom Mestre\u201d das profundas li\u00e7\u00f5es que ainda guardava em seu cora\u00e7\u00e3o. Foi bom conhece-lo. Foi bom ouvir seus ensinamentos, seguir seus passos, viver com Ele uma experi\u00eancia de profunda e incondicional amizade. \u201cJ\u00e1 n\u00e3o vos chamo de servos, por\u00e9m de amigos, porque revelei a voc\u00eas tudo aquilo que ouvi de meu Pai\u201d (Jo 15,15). Como esquecer t\u00e3o grande prova de amor, t\u00e3o profundas revela\u00e7\u00f5es? Mas o mundo rejeitou essa amizade e condenou suas palavras num mart\u00edrio de cruz jamais visto na face da terra pelas agruras e sofrimentos impingidos a um inocente. Testemunhou tudo isso com o cora\u00e7\u00e3o partido, a alma dilacerada pela dor e sofrimento. Ouviu com clareza seu \u201cConsumatum est\u201d, seu brado final. E se afastou arrasado!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00c9 fato que a dor da perda provoca descr\u00e9dito, agride a esperan\u00e7a, cria desilus\u00f5es. \u00c9 fato tamb\u00e9m que a rea\u00e7\u00e3o diante das decep\u00e7\u00f5es tem sempre uma exclama\u00e7\u00e3o de solidariedade e consterna\u00e7\u00e3o. \u201cN\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel! N\u00e3o acredito! Eu vi, senti sua dor, chorei a cada martelada, ouvi seu \u00faltimo suspiro!\u201d Ent\u00e3o o amigo enlutado s\u00f3 acredita se lhe for dada uma oportunidade de \u201ctocar as feridas\u201d do amigo injusti\u00e7ado. H\u00e1 aqui algo maior na dor de Tom\u00e9. N\u00e3o \u00e9 apenas quest\u00e3o de incredulidade, mas tamb\u00e9m de solidariedade diante dos fatos. Uma rea\u00e7\u00e3o tipicamente humana, que deixa de lado, momentaneamente, a m\u00edstica das \u201cboas not\u00edcias\u201d para encarar a realidade que nos cerca. Neste aspecto, a incredulidade de Tom\u00e9 n\u00e3o chega a ser uma nega\u00e7\u00e3o de f\u00e9, mas uma virtude dos que exigem maiores provas. Talvez a grande virtude da m\u00edstica realista dos homens de Deus. N\u00e3o condenemos essa f\u00e9 que exige provas. Ela \u00e9 maior do que a f\u00e9 daqueles que tudo aceitam sem questionamentos, a f\u00e9 \u201cda Maria que vai com as outras\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00c9 bom aprimorar nossos conceitos, amadurecer nossa espiritualidade na f\u00e9 que exige provas. Hoje, mais do que nunca, precisamos desse amadurecimento na f\u00e9. Mais do que nunca, o mundo nos questiona e exige provas. Mais do que nunca, Tom\u00e9, o amigo que chegou atrasado, diz ao mundo que para viver uma experi\u00eancia com o Ressuscitado, \u00e9 preciso tamb\u00e9m sentir a profundidade de suas feridas. E toc\u00e1-las com rever\u00eancia e devo\u00e7\u00e3o, exclamando com alegria: \u201cMeu Senhor e meu Deus\u201d!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Um dos aspectos mais marcantes dos fatos que alardearam e comprovaram a ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo est\u00e1 na incredulidade humana, em especial aquela representada pela incredulidade do amigo Tom\u00e9. Esse nos representa. Esse, de fato, age como qualquer humano em sua racionalidade imediata, que exige provas, quer ver, tocar, sentir&#8230; Estava longe dos fatos, ausente [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":17,"featured_media":55826,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-73599","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/73599","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/users\/17"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=73599"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/73599\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":73600,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/73599\/revisions\/73600"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media\/55826"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=73599"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=73599"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=73599"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}