{"id":73521,"date":"2022-04-24T09:36:09","date_gmt":"2022-04-24T12:36:09","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=73521"},"modified":"2022-04-24T14:00:58","modified_gmt":"2022-04-24T17:00:58","slug":"domingo-da-divina-misericordia-cartas-do-padre-jesus-priante","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/domingo-da-divina-misericordia-cartas-do-padre-jesus-priante\/","title":{"rendered":"Domingo da Divina Miseric\u00f3rdia &#8211; Cartas do Padre Jesus Priante"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Com este t\u00edtulo, o Papa Jo\u00e3o Paulo II consagrou este Domingo completando o sentido salv\u00edfico da P\u00e1scoa. A ressurrei\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a vit\u00f3ria ou liberta\u00e7\u00e3o da morte, mas tamb\u00e9m do pecado. No cemit\u00e9rio deixaremos nossos restos mortais e os v\u00edrus (veneno) de nossos pecados. Se tiv\u00e9ssemos de sair deste mundo, carregando o peso de nossas culpas, melhor seria ficarmos para sempre no cemit\u00e9rio, pois a vida eterna seria um verdadeiro inferno, como nos revela o relato de Caim ap\u00f3s ter matado seu irm\u00e3o Abel. Andou errante sem descanso desejando ser engolido pela terra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todos n\u00f3s temos assimilado o conceito da ressurrei\u00e7\u00e3o como vit\u00f3ria contra nosso &#8221; \u00faltimo inimigo a ser vencido, que \u00e9 a morte&#8221; (1Cor, 15,26). Dificilmente atribu\u00edmos, com o mesmo realismo, \u00e0 ressurrei\u00e7\u00e3o a vit\u00f3ria ou liberta\u00e7\u00e3o de nossos pecados. A celebra\u00e7\u00e3o deste Domingo visa fazer-nos conscientes de que em Cristo, morto e ressuscitado, fomos inteiramente salvos, do pecado e da morte; fato que s\u00f3 podemos entender \u00e0 luz do Mist\u00e9rio da Encarna\u00e7\u00e3o: o pr\u00f3prio Deus se incorporou \u00e0 nossa condi\u00e7\u00e3o humana para sermos divinizados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Natal dispensaria a P\u00e1scoa, mas sem este acontecimento n\u00e3o conhecer\u00edamos humanamente que em Jesus de Nazar\u00e9 fomos unidos a Deus na nossa condi\u00e7\u00e3o de mortais e pecadores. Em Cristo, n\u00e3o mais nascemos homens, mas filhos de Deus \u00e0 maneira humana por toda eternidade. A salva\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 propriamente uma gra\u00e7a ou dom externo de Deus, como quando se d\u00e1 uma esmola para socorrer um necessitado. Na pessoa de Cristo, mais do que por Ele, recebemos a vida de Deus. Ele n\u00e3o \u00e9 mediador sen\u00e3o meio divino de nossa salva\u00e7\u00e3o. Sua P\u00e1scoa, passagem \u00e0 vida eterna e feliz, \u00e9 nossa p\u00e1scoa. Frente a este grande mist\u00e9rio de nossa salva\u00e7\u00e3o, a \u00faltima palavra de nossas palavras \u00e9 o sil\u00eancio, e a primeira palavra do nosso sil\u00eancio se faz adora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A RESSURREI\u00c7\u00c3O NOS FAZ SANTOS EM CRISTO<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Sereis santos porque eu sou santo&#8221; (Num.11,14) Jesus alude a esta profecia no Serm\u00e3o da Montanha: &#8220;Sejam santos como Deus \u00e9 Santo&#8221; (Mt.5,48). Se essas palavras tivessem um sentido moral, al\u00e9m de serem imposs\u00edveis de cumprir, negariam a verdade da f\u00e9 que proclamamos no belo hino do Gl\u00f3ria: &#8220;S\u00f3 Tu \u00e9s Santo, s\u00f3 Tu, Senhor&#8221;. Sa\u00edmos do Deus, santo e bom, mordidos pela nada do pecado e da morte para &#8220;Ele ter miseric\u00f3rdia conosco&#8221;(Rm.11, 32).&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Pecado Original<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nenhum mortal est\u00e1 na gra\u00e7a de Deus pelo cumprimento da Lei&#8221; (Rm.3,20)&#8221;. Se algu\u00e9m disser estar sem pecado, \u00e9 um mentiroso&#8221; (1Jo, 1,8). O pecado \u00e9 nosso existencial ou maneira de existir na condi\u00e7\u00e3o de criaturas, separadas temporalmente de Deus. Nisto consiste o que chamamos &#8220;pecado original&#8221;, no qual nascemos e vivemos at\u00e9 o dia de nossa ressurrei\u00e7\u00e3o, e do qual derivam todos os pecados e males do mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O pecado original n\u00e3o foi um acidente ou ato hist\u00f3rico de Ad\u00e3o e Eva. Ele \u00e9 constitutivo de nosso ser criatural. N\u00e3o h\u00e1 uma leitura arqueol\u00f3gica, que nos reporte a Ad\u00e3o e Eva. A teoria da Evolu\u00e7\u00e3o, mais do que mera hip\u00f3tese, desmente essa leitura. O ser humano nunca esteve num id\u00edlico Para\u00edso, livre do pecado e da morte. Estes s\u00e3o o limite da nossa natureza humana e c\u00f3smica que postula e exige a escatol\u00f3gica gen\u00e9tica da ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo. &#8220;Nele n\u00e3o temos mais o pecado&#8221; (1Jo. 3,5). Em Cristo a historicidade do homem n\u00e3o se esgota nos seus atos de pecado e de morte, pr\u00f3prios da nossa condi\u00e7\u00e3o de criaturas at\u00e9 nossa comunh\u00e3o gloriosa com Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 fomos salvos, mas ainda persiste a tend\u00eancia pecaminosa de nos separarmos de Deus, que se faz manifesta na pluralidade ingente dos pecados do mundo. Tamb\u00e9m deles seremos libertados, pois &#8220;nada nos pode separar do amor misericordioso de Deus que temos em Cristo&#8221;(Rm.8).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No c\u00e9u, diz S\u00e3o Jer\u00f4nimo, n\u00e3o podemos pecar mesmo querendo, mas neste mundo n\u00e3o podemos n\u00e3o pecar, porque o &#8220;pecado habita em n\u00f3s&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A salva\u00e7\u00e3o que temos j\u00e1 em Cristo, n\u00e3o pode ser entendida sem distinguir o &#8220;pecado original&#8221; ou de natureza, nossa condi\u00e7\u00e3o existencial, dos pecados no sentido moral. Estes seriam como os fur\u00fanculos do sangue envenenado de nosso &#8220;corpo de pecado&#8221;, como chama S\u00e3o Paulo ao pecado original. Deste &#8220;pecado&#8221; radical \u00e9 que j\u00e1 fomos salvos em Cristo, ainda que continuemos a pecar. Por isso, podemos afirmar:<br \/>\nO pecado n\u00e3o tem futuro. Da mesma maneira que continuaremos a sofrer doen\u00e7as, car\u00eancias e todo tipo de males, derivados da nossa condi\u00e7\u00e3o mortal, tamb\u00e9m seremos pecadores at\u00e9 sermos transformados pela ressurrei\u00e7\u00e3o em Cristo. Oscar Cullmann expressava esta aparente contradi\u00e7\u00e3o do mist\u00e9rio da nossa salva\u00e7\u00e3o que j\u00e1 temos em Cristo, dizendo: &#8220;J\u00e1, mas ainda n\u00e3o&#8221;. Enquanto estamos no tempo, vivemos, na condi\u00e7\u00e3o de criaturas, no pecadoras e mortais, mas santos e imortais no Corpo de Cristo ressuscitado. Ainda que quisermos ser dem\u00f4nios ou autodestruir-nos n\u00e3o mais poder\u00edamos, pois j\u00e1 fomos salvos e pertencemos a Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A VERDADE DA SALVA\u00c7\u00c3O \u00c9 HISTORICIZADA<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c0 medida em que vamos incorporando em n\u00f3s a ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo, entendemos melhor nossa exist\u00eancia e a do mundo que habitamos. Experimentamos a vida de maneira perturbadora, criando dentro de n\u00f3s um dualismo existencial de otimismo e pessimismo, de vida e de morte. Este dilema encontra resposta s\u00f3 em Cristo, sentido<br \/>\n\u00faltimo de nossa liberdade sequiosa de uma vida feliz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sartre, id\u00f3latra da sua pr\u00f3pria liberdade, chegou \u00e0 conclus\u00e3o de que s\u00f3 podemos ser livres se formos capazes de criar-nos a n\u00f3s mesmos. Aspira\u00e7\u00e3o imposs\u00edvel de realizar. Por isso, dizia ele, resta nos refugiarmos na ang\u00fastia, no cr\u00f4nico desespero do pecado e na tumba da morte. E quem n\u00e3o viver assim, acrescenta Sartre, &#8220;est\u00e1 de m\u00e1 f\u00e9&#8221;. N\u00e3o \u00e9 aut\u00eantico ou ele mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cristo continua a desafiar toda prepot\u00eancia humana dizendo: &#8220;Eu sou o caminho, a verdade e a vida&#8221; (Jo. 14). &#8220;Sem mim nada podeis fazer&#8221;. (Jo.15) &#8220;Se eu vos libertar, verdadeiramente livres ser\u00e3o&#8221; (Jo.8,36). Precisamos historicizar a<br \/>\nressurrei\u00e7\u00e3o salv\u00edfica de Cristo, isto \u00e9, torn\u00e1-la presente em todos os acontecimentos, nas alegrias e tristezas da vida presente. S\u00e3o Paulo o expresava dizendo: &#8220;Revesti-vos de Cristo&#8221; (Rm.13,14) da sua morte e da sua ressurrei\u00e7\u00e3o. S\u00f3 podemos ser plenamente humanos de maneira m\u00edstica, em comunh\u00e3o com o eterno e divino. Teilhard de Chardin, o homem mais enamorado da cria\u00e7\u00e3o, tinha esse sentimento: &#8220;O sol acaba de iluminar ao longe na regi\u00e3o extrema do oriente. Uma vez mais, sob as movedi\u00e7as cataratas dos seus raios, desperta-se viva a terra. Levarei a tua presen\u00e7a, meu Deus, minha alma aberta para ti em todo instante. O p\u00e3o do meu trabalho e esfor\u00e7o caduca. O vinho das minhas alegrias e tristezas dissolve-se no meu nada. Na imensid\u00e3o desta massa infinita do universo, sinto um desejo irresist\u00edvel que me faz gritar: &#8220;Eu sou e vivo em Ti&#8221;. Seu entusiasmo m\u00edstico o levou a ver &#8220;santa&#8221; a pr\u00f3pria mat\u00e9ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se as mol\u00e9culas de nosso corpo s\u00e3o parte do cosmos, tamb\u00e9m este participar\u00e1 da nossa glorifica\u00e7\u00e3o em Cristo. (Rm.8)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;PELAS M\u00c3OS DOS AP\u00d3STOLOS FAZIAM-SE IN\u00daMEROS MILAGRES&#8230; DAS CIDADES VIZINHAS DE JERUSAL\u00c9M, TRAZIAM DOENTES E ATORMENTADOS DE ESP\u00cdRITOS IMPUROS E TODOS ERAM CURADOS. &#8221; (At.5,12- 16)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A miseric\u00f3rdia \u00e9 expressada na Biblia com dois termos hebraicos: &#8220;Rahamim&#8221;que faz rela\u00e7\u00e3o \u00e0s entranhas maternas a gerar a vida, atributo exclusivo de Deus; e &#8220;H\u00e9sed&#8221;, afim ao sentimento de compaix\u00e3o e piedade, constitutivo do ser humano. Jesus mostrou sua miseric\u00f3rdia em ambos sentidos. Como homem teve compaix\u00e3o dos que sofriam curando numerosos doentes. Como Deus criava uma nova vida perdoando os pecados. Perd\u00e3o em latim significa dar de novo a vida, poder exclusivo de Deus ( Mc.2). Na sua ressurrei\u00e7\u00e3o, se faz presente a miseric\u00f3rdia divina, ao mesmo tempo, materna e compassiva. Somos curados dos males que nos levam fatalmente \u00e0 morte, e dos pecados que nos separam de Deus. Enquanto vivemos a P\u00e1scoa, no tempo, de maneira historizada, Jesus continuar\u00e1 sendo compassivo e misericordioso, embora s\u00f3 os que creem nele, o percebam, inclusive, como os ap\u00f3stolos, a tornam presente atrav\u00e9s das suas m\u00e3os humanas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em cada gesto de amor compassivo que n\u00f3s temos para quem sofre, Cristo se faz presente, assim como em nosso desejo de perdoar, sacramentalizamos sua divina miseric\u00f3rdia, que nos faz filhos de Deus. A doen\u00e7a e a dor s\u00e3o um obst\u00e1culo da vida e nos fazem ser menos. Afetam nosso corpo e mente. Rompem nossa rela\u00e7\u00e3o com n\u00f3s mesmos, com os outros e com Deus. Mas tamb\u00e9m tem um efeito salv\u00edfico, na medida em que nos fazem esperar a cura plena da ressurrei\u00e7\u00e3o. O mesmo efeito salv\u00edfico podemos ver em nossos pecados. S\u00e3o Francisco de Salles (s\u00e9c. XVII) os comparava ao adubo nas plantas que lhes d\u00e1 mais vida. Se na doen\u00e7a e na dor resta-nos esperar por Deus, no pecado, nosso abismo existencial, n\u00e3o podemos subsistir a n\u00e3o ser clamando pela sua miseric\u00f3rdia (Sl 130).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este horizonte de salva\u00e7\u00e3o que temos em Cristo, se torna mais f\u00e1cil de trilhar se experimentamos a compaix\u00e3o e a miseric\u00f3rdia de Deus &#8220;pelas m\u00e3os dos ap\u00f3stolos&#8221;, dos que sentem sua vida vinda de Deus em miss\u00e3o e tornam presente sua miseric\u00f3rdia compassiva e divina. Nenhum humanismo ou filantropia pode nos brindar a vida na terra, menos ainda a vida eterna. A compaix\u00e3o e a miseric\u00f3rdia de Deus atua reflexamente em n\u00f3s como a lua recebe a luz do sol iluminando a noite. Pertence a todos n\u00f3s n\u00e3o s\u00f3 receber a miseric\u00f3rdia de Deus como tamb\u00e9m faz\u00ea-la vis\u00edvel atrav\u00e9s de nossos gestos de amor misericordioso, &#8220;para que vendo vossas obras, glorifiquem a Deus&#8221; (Mt.5,16).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Cura pela Miseric\u00f3rdia<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Que diferente e sublime seria a cura atrav\u00e9s de um m\u00e9dico se ele percebesse em suas m\u00e3os a compaix\u00e3o e a miseric\u00f3rdia de Deus. Pelas nossas m\u00e3os, Cristo prolonga Sua compaix\u00e3o e a Sua miseric\u00f3rdia at\u00e9 sermos salvos plenamente com sua ressurrei\u00e7\u00e3o, milagre dos milagres. A grande revela\u00e7\u00e3o do Conc\u00edlio Vaticano II a respeito da nossa identidade eclesial foi: &#8220;A Igreja n\u00e3o substitui a Cristo\u2026&#8221; &#8220;Ela \u00e9 sinal e instrumento de salva\u00e7\u00e3o&#8221; em favor do mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cristo opera Sua salva\u00e7\u00e3o em n\u00f3s, os que cremos, em favor de todos. &#8220;Cristo conta contigo para amar&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Evangelho do Ressucitado<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;EU, JO\u00c3O, ENCONTRAVA-ME NA ILHA DE PATMOS (TURQUIA) NO DIA DO SENHOR (DOMINGO) E OUVI UMA VOZ FORTE ORDENANDO-ME:&#8221;ESCREVE O QUE V\u00caS&#8221;. VI NO MEIO DE SETE CANDELABROS UM FILHO DO HOMEM, VESTIDO COM T\u00daNICA LONGA, CINGIDA COM UM CINTO DE OURO. PONDO SUA M\u00c3O SOBRE MIM, DISSE: &#8220;N\u00c3O TEMAS!&#8221; EU SOU O PRIMEIRO E O \u00daLTIMO, O VIVENTE, E TENHO AS CHAVES DA MORTE E DO HADES.&#8221; (Ap.1,9-19)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O livro do Apocalipse que Cristo ordenou escrever a Jo\u00e3o, \u00e9 chamado Evangelho de Jesus ressuscitado. Por isso, s\u00f3 pode ser expressado atrav\u00e9s de imagens ou s\u00edmbolos estranhos ao nosso pensar humano, pois referem-se a uma realidade meta-hist\u00f3rica, imposs\u00edvel de ser representada com nossas categorias mentais. No entanto, como indica seu t\u00edtulo, \u00e9 uma grande revela\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o a ser conclu\u00edda no fim dos tempos, fruto do amor misericordioso de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto revela-nos v\u00e1rios aspectos da nossa F\u00e9, pela qual vemos o invis\u00edvel e possu\u00edmos o que esperamos (Hb.,11,1):<br \/>\nO DOMINGO \u00e9 o Dia do Senhor, no qual se faz presente a ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo atrav\u00e9s da Eucaristia, historicizando assim a P\u00e1scoa. Por isso S\u00e3o Jo\u00e3o v\u00ea Jesus, &#8220;Filho de Homem&#8221;, vestido sacerdotalmente com longa t\u00fanica e tamb\u00e9m com cinto de ouro, s\u00edmbolo da sua realeza, dizendo a todos: &#8220;n\u00e3o temam!&#8221; Eu sou o PRIMEIRO E O \u00daLTIMO, o &#8221; vivente&#8221;, que tem as chaves da morte e do Hades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em Cristo ressuscitado culmina a Hist\u00f3ria. Nele os tempos rompem a fronteira da eternidade, a pris\u00e3o da morte abre-se para a Vida e o Inferno (Hades) de nossos pecados \u00e9 fechado para sempre.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Domingo Cristo nos salva do m\u00edtico deus devorador do tempo (Cronos). Dele, Jesus diz com toda verdade o que disse a respeito do S\u00e1bado: &#8220;O Domingo \u00e9 para o Homem&#8221; e n\u00e3o o<br \/>\nhomem para o Domingo, como o temos feito, incluindo-o no mundano &#8220;fim de semana&#8221;. N\u00e3o \u00e9 mais Dia do Senhor, vencedor do pecado e da morte, mas do futebol, do churrasco ou de qualquer outra coisa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim como S\u00e3o Paulo nos diz que temos de viver de P\u00e1scoa em P\u00e1scoa, tamb\u00e9m temos de dizer: vivemos de Domingo em Domingo, &#8220;o primeiro dia da semana&#8221; no qual tudo come\u00e7a, sem a velhice do pecado e da morte. &#8220;Este \u00e9 o dia que o Senhor fez. Seja nossa alegria e nossos gozo&#8221;,repetimos no Tempo Pascal. Interessante que, mesmo contra a mentalidade secular que nos configura atualmente, ainda, nos nossos calend\u00e1rios, destacamos o domingo com outra cor e estampamos sua leitura num\u00e9rica ordinal \u00e0 esquerda, como primeiro dia da semana. At\u00e9 nesse detalhe, Deus nos mostra Sua salva\u00e7\u00e3o em Cristo ressuscitado. Tamb\u00e9m, o Domingo \u00e9 chamado de &#8220;oitavo dia&#8221;, esse dia que n\u00e3o existe no tempo semanal, porque a ressurrei\u00e7\u00e3o que, celebramos no domingo, nos introduz na eternidade. O detalhe de Jesus aparecer nesta vis\u00e3o apocal\u00edptica de Jo\u00e3o na ilha de Patmos no dia de Domingo no meio de sete candelabros nos revela o acontecimento Pascal da Eucaristia, por isso, \u00e9 celebrada pondo sobre a mesa do altar dois ou mais candelabros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os s\u00edmbolos s\u00e3o a linguagem da alma a nos revelar o invis\u00edvel e eterno. Dois detalhes aparentemente corriqueiros: o primeiro dia da semana nos nossos calend\u00e1rios ou as velas sobre o altar nas nossas Eucaristias, s\u00e3o verdadeiros sacramentos (sinais) da nossa salva\u00e7\u00e3o que s\u00f3 podem ver com os olhos os que acreditam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A TARDE DE DOMINGO, ESTANDO FECHADAS AS PORTAS, JESUS ENTROU NO LUGAR ONDE ESTAVAM SEUS DISC\u00cdPULOS REUNIDOS E LHES DISSE: &#8220;A PAZ ESTEJA CONVOSCO! COMO O PAI ME ENVIOU, TAMB\u00c9M EU VOS ENVIO. E SOPRANDO SOBRE SUAS CABE\u00c7AS LHES DISSE: &#8220;RECEBEI O ESP\u00cdRITO SANTO. AQUELES A QUEM PERDOARDES, OS PECADOS SER-LHES-\u00c3O PERDOADOS.\u201d (Jo. 20, 19-31)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Novamente, os textos deste dia remetem-nos ao sacramento do Domingo, dia em que Jesus venceu a morte e<br \/>\ns\u00e3o perdoados nossos pecados. Os crist\u00e3os s\u00e3o as \u00fanicas pessoas que celebram a vida na fatal caducidade do tempo. Outros povos t\u00eam tamb\u00e9m seu dia semanal de descanso (os judeus, s\u00e1bado, os mu\u00e7ulmanos, sexta ) mas n\u00e3o como dia da vida. \u00c9 mais tr\u00e1gico &#8220;descansar&#8221;, ficar sentado, do que trabalhar. \u00c9 o que muitos aposentados muitas vezes manifestam. &#8220;A vida \u00e9 movimento&#8221; (Arist\u00f3teles) e s\u00f3 pode existir se de fato<br \/>\nressuscitamos. Prod\u00edgio que celebramos em Cristo cada Domingo. N\u00e3o nos consta, afirma K Rahner, contra os que esperam viver no c\u00e9u contemplando &#8220;estaticamente a Deus, que a vida eterna seja assim. O movimento da vida ser\u00e1 t\u00e3o veloz que, o espa\u00e7o e o tempo que o determinam (V=ExT) precisam ser infinitos e eternos. No Domingo substra\u00edmos as coordenadas espa\u00e7o-temporais para sermos imortais e plenos de vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O tradicional &#8220;descanse em paz&#8221; com o qual seremos despedidos desta vida, teria maior sentido pascal se, como costumamos, diss\u00e9ssemos: &#8220;Vai com Deus&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Apari\u00e7\u00e3o de Jesus Cristo<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A narrativa da apari\u00e7\u00e3o de Cristo ressuscitado na tarde do mesmo dia, Domingo, em que Jesus ressuscitou, mostra-nos outros aspectos do acontecimento da ressurrei\u00e7\u00e3o. Jesus &#8220;entrou estando as portas fechadas&#8221;. Ele n\u00e3o estava mais condicionado \u00e0 lei f\u00edsica da impenetrabilidade. Seu corpo (pessoa) glorioso pertence ao outro &#8220;reino&#8221; ou e\u00f3n. Por isso, nas suas &#8220;apari\u00e7\u00f5es&#8221; precisou se dar a conhecer. N\u00e3o era um fantasma, mas tamb\u00e9m n\u00e3o era realidade deste mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A \u00fanica rel\u00edquia f\u00edsica que temos da pessoa de Jesus \u00e9 o Santo Sud\u00e1rio de Turim a desafiar os olhos da ci\u00eancia. Nele aparece seu rosto e corpo, com vest\u00edgios de sangue e sinais reais das suas feridas. Inclusive, ultimamente, foram descobertos neste sublime len\u00e7ol, microsc\u00f3picas part\u00edculas de p\u00f3len diferentes,<br \/>\npertencentes aos tr\u00eas lugares nos quais foi resguardado: Palestina, Edessa (Turquia) e, dali, levado pelos monges Templ\u00e1rios a Lirey (Fran\u00e7a) no ano 1354 para, finalmente, no ano 1535, ficar em Turim onde est\u00e1 at\u00e9 hoje, passando ileso no seu p\u00e9riplo por v\u00e1rias cat\u00e1strofes e dois inc\u00eandios. O Corpo de Jesus aparece em tres dimens\u00f5es, imposs\u00edvel de ser reproduzido mesmo com os meios qu\u00edmicos e tecnol\u00f3gicos de nosso tempo, assim como n\u00e3o podemos explicar a consist\u00eancia do seu tecido, como acontece tamb\u00e9m com a gravura da Virgem de Guadalupe. Os disc\u00edpulos &#8220;viram&#8221; Jesus com menor realismo hist\u00f3rico do que podemos ver no Santo Sud\u00e1rio de Turim. Em ambos casos, Cristo ressuscitado ser\u00e1 at\u00e9 o fim dos tempos objeto da nossa F\u00e9. Aquele que &#8220;decide&#8221; crer experimenta j\u00e1 neste mundo a vit\u00f3ria da sua morte e o perd\u00e3o dos seus pecados. E quem n\u00e3o crer, embora tamb\u00e9m ser\u00e1 salvo, passar\u00e1 tragicamente esta vida, escravizado pelo medo da morte e do diabo (pecado) (Hb.2,15). H\u00e1 quem, como Tom\u00e9, exige uma prova mais sens\u00edvel &#8220;tocar&#8221; Cristo ressuscitado, imposs\u00edvel, \u00e9 claro, mas at\u00e9 nisto a miseric\u00f3rdia divina condescende para nos salvar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na Eucaristia, o vemos, tocamos e comemos, mas Deus n\u00e3o nos dispensa a F\u00e9. &#8220;Felizes os que n\u00e3o viram e creram&#8221;. Para ver \u00e9 preciso previamente crer. &#8220;Venham e ver\u00e3o&#8221;, foi assim que Jesus chamou aos seus primeiros disc\u00edpulos. Por isto, os cientistas, mesmo n\u00e3o podendo refutar o fato real do corpo de Cristo estampado no Santo Sud\u00e1rio de Turim, n\u00e3o conseguem v\u00ea-lo, como n\u00e3o vemos Deus presente na &#8220;fornalha&#8221; do sol, verdadeira Sar\u00e7a ardente de Mois\u00e9s que n\u00e3o se consome.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A grande espiritualidade que deixou Santo In\u00e1cio de Loyola para seus disc\u00edpulos, os jesu\u00edtas, foi &#8220;ver Deus em todas as coisas&#8221;. Milagre, em latim, significa<br \/>\nadmirar. A f\u00e9 torna nossa exist\u00eancia permanentemente milagrosa a ser consumada com o milagre dos milagres que \u00e9 a ressurrei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;E SOPRANDO SOBRE ELES&#8221; lhe comunicou o dom do Esp\u00edrito Santo, o dom da vida e tamb\u00e9m o perd\u00e3o dos pecados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O gesto de Jesus ressuscitado remete-nos ao sopro vital de Deus no boneco de barro inerte de Ad\u00e3o (Gn.2). A ressurrei\u00e7\u00e3o inaugura a era da vida eterna e gloriosa. &#8220;O mesmo Esp\u00edrito que ressuscitou Jesus de entre os mortos, dar\u00e1 tamb\u00e9m vida aos vossos corpos mortais&#8221; (Rm.8,11) e o perd\u00e3o dos pecados. Este Pentecostes ou colheita da Ressurrei\u00e7\u00e3o foi empobrecido interpretando o dom de vida e perd\u00e3o dos pecados como &#8220;poder&#8221;, inclusive &#8220;transferindo&#8221; este poder aos ap\u00f3stolos e os que lhe sucederam no seu minist\u00e9rio evangelizador. Na teologia se diz que o sacerdote perdoa os pecados na pessoa de Cristo. De fato, quem perdoa \u00e9 Cristo. Mas, a maneira como \u00e9 celebrado, este perd\u00e3o ou miseric\u00f3rdia divina ficam empobrecidos. Al\u00e9m de limitar este dom de Deus \u00e0 autoridade de certas pessoas consagradas, nem sempre dispon\u00edveis, o transforma em tribunal de justi\u00e7a no qual o pecador recebe &#8220;absolvi\u00e7\u00e3o&#8221; com certas condi\u00e7\u00f5es e devida indeniza\u00e7\u00e3o. O texto grego usa o termo &#8220;kratein&#8221;, que significa controlar, dominar, no lugar de perdoar, e mal no lugar de pecado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Esp\u00edrito Santo, que faz presente a Jesus ressuscitado at\u00e9 o fim do mundo, \u00e9 a pr\u00f3pria miseric\u00f3rdia de Deus que nos faz nascer como filhos de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O mal, o pecado e a morte s\u00e3o controlados, dominados e vencidos pela energia da ressurrei\u00e7\u00e3o que se torna esp\u00edrito de vida e de santidade.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A morte n\u00e3o mais nos roubar\u00e1 a vida&#8221; (K.Rahner). Os que professam a F\u00e9 crist\u00e3, tornam &#8220;sens\u00edvel&#8221; este mist\u00e9rio atrav\u00e9s dos sacramentos do Batismo e do Perd\u00e3o dos Pecados (a Penit\u00eancia) em favor de todos, assim como celebramos a vit\u00f3ria sobre o pecado e a morte na Eucaristia com a mesma dimens\u00e3o universal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nosso pecado ser\u00e1 maior, do que os nossos outros pr\u00f3prios pecados, se nos omitirmos em celebr\u00e1-lo sacramentalmente ou com gestos de perd\u00e3o e de miseric\u00f3rdia para com os outros, pois &#8220;reteremos&#8221; a miseric\u00f3rdia e a salva\u00e7\u00e3o de Deus destinada ao mundo inteiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos, os que cremos, &#8220;somos sinal e instrumentos da salva\u00e7\u00e3o de Cristo&#8221; para todos. Evangelizar consiste em fazer todos os povos conscientes desta salva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Padre Jesus Priante<br \/>\nEspanha.<br \/>\nEdi\u00e7\u00e3o e intert\u00edtulos por Malcolm Forest. S\u00e3o Paulo.<br \/>\nCopyright 2022 Padre Jesus Priante.<br \/>\nDireitos Reservados.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com este t\u00edtulo, o Papa Jo\u00e3o Paulo II consagrou este Domingo completando o sentido salv\u00edfico da P\u00e1scoa. A ressurrei\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a vit\u00f3ria ou liberta\u00e7\u00e3o da morte, mas tamb\u00e9m do pecado. No cemit\u00e9rio deixaremos nossos restos mortais e os v\u00edrus (veneno) de nossos pecados. 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