{"id":73459,"date":"2022-04-13T09:06:14","date_gmt":"2022-04-13T12:06:14","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=73459"},"modified":"2022-04-13T17:45:52","modified_gmt":"2022-04-13T20:45:52","slug":"o-papa-a-guerra-e-um-sacrilegio-deixemos-de-alimenta-la","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/o-papa-a-guerra-e-um-sacrilegio-deixemos-de-alimenta-la\/","title":{"rendered":"O Papa: &#8220;A guerra \u00e9 um sacril\u00e9gio, deixemos de aliment\u00e1-la&#8221;"},"content":{"rendered":"<figure class=\"article__image\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"didascalia_img\">Capa do livro do Papa Francisco &#8220;Contra a guerra&#8221; (REUTERS)\u00a0 (REUTERS)<\/span><\/figure>\n<div class=\"article__meta audioInside\" data-mediatype=\"\">\n<div class=\"article__subTitle\" style=\"text-align: justify;\">&#8220;Contra a guerra. A coragem de construir a paz&#8221; \u00e9 o livro do Papa Francisco que sair\u00e1 nas bancas de jornal, nesta pr\u00f3xima quinta-feira, junto com o Corriere della Sera. O livro apresenta o di\u00e1logo como arte pol\u00edtica, a constru\u00e7\u00e3o artesanal da paz e o desarmamento como uma escolha estrat\u00e9gica. Segue a introdu\u00e7\u00e3o do livro do Papa.<\/div>\n<div class=\"title__separator\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div class=\"article__text \">\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>FRANCISCO<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 um ano, em minha peregrina\u00e7\u00e3o ao Iraque martirizado, pude experimentar o desastre causado pela guerra, viol\u00eancia fratricida e terrorismo. Vi os escombros das casas e as feridas dos cora\u00e7\u00f5es, mas tamb\u00e9m sementes de esperan\u00e7a de renascimento. Nunca teria imaginado ver um ano depois um conflito irromper na Europa. Desde o in\u00edcio do meu servi\u00e7o como bispo de Roma, falei sobre a Terceira Guerra Mundial, dizendo que j\u00e1 a estamos vivendo, mesmo que ainda em peda\u00e7os. Esses peda\u00e7os se tornaram cada vez maiores, soldando-se entre si. Tantas guerras est\u00e3o acontecendo no mundo neste momento, causando imensa dor, v\u00edtimas inocentes, principalmente crian\u00e7as. Guerras que provocam a fuga de milh\u00f5es de pessoas, obrigadas a deixar suas terras, suas casas, suas cidades destru\u00eddas para salvar suas vidas. Essas s\u00e3o as muitas guerras esquecidas, que de vez em quando reaparecem diante de nossos olhos desatentos.<\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"article__embed article__embed--unwrap article__embed--dark\">\n<div class=\"article__innerTitle\">Ou\u00e7a e compartilhe<\/div>\n<div>\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-73459-1\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/media.vaticannews.va\/media\/audio\/s1\/2022\/04\/13\/16\/136512837_F136512837.mp3?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/media.vaticannews.va\/media\/audio\/s1\/2022\/04\/13\/16\/136512837_F136512837.mp3\">https:\/\/media.vaticannews.va\/media\/audio\/s1\/2022\/04\/13\/16\/136512837_F136512837.mp3<\/a><\/audio>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estas guerras nos pareciam &#8220;distantes&#8221;. At\u00e9 que, agora, quase de imprevisto, a guerra eclodiu perto de n\u00f3s. A Ucr\u00e2nia foi agredida e invadida. Infelizmente, muitos civis inocentes, mulheres, crian\u00e7as e idosos foram obrigados a viver em abrigos cavados no ventre da terra para fugir das bombas, com fam\u00edlias que se dividem porque os maridos, pais e av\u00f3s ficam para lutar, enquanto esposas, m\u00e3es e av\u00f3s procuram ref\u00fagio ap\u00f3s longas viagens de esperan\u00e7a e cruzam a fronteira buscando acolhimento em outros pa\u00edses que os recebem com grandeza de cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diante das imagens angustiantes que vemos todos os dias, diante do choro de crian\u00e7as e mulheres, s\u00f3 podemos gritar: \u201cParem!\u201d. A guerra n\u00e3o \u00e9 a solu\u00e7\u00e3o, a guerra \u00e9 uma loucura, a guerra \u00e9 um monstro, a guerra \u00e9 um c\u00e2ncer que se autoalimenta engolindo tudo! Al\u00e9m disso, a guerra \u00e9 um sacril\u00e9gio, que destr\u00f3i o que h\u00e1 de mais precioso em nossa terra, a vida humana, a inoc\u00eancia dos pequenos, a beleza da cria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sim, a guerra \u00e9 um sacril\u00e9gio! N\u00e3o posso deixar de recordar a s\u00faplica com que, em 1962, S\u00e3o Jo\u00e3o XXIII pediu aos poderosos do seu tempo para deterem a escalada b\u00e9lica que poderia levar o mundo ao abismo do conflito nuclear. N\u00e3o posso esquecer a for\u00e7a com que S\u00e3o Paulo VI, falando em 1965 na Assembleia Geral das Na\u00e7\u00f5es Unidas, disse: \u00abNunca mais a guerra, nunca mais guerra!\u00bb. Ou, ainda, os muitos apelos pela paz de S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II, que em 1991 definiu a guerra como &#8220;uma aventura sem volta&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que estamos vendo \u00e9 mais uma barb\u00e1rie e, infelizmente, temos uma mem\u00f3ria curta. Sim, porque se tiv\u00e9ssemos uma mem\u00f3ria, lembrar\u00edamos o que nossos av\u00f3s e pais nos contaram, e sentir\u00edamos a necessidade de paz, assim como nossos pulm\u00f5es precisam de oxig\u00eanio. A guerra altera tudo, \u00e9 pura loucura, seu \u00fanico objetivo \u00e9 a destrui\u00e7\u00e3o e ela se desenvolve e cresce atrav\u00e9s da destrui\u00e7\u00e3o e se tiv\u00e9ssemos mem\u00f3ria, n\u00e3o gastar\u00edamos dezenas, centenas de bilh\u00f5es de d\u00f3lares em rearmamento, em nos equiparmos com armas cada vez mais sofisticadas, em aumentar o mercado e o tr\u00e1fico de armas que acabam matando crian\u00e7as, mulheres e idosos: 1981 bilh\u00f5es de d\u00f3lares por ano, de acordo com os c\u00e1lculos de um grande centro de pesquisa de Estocolmo. Isto representa um aumento dram\u00e1tico de 2,6% no segundo ano da pandemia, quando todos os nossos esfor\u00e7os deveriam ter sido concentrados na sa\u00fade global e em salvar vidas humanas do v\u00edrus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se tiv\u00e9ssemos mem\u00f3ria, saber\u00edamos que a guerra, antes de chegar \u00e0 linha de frente, deve ser detida no cora\u00e7\u00e3o. O \u00f3dio, antes que seja tarde demais, deve ser erradicado dos cora\u00e7\u00f5es. E para isso, precisamos de di\u00e1logo, negocia\u00e7\u00e3o, escuta, capacidade e criatividade diplom\u00e1tica, de uma pol\u00edtica de longo alcance capaz de construir um novo sistema de conviv\u00eancia que n\u00e3o se baseie mais nas armas, no poder das armas e na dissuas\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Toda guerra representa n\u00e3o apenas uma derrota da pol\u00edtica, mas tamb\u00e9m uma rendi\u00e7\u00e3o vergonhosa diante das for\u00e7as do mal. Em novembro de 2019, em Hiroshima, cidade s\u00edmbolo da Segunda Guerra Mundial, cujos habitantes foram trucidados, junto com os de Nagasaki, por duas bombas nucleares, reiterei que o uso da energia at\u00f4mica para fins b\u00e9licos \u00e9, hoje mais do que nunca, um crime, n\u00e3o s\u00f3 contra o homem e sua dignidade, mas contra qualquer possibilidade de um futuro em nossa Casa comum. O uso da energia at\u00f4mica para fins de guerra \u00e9 imoral, assim como a posse de armas at\u00f4micas \u00e9 imoral.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quem poderia imaginar que menos de tr\u00eas anos depois o espectro de uma guerra nuclear apareceria na Europa? Ent\u00e3o, passo a passo, estamos caminhando para a cat\u00e1strofe. Peda\u00e7o por peda\u00e7o, o mundo corre o risco de se tornar o cen\u00e1rio de uma \u00fanica Terceira Guerra Mundial. Caminhamos como se fosse inevit\u00e1vel. Em vez disso, devemos repetir com for\u00e7a: n\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 inevit\u00e1vel! N\u00e3o, a guerra n\u00e3o \u00e9 inevit\u00e1vel! Quando nos deixamos devorar por esse monstro representado pela guerra, quando permitimos que esse monstro levante a cabe\u00e7a e guie nossas a\u00e7\u00f5es, todos perdemos, destru\u00edmos as criaturas de Deus, cometemos sacril\u00e9gio e preparamos um futuro de morte para nossos filhos e nossos netos. A gan\u00e2ncia, a intoler\u00e2ncia, a ambi\u00e7\u00e3o de poder, a viol\u00eancia, s\u00e3o raz\u00f5es que impulsionam a decis\u00e3o b\u00e9lica, e muitas vezes essas raz\u00f5es s\u00e3o justificadas por uma ideologia b\u00e9lica que esquece a dignidade incomensur\u00e1vel da vida humana, de cada vida humana, e o respeito e cuidado que lhe devemos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Perante as imagens de morte que nos chegam da Ucr\u00e2nia, \u00e9 dif\u00edcil ter esperan\u00e7a. No entanto, h\u00e1 sinais de esperan\u00e7a. H\u00e1 milh\u00f5es de pessoas que n\u00e3o aspiram \u00e0 guerra, que n\u00e3o justificam a guerra, mas pedem a paz. H\u00e1 milh\u00f5es de jovens que nos pedem para fazer todo o poss\u00edvel e imposs\u00edvel para deter a guerra, para deter as guerras. \u00c9 pensando primeiro neles, nos jovens e nas crian\u00e7as, que devemos repetir juntos: nunca mais a guerra. Ao mesmo tempo nos comprometemos a construir um mundo mais pac\u00edfico porque mais justo, onde triunfe a paz, n\u00e3o a loucura da guerra; a justi\u00e7a e n\u00e3o a injusti\u00e7a da guerra; o perd\u00e3o rec\u00edproco e n\u00e3o o \u00f3dio que divide e que nos faz ver no outro, no diferente de n\u00f3s, um inimigo.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Capa do livro do Papa Francisco &#8220;Contra a guerra&#8221; (REUTERS)\u00a0 (REUTERS) &#8220;Contra a guerra. 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